depressão

Desde sua estreia na Netflix, a série 13 Reasons Why tomou conta de toda internet. O assunto polêmico e que ainda é um tabu imensurável veio dividindo opiniões  nas redes sociais. A série trata de assuntos como bullying, depressão, abuso, amizades, relacionamentos, tudo o que passamos na adolescência, escola e até em casa ou na rua. A série faz com que possamos refletir sobre tudo o que vemos diariamente e como cada coisinha pequena pode acabar se tornando um problema maior do que deveria ser. Você já assistiu a série? Vamos comentar um pouco sobre ela e toda sua importância. Não leia a parte dos personagens se não quiser SPOILER!

Vale lembrar que a Isa publicou um vídeo falando sobre a série e o livro que vale muito a pena você assistir!

A história fala sobre Hannah Baker, uma adolescente que se mata – e desde o início da série já sabemos disso – por 13 motivos. Antes do suicídio, Hannah grava 13 fitas onde cada uma delas tem um porquê, que algumas vezes são pessoas. Na série vemos flashbacks dos acontecimentos que levaram-na ao extremo, vemos o sofrimento de todos os que a amavam e o egoísmo daqueles que são um dos porquês e, mesmo depois de saber disso, continuam tendo atitudes semelhantes às que magoaram tanto Hannah.


Stephanie Almeida: A série nos faz refletir sobre o quanto atitudes pequenas podem magoar uma pessoa mais do que pode-se imaginar. Muitas vezes, uma coisa que julgamos ser bobagem pode significar muito para alguém. Não declarar-se pode significar muito. Mentir para ficar bem pros outros pode significar muito. Não mostrar o quanto se importa pode significar muito. Se afastar de um amigo pode significar muito. Até um sorriso encantador pode significar muito. Nós não sabemos como outra pessoa vai se sentir com o que fazemos com ela. Pessoas são diferentes, pensam diferente, agem diferente e os sentimentos, embora os mesmos, são relativos. Eu posso perder um amigo e me sentir só, e ficar tudo bem. Mas outra pessoa pode perder um amigo, se sentir só e isso leva-la a depressão. Depressão é mais sério do que a gente pensa! Quantas vezes você já ouviu ou já falou: “isso é coisa de gente fresca!”, “isso é pra chamar atenção!”. NÃO! Pessoas tem problemas. Mas o maior problema é quando ele vem a partir do que o outro fez. Ainda mais se essa pessoa sou eu, ou você.

Mariana Mortani: 13 Reasons Why é uma série que consegue ser ainda mais dura e firme do que o livro. Eles buscaram explorar melhor os assuntos já abordados, além de destacar as chocantes verdades que, infelizmente, fazem parte da vida de muitos adolescentes. O elenco composto por muitos estreantes não deixa a desejar, principalmente por parte de Katherine Langford (Hannah) e Dylan Minnette (Clay). Katherine consegue manifestar bem as sutis mudanças na personalidade de Hannah, Dylan evidencia as emoções de Clay e Kate retrata perfeitamente a perturbação de uma mãe que perde a filha sem imaginar o que ela estava passando. A série lembra o quão importante é discutirmos os assuntos nela abordados, além de mostrar como influenciamos (muitas vezes sem saber) na vida de outras pessoas e como não devemos permitir que um mal-entendido se torne fatal. Essa é uma história que, sem dúvidas, deveria ser conhecida e vista por pessoas de qualquer idade, para que todas se lembrem de como ter respeito pela opinião, pelas escolhas e pela vida das outras pessoas é primordial.

Ei! Se você que está lendo, por algum motivo, se sente como a Hannah, venha aqui…

Stephanie Almeida: Converse com alguém! Converse com a gente! Sei quem às vezes tudo parece perdido, sei que em muitos momentos é difícil confiar em alguém. Confiar é complicado e arriscar é difícil, mas tente. Sei que o medo das pessoas julgarem ou delas não entenderem seus motivos te assombram. Sei que se sentir só é um sentimento ruim, mas o munto está cercado por pessoas maravilhosas que podem te fazer sorrir mesmo que de longe. Você só não sabe disso ainda.

