amor da vida

Me vejo numa rua sem saída e completamente vazia, como eu. Olho para todos os lados, mas não vejo escapatória. Sento, com uma garrafa de bebida barata em uma das mãos, e choro. Segundo os especialistas, superar é aquela fase em que você se sente fraco, mas apenas se torna mais forte. Para mim, neste momento, no frio e no escuro, apenas sinto solidão. Meus amigos tentaram, não me levem a mal, tentaram me distrair. Vimos filmes, fizemos piadas, enchemos a cara. Não funcionou. No fim, voltei para casa ainda mais sem lar do que quando saí.

Descobri que meu lar havia virado alguém, não tinha mais o meu endereço, era o seu nome.

Desde então, não tentamos cobrir minhas feridas, apenas deixamos-as expostas, esperando que se curem com o tempo. Mesmo que eu sinta que o tempo não tenha passado muito por aqui. Diferente daí, que eu sei que passou rápido. Sei que seu riso anda solto, assim como você. Sei que seu aniversário tá chegando, que até festa vai ter. Enquanto eu, me afogo na minha cama, tentando fingir que não sinto falta do corpo que me aquecia. Logo eu, que sempre achei que esse colchão era pequeno demais para duas pessoas, agora me vejo rolando de um lado pro outro à procura de alguém.

Tem gente que olha para mim e pensa que é drama, sabe aquele tipo de gente que cisma em achar que todo coração partido se cola em duas semanas? Então. Tem gente que até mesmo olha para mim e diz que estou bem melhor sem você. Não vou negar que talvez, eu esteja mesmo bem melhor sem você. Levando em consideração que tudo o que eu sabia sobre você não era verdade. Mas a parte do drama? Não. Eu estou mesmo sentindo um buraco sendo escavado no peito. Penso nos momentos em que tivemos, e vejo que mergulhei de cara em um mar que na verdade, era apenas concreto pintado de azul.

Eu não só quebrei a cara quando caí, meu coração foi junto pro pronto-socorro, mas não havia muito o que eles pudessem fazer. O remédio é “SUPERAR” e não tem genérico na farmácia. Ou seja, voltei com a mesma dor que fui. De lá até aqui, me peguei pensando se você sabia o quanto ia me quebrar ao meio quando foi embora, se sabia que jogar a toalha seria o mesmo que me jogar de um precipício. E bem, chego a conclusão de que você não se importava. Se ia doer ou não, não fazia diferença para você, já que a dor seria minha, não sua.

  Acho que a empatia não é muito o seu forte.

Mas infelizmente, o encanto era. Me fez me apaixonar tão rápido, que eu nem sei como. Nunca me vi me arrumando tanto para uma pessoa só, me entregando tanto, me doando tanto e lutando contra o mundo inteiro. Mas lutei, não por mim, por você. Acabei pela metade. Que ironia, não é mesmo? Não pensei que seria assim quando te beijei pela primeira vez. Não achei que você seria responsável também pela primeira “bad”, como dizem as línguas por aí.

Ninguém imaginava, eu suponho. Afinal, eu sempre preferi morrer de rir ao morrer de chorar. Sempre fui eu quem puxava os outros do poço, talvez seja por isso que estão tendo tanta dificuldade em me puxar. Eu era, e ainda sou, a pessoa que fazia graça da sua própria desgraça. Mas nunca foi tão difícil fazer graça de mim. Porque toda vez que tocam no seu nome, eu sinto aquele soco na boca do estômago.

Você era tudo para mim ainda ontem e hoje não faço ideia de quem você é. Foi embora sem me dar escolha, e talvez, eu deva agradecer por não ter dado. Eu ia escolher que você ficasse. Mas olhando pra trás, aqui, nessa rua escura em que eu me encontro, vejo que a saudade não é suficiente para me fazer querer trazer de volta algo que me foi tão bom, porém me destruiu por completo.
Olhando para trás, nessa rua escura, sinto medo do futuro, mas sei que você não estando nele, eu tenho grandes chances de recuperação. Vejo que você foi uma estação do metrô da qual eu tive que saltar, e ainda bem. Imagino o quão pior teria sido se tivesse durado mais tempo, o quão pior teria sido a queda, os ferimentos, as consolações. Aqui, olhando para trás nessa rua escura, sinto frio, mas vejo que nada é tão gelado quanto você, e sorrio entre as lágrimas.

