EU QUERO FICAR, MAS NÃO COM VOCÊ

Eu quis ficar.
Juro que quis.
Queria que fôssemos capazes de caminhar de mãos dadas novamente.
Lancei mão de tudo que eu conhecia para que você se juntasse a mim em nossa caminhada, mas você não me deu motivos, não se entregou.
Não me deu espaço para estar junto a você.
Na verdade, parecia que eu não existia mais na sua vida e só eu não havia percebido ainda.

Então, quando eu bati a porta do carro enquanto você gritava que eu estava insana e estava apenas dizendo barbaridades, quando tudo que eu fiz foi abrir meu coração e te mostrar a realidade do nosso relacionamento.
Logo em seguida eu soube que você saiu falando mal de mim por aí e me amaldiçoando aos quatro ventos.

Apesar de ter ouvido e sentido cada palavra como uma facada, eu continuei andando, mesmo quando o seu desprezo fazia sangrar todos os pedaços de mim.

Soube, um tempo depois, que você sentiu minha falta, mas não me ligou.
Não me procurou para olhar nos meus olhos e reconhecer que você estava errado.
Nem, ao menos, disse que sentia muito.
Talvez se você tivesse admitido que, aos poucos, o que era bom foi ficando para trás, que nos perdemos porque cada pequena atitude sua demonstrava que você preferia qualquer outra coisa à ficar comigo e assumido os seus erros, eu teria te escutado.
Mas nada disso aconteceu,
Foi muito pior, você continuou esbravejando e me culpando, então eu me virei, ainda com lágrimas nos olhos e sangue nas costas, de cada facada em forma de palavras, e continuei caminhando.

Quando, após um longo período de tempo, sua voz não conseguia mais me alcançar, você se deu conta.
Começou a correr, mandar mensagens, ligar e encontrar maneiras de esbarrar no meu caminho e, por um bom tempo, isso foi tudo o que eu quis.
Mas já era tarde demais.

A sua voz era a de um estranho.
O seu número era desconhecido.
Eu não conseguia mais identificar ambos, então apenas saía dançando e caminhando por aí, as vezes parando em alguns lugares, mas não me demorando neles.
Apenas dançando, cantando, caminhando e seguindo o ritmo que a vida depois de você me deu.

Até que um dia, alguém conseguiu seguir meus passos e dançar comigo, alterando os ritmos.
Músicas pop dançantes, um forró gostoso e até mesmo músicas lentas, me fazendo desacelerar aos poucos.
Ele me pediu para ficar e disse não se importar se estaríamos dançando, sentados no sofá de pijama ou correndo por aí.
Foi ele quem me ajudou a construir morada para ficar.
Mas, de repente, você surgiu, me alcançando mais de perto, me obrigando a ouvi-lo, mas já não adiantava mais.

Quando eu quis ficar, você não quis.
Quando eu queria partir mundo afora, ele me segurou.
Quando você quis ficar, ele me puxou mais apertado, para que eu não escorregasse por entre seus dedos, pois esse era seu maior medo, ao contrário de você, que nunca se importou se passaria a noite de sábado comigo ou com os caras da cerveja.

E agora eu quero ficar, mas não com você!

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