encontros


Escute enquanto lê:


Você já teve aquela impressão de que você era difícil demais de amar? Pois é. Eu sinto isso todos as vezes em que tento me relacionar com algum indivíduo. Tem aquela coisa típica de primeiro encontro, vocês sabem. Ele te leva pra sair, você se arruma como se fosse encontrar seu príncipe encantado e no fim, não é nada demais – o que eu até prefiro, para ser sincera. Vocês vão pra um barzinho qualquer, tomam um cerveja barata só para jogar uma conversa fora, falam sobre seus gostos, seus antigos relacionamentos, seus sonhos e sua família. Vocês riem, riem muito. Riem porque ele é engraçado e você é mais ainda. Você pedem algo pra comer e a a noite passa sem você notar.

Vocês dividem o uber para casa, as vezes ele te convida para dele, as vezes você volta para sua. Se você voltar pra sua casa depois de um encontro daqueles, você liga pras suas amigas, manda mensagem, faz até facetime “AMIGA, VOCÊ NÃO SABE, ENCONTREI MINHA ALMA GÊMEA” “AMIGA, ELE É PERFEITO! DESSA VEZ É SÉRIO”.

Mas não é. Vocês saem mais algumas vezes, e não dá em nada. Acho que ele só queria te levar para cama. Vocês discutem, param de se falar, se excluem das redes sociais e você chora no ombro de alguém.

Ninguém diz “eu te avisei” para um coração partido procurando por um amor. Eles só te abraçam e prometem que você é boa demais, inteligente demais, legal demais e que ELE não te merecia. É o que os amigos fazem e você os ama por cada palavrinha que acolhe seu corpinho frágil.

Mas adivinha? Você volta pro tinder. É, sabe o tinder, aquele aplicativo de namoros que mais se parece um cardápio humano? Esse! Você volta para lá, porque a vida da boate te cansou, porque os beijos vazios te magoam quando você chega em casa. Porque você não liga pra aquele cara bêbado que tentou agarrar você sem nem saber quem você é. Você vai procurar um amor.

Eu nem preciso dizer que você acha, né? A conversa de vocês bate de cara. Vocês começam a virar amigos íntimos, contam piadas um pro outro, riem da vida. Resolvem sair. Seu coração parece que vai pular pela boca – ou de um precipício. Você não liga, nem um pouco. Pede ajuda para se arrumar. Coloca um vestido arrumadinho e vai pro balada mix encontrar o fulano. A conversa é profunda, você olha nos olhos dele e AGORA você tem certeza. MANO, É ELE! É ele o cara da sua vida, o que você quer pra você. Vocês vão no cinema, assistem “Cidades de papel”, ele te conta o quanto esse filme lembra ele dos tempos em que ele morava em Miguel Pereira, você presta atenção, é claro. Você fala da sua vida também das suas séries preferidas, do que você já passou e do que pretende passar.

Ele te beija. Caralho, que beijo. Você sente que vai flutuar, ele também.

Vocês engatam nessa ficada séria, onde ninguém pode ficar com ninguém. Começam a se ver mais, a se curtir mais, você tenta ser reservada mas não tanto, começa a se abrir pra ele aos pouquinhos. Mas quer saber? Ele começa a dizer que VOCÊ não demonstra seus sentimentos, que você não é carinhosa, que você é o problema. Você acredita nele. Você chora. Seus amigos te dizem que não, que você não é essa garota que ele insiste em dizer que você é. Não é culpa sua, caralh*!

Vocês terminam, você não esquece as palavras dele. Afinal, será que eu sou mesmo uma incógnita? Será que eu não deixo eles me conhecerem? O que tem de errado comigo?
O sexo foi ruim? Foi o meu corpo? Será que eu não sou bonita o suficiente? Por que ele me tratou que nem lixo depois de dizer que gostava taaaaanto de mim?

Passa um BOM tempo. Você esquece dele. Você muda, amadurece, passa por um monte de coisas novas. Você conhece outro cara. Ele é legal, engraçado, despojado, viajado, mas não quer nada sério. Vocês ficam, mas não dá em nada. Você quer namorar. Então, você perde as esperanças. Deixa a vida te levar, para de procurar coisa em buraco vazio.

