Relacionamentos


É cada vez mais comum as pessoas dizerem “eu não namoro nunca mais”. Os motivos são diversos e vão desde “ninguém presta” a “quero curtir a vida”. Confesso que por muito tempo fui um desses. Mas por que toda essa repulsa por relacionamentos, por se apaixonar e pelo amor?

Vamos analisar os motivos, as causas e finalmente, os culpados.

A maior parte dos seres humanos (se não todos) gosta sim de ter alguém ao seu lado, de saber que é importante para outra pessoa e sentir-se feliz apenas por estar em um relacionamento. O ser humano é um ser sociável e gosta da companhia de outros.

Então por que ocorre todo esse asco?

Porque praticamente todos nós já sofremos por amor. Já fomos traídos, enganados e iludidos. Já gostamos de quem apenas nos usou para sexo, status, diversão ou brincadeira. Fomos maltratados por pessoas que amávamos e deixados de lado por festas, outras pessoas ou trabalho. Tudo isso é muito para conseguirmos suportar, então, consequentemente, criamos uma barreira de proteção contra a dor.

Dor causada por algumas más experiências. Então colocamos essa barreira enorme entre nós e os relacionamentos e vivemos em festas, bebedeiras, em uma vida promíscua e vazia ou nos acostumamos com a solidão e criamos muitos gatos (pra deixar claro, eu crio só uma fêmea, chamada Tequila).

Isso vem somado a uma falsa ilusão de que estamos bem, usando de frases de autoafirmação, dizendo que somos extremamente felizes, que “eu não namoro nunca mais” e que é muito melhor ficar solteiro.

Outros, como eu fazia, argumentam que preferem a liberdade de poder fazer o que quiser, de não precisar dar satisfação e nem ter cobranças, ciúmes e brigas. Realmente, estando solteiros não temos nada disso, mas também não temos aquele sentimento de felicidade que ocorre apenas ao lembrar que temos alguém, por receber uma mensagem no whatsapp de bom dia ou boa noite ou apenas ao ver uma pessoa sorrindo ao te encontrar.

Mas também não temos o companheirismo, planos futuros, intimidade, o sexo cada vez melhor e alguém com quem crescer junto.

Estamos “muito bem” sozinhos, mas acabamos conhecendo alguém que parece ser diferente e resolvemos arriscar. Então, o que geralmente acontece depois de um tempo? O namoro acaba e nos machucamos novamente. “AGORA SIM QUE NÃO NAMORO NUNCA MAIS!”, dizemos.

No entanto, o que ninguém entende é que esse namoro não deu certo, em grande parte, por sua culpa. Isso mesmo, SUA culpa.

Como assim?

Com as feridas dos relacionamentos passados, tornamo-nos mais frios, deixamos de nos dedicar ao novo relacionamento com medo de que aconteça tudo novamente – que você se fira, sofra e se iluda.

No entanto, você está fazendo com que uma pessoa nova pague pelos erros dos seus relacionamentos fracassados anteriormente e por tudo que seu ex cometeu. Isso é algo inteligente a se fazer?

Ao entrar em um relacionamento já com proteções e “boicotando” a nova relação, quais as chances dele dar certo? Provavelmente VOCÊ será uma frustração para a nova pessoa e a contaminará com esse sentimento anti-namoro.

Outro ponto

Estando solteira (o), você faz dieta, entra na academia, “pinta seu cabelo, malha, malha e se valoriza”. Na fase da conquista, você se veste para a ele, arruma-se, usa o perfume que ele gosta. Namorando, passa a se descuidar, deixar as coisas pra lá. Sai com ele vestida de qualquer maneira, deixa de cuidar do corpo e para com a preocupação com a sua aparência. Ora, todo mundo quer um namorado(a) bonito, arrumado e que seja ao menos próximo da maneira que era quando o conheceu.

Solteiro você se cuida e quando encontra alguém especial, não? Qual o sentido disso? Não é agora que deveria se cuidar ainda mais?

O mesmo vale para a parte de se dedicar. Solteiro, você dá um jeito de sair na 5ª feira a noite para uma festa sensacional, mesmo que fique ferrada o outro dia inteiro. Namorando, se o aniversário de namoro ou alguma data especial cai numa 4ª, diz logo “vamos deixar pra comemorar no fim de semana, que temos mais tempo e aí não vou trabalhar cansada no dia seguinte”.