Um psicólogo vai te ajudar a passar por cima disso tudo sem te julgar, ele só fará todo o possível para ajudar-te. Não se cale. Infelizmente, é uma realidade que muita gente nos machuca o tempo todo, mesmo que algumas vezes seja sem querer. Mas toda dor uma hora passa sem precisar entrar num caminho sem retorno! Você pode, sim, passar por tudo isso e dar a volta por cima! Você pode, sim, superar a dor. Às vezes sentimos que chegou a hora de parar de lutar, nessas horas, descanse um pouco e volte com ainda mais força pra lutar até o fim e mostrar pro mundo que nada, nem ninguém, é capaz de destruir você. Alguém que te traga sentimentos ruins não te merece.

É hora de falar sobre eles… Os personagens. Os porquês.

Stephanie Almeida:
Passamos a série toda com apenas uma pergunta na cabeça: “Por quê ele(a) fez isso com ela?”. Desde o primeiro episódio sabemos que foi a atitude de muita gente que fez com que a Hannah escolhesse o caminho que seguiu. Começando pelo Justin, como disse a própria Hannah: “Então, foi aí que o problema começou… Aquele sorriso. Aquele maldito sorriso.” Quem nunca se apaixonou por um sorriso que fez com que nada importasse? Qual a necessidade do Justin mentir sobre o que aconteceu, lembrando que isso não envolve apenas ele, e sim, o primeiro beijo de uma menina, só para ficar ‘bem na fita’ com os amigos? Para os Justin’s da vida: E DAÍ QUE NÃO ROLOU? Acontece! Você não se torna alguém mais interessante pelas coisas que fez, e sim por quem você é.

Alex e Jessica, sim, juntos, porque vocês eram o alicerce dela. Quando vi sobre a lista, pausei sem acreditar porque já vi acontecer tantas vezes… Até comigo. Quem foi que disse que pessoas gostam de ser rotuladas? Positivamente ou negativamente, não se rotula alguém de nada. Saber que se tem uma boca, cabelo, olhos, pernas, ou o que for, bonitos ou atraentes através de uma lista que está circulando na escola não é, nem nunca será, um elogio! Por quê abandona-la? Por quê vocês dois se afastaram dela e deram as costas quando foi preciso? Que tipo de amigos foram? Jessica… Garoto nenhum no mundo vale uma amizade. Não importa o quão incrível ele seja. E o Justin não é tão incrível assim.

Mariana Mortani:
Tyler é o o primeiro que me fez pensar em como cada personagem podia possuir dois lados e, sinceramente, esse foi um episódio que me deixou muito mal. Porém, preciso admitir que fiquei mal pelo Clay, não pelo Tyler. O fotógrafo já sofria diversos tipos de bullying, sem falar que, mais para frente, veremos como ele finge ser o que não é, como os pais não o conhecem, como ele realmente pode ser mal-intencionado, entretanto, o que Clay o faz passar acaba tendo muito impacto. Essa ideia de combater o mal com o mal… simplesmente não me desce. Então fiquei mal pelo Clay, por perceber como ele estava sendo afetado pelas fitas e já não enxergava limites. Fazer uma pessoa pagar com a mesma moeda só a torna mais uma vítima.

Courtney é uma personagem difícil de julgar. A garota é real. Muitas Courtneys existem por aí. Pessoas que não medem esforços para prejudicar alguém afim de tirar o seu da reta, pessoas que escondem o que são, mas não pensam duas vezes antes de expor outras pessoas. Acabei tentando me colocar no lugar dela, por conta dos pais que são gays e por saber como essas pessoas sofrem o preconceito dos outros (Courtney provavelmente tinha medo de passar pelas mesmas situações), mas nada justifica. Um erro não justifica o outro. Mesmo em alguns momentos de deslize, ela continua atacando a Hannah, dizendo que “a verdade da Hannah” não é a sua verdade, afirmando que não é a pessoa que todos já estão descobrindo. Ela foi a que mais teve oportunidade de se redimir e, sem dúvidas, ajudar até a si mesma.