Você acha. Um match despretensioso te leva até ele. Ele é diferente. Ele é sarcástico, o humor dele te faz sorrir no meio de madrugada, vocês trocam mensagens o dia inteiro por um loooongo tempo. Você conta da sua vida, afinal.. você precisa demonstrar mais, não foi o que o Outro falou? Você faz isso. Você age como si mesma. Você come besteira na frente dele, se suja, ri das suas loucuras, conta os seus problemas, conta as suas dificuldades. Abre sua casa, sua família, seu coração.

Vocês começam a se encontrar mais vezes – é, de novo. Você promete que NÃO VAI SE APAIXONAR. Mas aí um dia, você está deitada no sofá dele, apoiado no peito dele, olhando para os olhos DELE e você sente aquele embrulho no estômago que diz “É, minha filha.. você tá nessa outra vez”

Dessa vez você não precisa dizer para ninguém que é diferente, afinal.. você nem quer assumir que é diferente. Você finge pra si mesma que não é. Você foge dos outros caras, procura ele em todos os rostos que você vê. E nada.

Ele fala que você é ABERTA demais, sabe? Que você é disponível demais, sabe? Que você não é transparente, sabe? E você pensa “Porra, outra vez não.. por favor”
Aliás, você pensa “Dessa vez não, por favor..”

Dessa vez não, porque dessa vez você tá apaixonada. Você não tá procurando um namoro. Você só quer ele.

Qual é o problema comigo OUTRA VEZ? Eu sou aberta demais? O que eu faço, eu me fecho? Eu não sou transparente, no que diabos eu MENTI?

Ele não te diz.

Você se afoga na sua cama porque você tá cansada demais para discutir. Seus remédios para dormir não fazem efeito e você deseja esquecer que conheceu ele um dia. Mas não esquece.
“Se eu descobrir, vai adiantar alguma coisa?” você pergunta.

“Não sei” ele responde.

Você sabe que não. Você sabe que acabou aquilo que nem havia começado. Você sente aquele mesmo aperto no coração. É, talvez não seja para ser.

“Relaxa amiga, ele quem está sendo um babaca.. ele não te conhece” suas amigas te falam.

Mas será? Será que não sou eu?

Você resolve deixar pra lá. Sem ideia alguma do que diabos você pode fazer agora.

O problema sou eu por ser real demais? 

 

1 comentário

19 anos de muita história para contar, autora do blog duzentaslinhas.com.br, residente do país das maravilhas e escritora nas horas vagas - nas outras também. Geminiana, sonhadora, avoada, estudante de psicologia, especialista em matérias impossíveis e completamente apaixonada por pessoas, flores e tudo que há de belo no mundo. Acredita em fadas, sereias e em um amor que cura todos os males. Quer conversar comigo pelas redes sociais? Fácil, só me chamar em @duzentaslinhas  Ou quer desabafar secretamente? Me chama no snap duzentaslinhas ou pode me mandar sua história pelo e-mail duzentaslinhas@gmail.com (juro que sou boa em conselhos)  

Ontem eu me vi voltando em um uber para minha casa quase 2hs da madrugada, com os olhos cheios de lágrimas. Eu não estava voltando de um término, apesar de estar voltando da casa do meu “quase-ex” com quem eu tive uns bons meses de algo que eu não sei bem definir até hoje. Eu estava voltando de uma ótima noite recheada de conversas reflexivas e que me levaram a voltar pra casa pensando três vezes mais. As músicas que tocavam no carro também não me ajudaram, eu só sentia o nó se formar na garganta e a vontade enorme de mandar uma mensagem daquelas pra ele perguntando “O que isso significou para você?”

Eu sei, leitor, você deve estar se perguntando sobre O QUE estou me referindo. Acontece que, depois de algumas horas de conversa, eu só conseguia olhar pra ele pela iluminação fraca que vinha da sala, sentir o vento geladinho que entrava pela varanda, e pensar no quanto eu gostaria de beijá-lo. Mas não, eu não beijei. Eu não beijei porque de fato, não era só saudade dos lábios, era saudades dele. Saudades de estar na presença dele, de ouvir os devaneios dele, os sonhos, os medos. Era uma falta que eu não sabia que eu sentia até estar ali na frente dele e não poder fazer nada além de permanecer sentada.

