superação


Escute enquanto lê:

Caramba…

Não parece que tem tanto tempo, mas tem. Tem tempo até demais desde que meus ouvidos foram acalentados com a sua risada contagiante e que meus cabelos foram acariciados pelas suas mãos. Tem muito tempo mesmo desde que você se foi e eu te vi pela última vez. Chega a ser até estranho que você continue tão vivo e tão claro na minha mente, nas minhas lembranças e nos detalhes dos meus dias.

Hoje é seu aniversário e uma semana antes eu já conseguia sentir que meu coração estava batendo mais forte – ou muito mais fraco. Eu sabia que esse dia ia chegar e a ansiedade de lembrar que não ia tê-lo por perto me consumia a cada segundo. É foda. Dói muito saber que você não vai acordar hoje super feliz com um abraço apertado meu – ou que você não vai acordar nunca mais. Dói lá no fundo da alma saber que um dia tão importante vai passar assim, em branco, sem nada. Sem sorvete de morango e nuggets de frango. Sem sorrisos e conversas profundas sobre a vida.
É dolorido só de imaginar que eu não vou sentir sua mão segurando a minha e que tudo que eu terei de presente é um passado recheado.

Meus olhos se enchem de lágrimas por ainda contar os seus anos de vida sem a sua presença, mas eu tento parecer forte, não só para mim, mas para você também. Sei que me ensinou muitas coisas valiosas enquanto teve a chance, e a principal delas foi um tutorial de como me manter em pé. Porém, existem momentos em que eu me sinto como aquela garotinha de 7 anos que andava com uma camisola enorme pela casa cantarolando canções recém inventadas pelo seu pai. Me sinto pequenina igual à ela. Me sinto solitária, precisando de todas aquelas coisas que ela tinha.

Mas ela cresceu.

O mundo girou, as coisas mudaram e eu não tenho mais você.

O sentimento daquela menininha me invade e eu lembro de cada coisinha que você talvez nem se lembrasse mais, se estivesse aqui. Eu dou risada, sabe? Eu solto uma gargalhada forte e lembro do quanto você me desafiava e me preparava pra ser quem eu sou hoje. Eu nem gostava de dançar, mas subia nos seus pés para qualquer valsa. Por você, eu virava noites observando a lua, escalava pedras e comia legumes – o que era o mais difícil. Por você, eu deixava de ser indefesa, eu virava seu orgulho.

E eu sabia que eu era sua princesa, e que no seu mundo, você me preparava para ser só minha. Mas acabei sendo sua, inteira. Sendo o seu retrato falante. E eu não sei se você daí consegue me ver, mas se conseguir, saberá que eu talvez ainda use uma coroa imaginária. Talvez saiba que eu ainda tenho aqueles sonhos inocentes e que ainda espero pelo príncipe encantado. Talvez você até ache que eu estou me virando muito bem sozinha, e que seu trabalho foi bem feito.

E foi.

Mas eu sinto que mesmo que eu me torne uma rainha, meu rei sempre será você, aí das estrelas.

Você foi meu primeiro amor porém eterno.

Você deixava eu me deitar nas suas pernas enquanto rabiscava um livro qualquer de figuras. Eu nem sabia falar, mas sei que no meu olhar, eu já dizia “eu te amo”.

Eu te amo.

Mesmo que doa, incomode, me maltrate e me castigue, essa saudade nunca será maior do que o meu amor. Minha admiração pelo puta homem que você foi e pelas coisas incríveis que você fez. Mesmo que eu ainda vá lamentar as coisas que faltaram na sua lista, mesmo que nada vá ser igual e que a falta me corte como um caco de vidro, de alguma forma eu carrego seu coração. Sei que você vive dentro de mim e que de alguma maneira bem maluca, viramos um só.

Hoje é seu aniversário e eu queria que sua imagem se manifestasse e colorisse minha visão. Mas talvez, só talvez… nem precise.
Mesmo que eu vá me sentir como aquela garotinha que roubava seu violão sem nem saber tocar e inventava músicas sem nem saber cantar, eu sei que você vai sentir, seja lá como for.
Talvez eu me sente na sua varanda, como você faria, estique as pernas em cima de outra cadeira e observe a vista. Talvez eu até mesmo tome aquele caldinho de feijão que você tanto gostava, ou vá naquele restaurante que íamos todos os dias depois da piscina. Talvez eu coma uma empada de chocolate e ria muito enquanto me lembro de você
Talvez eu olhe pro céu e note que tem algo brilhando mais do que o resto e simplesmente saiba que pra sempre, seu dia é apenas seu.

E agora, também é meu.

0 comentários

19 anos de muita história para contar, autora do blog duzentaslinhas.com.br, residente do país das maravilhas e escritora nas horas vagas - nas outras também. Geminiana, sonhadora, avoada, estudante de psicologia, especialista em matérias impossíveis e completamente apaixonada por pessoas, flores e tudo que há de belo no mundo. Acredita em fadas, sereias e em um amor que cura todos os males. Quer conversar comigo pelas redes sociais? Fácil, só me chamar em @duzentaslinhas  Ou quer desabafar secretamente? Me chama no snap duzentaslinhas ou pode me mandar sua história pelo e-mail duzentaslinhas@gmail.com (juro que sou boa em conselhos)  

Certo dia, eu tive a ideia de abrir as configurações de pessoas bloqueadas do meu perfil do Facebook e Whats App. Tinha umas boas dezenas de bloqueados. Pessoas que eu não queria na minha timeline, nem que participassem da minha vida virtual (nem eu queria ver a deles). Pessoas que me magoaram e que já partiram. Todos lá, povoando um ambiente confiado do meu desprezo. Foi, então, que me perguntei, por que eu fiz isso? Por que bloquear? Se eu não gosto de uma padaria, eu, simplesmente, deixo de ir nela. Eu não coloco um X vermelho bem grande na porta da padaria ou um cartaz dizendo: EU, CAL CRISPIM, NÃO COMPRO MAIS PÃO AQUI! Por que com as pessoas colocamos este tal X? Por que não apenas deixar de visitar as padarias e as pessoas que não gostamos mais?