Marcus e Zach são personagens que realmente mostram coisas pequenas podem se tornar grandes para as outras pessoas. Enquanto Marcus tenta, a todo momento, ser algo que ele não é, Zach teve medo de mostrar seu interesse para Hannah e, pior do que isso, não impediu que Marcus agisse de maneira tão estúpida, apenas ficou ali, assistindo, para ver se os boatos eram verdade ou não. Sem falar na parte dos bilhetes, que mostra como não devemos permitir que um mal-entendido possa ser fatal.

Nos episódios da série temos vários pensamentos fortalecidos: como Justin acreditava depender de Bryce, como Bryce se fazia de amigo para conseguir o que queria, como Jéssica estava confusa e, mesmo assim, preferia acreditar nas palavras do namorado. O pior é quando, em uma conversa com Courtney, Jéssica a questiona se Hannah a diria se tivesse visto algo, como se você o dever dela, a amiga que ela abandonou, e não do próprio namorado. No episódio de Clay percebemos como uma coisa influencia a outra, uma vez que, se ele não tivesse saído do quarto, muitas coisas seriam diferentes, entretanto não podemos julgá-lo. Ele podia ter ficado, mas não devia. Ele fez apenas o que Hannah pediu, ele a respeitou. E quantos garotos não fizeram isso por ela?
E então, temos Sheri…

Stephanie Almeida:
Sheri
… Queria tanto continuar gostando de você, mas o seu porquê me doeu tanto… Gente, foi só eu quem ficou apaixonada pelo Jeff e que ficava perdida por não entender o porquê dele não aparecer nas cenas atuais, só nos flashbacks? Só de imaginar nas possibilidades, doía. Quando eu descobri o porquê, não conseguia parar de chorar. O Jeff é o maior exemplo de como o que fazemos sem querer pode ser fatal pra alguém que não tem culpa nenhuma. De como o ditado “todo cuidado é pouco” é imensamente real. De como coisas pequenas e, até bobas, podem destruir alguém. Jamais fuja do seu erro! Não seja uma Sheri.

Mariana Mortani:
Todos estão com medo no episódio de Bryce. As verdades de cada um parecem atingi-los ainda mais, mesmo que alguns estejam relutantes. Bryce nos faz entender, definitivamente, que todos os personagens possuíam dois lados (o lado dos erros, o lado do sofrimento por algo), mas ele não. É muito difícil falar sobre Bryce pois não conseguimos sentir nada além de raiva e nojo por ele, que comete muitos erros e não pensa, em momento algum, em como está errado. Acompanhar o diálogo revelador dele com Clay só piorou ainda mais as coisas.

Finalmente, Sr. Porter, o conselheiro que, diversas vezes, não cumpre seu papel. O cara não percebe como as vidas daqueles adolescentes dependem muito dele. Ele não hesita em mentir ao longo dos episódios, mostrando cada vez mais erros e deixando claro que ele sabe que errou com Hannah. Mesmo que não tente mudar de atitude com outros adolescentes que vão conversar com ele. As conversas raras me fizeram mal, porque ficava claro como as pessoas esperavam palavras amigas, palavras esclarecedoras dele, e ele sempre deixava a desejar…

Stephanie Almeida: Conhecer os personagens a fundo é uma parte bem difícil ao assistir 13RW. Você se perguntou o porquê, não é? Imagine como é doloroso amar muito alguém, seja uma amizade ou um garoto, e essa pessoa te decepcionar tanto por ter te machucado com palavras, ter te abandonado… Ter te mostrado como é maravilhoso um momento com ela e depois, sem nenhum motivo aparente, você se tornar um completo desconhecido. Dói, não é? Se uma vez dói, imagine quando acontece repetidas vezes em um curto período de tempo! É claro que NUNCA justificará um suicídio. Mas a dor, quando é sentida em silêncio, dói duas vezes mais. E nem todos conseguem falar.

A série surgiu no momento certo para nos fazer entender que PRECISAMOS, sim, medir as atitudes. Ser filho da puta com alguém não vai te dar nenhum retorno bom. Ser o porquê de uma pessoa é um fardo que ninguém deve carregar. Temos um problema: esperamos o pior acontecer para tentar corrigir um erro. Quando, na verdade, só precisamos nos colocar no lugar da outra pessoa para entender que aquilo não deve ser feito. O certo é não fazer a burrada e saber pedir desculpas quando não conseguir evitar.