Só que nada na minha vida funciona exatamente como um roteiro de novela, como vocês podem imaginar. E para minha surpresa, ele que estava totalmente demonstrando desinteresse, levantou-se da cadeira e me beijou. Assim, DO NADA! Meu coração acelerou tanto, que eu podia sentir que ele ia sair correndo pelo bairro a qualquer momento. Não foi um beijo calmo, foi um beijo movimentado por vontade de ambas as partes. Eu podia sentir que minha mente já estava longe, e eu estava entregue de corpo e alma ali.

Fomos pro quarto, pois é. Não se espantem. Tiramos as roupas e as coisas aconteceram naturalmente, como um ritual ensaiado que nunca havia se concretizado de fato. Foi ótimo, não vou mentir. Aliás, foi mais do que isso, foi maravilhoso. E enquanto ele se levantava da cama e começava a procurar por suas roupas, eu senti o aperto no coração. Senti  que havia sido BOM até demais. Muito bom para alguém que está acostumada a esperar que não seja assim. Então, eu me levantei sem dizer uma palavra sequer e coloquei minhas roupas, cobrindo-me o mais rápido que pude.

Apenas me virei para ele novamente quando tinha certeza absoluta que não iria dizer nada estúpido. Ele estava deitado na cama, olhando pro teto e suspirando como se NADA tivesse acontecido. Quer dizer, eu até perguntei o que ele tinha, mas confiem em mim, não tinha nada comigo. Ele apenas levantou-se, me guiou até a varanda novamente, jogamos mais um pouco de conversa fora de forma casual como havia sido no sexo, e eu vim embora. Não teve beijo de despedida como vocês devem estar esperando, não teve nem um abraço mais apertado do que o normal. Foi um cumprimento e só. Ele fechou a porta e eu me vi sozinha, em um corredor escuro, tentando decifrar o que havia acabado de acontecer por ali.

Tá! Eu sei, a maioria de vocês vai me dizer “foi só sexo, ué” mas é aqui vem a questão, e quando é apenas sexo para uma das partes, mas pra outra é um gesto cheio de significado, emoção e saudades? E aí, como a gente resolve? É o que eu estou tentando descobrir até agora. Ele não mandou mensagem me perguntando se eu cheguei em segurança em casa, ele provavelmente só capotou de sono e acordou hoje para ir viver a vida dele como todos os outros dias. Eu, não. Eu apenas estou aqui, vendo que ele está online no facebook, e que provavelmente não vai responder minha mensagem no WhatsApp e pensando se a noite passada deveria ter sido uma noite qualquer para mim.

Será que ele vai ligar no dia seguinte? Pois é, as vezes, a resposta é “não”, por mais que você queira que não seja. Em alguns momentos, você vai sentir essa dorzinha incômoda que eu tô sentindo agora, e apenas vai precisar entender que foi uma experiência pra você guardar e seguir com a vida. Às vezes, FOI APENAS SEXO. Mesmo que você tenha sentido por todo o seu corpo que não foi. Mesmo que você tenha, assim como eu, cometido a gafe de mandar um mensagem dando boa noite e não ser respondida. Às vezes, o amor está contigo, mas não com o próximo.

E sinceramente? ficar do lado do telefone se torturando porque ele não mandou mensagem não vai resolver. Levanta desse sofá, joga o celular longe e assim como ele, vai viver teu dia. A noite acabou. E se ele não ligar no dia seguinte, não tem problema. Não quer dizer que foi ruim, que você precisa se arrepender ou que não deve se entregar outra vez. Não mesmo! Se ele não ligar, e você resolver não ligar também, quer dizer apenas que vocês curtiram estar juntos e não estão mais. Só isso.

Mas e para mim? Ah, eu ainda vou precisar ler esse texto umas trinta vezes, mas até lá, LARGUEM O CELULAR!

0 comentários

19 anos de muita história para contar, autora do blog duzentaslinhas.com.br, residente do país das maravilhas e escritora nas horas vagas - nas outras também. Geminiana, sonhadora, avoada, estudante de psicologia, especialista em matérias impossíveis e completamente apaixonada por pessoas, flores e tudo que há de belo no mundo. Acredita em fadas, sereias e em um amor que cura todos os males. Quer conversar comigo pelas redes sociais? Fácil, só me chamar em @duzentaslinhas  Ou quer desabafar secretamente? Me chama no snap duzentaslinhas ou pode me mandar sua história pelo e-mail duzentaslinhas@gmail.com (juro que sou boa em conselhos)