amor próprio

Às vezes parece que a vida é apenas esse show de horrores que a gente passa perto, vez ou outra, e fica preso dentro. Parece que o sentido de se interessar por algo ou alguém é justamente o aprendizado que fica quando enfim o perdemos. A dificuldade de se manter rotinas e relacionamentos é assustadora! São fachadas, são ilusões, são relações superficiais! Quando profundas veem acompanhadas de um mar de traumas, incertezas e circunstâncias indesejadas. Quem achou que era fácil viver a vida caiu feio do cavalo!

Quem nunca quis correr até o fim do mundo, fugir de tudo e todos, encontrar paz no seu próprio silêncio? Quantas pessoas a gente perde assim, buscando nos encontrar. Quantas pessoas desaparecem quando descobrimos que não somos o que elas esperam da gente, ou até quando descobrimos que não somos o que nós mesmos esperávamos da gente? Qual o sentido dessa efemeridade de relações, que vem e vão, nos deixando marcas, cicatrizes e principalmente muita dor? Tem hora que a gente cansa de adquirir aprendizado e conhecimento, e espera que possa apenas encontrar algum tipo de paz, um porto seguro, alguém para contar.

Será que é realmente possível substituir pessoas que estejam interessadas em se doar para nós, profundamente, sem interesses, sem falsidade? Será que o mundo é mesmo esse mundo mágico repleto de pessoas que estão dispostas a nos amar e receber tudo isso de volta? Quanto vale um relacionamento para você? Tem gente que joga fora no primeiro empecilho, tem gente que luta sem desistir até depois de tudo já estar totalmente destruído. O timing é sempre muito difícil ao lidar com outro ser humano. Quem me garante que qualquer coisa nesse mundo possa ser consertada? Ou quem me garante que possa ser substituída então?

Se você parar para pensar em quanto você já se doou pelas pessoas nesse mundo, e pensar quantas delas partiram ou não deram importância, talvez você se sinta cansado como eu. A gente esfria um pouquinho a cada queda, mas buscamos desesperadamente a esperança de que o mundo seja mais do que esse cemitério de afeto que aparenta ser às vezes. Se for tão difícil para alguém perceber que você se importa e a ama, talvez seja mais simples do que pareça. As pessoas recusam amor sim, e desperdícios não são legais!

Na dúvida ame a você mesmo. O que for verdadeiro volta, já o que partir e não regressar a gente reescreve, nem que leve uma vida inteira!

E leva, viu…

0 comentários

24 anos, engenheiro civil por formação e escritor por paixão. Adora uma boa leitura, séries e filmes. Exagerado, admirador do cotidiano e péssimo escritor de perfis.

Certo dia, eu tive a ideia de abrir as configurações de pessoas bloqueadas do meu perfil do Facebook e Whats App. Tinha umas boas dezenas de bloqueados. Pessoas que eu não queria na minha timeline, nem que participassem da minha vida virtual (nem eu queria ver a deles). Pessoas que me magoaram e que já partiram. Todos lá, povoando um ambiente confiado do meu desprezo. Foi, então, que me perguntei, por que eu fiz isso? Por que bloquear? Se eu não gosto de uma padaria, eu, simplesmente, deixo de ir nela. Eu não coloco um X vermelho bem grande na porta da padaria ou um cartaz dizendo: EU, CAL CRISPIM, NÃO COMPRO MAIS PÃO AQUI! Por que com as pessoas colocamos este tal X? Por que não apenas deixar de visitar as padarias e as pessoas que não gostamos mais?

A ação de bloquear nos dias de hoje equivale, muitas vezes, a dizer: EU TE ODEIO! ME ESQUECE! #PQNÃOMORRE??? Isso tudo sem você precisar olhar na cara da pessoa. Você percebe que ao bloquear machucou alguém que no fundo merecia ser magoado (porque já fez pior contigo umas 100 vezes) e isso alimenta nossos egos infantis. A tal da “vingancinha” virtual! Confessemos: é gostoso e satisfatório bloquear alguém de vez em quando, mas significa muito mais do que se vingar e machucar. Significa que existe mágoa e, principalmente, rancor. A grande questão é: PRA QUÊ NUTRIR TAIS SENTIMENTOS?

Pensando nisso, comecei a DESBLOQUEAR as pessoas do meu Facebook e do Whats App. Pessoas que eu nem sabia mais o porquê de estarem lá, mas em algum momento foi odiado o suficiente para ir à minha penitenciaria mental. Eu não queria mais manter ninguém nesta lista negra psicológica. Simplesmente as deixei livres. Livres das minhas mágoas, das minhas decepções. E sabe qual foi o resultado disso? Apenas uma deliciosa sensação boa de fazer as pazes comigo mesma. As pazes com minhas dores.

