desapegar

Às vezes parece que a vida é apenas esse show de horrores que a gente passa perto, vez ou outra, e fica preso dentro. Parece que o sentido de se interessar por algo ou alguém é justamente o aprendizado que fica quando enfim o perdemos. A dificuldade de se manter rotinas e relacionamentos é assustadora! São fachadas, são ilusões, são relações superficiais! Quando profundas veem acompanhadas de um mar de traumas, incertezas e circunstâncias indesejadas. Quem achou que era fácil viver a vida caiu feio do cavalo!

Quem nunca quis correr até o fim do mundo, fugir de tudo e todos, encontrar paz no seu próprio silêncio? Quantas pessoas a gente perde assim, buscando nos encontrar. Quantas pessoas desaparecem quando descobrimos que não somos o que elas esperam da gente, ou até quando descobrimos que não somos o que nós mesmos esperávamos da gente? Qual o sentido dessa efemeridade de relações, que vem e vão, nos deixando marcas, cicatrizes e principalmente muita dor? Tem hora que a gente cansa de adquirir aprendizado e conhecimento, e espera que possa apenas encontrar algum tipo de paz, um porto seguro, alguém para contar.

Será que é realmente possível substituir pessoas que estejam interessadas em se doar para nós, profundamente, sem interesses, sem falsidade? Será que o mundo é mesmo esse mundo mágico repleto de pessoas que estão dispostas a nos amar e receber tudo isso de volta? Quanto vale um relacionamento para você? Tem gente que joga fora no primeiro empecilho, tem gente que luta sem desistir até depois de tudo já estar totalmente destruído. O timing é sempre muito difícil ao lidar com outro ser humano. Quem me garante que qualquer coisa nesse mundo possa ser consertada? Ou quem me garante que possa ser substituída então?

Se você parar para pensar em quanto você já se doou pelas pessoas nesse mundo, e pensar quantas delas partiram ou não deram importância, talvez você se sinta cansado como eu. A gente esfria um pouquinho a cada queda, mas buscamos desesperadamente a esperança de que o mundo seja mais do que esse cemitério de afeto que aparenta ser às vezes. Se for tão difícil para alguém perceber que você se importa e a ama, talvez seja mais simples do que pareça. As pessoas recusam amor sim, e desperdícios não são legais!

Na dúvida ame a você mesmo. O que for verdadeiro volta, já o que partir e não regressar a gente reescreve, nem que leve uma vida inteira!

E leva, viu…

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24 anos, engenheiro civil por formação e escritor por paixão. Adora uma boa leitura, séries e filmes. Exagerado, admirador do cotidiano e péssimo escritor de perfis.

Certo dia, eu tive a ideia de abrir as configurações de pessoas bloqueadas do meu perfil do Facebook e Whats App. Tinha umas boas dezenas de bloqueados. Pessoas que eu não queria na minha timeline, nem que participassem da minha vida virtual (nem eu queria ver a deles). Pessoas que me magoaram e que já partiram. Todos lá, povoando um ambiente confiado do meu desprezo. Foi, então, que me perguntei, por que eu fiz isso? Por que bloquear? Se eu não gosto de uma padaria, eu, simplesmente, deixo de ir nela. Eu não coloco um X vermelho bem grande na porta da padaria ou um cartaz dizendo: EU, CAL CRISPIM, NÃO COMPRO MAIS PÃO AQUI! Por que com as pessoas colocamos este tal X? Por que não apenas deixar de visitar as padarias e as pessoas que não gostamos mais?

A ação de bloquear nos dias de hoje equivale, muitas vezes, a dizer: EU TE ODEIO! ME ESQUECE! #PQNÃOMORRE??? Isso tudo sem você precisar olhar na cara da pessoa. Você percebe que ao bloquear machucou alguém que no fundo merecia ser magoado (porque já fez pior contigo umas 100 vezes) e isso alimenta nossos egos infantis. A tal da “vingancinha” virtual! Confessemos: é gostoso e satisfatório bloquear alguém de vez em quando, mas significa muito mais do que se vingar e machucar. Significa que existe mágoa e, principalmente, rancor. A grande questão é: PRA QUÊ NUTRIR TAIS SENTIMENTOS?

Pensando nisso, comecei a DESBLOQUEAR as pessoas do meu Facebook e do Whats App. Pessoas que eu nem sabia mais o porquê de estarem lá, mas em algum momento foi odiado o suficiente para ir à minha penitenciaria mental. Eu não queria mais manter ninguém nesta lista negra psicológica. Simplesmente as deixei livres. Livres das minhas mágoas, das minhas decepções. E sabe qual foi o resultado disso? Apenas uma deliciosa sensação boa de fazer as pazes comigo mesma. As pazes com minhas dores.