Me levanto, jogo a garrafa longe, e xingo. BEM ALTO! Sei lá né, dizem que faz bem gritar. Mas cá entre nós, não melhorou muita coisa. Porém, estou de pé. Dou meia volta, sentindo o peso do seu amor saindo das minhas costas. Com as mãos no bolso, penso que vou demorar mais um tempo para esquecer você, mas noto que mesmo que você tenha deixado saudades quando foi embora, deixou alívio por não ter ficado.

  E esse, meu ex-amor, é um adeus. 

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19 anos de muita história para contar, autora do blog duzentaslinhas.com.br, residente do país das maravilhas e escritora nas horas vagas - nas outras também. Geminiana, sonhadora, avoada, estudante de psicologia, especialista em matérias impossíveis e completamente apaixonada por pessoas, flores e tudo que há de belo no mundo. Acredita em fadas, sereias e em um amor que cura todos os males. Quer conversar comigo pelas redes sociais? Fácil, só me chamar em @duzentaslinhas  Ou quer desabafar secretamente? Me chama no snap duzentaslinhas ou pode me mandar sua história pelo e-mail duzentaslinhas@gmail.com (juro que sou boa em conselhos)  

Escute enquanto lê:


Outro dia, me peguei lendo um comentário de uma menina na internet, onde ela falava sobre o “timing”.  Sabe aquela coisa de encontrar a pessoa certa na hora errada e sentir em todos os seus poros que vocês ainda vão se reencontrar um dia? Então, esse timing mesmo. Quando li, na hora senti aquele soco na boca do estômago, quando você sente que não é mais capaz de respirar e que suas costelas vão acabar perfurando seu pulmão. Na hora, lembrei de você, e a dor veio com tudo. Eu não consegui me mover por um certo tempo, fiquei apenas ali, parada com o celular na mão, olhando para tela e absorvendo aquelas palavras que rodavam como um filme na minha mente.

Será que nosso problema foi timing?

Vi e revi todas as nossas fotos, todas as nossas brigas e todos os nossos beijos. Suspirei, porque no fundo, eu sabia que ninguém no mundo iria te amar como eu amo. Ninguém no mundo poderia olhar para você de forma mais pura do que eu, e entender que você às vezes só não sabe muito bem o que anda fazendo. Ninguém, e quando eu digo ninguém, eu digo com certeza, iria jamais enxergar todos os seus defeitos do jeito que eu enxergo e ainda sim, admirar você do jeito que eu admiro. Nenhum ser do planeta seria capaz de ver em você todas as coisas belas que eu vejo.

Levando isso em consideração, desabei. Ali, naquele momento mesmo, morrendo de vontade de apertar o botão verde do WhatsApp e procurar saber de você. Desabei porque senti aquela saudade enorme que eu sinto toda vez que o metrô passa pela sua estação e eu não salto ou todas as vezes em que vou ver um filme ou uma série que assistíamos juntos. Desabei como todas as vezes em que é domingo e eu não acordo nos seus braços ou que eu rezo para não ter que passar pela sua rua enquanto vou para a faculdade. Desabei como no dia em que desabamos, em que você resolveu me desmontar e acabar com tudo sem nem ao menos me deixar preparada.

Eu sei o que você vai pensar, eu nunca iria conseguir me preparar para ouvir sua voz pela última vez. E aí, bem, você está certo. No nosso último telefonema, eu segurei o choro o máximo que pude até você desligar, só para lembrar do jeitinho que você pronunciava as coisas para sempre dentro de mim. Você nem sabe, mas volta e meia eu dou um jeito de ouvir seu audio no meu celular e escutar o “eu amo você” no final só para ter certeza de que nós dois existimos.