Solteira, paga R$250 num show e gasta mais R$100 em bebida. Namorando, não quer viajar no fim de semana porque precisa economizar.

Namora, mas continua flertando com outros (as), quando alguém com boa aparência passa, fica olhando. Enche a cara até cair, tem comportamentos de solteiro e quer que o parceiro fique feliz.

Ou seja, na maioria dos casos, você não se dedicou ao relacionamento e depois joga a culpa no coitado que foi corajoso o suficiente de encarar uma pessoa traumatizada por relacionamentos.

A competição

Mais um fator primordial para o fracasso dos relacionamentos atuais é a competição gigantesca e simplesmente patética existente entre homens e mulheres.

Um quer provar que é melhor e que não precisa do outro. Em redes sociais, é o que mais vemos. No dia dos homens, são mulheres falando mal de todos nós. No dia da mentira, mulheres nos parabenizando. No dia das mulheres, homens postando fotos de cozinha ou materiais de limpeza (ok, isso é engraçado haha). Mas o fato é que essa competição não deveria existir.

Os homens precisam das mulheres tanto quanto as mulheres precisam dos homens. Não se deve ficar querendo ser mais poderoso que o outro sexo e provar que não está nem aí para ele. E isso infelizmente afeta também os relacionamentos. É a namorada causando ciúme no namorado, o namorado brigando porque ela tem amigos, ela chorando em casa com o telefone na mão, mas não ligando para ele para ficarem bem, pois prefere ser orgulhosa. Pra que tudo isso? É uma batalha sem vencedores.

O casal acaba, os dois vão pra balada e ficam logo com outras pessoas para “se vingar”. Sinceramente, as pessoas estão evoluindo intelectualmente, mas “emburrecendo” no lado sentimental. Se existe uma competição entre namorados, deveria ser para quem consegue fazer o outro mais feliz. Deveríamos justificar uma surpresa ou presente para o outro por algo que essa pessoa te fez primeiro e não ficar sem atender quando uma parte quer pedir desculpas e se acertar porque o ele foi grosseiro anteriormente ou sair porque o outro fez alguma besteira.

Chega dessa competição infantil! Se você entra em um relacionamento, que seja para ser o (a) melhor namorado (a) do mundo e não a pessoa mais indiferente e controladora.

Também, ninguém mais sabe conversar sobre problemas. Ninguém sabe ouvir o outro. Quando algo te incomoda é mais fácil gritar, brigar e desligar na cara do que falar como se sente com certa atitude. E quando você conversa, ainda corre o risco da pessoa dizer que você está fazendo drama. Sem conversa, como há de existir solução?

O que temos é um conjunto de pessoas que agem como cafajestes (homens e mulheres) e são péssimos namorados, reclamando que ninguém presta. E realmente quase ninguém presta, começando por você – e a maioria de nós –  que, ao ler esse texto, encontrou familiaridades. Alguns jogam a culpa nos outros, quando os maiores errados são eles mesmos.

Vamos parar culpar outras pessoas pelas nossas próprias frustrações. Parar de estragar nossos novos relacionamentos ou fazer novas pessoas pagarem pelos erros dos cafajestes do passado. Vamos nos purificar, virar pessoas que se amam (mas se amam de verdade, não aquele falso “eu adoro a minha vida” postado em redes sociais quando se sente só), mas pessoas que admitem seus erros e evoluem a partir deles. Que olham primeiramente para si mesmos e tentam corrigir-se antes de jogar seus problemas em cima de outra pessoa e a responsabilizando quando a relação não deu certo.

Lembre-se: “Purifica o teu coração antes de permitires que o amor entre nele, pois até o mel mais doce azeda num recipiente sujo” – Pitágoras.

Antes de dizer que ninguém presta, passe a prestar. “Preste” deixando de lado todos seus medos e frustrações. Dedicando-se a um novo relacionamento de corpo e alma, como se fosse o primeiro. Seja feliz! Aí será mais fácil encontrar outra pessoa que “presta”.