Mas Cal, não se esqueça, eles estão bloqueados porque foram traidores, mentirosos, psicopatas, pessoas ruins, pessoas que eu não desejo conviver! Bloquear é como criar um presídio de segurança máxima e sentenciar à todos a prisão perpetua. Sim, eu sei disso. Mas o grande lance é que o bloqueio demonstra muita infantilidade da nossa parte. Lembra quando você era criança e quando não queria falar com sua amiga, unia seus dedos indicadores e falava: Corta aqui? O bloqueio é um Corta Aqui no século XXI. Bloquear é ficar de mal do coleguinha e mesmo que você nunca mais queira falar com seu ex-amigo-vizinho-chefe-parceira-sejaláquemfor, acha mesmo necessário o Corta Aqui? Eu te digo: NÃO É.

Você tem que ser adulto o suficiente para sair da vida de uma pessoa sem ficar de mal, ou sem esses métodos infantis. Tem que ser adulto o suficiente para dizer: Hey, eu tenho o seu número, mas não significa que eu vou te ligar (porque eu não quero e nem vou). Eu sei qual seu nome no Facebook, no Instagram, no Snapchat, mas eu não quero saber como anda a sua vida! Tem que ter maturidade nível MASTER para não ficar fuçando a rede social de alguém que você não quer contato. Vocês bem sabem do que eu estou falando, porque sim, é possível você não querer conviver-namorar-ter amizade-trabalhar com alguém e ainda assim viver na CURIOSIDADE de bisbilhotar como anda a vida do moribundo. Curiosidade nem que seja para saber que ele está numa pior! Sofrendo e chorando! Se está feliz, ou noutro planeta.

Turma, vamos crescer e pensar positivo para aquelas que nos machucaram! É difícil, mas vamos tentar! Pense: Que eles sejam infelizes! Ops… errei a escrita, eu quis dizer, infelizes. Não, Cal, FELIZES! Isso, felizes (Nossa! Como é difícil mesmo!). Foi isso que eu queria dizer, todos merecem ser felizes nessa vida. Porque pessoas felizes não tem tempo e nem interesse em machucar-magoar-mentir e ferir outras pessoas. Estou enganada? Claro que não, por isso, vamos (precisamos) desejar coisas boas e amar (sim, amar) aquelas que nos feriram algum dia. Vamos ser seres humanos melhores?! Que tal?

Obs: Amar não significa se relacionar ou se envolver. Apenas queira bem, pense positivo e deseje o melhor para aquelas vidas!

Nessas tentativas de amadurecer, minha vida ficou mais suave depois de colocar isso em prática. Com apenas um click, com pequenos gestos como: desbloquear pessoas e trocar de padaria. Gestos como abrir as portas da frente da minha penitenciaria mental.

Hey, sintam-se livres! E sejam muito, muito, mas muito FELIZES!  Bem, bem, mas bem longe de mim!

0 comentários

Sou musicista (sem banda) Escritora (sem livro) Professora de Educação Física (que ama batata... frita!) Dependente química em Seriados e chocolates (sim, no plural!) Colecionadora de livros, gibis e cds (aceito presentes!)  Apaixonada por Beach Tennis (meu escritório é na praia;) Adoro escrever (principalmente escrever o que penso entre parenteses).  Soteropolitana, nascida e criada em Salvador-Bahia (com grande antipatia por axé e cia. ltda)  Ciumenta com meus familiares, amigos e amores  #soudessas #adorohashtag #xerudacal Agora sim, me fale mais sobre você? ... 

A vida a dois não é (e nunca foi) uma necessidade, por mais que muitas vezes pareça uma exigência da sociedade. Na realidade, todos nós temos esse poder fantástico de nos completarmos sozinho, sem precisar de mais ninguém! Ser feliz é um estado individual, onde suas expectativas sobre o que o mundo te dá são atendidas. Quem costuma esperar demais está sempre achando que a vida está em débito, que falta alguma coisa e que, logo, não se pode ser feliz. Apesar disso, todo mundo já se rendeu em algum momento aos romances da vida, assistindo algum filme de Hollywood ou alguma animação da Disney. E por mais que insistam em dizer que são essas modelações de perfeição que iludem a gente, eu gosto de acreditar que são esses roteiros tão delicadamente escritos que constroem a nossa alma, a nossa força de se doar para as pessoas. Afinal, se a gente não pode doar amor ao mundo como esperar que ele nos traga o amor de volta?

