tristeza

É impressionante como a vida tem essa coisa maluca de nos direcionar silenciosamente para certos lugares obscuros sem que a gente sequer perceba. Eu me torturei como um maluco preso em uma solitária, eu criei histórias na minha cabeça tão perfeitamente narradas que meu corpo acreditava que realmente haviam acontecido. Eu vesti a mesma máscara tantas vezes que acreditei que aquela era veridicamente a minha face. A face de alguém feliz, de alguém completamente resolvido. Escondi tão fundo meus monstros que ninguém foi capaz de encontrá-los, apenas eu, que os ouvia gritando todas as noites sem conseguir dormir no meu quarto. E como toda situação forçada, aquilo ficou insustentável, e eu tive que ceder!

Internalizar culpas, desejos e angústias é a maior cilada de todas. É uma mutilação diária, tentando se convencer de que você é um personagem fictício, uma marionete que tem os movimentos totalmente previsíveis. Só que não é assim que as coisas funcionam, as pessoas são imprevisíveis, o amor então… Eu vi a chuva caindo e chorei compulsivamente, sabendo que ninguém me ouviria. As lágrimas saiam tão naturalmente de mim, há tanto presas de propósito, que meu corpo não sabia reagir, ainda estava domado pela ideia de que estava tudo perfeitamente bem!

Lembro que abracei meu melhor amigo e tive forças para contar pela primeira vez a alguém. Minhas mãos tremiam e eu balbuciava, mas ao mesmo tempo era uma ótima sensação compartilhar aquilo, por para fora, me expressar, ver que alguém estava ali por mim. Hoje sei que é impagável o valor de um bom amigo. Ainda passei longos dias em estado de choque, de repente todo mundo sabia quem eu realmente era, e mesmo que sem entender o que acontecia comigo, muitos juravam saber exatamente o que era, e criticavam, julgavam e apontavam um dedo moralista e sem conhecimento algum.

A gente corre o risco de ser excluído ou mal visto pelas pessoas, chama-se vida! O bom é que a gente aprende que não está aqui para agradar ninguém que a gente não queira, a vida é tão curta e a gente não é obrigado a escolher certos caminhos só por que alguém ou um grupo diz que assim deva ser. Hoje estou tão leve comigo mesmo, com essa sensação de poder começar de novo, de resgatar meus velhos sonhos, de tentar continuar lutando por tudo aquilo que sempre me foi tão importante que já nem me importo com os olhares de julgamento e os fiscais de plantão.

 Quem é você?

 Quantos personagens existem dentro do seu corpo?

 Quanto que as pessoas, a sociedade e certas situações influenciam você a ser quem você não é de verdade?

 Vamos garantir que a vida seja vivida sem máscaras, isso inclui a empatia por quem ainda não deixou a sua própria cair. Tão feio é apontar o dedo que suspeito que seja um tipo de máscara também, uma ligada à ignorância talvez, ou a falta de empatia… Quem sabe ambos! Vamos viver, que a vida é agora!

 Afinal, quem é você?

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24 anos, engenheiro civil por formação e escritor por paixão. Adora uma boa leitura, séries e filmes. Exagerado, admirador do cotidiano e péssimo escritor de perfis.