Mas Cal, não se esqueça, eles estão bloqueados porque foram traidores, mentirosos, psicopatas, pessoas ruins, pessoas que eu não desejo conviver! Bloquear é como criar um presídio de segurança máxima e sentenciar à todos a prisão perpetua. Sim, eu sei disso. Mas o grande lance é que o bloqueio demonstra muita infantilidade da nossa parte. Lembra quando você era criança e quando não queria falar com sua amiga, unia seus dedos indicadores e falava: Corta aqui? O bloqueio é um Corta Aqui no século XXI. Bloquear é ficar de mal do coleguinha e mesmo que você nunca mais queira falar com seu ex-amigo-vizinho-chefe-parceira-sejaláquemfor, acha mesmo necessário o Corta Aqui? Eu te digo: NÃO É.

Você tem que ser adulto o suficiente para sair da vida de uma pessoa sem ficar de mal, ou sem esses métodos infantis. Tem que ser adulto o suficiente para dizer: Hey, eu tenho o seu número, mas não significa que eu vou te ligar (porque eu não quero e nem vou). Eu sei qual seu nome no Facebook, no Instagram, no Snapchat, mas eu não quero saber como anda a sua vida! Tem que ter maturidade nível MASTER para não ficar fuçando a rede social de alguém que você não quer contato. Vocês bem sabem do que eu estou falando, porque sim, é possível você não querer conviver-namorar-ter amizade-trabalhar com alguém e ainda assim viver na CURIOSIDADE de bisbilhotar como anda a vida do moribundo. Curiosidade nem que seja para saber que ele está numa pior! Sofrendo e chorando! Se está feliz, ou noutro planeta.

Turma, vamos crescer e pensar positivo para aquelas que nos machucaram! É difícil, mas vamos tentar! Pense: Que eles sejam infelizes! Ops… errei a escrita, eu quis dizer, infelizes. Não, Cal, FELIZES! Isso, felizes (Nossa! Como é difícil mesmo!). Foi isso que eu queria dizer, todos merecem ser felizes nessa vida. Porque pessoas felizes não tem tempo e nem interesse em machucar-magoar-mentir e ferir outras pessoas. Estou enganada? Claro que não, por isso, vamos (precisamos) desejar coisas boas e amar (sim, amar) aquelas que nos feriram algum dia. Vamos ser seres humanos melhores?! Que tal?

Obs: Amar não significa se relacionar ou se envolver. Apenas queira bem, pense positivo e deseje o melhor para aquelas vidas!

Nessas tentativas de amadurecer, minha vida ficou mais suave depois de colocar isso em prática. Com apenas um click, com pequenos gestos como: desbloquear pessoas e trocar de padaria. Gestos como abrir as portas da frente da minha penitenciaria mental.

Hey, sintam-se livres! E sejam muito, muito, mas muito FELIZES!  Bem, bem, mas bem longe de mim!

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Sou musicista (sem banda) Escritora (sem livro) Professora de Educação Física (que ama batata... frita!) Dependente química em Seriados e chocolates (sim, no plural!) Colecionadora de livros, gibis e cds (aceito presentes!)  Apaixonada por Beach Tennis (meu escritório é na praia;) Adoro escrever (principalmente escrever o que penso entre parenteses).  Soteropolitana, nascida e criada em Salvador-Bahia (com grande antipatia por axé e cia. ltda)  Ciumenta com meus familiares, amigos e amores  #soudessas #adorohashtag #xerudacal Agora sim, me fale mais sobre você? ... 


Escute enquanto lê:


Você já teve aquela impressão de que você era difícil demais de amar? Pois é. Eu sinto isso todos as vezes em que tento me relacionar com algum indivíduo. Tem aquela coisa típica de primeiro encontro, vocês sabem. Ele te leva pra sair, você se arruma como se fosse encontrar seu príncipe encantado e no fim, não é nada demais – o que eu até prefiro, para ser sincera. Vocês vão pra um barzinho qualquer, tomam um cerveja barata só para jogar uma conversa fora, falam sobre seus gostos, seus antigos relacionamentos, seus sonhos e sua família. Vocês riem, riem muito. Riem porque ele é engraçado e você é mais ainda. Você pedem algo pra comer e a a noite passa sem você notar.