Então pare de ter medo, repulsa ou ódio de relacionamentos. Existem relacionamentos bons e ruins e muitas vezes nós fazemos eles serem ruins. Se você alguns namoros ruins, não significa que os seus próximos não serão bons.

Veja os seus erros, melhore-os. Assim que estiver preparada, encontrará alguém tão preparado como você. Ninguém precisa de outro alguém para ser feliz, mas que é bem melhor ser junto de alguém que vale a pena, é 🙂

Adaptado do post originalmente postado aqui

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Consultor de relacionamentos. Fala a realidade "na lata", sem mimimi ou enrolação. Conta a mais pura e simples verdade, doa a quem doer. Criador do blog Cérebro Masculino. Envie sua dúvida para: contesuahistoria@alexandrechollet.com que ela pode ser respondida aqui no blog :)


“Se você não for difícil, ninguém vai te querer.”

“Mulher de verdade é difícil.”

“Nenhum homem dá valor para mulheres fáceis!”.

Essas e outras frases são repetidas constantemente em revistas, sites, programas de TV e até em conversas.  Também muito se ouve por aí que uma mulher precisa ser difícil para atrair as melhores pessoas do sexo oposto. Dizem que homens não gostam de mulheres fáceis, que você tem que jogar, deixa-lo esperando, fazê-lo correr atrás e mais um monte de baboseiras.

Veja, eu até concordo que você precise ser difícil para conquistar os melhores homens, no entanto, o meu conceito de “difícil” é um pouco diferente do que se tem por aí…

O que é exatamente ser difícil?

Pra mim, ser difícil significa ser uma pessoa que sabe o seu valor e que não está disposta a sair e se relacionar com qualquer um. É uma pessoa que possui altos padrões e que exige isso em um parceiro.

Por exemplo, você quer se relacionar com um homem honesto, gentil, que tenha bom papo, te valorize, trabalhe e que tenha vida própria, que saiba te dar atenção na medida certa, não demais nem de menos.

Se um playboyzinho de merda — daqueles que usam o dinheiro do papai e pedem mesas na balada, enchem de bebidas e tentam comprar mulheres com isso — se aproximar, você vai dar um fora instantaneamente, pois ele não cumpre os seus padrões.

Se você prefere um homem seletivo e um cara que você já viu pegando 3 na mesma balada iniciar uma conversa, você a encerra, porque não é isso que você procura…

Isso é ser difícil. É ser seletiva, saber o que quer e não aceitar nada menos que isso.

Agora, o grande problema que vejo são as meninas fazendo joguinhos ou se fazendo de difíceis.

O que é se fazer de difícil?

É simples, é você estar interessada em alguém e fingir que não está. É fazer joguinhos, demorar pra responder quando ele te chama no whatsapp, é demonstrar indiferença, deixar parecer que não está nem aí pra ele.

E isso atrai homens? Depende o que você considera um homem. Se pra você é alguém do sexo masculino, pode até atrair um mais inseguro ou um moleque… Agora se você considera homem um cara de valor, confiante, bem sucedido, alguém que também possui altos padrões, a resposta é um belo NÃO!

Os melhores homens sabem exatamente quando uma mulher está jogando e nada quebra mais a atração que isso. Pra um “bom partido”, uma mulher que joga não passa de uma criancinha mimada, alguém infantil com quem não vale a pena perder o seu tempo.

Pra ele, uma mulher faz joguinhos porque acredita que as suas qualidades não são boas o suficiente para estar com alguém como ele. E ele não quer uma mulher assim. Ele quer uma mulher confiante, uma mulher decidida, que sabe o que quer e vai atrás disso. Ele quer uma mulher que sabe o seu valor.

E, principalmente, ele quer sentir que foi escolhido entre os outros milhares de homens que têm por aí. Quer saber que cumpre os seus requisitos de homem. De novo: quer se sentir escolhido.

Ele não vê problema nenhum se você tomar a iniciativa, chama-lo pra sair, beija-lo primeiro ou até transar de cara. Na verdade, adora isso. Ele só precisa sentir que isso foi só com ele e não com todo mundo.

Grave as palavras seguintes:

Quando encontrar um homem que atinja os seus padrões, não tem mais sentido em “ser difícil”, ou como prefiro, se fazer de difícil.