Encontre alguém que te olhe com os olhos fixos e se perca no seu olhar sem razão alguma. Encontre alguém que pegue sua mão na rua e não solte por nada, que te abrace apertado no meio de todo mundo e sinta orgulho de quem você é. Encontre alguém que te elogie o tempo todo, quando você terminar de se maquiar ou quando você tiver acabado de acordar. Encontre quem te tire o riso nos dias nublados, que te faça gargalhar fácil. Encontre alguém que te conheça bem, que saiba como te animar, que saiba quando você precisa de um cafuné. Encontre quem goste dos seus memes, que assista a seus filmes e séries com você, que te leve comer pastel. Ache a pessoa que te fará sentir única, que te provará o amor na sua forma mais bela, que não se importe com dinheiro, com aparências, com as pessoas invejosas e com a sociedade normatizadora. Ache quem te de rosas, chocolates, balões e cartas escritas à mão. Encontre quem te leve nos seus shows preferidos, quem desça as escadas do prédio sexta à noite de inverno com chuva para buscar a pizza na portaria. Encontre quem não tenha medo de viver uma vida inteira ao seu lado, que queira fazer planos, que queira ter um filho ou um cachorro, que esteja pronto para reescrever toda a sua vida com você ao seu lado. Ache quem você possa confiar seus segredos e traumas, quem te de um ombro quando você chorar, quem te ilumine o dia, quem te espere depois do trabalho com um sorriso e um abraço apertado, que te faça massagem nos pés. Ache quem respeite suas diferenças, quem te leve viajar, quem te faça surpresas, quem vele teu sono, quem te pegue no colo, te aperte as costas até estalar, que te faça companhia nos seus melhores e piores momentos da vida. Procure quem te ajude a crescer, quem faça compras com você, quem te ajude na mudança, quem trate bem sua família e amigos. Procure e você achará alguém que esteja disposto a ser um sonho para você, não acredite de forma alguma que o mundo possa ser um lugar impossível de se viver o amor.

Não tenha medo de sonhar alto! Não se contente com pouco, você certamente merece mais, merece cada pedaço dos sonhos que você tem dentro do seu coração. Não se sinta mal em partir, em buscar novos horizontes que te levem aos seus desejos mais pessoais. Não se submeta a falsos amores, a pessoas superficiais, a relacionamentos abusivos. Aponte para o caminho da sua felicidade e vá sem medo, nunca é tarde, todo mundo tem seu futuro reservado em algum lugar, não perca tempo por medo, o medo sabota o amor! E se você não se achar merecedor desse amor, prove para o mundo que você merece sim, seja essa pessoa! Se entregue de corpo e alma para outra pessoa e faça cada pedaço dessa história valer, mostre que bons amores são feitos de reciprocidade!

O mundo tem precisado urgentemente de bons exemplos, seja um deles!

0 comentários

24 anos, engenheiro civil por formação e escritor por paixão. Adora uma boa leitura, séries e filmes. Exagerado, admirador do cotidiano e péssimo escritor de perfis.

Me vejo numa rua sem saída e completamente vazia, como eu. Olho para todos os lados, mas não vejo escapatória. Sento, com uma garrafa de bebida barata em uma das mãos, e choro. Segundo os especialistas, superar é aquela fase em que você se sente fraco, mas apenas se torna mais forte. Para mim, neste momento, no frio e no escuro, apenas sinto solidão. Meus amigos tentaram, não me levem a mal, tentaram me distrair. Vimos filmes, fizemos piadas, enchemos a cara. Não funcionou. No fim, voltei para casa ainda mais sem lar do que quando saí.

Descobri que meu lar havia virado alguém, não tinha mais o meu endereço, era o seu nome.

Desde então, não tentamos cobrir minhas feridas, apenas deixamos-as expostas, esperando que se curem com o tempo. Mesmo que eu sinta que o tempo não tenha passado muito por aqui. Diferente daí, que eu sei que passou rápido. Sei que seu riso anda solto, assim como você. Sei que seu aniversário tá chegando, que até festa vai ter. Enquanto eu, me afogo na minha cama, tentando fingir que não sinto falta do corpo que me aquecia. Logo eu, que sempre achei que esse colchão era pequeno demais para duas pessoas, agora me vejo rolando de um lado pro outro à procura de alguém.