Vocês dividem o uber para casa, as vezes ele te convida para dele, as vezes você volta para sua. Se você voltar pra sua casa depois de um encontro daqueles, você liga pras suas amigas, manda mensagem, faz até facetime “AMIGA, VOCÊ NÃO SABE, ENCONTREI MINHA ALMA GÊMEA” “AMIGA, ELE É PERFEITO! DESSA VEZ É SÉRIO”.

Mas não é. Vocês saem mais algumas vezes, e não dá em nada. Acho que ele só queria te levar para cama. Vocês discutem, param de se falar, se excluem das redes sociais e você chora no ombro de alguém.

Ninguém diz “eu te avisei” para um coração partido procurando por um amor. Eles só te abraçam e prometem que você é boa demais, inteligente demais, legal demais e que ELE não te merecia. É o que os amigos fazem e você os ama por cada palavrinha que acolhe seu corpinho frágil.

Mas adivinha? Você volta pro tinder. É, sabe o tinder, aquele aplicativo de namoros que mais se parece um cardápio humano? Esse! Você volta para lá, porque a vida da boate te cansou, porque os beijos vazios te magoam quando você chega em casa. Porque você não liga pra aquele cara bêbado que tentou agarrar você sem nem saber quem você é. Você vai procurar um amor.

Eu nem preciso dizer que você acha, né? A conversa de vocês bate de cara. Vocês começam a virar amigos íntimos, contam piadas um pro outro, riem da vida. Resolvem sair. Seu coração parece que vai pular pela boca – ou de um precipício. Você não liga, nem um pouco. Pede ajuda para se arrumar. Coloca um vestido arrumadinho e vai pro balada mix encontrar o fulano. A conversa é profunda, você olha nos olhos dele e AGORA você tem certeza. MANO, É ELE! É ele o cara da sua vida, o que você quer pra você. Vocês vão no cinema, assistem “Cidades de papel”, ele te conta o quanto esse filme lembra ele dos tempos em que ele morava em Miguel Pereira, você presta atenção, é claro. Você fala da sua vida também das suas séries preferidas, do que você já passou e do que pretende passar.

Ele te beija. Caralho, que beijo. Você sente que vai flutuar, ele também.

Vocês engatam nessa ficada séria, onde ninguém pode ficar com ninguém. Começam a se ver mais, a se curtir mais, você tenta ser reservada mas não tanto, começa a se abrir pra ele aos pouquinhos. Mas quer saber? Ele começa a dizer que VOCÊ não demonstra seus sentimentos, que você não é carinhosa, que você é o problema. Você acredita nele. Você chora. Seus amigos te dizem que não, que você não é essa garota que ele insiste em dizer que você é. Não é culpa sua, caralh*!

Vocês terminam, você não esquece as palavras dele. Afinal, será que eu sou mesmo uma incógnita? Será que eu não deixo eles me conhecerem? O que tem de errado comigo?
O sexo foi ruim? Foi o meu corpo? Será que eu não sou bonita o suficiente? Por que ele me tratou que nem lixo depois de dizer que gostava taaaaanto de mim?

Passa um BOM tempo. Você esquece dele. Você muda, amadurece, passa por um monte de coisas novas. Você conhece outro cara. Ele é legal, engraçado, despojado, viajado, mas não quer nada sério. Vocês ficam, mas não dá em nada. Você quer namorar. Então, você perde as esperanças. Deixa a vida te levar, para de procurar coisa em buraco vazio.

Você acha. Um match despretensioso te leva até ele. Ele é diferente. Ele é sarcástico, o humor dele te faz sorrir no meio de madrugada, vocês trocam mensagens o dia inteiro por um loooongo tempo. Você conta da sua vida, afinal.. você precisa demonstrar mais, não foi o que o Outro falou? Você faz isso. Você age como si mesma. Você come besteira na frente dele, se suja, ri das suas loucuras, conta os seus problemas, conta as suas dificuldades. Abre sua casa, sua família, seu coração.

Vocês começam a se encontrar mais vezes – é, de novo. Você promete que NÃO VAI SE APAIXONAR. Mas aí um dia, você está deitada no sofá dele, apoiado no peito dele, olhando para os olhos DELE e você sente aquele embrulho no estômago que diz “É, minha filha.. você tá nessa outra vez”

Dessa vez você não precisa dizer para ninguém que é diferente, afinal.. você nem quer assumir que é diferente. Você finge pra si mesma que não é. Você foge dos outros caras, procura ele em todos os rostos que você vê. E nada.