Eu não estou dizendo pra sair se declarando ou escolhendo os nomes dos filhos ou o seu vestido de noiva. Mas para demonstrar interesse. Para chama-lo pra sair e após um encontro dizer que gostou de conhecê-lo. Para, em uma festa ou balada, ser gentil e simpática. Para esquecer joguinhos.

99,9% das mulheres que saí e eram extremamente atraentes — não estou falando só da aparência externa, mas do interior também, o pacote completo — ou me chamaram para sair, foram totalmente receptivas quando iniciei uma conversa com elas ou até, no fim da balada, disseram: “anote o meu telefone pra você ligar e a gente marcar algo”.

Na hora você fica : “Uau! Ela é confiante e tem iniciativa!”

Esse é o tipo de mulher que um homem quer. Uma que sabe o seu valor, que escolheu um homem entre milhares e que não tem necessidade de fazer joguinhos.

Já uma mulher que não gosta de si mesma, que não tem padrões, precisa dos joguinhos porque acha que não é o suficiente pra ele. Parece que ela não acredita que o cara possa estar interessado e por isso precisa dificultar as coisas. E te digo uma coisa: insegurança é brochante.

Então, a minha recomendação seria:

Defina os seus padrões, veja o que você quer em um homem. Quando encontrar algum que cumpra tudo que quer, esqueça joguinhos, pare de se fazer de difícil ou fingir desinteresse.

O máximo que vai conseguir é acabar o interesse dele…

Lembre: seja difícil na hora de escolher alguém, não quando encontra-lo.

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Consultor de relacionamentos. Fala a realidade "na lata", sem mimimi ou enrolação. Conta a mais pura e simples verdade, doa a quem doer. Criador do blog Cérebro Masculino. Envie sua dúvida para: contesuahistoria@alexandrechollet.com que ela pode ser respondida aqui no blog :)


Fico me perguntando quando foi que eu te conheci de verdade, porque não pode ter tão pouco tempo. Meus olhos encontram os seus e eu sinto lá no fundo do meu ser que eu já fui sua. A sensação de segurança faz eu me sentir em casa. Basta você envolver seus braços na minha cintura pra eu notar que tenho um lar. Meu sorriso fraco acha seu caminho de volta com qualquer brincadeira sua, e eu simplesmente sei que você também já foi meu um dia.

Me pergunto então se estou apenas te reconhecendo, e vejo que a resposta provavelmente é sim. Seu cheiro familiar, seu jeito, sua luz. Tudo em você me dá aquela velha sensação de déjà-vu, me levando a crer que em algum outro momento, eu já esbarrei com você nessa mesma intensidade. Você solta essa gargalhada gostosa e eu só sinto que estou aquecida por dentro, o que não acontecia há muito tempo. De alguma forma e por alguma razão desconhecida, só bastou você chegar pro meu iceberg derreter e eu me enroscar em você.

É possível que eu tenha sentido sua falta antes mesmo de encontrar você pela primeira vez?

Porque eu senti. Eu sabia que existia um buraco aqui que só iria encaixar na peça certa, mas eu nunca fui muito boa em quebra-cabeças. Me perdia mais do que me achava. Vivia nessa coisa insana e complexa de tentar achar o que eu nem sabia que procurava. Mas aí você veio, do nada, sem pretensão nenhuma, e em um piscar de olhos, encaixou em mim. No momento em que eu estava desprotegida, despreparada e sem esperanças, você se mexeu, e aqui estou eu, tentando entender o que é que você tem.

Mas é foda tentar entender o que você tem, ou quem você é quando eu mesma sinto que não sou a mesma desde que você resolveu aparecer. É foda tentar entender o que foi que você fez para me deixar dessa forma tão perdida, quando sinto que pela primeira vez, alguém me achou. Não dá. Você só é, você só tem, e você só fez. Sabe-se lá o que me deixou desse jeito, porque só de pensar num pretexto pra partir me sinto partida.