Tem gente que olha para mim e pensa que é drama, sabe aquele tipo de gente que cisma em achar que todo coração partido se cola em duas semanas? Então. Tem gente que até mesmo olha para mim e diz que estou bem melhor sem você. Não vou negar que talvez, eu esteja mesmo bem melhor sem você. Levando em consideração que tudo o que eu sabia sobre você não era verdade. Mas a parte do drama? Não. Eu estou mesmo sentindo um buraco sendo escavado no peito. Penso nos momentos em que tivemos, e vejo que mergulhei de cara em um mar que na verdade, era apenas concreto pintado de azul.

Eu não só quebrei a cara quando caí, meu coração foi junto pro pronto-socorro, mas não havia muito o que eles pudessem fazer. O remédio é “SUPERAR” e não tem genérico na farmácia. Ou seja, voltei com a mesma dor que fui. De lá até aqui, me peguei pensando se você sabia o quanto ia me quebrar ao meio quando foi embora, se sabia que jogar a toalha seria o mesmo que me jogar de um precipício. E bem, chego a conclusão de que você não se importava. Se ia doer ou não, não fazia diferença para você, já que a dor seria minha, não sua.

  Acho que a empatia não é muito o seu forte.

Mas infelizmente, o encanto era. Me fez me apaixonar tão rápido, que eu nem sei como. Nunca me vi me arrumando tanto para uma pessoa só, me entregando tanto, me doando tanto e lutando contra o mundo inteiro. Mas lutei, não por mim, por você. Acabei pela metade. Que ironia, não é mesmo? Não pensei que seria assim quando te beijei pela primeira vez. Não achei que você seria responsável também pela primeira “bad”, como dizem as línguas por aí.

Ninguém imaginava, eu suponho. Afinal, eu sempre preferi morrer de rir ao morrer de chorar. Sempre fui eu quem puxava os outros do poço, talvez seja por isso que estão tendo tanta dificuldade em me puxar. Eu era, e ainda sou, a pessoa que fazia graça da sua própria desgraça. Mas nunca foi tão difícil fazer graça de mim. Porque toda vez que tocam no seu nome, eu sinto aquele soco na boca do estômago.

Você era tudo para mim ainda ontem e hoje não faço ideia de quem você é. Foi embora sem me dar escolha, e talvez, eu deva agradecer por não ter dado. Eu ia escolher que você ficasse. Mas olhando pra trás, aqui, nessa rua escura em que eu me encontro, vejo que a saudade não é suficiente para me fazer querer trazer de volta algo que me foi tão bom, porém me destruiu por completo.
Olhando para trás, nessa rua escura, sinto medo do futuro, mas sei que você não estando nele, eu tenho grandes chances de recuperação. Vejo que você foi uma estação do metrô da qual eu tive que saltar, e ainda bem. Imagino o quão pior teria sido se tivesse durado mais tempo, o quão pior teria sido a queda, os ferimentos, as consolações. Aqui, olhando para trás nessa rua escura, sinto frio, mas vejo que nada é tão gelado quanto você, e sorrio entre as lágrimas.

Me levanto, jogo a garrafa longe, e xingo. BEM ALTO! Sei lá né, dizem que faz bem gritar. Mas cá entre nós, não melhorou muita coisa. Porém, estou de pé. Dou meia volta, sentindo o peso do seu amor saindo das minhas costas. Com as mãos no bolso, penso que vou demorar mais um tempo para esquecer você, mas noto que mesmo que você tenha deixado saudades quando foi embora, deixou alívio por não ter ficado.

  E esse, meu ex-amor, é um adeus. 

0 comentários

19 anos de muita história para contar, autora do blog duzentaslinhas.com.br, residente do país das maravilhas e escritora nas horas vagas - nas outras também. Geminiana, sonhadora, avoada, estudante de psicologia, especialista em matérias impossíveis e completamente apaixonada por pessoas, flores e tudo que há de belo no mundo. Acredita em fadas, sereias e em um amor que cura todos os males. Quer conversar comigo pelas redes sociais? Fácil, só me chamar em @duzentaslinhas  Ou quer desabafar secretamente? Me chama no snap duzentaslinhas ou pode me mandar sua história pelo e-mail duzentaslinhas@gmail.com (juro que sou boa em conselhos)  

Escute enquanto lê:

Quero começar esta carta dizendo que eu nunca de fato pensei em te escrever até pouco tempo atrás. Pensei que você não fazia mais parte dos meus sentimentos ou da minha vida. Pensei que você era passado, apenas porque já passou. Mas estava enganada, você está engasgada em mim, você ficou. Você foi o sangue que eu não consegui deixar que escorresse, eu não consegui me lavar, não deixei a que água limpasse meus machucados. Você coagulou e me impediu de te extravasar pra fora de mim.