Ele fala que você é ABERTA demais, sabe? Que você é disponível demais, sabe? Que você não é transparente, sabe? E você pensa “Porra, outra vez não.. por favor”
Aliás, você pensa “Dessa vez não, por favor..”

Dessa vez não, porque dessa vez você tá apaixonada. Você não tá procurando um namoro. Você só quer ele.

Qual é o problema comigo OUTRA VEZ? Eu sou aberta demais? O que eu faço, eu me fecho? Eu não sou transparente, no que diabos eu MENTI?

Ele não te diz.

Você se afoga na sua cama porque você tá cansada demais para discutir. Seus remédios para dormir não fazem efeito e você deseja esquecer que conheceu ele um dia. Mas não esquece.
“Se eu descobrir, vai adiantar alguma coisa?” você pergunta.

“Não sei” ele responde.

Você sabe que não. Você sabe que acabou aquilo que nem havia começado. Você sente aquele mesmo aperto no coração. É, talvez não seja para ser.

“Relaxa amiga, ele quem está sendo um babaca.. ele não te conhece” suas amigas te falam.

Mas será? Será que não sou eu?

Você resolve deixar pra lá. Sem ideia alguma do que diabos você pode fazer agora.

O problema sou eu por ser real demais? 

 

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19 anos de muita história para contar, autora do blog duzentaslinhas.com.br, residente do país das maravilhas e escritora nas horas vagas - nas outras também. Geminiana, sonhadora, avoada, estudante de psicologia, especialista em matérias impossíveis e completamente apaixonada por pessoas, flores e tudo que há de belo no mundo. Acredita em fadas, sereias e em um amor que cura todos os males. Quer conversar comigo pelas redes sociais? Fácil, só me chamar em @duzentaslinhas  Ou quer desabafar secretamente? Me chama no snap duzentaslinhas ou pode me mandar sua história pelo e-mail duzentaslinhas@gmail.com (juro que sou boa em conselhos)  

Me vejo numa rua sem saída e completamente vazia, como eu. Olho para todos os lados, mas não vejo escapatória. Sento, com uma garrafa de bebida barata em uma das mãos, e choro. Segundo os especialistas, superar é aquela fase em que você se sente fraco, mas apenas se torna mais forte. Para mim, neste momento, no frio e no escuro, apenas sinto solidão. Meus amigos tentaram, não me levem a mal, tentaram me distrair. Vimos filmes, fizemos piadas, enchemos a cara. Não funcionou. No fim, voltei para casa ainda mais sem lar do que quando saí.

Descobri que meu lar havia virado alguém, não tinha mais o meu endereço, era o seu nome.

Desde então, não tentamos cobrir minhas feridas, apenas deixamos-as expostas, esperando que se curem com o tempo. Mesmo que eu sinta que o tempo não tenha passado muito por aqui. Diferente daí, que eu sei que passou rápido. Sei que seu riso anda solto, assim como você. Sei que seu aniversário tá chegando, que até festa vai ter. Enquanto eu, me afogo na minha cama, tentando fingir que não sinto falta do corpo que me aquecia. Logo eu, que sempre achei que esse colchão era pequeno demais para duas pessoas, agora me vejo rolando de um lado pro outro à procura de alguém.

Tem gente que olha para mim e pensa que é drama, sabe aquele tipo de gente que cisma em achar que todo coração partido se cola em duas semanas? Então. Tem gente que até mesmo olha para mim e diz que estou bem melhor sem você. Não vou negar que talvez, eu esteja mesmo bem melhor sem você. Levando em consideração que tudo o que eu sabia sobre você não era verdade. Mas a parte do drama? Não. Eu estou mesmo sentindo um buraco sendo escavado no peito. Penso nos momentos em que tivemos, e vejo que mergulhei de cara em um mar que na verdade, era apenas concreto pintado de azul.

Eu não só quebrei a cara quando caí, meu coração foi junto pro pronto-socorro, mas não havia muito o que eles pudessem fazer. O remédio é “SUPERAR” e não tem genérico na farmácia. Ou seja, voltei com a mesma dor que fui. De lá até aqui, me peguei pensando se você sabia o quanto ia me quebrar ao meio quando foi embora, se sabia que jogar a toalha seria o mesmo que me jogar de um precipício. E bem, chego a conclusão de que você não se importava. Se ia doer ou não, não fazia diferença para você, já que a dor seria minha, não sua.