Imagino que isso não seja real. Mas cada célula do meu corpo sabe que você existe – e que sempre existiu. Tudo dentro de mim age para que eu me sinta atraída por você o tempo inteiro. Eu tento me soltar e quando noto, estou novamente segurando no seu cabelo e sentindo nossos lábios se tocarem. É uma força magnética e nós dois não podemos resistir. O gosto da sua boca, e a forma como ela parece perfeita para minha me leva novamente a pensar que isso não é um encontro. Parece que eu vivi todos esses anos esperando você chegar.

Ou voltar pra mim. 

Entendo a razão de todos os outros caras não funcionarem e sinto um alívio por ter dado errado tantas vezes. Olhando pra você, ouvindo sua voz e sentindo sua pele na minha, apenas sei que não importa o que isso tudo seja, é o certo. Imagino se já fomos namorados, ou melhores amigos em um universo paralelo. Penso se conheço você de outro lugar e chego a conclusão que foi uma benção minha alma ter esbarrado na sua. Meu coração acelera, e novamente você me leva a pensar que isso não é um encontro.

Será que estamos nos reencontrando? 

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19 anos de muita história para contar, autora do blog duzentaslinhas.com.br, residente do país das maravilhas e escritora nas horas vagas - nas outras também. Geminiana, sonhadora, avoada, estudante de psicologia, especialista em matérias impossíveis e completamente apaixonada por pessoas, flores e tudo que há de belo no mundo. Acredita em fadas, sereias e em um amor que cura todos os males. Quer conversar comigo pelas redes sociais? Fácil, só me chamar em @duzentaslinhas  Ou quer desabafar secretamente? Me chama no snap duzentaslinhas ou pode me mandar sua história pelo e-mail duzentaslinhas@gmail.com (juro que sou boa em conselhos)  


Eu não sei se você sabe, mas tá bem complicado do lado de cá. Do meu lado, do lado de quem não acreditava que isso aqui – a gente, nós dois, eu e você – poderia rolar outra vez. Meu estômago embrulha só de pensar em tudo que eu jurei de pé junto que não viveria mais. Eu não sei onde me enfiar quando me lembro das vezes em que enchi a cara e prometi – sem cruzar os dedos – que eu NÃO iria me apegar tão cedo

Merda. Eu sou muito ruim nesse negócio de “dar um tempo”

Eu até tentei, eu confesso. Tirei minha agendinha rosa do armário, anotei em letras garrafais todas as coisas que eu queria priorizar na minha vida. Pensei em fazer meditação, pintar o cabelo de outra cor, ir viajar para um lugar inusitado, mudar totalmente o meu guarda-roupa. Pensei até mesmo em começar a frequentar uma cafeteria aqui perto de casa todas as semanas só pra colocar minha pilha de livros em dia. Escrevi milhares de coisinhas, menos a possibilidade de me envolver novamente.

Mas aí, você apareceu.

Não era para ser nada, era pra ser apenas um encontro casual. Pelo menos, foi o que eu disse pro meu reflexo que seria. Eu prometi que seria apenas uma saída e que depois, não nos falaríamos mais, deixaríamos para trás um dia agradável e eu voltaria pros meus livros de romance. Não éramos para ser, mas fomos. Eu acabei gostando do seu beijo mais do que deveria, e vim me culpando no caminho de volta pra casa.

Sim, me culpando. Porque antes mesmo de chegar, meu celular já havia apitado com uma piadinha sua, e eu já tinha sorrido pra tela daquele mesmo jeito bobo. Exatamente, eu sabia onde estava me metendo. Sabia que meus dedos nervosos iriam te responder e que nós passaríamos a madrugada inteira conversando. Eu sabia que teria que encarar meu reflexo no espelho pela manhã e me desculpar por estar novamente me enfiando na mesma história.

Eu não estava dando tempo pro meu coração, me entende? Todos os sites da internet haviam me inspirado a respirar um pouco sem esse lance todo de ter alguém. Eu sabia que era o certo, que meu corpo estava mesmo precisando se curar de algumas cicatrizes. Não era pra eu entrar em outro relacionamento – não que isso seja um, porque não é – , não era nem pra eu estar perto de outra pessoa que tenha o potencial de me fazer sentir algo.