Por tal razão, estou te escrevendo pela primeira vez. Estou aqui, na frente do computador deixando que o sangue finalmente escorra, e que o corte que você deixou depois me apunhalar pelas costas, vire apenas uma cicatriz. Estou me permitindo sentir a dor que você causou, e quer saber? Foi uma dor insuportável. Você foi o meu primeiro coração partido.

Por muito tempo eu não quis saber de você, só de ouvir o seu nome, eu já sentia que meu corpo era habitado por uma raiva sem tamanho. Eu evitava lembrar que você havia existido e arruinado um amor que eu jurava, que era para sempre. Quando eu decidi perdoar ele, eu tinha plena noção de que teria que esquecer aquele acontecimento, ou pelo menos, fingir que havia esquecido. Empurrei com a barriga um relacionamento durante mais quatro anos e você sabe, porque assistia de camarote. No fundo, eu não o amava mais e jamais o enxergaria da forma que eu fazia antes de você.

Meu relacionamento foi destruído pelos seus olhos claros e pela sua boca, que encontrou o caminho dos lábios dele.

Eu só queria ter sido madura o suficiente para encarar vocês dois nos olhos e deixá-los. Mas não fui. Hoje, eu vejo que dizia perdoar você da boca para fora, porque o que estava aqui dentro, borbulhava cada vez mais. O sentimento de não ter sido suficiente me cortava todas as vezes em que eu tentava fazer algo novo. Você não só afetou o meu namoro, você afetou a minha vida. E eu nunca vou esquecer daquela noite em que eu descobri que vocês haviam me ferido de uma maneira que eu nunca havia sido ferida.

Você não sabe, mas eu chorei a madrugada inteira me perguntando o motivo de vocês dois terem deixado aquilo acontecer enquanto eu não estava por perto.

Sim, depois de anos eu resolvi atribuir a culpa à vocês dois. Antes, eu tentava fechar os olhos e colocar o peso inteiro em você, que supostamente era para ser minha amiga. Eu te xingava de todos os nomes na hora das brigas, mas lá dentro do meu coração, eu sabia que você não era a única culpada. Ele era meu namorado, o amor da minha vida, a pessoa que eu confiava o meu mundo inteiro. Quando ele mesmo deixou que meu mundo se espatifasse no chão, óbvio que eu culpei você. Afinal, as mãos dele estavam ocupadas puxando-a pelos cabelos em um beijo quente.

Mas não, era Ele quem me devia algo. Você foi apenas obra do acaso, não foi? Poderia ter sido qualquer uma. Claro que eu ainda penso que era seu papel falar que “não”, era seu papel pensar em mim também. Mas no fim das contas, você pagou um preço caro e ainda paga. Sei que sua consciência não anda limpa, e que você coloca a cabeça no travesseiro e sente culpa. Se não, você não veria todas as coisas que eu posto, também teria me esquecido, não é mesmo?

Mas I, eu descobri que meu perdão é pouco pra você, sabe por que? o perdão que você precisa tem que vir de si mesma. 

Por mais essa razão, que eu resolvi lhe escrever. Resolvi assumir a dor que vocês dois me causaram, e seguir em frente, pela primeira vez. Resolvi entender que você não somente merecia meu perdão, mas também um recado lhe dizendo “Se perdoe também”. Entendi que o rancor era o real motivo de não conseguir queimar essa história dentro de mim, e como você deve imaginar pelo pouco que me conheceu, eu nunca gostei de guardar sentimentos ruins.

O rancor está indo embora junto das palavras que são digitadas.

A sua parcela de culpa no meu coração quebrado ainda é totalmente sua, mas a dele, ele vai carregar também. Enquanto isso, eu vou finalmente deixá-los. Não para serem um do outro, porque eu sei que isso vocês nunca foram. Mas para serem pessoas com uma ficha limpa no meu organismo.

Eu achei que ia me casar com ele mas realizei sonhos maiores.

A noite fatídica em que vocês me quebraram ao meio não me incomoda mais. Seu nome não me incomoda mais. Eu sou maior e eu me reergui.

Portanto, seja feliz, porque eu sou MUITO. Leve na sua bagagem o que aconteceu e aprenda. No fim, você também saiu magoada por vontade própria.

Eu te perdoo por ter me feito sangrar e te agradeço por ter me tornado mais forte. Eu te perdoo por ter me feito sentir insuficiente por anos, e te agradeço por ter me tornado MINHA e de mais ninguém. Eu te perdoo pelas lágrimas que você arrancou de mim, pelos band-aids que eu tive que colar no meu coração e por todas as vezes em que vi meu relacionamento descer ladeira à baixo e te agradeço por ter me tornado capaz de enxergar a realidade.