Algumas pessoas, como a Hannah, deixam tanto o problema acumular que explodem uma hora. Nós não estamos aqui para julgar como alguém vai lidar com o que acontece na vida dela. Estamos aqui pra evitar que existam outras Hannah’s no mundo, que precisem chegar ao extremo por conta de pessoas egoístas que machucaram-a tanto. Você já parou para pensar se suas atitudes prejudicam quem está a sua volta? Já parou para pensar se fez algo que machucou alguém? Já se desculpou com aquele amigo que você pisou na bola? Não seja, jamais, o porquê da dor de alguém. Seja o porquê de alguém conseguir se livrar da dor.

Agora vamos papear… Como você se sente após assistir a série? O que mudou em você, na sua vida, nas suas atitudes e em como você vê as coisas depois de tê-la assistido? Vamos amar saber e conversar sobre o assunto! Mas se você não assistiu e quer entender melhor, a Mari publicou um vídeo, COM SPOILERS, sobre a série.


Comentando sobre é uma coluna que será escrita por dois ou mais colunistas aqui do blog, onde iremos comentar sobre séries e filmes. Se tiver uma sugestão para o próximo post, deixe nos comentários! =)

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20 primaveras nem sempre tão floridas assim. Baiana do interior e libriana que nunca é indecisa. Gosta de tudo organizado e no lugar, se importa mais com os outros do que com ela. Acredita que com amor, tudo se resolve. Tem incontáveis sonhos à serem realizados. Escolheu Psicologia por ser fascinada em como a mente humana funciona. É completamente apaixonada pelo John Mayer. Gosta de escrever mais do que de falar, é através da escrita que consegue colocar para fora tudo o que sente. Passa a maior parte do tempo lendo por amar imaginar um mundo novo e uma nova história a cada livro. Viciada em café e super-heróis. E ah, adora ouvir histórias aleatórias sobre a vida. Vai adorar ouvir as suas! <3 stephhhalmeida@hotmail.com


Escute enquanto lê:


Você já teve aquela impressão de que você era difícil demais de amar? Pois é. Eu sinto isso todos as vezes em que tento me relacionar com algum indivíduo. Tem aquela coisa típica de primeiro encontro, vocês sabem. Ele te leva pra sair, você se arruma como se fosse encontrar seu príncipe encantado e no fim, não é nada demais – o que eu até prefiro, para ser sincera. Vocês vão pra um barzinho qualquer, tomam um cerveja barata só para jogar uma conversa fora, falam sobre seus gostos, seus antigos relacionamentos, seus sonhos e sua família. Vocês riem, riem muito. Riem porque ele é engraçado e você é mais ainda. Você pedem algo pra comer e a a noite passa sem você notar.

Vocês dividem o uber para casa, as vezes ele te convida para dele, as vezes você volta para sua. Se você voltar pra sua casa depois de um encontro daqueles, você liga pras suas amigas, manda mensagem, faz até facetime “AMIGA, VOCÊ NÃO SABE, ENCONTREI MINHA ALMA GÊMEA” “AMIGA, ELE É PERFEITO! DESSA VEZ É SÉRIO”.

Mas não é. Vocês saem mais algumas vezes, e não dá em nada. Acho que ele só queria te levar para cama. Vocês discutem, param de se falar, se excluem das redes sociais e você chora no ombro de alguém.

Ninguém diz “eu te avisei” para um coração partido procurando por um amor. Eles só te abraçam e prometem que você é boa demais, inteligente demais, legal demais e que ELE não te merecia. É o que os amigos fazem e você os ama por cada palavrinha que acolhe seu corpinho frágil.

Mas adivinha? Você volta pro tinder. É, sabe o tinder, aquele aplicativo de namoros que mais se parece um cardápio humano? Esse! Você volta para lá, porque a vida da boate te cansou, porque os beijos vazios te magoam quando você chega em casa. Porque você não liga pra aquele cara bêbado que tentou agarrar você sem nem saber quem você é. Você vai procurar um amor.