  Acho que a empatia não é muito o seu forte.

Mas infelizmente, o encanto era. Me fez me apaixonar tão rápido, que eu nem sei como. Nunca me vi me arrumando tanto para uma pessoa só, me entregando tanto, me doando tanto e lutando contra o mundo inteiro. Mas lutei, não por mim, por você. Acabei pela metade. Que ironia, não é mesmo? Não pensei que seria assim quando te beijei pela primeira vez. Não achei que você seria responsável também pela primeira “bad”, como dizem as línguas por aí.

Ninguém imaginava, eu suponho. Afinal, eu sempre preferi morrer de rir ao morrer de chorar. Sempre fui eu quem puxava os outros do poço, talvez seja por isso que estão tendo tanta dificuldade em me puxar. Eu era, e ainda sou, a pessoa que fazia graça da sua própria desgraça. Mas nunca foi tão difícil fazer graça de mim. Porque toda vez que tocam no seu nome, eu sinto aquele soco na boca do estômago.

Você era tudo para mim ainda ontem e hoje não faço ideia de quem você é. Foi embora sem me dar escolha, e talvez, eu deva agradecer por não ter dado. Eu ia escolher que você ficasse. Mas olhando pra trás, aqui, nessa rua escura em que eu me encontro, vejo que a saudade não é suficiente para me fazer querer trazer de volta algo que me foi tão bom, porém me destruiu por completo.
Olhando para trás, nessa rua escura, sinto medo do futuro, mas sei que você não estando nele, eu tenho grandes chances de recuperação. Vejo que você foi uma estação do metrô da qual eu tive que saltar, e ainda bem. Imagino o quão pior teria sido se tivesse durado mais tempo, o quão pior teria sido a queda, os ferimentos, as consolações. Aqui, olhando para trás nessa rua escura, sinto frio, mas vejo que nada é tão gelado quanto você, e sorrio entre as lágrimas.

Me levanto, jogo a garrafa longe, e xingo. BEM ALTO! Sei lá né, dizem que faz bem gritar. Mas cá entre nós, não melhorou muita coisa. Porém, estou de pé. Dou meia volta, sentindo o peso do seu amor saindo das minhas costas. Com as mãos no bolso, penso que vou demorar mais um tempo para esquecer você, mas noto que mesmo que você tenha deixado saudades quando foi embora, deixou alívio por não ter ficado.

  E esse, meu ex-amor, é um adeus. 

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19 anos de muita história para contar, autora do blog duzentaslinhas.com.br, residente do país das maravilhas e escritora nas horas vagas - nas outras também. Geminiana, sonhadora, avoada, estudante de psicologia, especialista em matérias impossíveis e completamente apaixonada por pessoas, flores e tudo que há de belo no mundo. Acredita em fadas, sereias e em um amor que cura todos os males. Quer conversar comigo pelas redes sociais? Fácil, só me chamar em @duzentaslinhas  Ou quer desabafar secretamente? Me chama no snap duzentaslinhas ou pode me mandar sua história pelo e-mail duzentaslinhas@gmail.com (juro que sou boa em conselhos)  

Escute enquanto lê:

Quero começar esta carta dizendo que eu nunca de fato pensei em te escrever até pouco tempo atrás. Pensei que você não fazia mais parte dos meus sentimentos ou da minha vida. Pensei que você era passado, apenas porque já passou. Mas estava enganada, você está engasgada em mim, você ficou. Você foi o sangue que eu não consegui deixar que escorresse, eu não consegui me lavar, não deixei a que água limpasse meus machucados. Você coagulou e me impediu de te extravasar pra fora de mim.

Por tal razão, estou te escrevendo pela primeira vez. Estou aqui, na frente do computador deixando que o sangue finalmente escorra, e que o corte que você deixou depois me apunhalar pelas costas, vire apenas uma cicatriz. Estou me permitindo sentir a dor que você causou, e quer saber? Foi uma dor insuportável. Você foi o meu primeiro coração partido.

Por muito tempo eu não quis saber de você, só de ouvir o seu nome, eu já sentia que meu corpo era habitado por uma raiva sem tamanho. Eu evitava lembrar que você havia existido e arruinado um amor que eu jurava, que era para sempre. Quando eu decidi perdoar ele, eu tinha plena noção de que teria que esquecer aquele acontecimento, ou pelo menos, fingir que havia esquecido. Empurrei com a barriga um relacionamento durante mais quatro anos e você sabe, porque assistia de camarote. No fundo, eu não o amava mais e jamais o enxergaria da forma que eu fazia antes de você.