Sim, pois é, porque existem momentos em que me sinto louca, pirada, doente. Penso que talvez, só talvez, você tenha existido somente na minha imaginação. Mas não, a realidade que me assombra me lembra que você existiu também por baixo de mim na cama, enquanto eu olhava nos seus olhos com o cabelo jogado de lado e o suor escorrendo pela minha pele, e me lembro que eu sabia que ninguém encaixaria comigo do jeito que você encaixava, ali, naquele quarto.

Não pode ser o “timing”, pode? Quer dizer, todas as vezes em que nos enrolamos um no outro e prolongamos nossa história, eu não somente acabei com o coração partido, eu acabei também como uma pessoa muito melhor. Muito mais confiante, mais forte e mais independente. Você me trouxe coisas ruins e coisas boas em medidas que eu não sei se estão ou não certas. Não consigo te colocar numa balança, lembrar das noites em que chorei abraçada no travesseiro e ainda sim, não escolher que você estivesse aqui. Sinto falta das nossas idas ao restaurante, daquela macarronada que eu preparei na nossa viagem, sinto falta até de te assistir jogar, com os braços cruzados e o beicinho.

Sinto falta de compartilhar minha vida inteira com você e não consigo não querer acreditar nessa ideia idiota – ou não tanto – de timing. Isso me dá esperança, porque eu sei que se um dia, nossas vidas se alinharem e as estrelas do céu permitirem que eu te veja novamente, eu vou te querer ainda com toda a intensidade que te quero agora. Porque nenhuma boca tem o mesmo gosto que a sua, e nenhum cara me tira do sério e me faz gargalhar na mesma proporção que você faz. Eu sei que se um dia, os astros concordarem que leão e gêmeos podem se amar, eu vou correndo pros seus braços.

Então, sei lá… Talvez tenha sido o cara certo na hora errada. Tenha sido um homem da minha vida, que não sabia o que tinha na mão até que perdeu. Talvez tenha sido você, com todos esses defeitos que eu amo, mas com tantas coisas que ainda precisam ser desvendadas por você. Talvez você tivesse sido o cara certo na hora certa se fosse um homem melhor. Mas não foi, e para não me machucar mais do que já machuca, me agarro as coisas boas e espero que você seja um homem melhor daqui alguns anos, quando nos esbarramos sem querer e por querer, acabarmos sem fim.

Talvez você tivesse que ser o cara certo no momento errado, você tivesse que cometer erros, talvez você não pudesse mesmo ser um homem melhor. Sabe por que? Porque eu não me tornaria uma mulher melhor. Não cresceríamos juntos. Existem coisas que eu precisei enfrentar na base de um término com o amor da minha vida, para saber lidar com a vida em geral. Para me tornar alguém da qual eu me orgulho.

Se nosso timing existiu realmente, eu espero ansiosa, porém vivendo minha vida, que um dia, você seja o homem melhor para minha minha mulher melhor e que estejamos no momento certo. Que tudo de errado, tenha sido o nosso passado e que todas as falhas, tenham sido aprendizado. Porque aí, vamos sentir novamente aquele choque elétrico e vamos nos beijar como se não houvesse amanhã, até o resto do universo não importar mais.

Até lá,
Eu vou amar você enquanto me amo um pouquinho mais.

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19 anos de muita história para contar, autora do blog duzentaslinhas.com.br, residente do país das maravilhas e escritora nas horas vagas - nas outras também. Geminiana, sonhadora, avoada, estudante de psicologia, especialista em matérias impossíveis e completamente apaixonada por pessoas, flores e tudo que há de belo no mundo. Acredita em fadas, sereias e em um amor que cura todos os males. Quer conversar comigo pelas redes sociais? Fácil, só me chamar em @duzentaslinhas  Ou quer desabafar secretamente? Me chama no snap duzentaslinhas ou pode me mandar sua história pelo e-mail duzentaslinhas@gmail.com (juro que sou boa em conselhos)