Eu nem preciso dizer que você acha, né? A conversa de vocês bate de cara. Vocês começam a virar amigos íntimos, contam piadas um pro outro, riem da vida. Resolvem sair. Seu coração parece que vai pular pela boca – ou de um precipício. Você não liga, nem um pouco. Pede ajuda para se arrumar. Coloca um vestido arrumadinho e vai pro balada mix encontrar o fulano. A conversa é profunda, você olha nos olhos dele e AGORA você tem certeza. MANO, É ELE! É ele o cara da sua vida, o que você quer pra você. Vocês vão no cinema, assistem “Cidades de papel”, ele te conta o quanto esse filme lembra ele dos tempos em que ele morava em Miguel Pereira, você presta atenção, é claro. Você fala da sua vida também das suas séries preferidas, do que você já passou e do que pretende passar.

Ele te beija. Caralho, que beijo. Você sente que vai flutuar, ele também.

Vocês engatam nessa ficada séria, onde ninguém pode ficar com ninguém. Começam a se ver mais, a se curtir mais, você tenta ser reservada mas não tanto, começa a se abrir pra ele aos pouquinhos. Mas quer saber? Ele começa a dizer que VOCÊ não demonstra seus sentimentos, que você não é carinhosa, que você é o problema. Você acredita nele. Você chora. Seus amigos te dizem que não, que você não é essa garota que ele insiste em dizer que você é. Não é culpa sua, caralh*!

Vocês terminam, você não esquece as palavras dele. Afinal, será que eu sou mesmo uma incógnita? Será que eu não deixo eles me conhecerem? O que tem de errado comigo?
O sexo foi ruim? Foi o meu corpo? Será que eu não sou bonita o suficiente? Por que ele me tratou que nem lixo depois de dizer que gostava taaaaanto de mim?

Passa um BOM tempo. Você esquece dele. Você muda, amadurece, passa por um monte de coisas novas. Você conhece outro cara. Ele é legal, engraçado, despojado, viajado, mas não quer nada sério. Vocês ficam, mas não dá em nada. Você quer namorar. Então, você perde as esperanças. Deixa a vida te levar, para de procurar coisa em buraco vazio.

Você acha. Um match despretensioso te leva até ele. Ele é diferente. Ele é sarcástico, o humor dele te faz sorrir no meio de madrugada, vocês trocam mensagens o dia inteiro por um loooongo tempo. Você conta da sua vida, afinal.. você precisa demonstrar mais, não foi o que o Outro falou? Você faz isso. Você age como si mesma. Você come besteira na frente dele, se suja, ri das suas loucuras, conta os seus problemas, conta as suas dificuldades. Abre sua casa, sua família, seu coração.

Vocês começam a se encontrar mais vezes – é, de novo. Você promete que NÃO VAI SE APAIXONAR. Mas aí um dia, você está deitada no sofá dele, apoiado no peito dele, olhando para os olhos DELE e você sente aquele embrulho no estômago que diz “É, minha filha.. você tá nessa outra vez”

Dessa vez você não precisa dizer para ninguém que é diferente, afinal.. você nem quer assumir que é diferente. Você finge pra si mesma que não é. Você foge dos outros caras, procura ele em todos os rostos que você vê. E nada.

Ele fala que você é ABERTA demais, sabe? Que você é disponível demais, sabe? Que você não é transparente, sabe? E você pensa “Porra, outra vez não.. por favor”
Aliás, você pensa “Dessa vez não, por favor..”

Dessa vez não, porque dessa vez você tá apaixonada. Você não tá procurando um namoro. Você só quer ele.

Qual é o problema comigo OUTRA VEZ? Eu sou aberta demais? O que eu faço, eu me fecho? Eu não sou transparente, no que diabos eu MENTI?

Ele não te diz.

Você se afoga na sua cama porque você tá cansada demais para discutir. Seus remédios para dormir não fazem efeito e você deseja esquecer que conheceu ele um dia. Mas não esquece.
“Se eu descobrir, vai adiantar alguma coisa?” você pergunta.

“Não sei” ele responde.

Você sabe que não. Você sabe que acabou aquilo que nem havia começado. Você sente aquele mesmo aperto no coração. É, talvez não seja para ser.