Você poderia ter sido uma participante com mais luz na minha história, e eu teria adorado você. Mas, apesar de tudo, mesmo que na base da “porrada” você acabou por ser alguém que veio na minha vida pra me ensinar que nem tudo é como nos contos de fadas.

Ah, e o mais importante, você está me ensinando agora mesmo à perdoar de verdade.

Sendo assim, me despeço de você (e dele) e de todo o resto. Agora eu posso me envolver em outro relacionamento sem medo do que virá, posso ser feliz sem essa pontinha de mágoa que eu guardava. Agora, sou livre.

E você? Ah, seja o que quiser.

Att,
Ex namorada do cara que você também amou.

4 comentários

19 anos de muita história para contar, autora do blog duzentaslinhas.com.br, residente do país das maravilhas e escritora nas horas vagas - nas outras também. Geminiana, sonhadora, avoada, estudante de psicologia, especialista em matérias impossíveis e completamente apaixonada por pessoas, flores e tudo que há de belo no mundo. Acredita em fadas, sereias e em um amor que cura todos os males. Quer conversar comigo pelas redes sociais? Fácil, só me chamar em @duzentaslinhas  Ou quer desabafar secretamente? Me chama no snap duzentaslinhas ou pode me mandar sua história pelo e-mail duzentaslinhas@gmail.com (juro que sou boa em conselhos)  

Escute enquanto lê:


Outro dia, me peguei lendo um comentário de uma menina na internet, onde ela falava sobre o “timing”.  Sabe aquela coisa de encontrar a pessoa certa na hora errada e sentir em todos os seus poros que vocês ainda vão se reencontrar um dia? Então, esse timing mesmo. Quando li, na hora senti aquele soco na boca do estômago, quando você sente que não é mais capaz de respirar e que suas costelas vão acabar perfurando seu pulmão. Na hora, lembrei de você, e a dor veio com tudo. Eu não consegui me mover por um certo tempo, fiquei apenas ali, parada com o celular na mão, olhando para tela e absorvendo aquelas palavras que rodavam como um filme na minha mente.

Será que nosso problema foi timing?

Vi e revi todas as nossas fotos, todas as nossas brigas e todos os nossos beijos. Suspirei, porque no fundo, eu sabia que ninguém no mundo iria te amar como eu amo. Ninguém no mundo poderia olhar para você de forma mais pura do que eu, e entender que você às vezes só não sabe muito bem o que anda fazendo. Ninguém, e quando eu digo ninguém, eu digo com certeza, iria jamais enxergar todos os seus defeitos do jeito que eu enxergo e ainda sim, admirar você do jeito que eu admiro. Nenhum ser do planeta seria capaz de ver em você todas as coisas belas que eu vejo.

Levando isso em consideração, desabei. Ali, naquele momento mesmo, morrendo de vontade de apertar o botão verde do WhatsApp e procurar saber de você. Desabei porque senti aquela saudade enorme que eu sinto toda vez que o metrô passa pela sua estação e eu não salto ou todas as vezes em que vou ver um filme ou uma série que assistíamos juntos. Desabei como todas as vezes em que é domingo e eu não acordo nos seus braços ou que eu rezo para não ter que passar pela sua rua enquanto vou para a faculdade. Desabei como no dia em que desabamos, em que você resolveu me desmontar e acabar com tudo sem nem ao menos me deixar preparada.

Eu sei o que você vai pensar, eu nunca iria conseguir me preparar para ouvir sua voz pela última vez. E aí, bem, você está certo. No nosso último telefonema, eu segurei o choro o máximo que pude até você desligar, só para lembrar do jeitinho que você pronunciava as coisas para sempre dentro de mim. Você nem sabe, mas volta e meia eu dou um jeito de ouvir seu audio no meu celular e escutar o “eu amo você” no final só para ter certeza de que nós dois existimos.

Sim, pois é, porque existem momentos em que me sinto louca, pirada, doente. Penso que talvez, só talvez, você tenha existido somente na minha imaginação. Mas não, a realidade que me assombra me lembra que você existiu também por baixo de mim na cama, enquanto eu olhava nos seus olhos com o cabelo jogado de lado e o suor escorrendo pela minha pele, e me lembro que eu sabia que ninguém encaixaria comigo do jeito que você encaixava, ali, naquele quarto.