Meu relacionamento foi destruído pelos seus olhos claros e pela sua boca, que encontrou o caminho dos lábios dele.

Eu só queria ter sido madura o suficiente para encarar vocês dois nos olhos e deixá-los. Mas não fui. Hoje, eu vejo que dizia perdoar você da boca para fora, porque o que estava aqui dentro, borbulhava cada vez mais. O sentimento de não ter sido suficiente me cortava todas as vezes em que eu tentava fazer algo novo. Você não só afetou o meu namoro, você afetou a minha vida. E eu nunca vou esquecer daquela noite em que eu descobri que vocês haviam me ferido de uma maneira que eu nunca havia sido ferida.

Você não sabe, mas eu chorei a madrugada inteira me perguntando o motivo de vocês dois terem deixado aquilo acontecer enquanto eu não estava por perto.

Sim, depois de anos eu resolvi atribuir a culpa à vocês dois. Antes, eu tentava fechar os olhos e colocar o peso inteiro em você, que supostamente era para ser minha amiga. Eu te xingava de todos os nomes na hora das brigas, mas lá dentro do meu coração, eu sabia que você não era a única culpada. Ele era meu namorado, o amor da minha vida, a pessoa que eu confiava o meu mundo inteiro. Quando ele mesmo deixou que meu mundo se espatifasse no chão, óbvio que eu culpei você. Afinal, as mãos dele estavam ocupadas puxando-a pelos cabelos em um beijo quente.

Mas não, era Ele quem me devia algo. Você foi apenas obra do acaso, não foi? Poderia ter sido qualquer uma. Claro que eu ainda penso que era seu papel falar que “não”, era seu papel pensar em mim também. Mas no fim das contas, você pagou um preço caro e ainda paga. Sei que sua consciência não anda limpa, e que você coloca a cabeça no travesseiro e sente culpa. Se não, você não veria todas as coisas que eu posto, também teria me esquecido, não é mesmo?

Mas I, eu descobri que meu perdão é pouco pra você, sabe por que? o perdão que você precisa tem que vir de si mesma. 

Por mais essa razão, que eu resolvi lhe escrever. Resolvi assumir a dor que vocês dois me causaram, e seguir em frente, pela primeira vez. Resolvi entender que você não somente merecia meu perdão, mas também um recado lhe dizendo “Se perdoe também”. Entendi que o rancor era o real motivo de não conseguir queimar essa história dentro de mim, e como você deve imaginar pelo pouco que me conheceu, eu nunca gostei de guardar sentimentos ruins.

O rancor está indo embora junto das palavras que são digitadas.

A sua parcela de culpa no meu coração quebrado ainda é totalmente sua, mas a dele, ele vai carregar também. Enquanto isso, eu vou finalmente deixá-los. Não para serem um do outro, porque eu sei que isso vocês nunca foram. Mas para serem pessoas com uma ficha limpa no meu organismo.

Eu achei que ia me casar com ele mas realizei sonhos maiores.

A noite fatídica em que vocês me quebraram ao meio não me incomoda mais. Seu nome não me incomoda mais. Eu sou maior e eu me reergui.

Portanto, seja feliz, porque eu sou MUITO. Leve na sua bagagem o que aconteceu e aprenda. No fim, você também saiu magoada por vontade própria.

Eu te perdoo por ter me feito sangrar e te agradeço por ter me tornado mais forte. Eu te perdoo por ter me feito sentir insuficiente por anos, e te agradeço por ter me tornado MINHA e de mais ninguém. Eu te perdoo pelas lágrimas que você arrancou de mim, pelos band-aids que eu tive que colar no meu coração e por todas as vezes em que vi meu relacionamento descer ladeira à baixo e te agradeço por ter me tornado capaz de enxergar a realidade.

Você poderia ter sido uma participante com mais luz na minha história, e eu teria adorado você. Mas, apesar de tudo, mesmo que na base da “porrada” você acabou por ser alguém que veio na minha vida pra me ensinar que nem tudo é como nos contos de fadas.

Ah, e o mais importante, você está me ensinando agora mesmo à perdoar de verdade.

Sendo assim, me despeço de você (e dele) e de todo o resto. Agora eu posso me envolver em outro relacionamento sem medo do que virá, posso ser feliz sem essa pontinha de mágoa que eu guardava. Agora, sou livre.

E você? Ah, seja o que quiser.

Att,
Ex namorada do cara que você também amou.

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