“Relaxa amiga, ele quem está sendo um babaca.. ele não te conhece” suas amigas te falam.

Mas será? Será que não sou eu?

Você resolve deixar pra lá. Sem ideia alguma do que diabos você pode fazer agora.

O problema sou eu por ser real demais? 

 

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19 anos de muita história para contar, autora do blog duzentaslinhas.com.br, residente do país das maravilhas e escritora nas horas vagas - nas outras também. Geminiana, sonhadora, avoada, estudante de psicologia, especialista em matérias impossíveis e completamente apaixonada por pessoas, flores e tudo que há de belo no mundo. Acredita em fadas, sereias e em um amor que cura todos os males. Quer conversar comigo pelas redes sociais? Fácil, só me chamar em @duzentaslinhas  Ou quer desabafar secretamente? Me chama no snap duzentaslinhas ou pode me mandar sua história pelo e-mail duzentaslinhas@gmail.com (juro que sou boa em conselhos)  

É impressionante como a vida tem essa coisa maluca de nos direcionar silenciosamente para certos lugares obscuros sem que a gente sequer perceba. Eu me torturei como um maluco preso em uma solitária, eu criei histórias na minha cabeça tão perfeitamente narradas que meu corpo acreditava que realmente haviam acontecido. Eu vesti a mesma máscara tantas vezes que acreditei que aquela era veridicamente a minha face. A face de alguém feliz, de alguém completamente resolvido. Escondi tão fundo meus monstros que ninguém foi capaz de encontrá-los, apenas eu, que os ouvia gritando todas as noites sem conseguir dormir no meu quarto. E como toda situação forçada, aquilo ficou insustentável, e eu tive que ceder!

Internalizar culpas, desejos e angústias é a maior cilada de todas. É uma mutilação diária, tentando se convencer de que você é um personagem fictício, uma marionete que tem os movimentos totalmente previsíveis. Só que não é assim que as coisas funcionam, as pessoas são imprevisíveis, o amor então… Eu vi a chuva caindo e chorei compulsivamente, sabendo que ninguém me ouviria. As lágrimas saiam tão naturalmente de mim, há tanto presas de propósito, que meu corpo não sabia reagir, ainda estava domado pela ideia de que estava tudo perfeitamente bem!

Lembro que abracei meu melhor amigo e tive forças para contar pela primeira vez a alguém. Minhas mãos tremiam e eu balbuciava, mas ao mesmo tempo era uma ótima sensação compartilhar aquilo, por para fora, me expressar, ver que alguém estava ali por mim. Hoje sei que é impagável o valor de um bom amigo. Ainda passei longos dias em estado de choque, de repente todo mundo sabia quem eu realmente era, e mesmo que sem entender o que acontecia comigo, muitos juravam saber exatamente o que era, e criticavam, julgavam e apontavam um dedo moralista e sem conhecimento algum.

A gente corre o risco de ser excluído ou mal visto pelas pessoas, chama-se vida! O bom é que a gente aprende que não está aqui para agradar ninguém que a gente não queira, a vida é tão curta e a gente não é obrigado a escolher certos caminhos só por que alguém ou um grupo diz que assim deva ser. Hoje estou tão leve comigo mesmo, com essa sensação de poder começar de novo, de resgatar meus velhos sonhos, de tentar continuar lutando por tudo aquilo que sempre me foi tão importante que já nem me importo com os olhares de julgamento e os fiscais de plantão.

 Quem é você?

 Quantos personagens existem dentro do seu corpo?

 Quanto que as pessoas, a sociedade e certas situações influenciam você a ser quem você não é de verdade?

 Vamos garantir que a vida seja vivida sem máscaras, isso inclui a empatia por quem ainda não deixou a sua própria cair. Tão feio é apontar o dedo que suspeito que seja um tipo de máscara também, uma ligada à ignorância talvez, ou a falta de empatia… Quem sabe ambos! Vamos viver, que a vida é agora!

 Afinal, quem é você?

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24 anos, engenheiro civil por formação e escritor por paixão. Adora uma boa leitura, séries e filmes. Exagerado, admirador do cotidiano e péssimo escritor de perfis.