Não pode ser o “timing”, pode? Quer dizer, todas as vezes em que nos enrolamos um no outro e prolongamos nossa história, eu não somente acabei com o coração partido, eu acabei também como uma pessoa muito melhor. Muito mais confiante, mais forte e mais independente. Você me trouxe coisas ruins e coisas boas em medidas que eu não sei se estão ou não certas. Não consigo te colocar numa balança, lembrar das noites em que chorei abraçada no travesseiro e ainda sim, não escolher que você estivesse aqui. Sinto falta das nossas idas ao restaurante, daquela macarronada que eu preparei na nossa viagem, sinto falta até de te assistir jogar, com os braços cruzados e o beicinho.

Sinto falta de compartilhar minha vida inteira com você e não consigo não querer acreditar nessa ideia idiota – ou não tanto – de timing. Isso me dá esperança, porque eu sei que se um dia, nossas vidas se alinharem e as estrelas do céu permitirem que eu te veja novamente, eu vou te querer ainda com toda a intensidade que te quero agora. Porque nenhuma boca tem o mesmo gosto que a sua, e nenhum cara me tira do sério e me faz gargalhar na mesma proporção que você faz. Eu sei que se um dia, os astros concordarem que leão e gêmeos podem se amar, eu vou correndo pros seus braços.

Então, sei lá… Talvez tenha sido o cara certo na hora errada. Tenha sido um homem da minha vida, que não sabia o que tinha na mão até que perdeu. Talvez tenha sido você, com todos esses defeitos que eu amo, mas com tantas coisas que ainda precisam ser desvendadas por você. Talvez você tivesse sido o cara certo na hora certa se fosse um homem melhor. Mas não foi, e para não me machucar mais do que já machuca, me agarro as coisas boas e espero que você seja um homem melhor daqui alguns anos, quando nos esbarramos sem querer e por querer, acabarmos sem fim.

Talvez você tivesse que ser o cara certo no momento errado, você tivesse que cometer erros, talvez você não pudesse mesmo ser um homem melhor. Sabe por que? Porque eu não me tornaria uma mulher melhor. Não cresceríamos juntos. Existem coisas que eu precisei enfrentar na base de um término com o amor da minha vida, para saber lidar com a vida em geral. Para me tornar alguém da qual eu me orgulho.

Se nosso timing existiu realmente, eu espero ansiosa, porém vivendo minha vida, que um dia, você seja o homem melhor para minha minha mulher melhor e que estejamos no momento certo. Que tudo de errado, tenha sido o nosso passado e que todas as falhas, tenham sido aprendizado. Porque aí, vamos sentir novamente aquele choque elétrico e vamos nos beijar como se não houvesse amanhã, até o resto do universo não importar mais.

Até lá,
Eu vou amar você enquanto me amo um pouquinho mais.

0 comentários

19 anos de muita história para contar, autora do blog duzentaslinhas.com.br, residente do país das maravilhas e escritora nas horas vagas - nas outras também. Geminiana, sonhadora, avoada, estudante de psicologia, especialista em matérias impossíveis e completamente apaixonada por pessoas, flores e tudo que há de belo no mundo. Acredita em fadas, sereias e em um amor que cura todos os males. Quer conversar comigo pelas redes sociais? Fácil, só me chamar em @duzentaslinhas  Ou quer desabafar secretamente? Me chama no snap duzentaslinhas ou pode me mandar sua história pelo e-mail duzentaslinhas@gmail.com (juro que sou boa em conselhos)  

Ontem eu me vi voltando em um uber para minha casa quase 2hs da madrugada, com os olhos cheios de lágrimas. Eu não estava voltando de um término, apesar de estar voltando da casa do meu “quase-ex” com quem eu tive uns bons meses de algo que eu não sei bem definir até hoje. Eu estava voltando de uma ótima noite recheada de conversas reflexivas e que me levaram a voltar pra casa pensando três vezes mais. As músicas que tocavam no carro também não me ajudaram, eu só sentia o nó se formar na garganta e a vontade enorme de mandar uma mensagem daquelas pra ele perguntando “O que isso significou para você?”

Eu sei, leitor, você deve estar se perguntando sobre O QUE estou me referindo. Acontece que, depois de algumas horas de conversa, eu só conseguia olhar pra ele pela iluminação fraca que vinha da sala, sentir o vento geladinho que entrava pela varanda, e pensar no quanto eu gostaria de beijá-lo. Mas não, eu não beijei. Eu não beijei porque de fato, não era só saudade dos lábios, era saudades dele. Saudades de estar na presença dele, de ouvir os devaneios dele, os sonhos, os medos. Era uma falta que eu não sabia que eu sentia até estar ali na frente dele e não poder fazer nada além de permanecer sentada.