A ação de bloquear nos dias de hoje equivale, muitas vezes, a dizer: EU TE ODEIO! ME ESQUECE! #PQNÃOMORRE??? Isso tudo sem você precisar olhar na cara da pessoa. Você percebe que ao bloquear machucou alguém que no fundo merecia ser magoado (porque já fez pior contigo umas 100 vezes) e isso alimenta nossos egos infantis. A tal da “vingancinha” virtual! Confessemos: é gostoso e satisfatório bloquear alguém de vez em quando, mas significa muito mais do que se vingar e machucar. Significa que existe mágoa e, principalmente, rancor. A grande questão é: PRA QUÊ NUTRIR TAIS SENTIMENTOS?

Pensando nisso, comecei a DESBLOQUEAR as pessoas do meu Facebook e do Whats App. Pessoas que eu nem sabia mais o porquê de estarem lá, mas em algum momento foi odiado o suficiente para ir à minha penitenciaria mental. Eu não queria mais manter ninguém nesta lista negra psicológica. Simplesmente as deixei livres. Livres das minhas mágoas, das minhas decepções. E sabe qual foi o resultado disso? Apenas uma deliciosa sensação boa de fazer as pazes comigo mesma. As pazes com minhas dores.

Mas Cal, não se esqueça, eles estão bloqueados porque foram traidores, mentirosos, psicopatas, pessoas ruins, pessoas que eu não desejo conviver! Bloquear é como criar um presídio de segurança máxima e sentenciar à todos a prisão perpetua. Sim, eu sei disso. Mas o grande lance é que o bloqueio demonstra muita infantilidade da nossa parte. Lembra quando você era criança e quando não queria falar com sua amiga, unia seus dedos indicadores e falava: Corta aqui? O bloqueio é um Corta Aqui no século XXI. Bloquear é ficar de mal do coleguinha e mesmo que você nunca mais queira falar com seu ex-amigo-vizinho-chefe-parceira-sejaláquemfor, acha mesmo necessário o Corta Aqui? Eu te digo: NÃO É.

Você tem que ser adulto o suficiente para sair da vida de uma pessoa sem ficar de mal, ou sem esses métodos infantis. Tem que ser adulto o suficiente para dizer: Hey, eu tenho o seu número, mas não significa que eu vou te ligar (porque eu não quero e nem vou). Eu sei qual seu nome no Facebook, no Instagram, no Snapchat, mas eu não quero saber como anda a sua vida! Tem que ter maturidade nível MASTER para não ficar fuçando a rede social de alguém que você não quer contato. Vocês bem sabem do que eu estou falando, porque sim, é possível você não querer conviver-namorar-ter amizade-trabalhar com alguém e ainda assim viver na CURIOSIDADE de bisbilhotar como anda a vida do moribundo. Curiosidade nem que seja para saber que ele está numa pior! Sofrendo e chorando! Se está feliz, ou noutro planeta.

Turma, vamos crescer e pensar positivo para aquelas que nos machucaram! É difícil, mas vamos tentar! Pense: Que eles sejam infelizes! Ops… errei a escrita, eu quis dizer, infelizes. Não, Cal, FELIZES! Isso, felizes (Nossa! Como é difícil mesmo!). Foi isso que eu queria dizer, todos merecem ser felizes nessa vida. Porque pessoas felizes não tem tempo e nem interesse em machucar-magoar-mentir e ferir outras pessoas. Estou enganada? Claro que não, por isso, vamos (precisamos) desejar coisas boas e amar (sim, amar) aquelas que nos feriram algum dia. Vamos ser seres humanos melhores?! Que tal?

Obs: Amar não significa se relacionar ou se envolver. Apenas queira bem, pense positivo e deseje o melhor para aquelas vidas!

Nessas tentativas de amadurecer, minha vida ficou mais suave depois de colocar isso em prática. Com apenas um click, com pequenos gestos como: desbloquear pessoas e trocar de padaria. Gestos como abrir as portas da frente da minha penitenciaria mental.

Hey, sintam-se livres! E sejam muito, muito, mas muito FELIZES!  Bem, bem, mas bem longe de mim!

0 comentários

Sou musicista (sem banda) Escritora (sem livro) Professora de Educação Física (que ama batata... frita!) Dependente química em Seriados e chocolates (sim, no plural!) Colecionadora de livros, gibis e cds (aceito presentes!)  Apaixonada por Beach Tennis (meu escritório é na praia;) Adoro escrever (principalmente escrever o que penso entre parenteses).  Soteropolitana, nascida e criada em Salvador-Bahia (com grande antipatia por axé e cia. ltda)  Ciumenta com meus familiares, amigos e amores  #soudessas #adorohashtag #xerudacal Agora sim, me fale mais sobre você? ...