Só que nada na minha vida funciona exatamente como um roteiro de novela, como vocês podem imaginar. E para minha surpresa, ele que estava totalmente demonstrando desinteresse, levantou-se da cadeira e me beijou. Assim, DO NADA! Meu coração acelerou tanto, que eu podia sentir que ele ia sair correndo pelo bairro a qualquer momento. Não foi um beijo calmo, foi um beijo movimentado por vontade de ambas as partes. Eu podia sentir que minha mente já estava longe, e eu estava entregue de corpo e alma ali.

Fomos pro quarto, pois é. Não se espantem. Tiramos as roupas e as coisas aconteceram naturalmente, como um ritual ensaiado que nunca havia se concretizado de fato. Foi ótimo, não vou mentir. Aliás, foi mais do que isso, foi maravilhoso. E enquanto ele se levantava da cama e começava a procurar por suas roupas, eu senti o aperto no coração. Senti  que havia sido BOM até demais. Muito bom para alguém que está acostumada a esperar que não seja assim. Então, eu me levantei sem dizer uma palavra sequer e coloquei minhas roupas, cobrindo-me o mais rápido que pude.

Apenas me virei para ele novamente quando tinha certeza absoluta que não iria dizer nada estúpido. Ele estava deitado na cama, olhando pro teto e suspirando como se NADA tivesse acontecido. Quer dizer, eu até perguntei o que ele tinha, mas confiem em mim, não tinha nada comigo. Ele apenas levantou-se, me guiou até a varanda novamente, jogamos mais um pouco de conversa fora de forma casual como havia sido no sexo, e eu vim embora. Não teve beijo de despedida como vocês devem estar esperando, não teve nem um abraço mais apertado do que o normal. Foi um cumprimento e só. Ele fechou a porta e eu me vi sozinha, em um corredor escuro, tentando decifrar o que havia acabado de acontecer por ali.

Tá! Eu sei, a maioria de vocês vai me dizer “foi só sexo, ué” mas é aqui vem a questão, e quando é apenas sexo para uma das partes, mas pra outra é um gesto cheio de significado, emoção e saudades? E aí, como a gente resolve? É o que eu estou tentando descobrir até agora. Ele não mandou mensagem me perguntando se eu cheguei em segurança em casa, ele provavelmente só capotou de sono e acordou hoje para ir viver a vida dele como todos os outros dias. Eu, não. Eu apenas estou aqui, vendo que ele está online no facebook, e que provavelmente não vai responder minha mensagem no WhatsApp e pensando se a noite passada deveria ter sido uma noite qualquer para mim.

Será que ele vai ligar no dia seguinte? Pois é, as vezes, a resposta é “não”, por mais que você queira que não seja. Em alguns momentos, você vai sentir essa dorzinha incômoda que eu tô sentindo agora, e apenas vai precisar entender que foi uma experiência pra você guardar e seguir com a vida. Às vezes, FOI APENAS SEXO. Mesmo que você tenha sentido por todo o seu corpo que não foi. Mesmo que você tenha, assim como eu, cometido a gafe de mandar um mensagem dando boa noite e não ser respondida. Às vezes, o amor está contigo, mas não com o próximo.

E sinceramente? ficar do lado do telefone se torturando porque ele não mandou mensagem não vai resolver. Levanta desse sofá, joga o celular longe e assim como ele, vai viver teu dia. A noite acabou. E se ele não ligar no dia seguinte, não tem problema. Não quer dizer que foi ruim, que você precisa se arrepender ou que não deve se entregar outra vez. Não mesmo! Se ele não ligar, e você resolver não ligar também, quer dizer apenas que vocês curtiram estar juntos e não estão mais. Só isso.

Mas e para mim? Ah, eu ainda vou precisar ler esse texto umas trinta vezes, mas até lá, LARGUEM O CELULAR!

0 comentários

19 anos de muita história para contar, autora do blog duzentaslinhas.com.br, residente do país das maravilhas e escritora nas horas vagas - nas outras também. Geminiana, sonhadora, avoada, estudante de psicologia, especialista em matérias impossíveis e completamente apaixonada por pessoas, flores e tudo que há de belo no mundo. Acredita em fadas, sereias e em um amor que cura todos os males. Quer conversar comigo pelas redes sociais? Fácil, só me chamar em @duzentaslinhas  Ou quer desabafar secretamente? Me chama no snap duzentaslinhas ou pode me mandar sua história pelo e-mail duzentaslinhas@gmail.com (juro que sou boa em conselhos)