Mas o que eu fiz? O contrário. Corri pros seus braços! Isso parece tão estúpido em palavras, mas tão certo aqui dentro, que eu sei que estou ferrada. Nem tenho coragem de ver minha agendinha, porque de tempo, eu fui muito ruim. Eu ao invés de desviar, escolhi trombar com você, com o seu cheiro gostoso que ficou impregnado na minha roupa, com os seus olhos que me deixam completamente hipnotizada e com essa boca que – é melhor deixar pra lá.

Eu não deveria me apegar, mas é você. Como não me apegar quando alguém é tão lindo internamente e tão legal como você é? Você está tornando minha missão de permanecer fria e distante uma coisa impossível. Cada vez mais eu me perco querendo te encontrar. Meus batimentos aceleram e eu sinto sua falta. Que droga! Fica difícil tentar me afastar quando você se torna tão presente.

Eu não quero me ver novamente apaixonada por alguém, mas por algum motivo eu sinto em todas as células que dessa vez não vai ter jeito. Você apareceu quando eu estava despreparada, quando eu definitivamente não queria nada com ninguém e de repente, boom.. Eu não sei o que eu quero, mas quero você.

E eu quero te socar por ter aparecido, mas ao mesmo tempo, eu quero te beijar por não ir embora.

O que diabos você veio fazer perto de mim? Você não estava nos meus planos.

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19 anos de muita história para contar, autora do blog duzentaslinhas.com.br, residente do país das maravilhas e escritora nas horas vagas - nas outras também. Geminiana, sonhadora, avoada, estudante de psicologia, especialista em matérias impossíveis e completamente apaixonada por pessoas, flores e tudo que há de belo no mundo. Acredita em fadas, sereias e em um amor que cura todos os males. Quer conversar comigo pelas redes sociais? Fácil, só me chamar em @duzentaslinhas  Ou quer desabafar secretamente? Me chama no snap duzentaslinhas ou pode me mandar sua história pelo e-mail duzentaslinhas@gmail.com (juro que sou boa em conselhos)  


Perdoe minha inocência, mas eu não achei que você fosse embora. Eu achei que seríamos “amigas para sempre”, que você realmente estaria presente na minha formatura, nos meus aniversários, no meu casamento, no nascimento do meu primeiro filho e todas aquelas outras coisas que nós planejávamos sem nem pensar na possibilidade de que o “amanhã” que parecia tão próximo, poderia não existir.

Eu só achei que você estaria aqui no momento em que eu precisasse da sua mão segurando a minha, me entende? Porque eu descobri que nada no mundo me chatearia mais do que sua ausência em um momento ruim. Você era luz, e você sabe disso. Trazia alegria, energia e umas boas risadas pra qualquer lugar. Sempre culpei o seu signo “É porque é leonina, é o centro das atenções”, mas a verdade, é que era você mesmo, era algo totalmente e exclusivamente seu. Você era companhia gostosa para qualquer mesinha de bar e disso, ninguém nunca duvidou. Só esperava que você também marcasse seu nome no momento em que eu verdadeiramente precisei rir.

Mas vai saber o que deu em você, não é mesmo? As legendas carinhosas nas fotos não se passaram de palavras ditas ao vento. Os abraços apertados de saudades em todos os nossos encontros não se passaram de momentos que se reservaram pro passado. Você virou passado, você passou. Você foi embora tão rápido, que todo mundo se espantou. Você que chamava atenção, se transformou em um borrão e fugiu.

Fugiu, fugiu sim. Fugiu de uma amizade que havia sido construída, que tinha história, que tinha compaixão, carinho e consideração. Você nem olhou para trás e se perguntou por onde eu andava. Você seguiu sua vida, postou outras fotos, voltou pra outras amigas, focou seu tempo e todo seu espaço pro namoro. Você agiu com indiferença com pessoas que você dizia que eram tão importantes, tão essenciais. Você se foi e nem do nosso número se lembra mais.

Pra quem você liga quando precisa chorar? Pra quem você pede conselhos? Pra quem você corre? Você tinha uma família conosco. Eu, principalmente, via em você um futuro. Quando você resolveu abrir as portas do meu coração e entrar sem ser convidada, você sabia a responsabilidade que tinha. Você não pode conquistar as pessoas, fazer com que elas criem empatia por você e simplesmente partir como se nada tivesse acontecido.

Você se torna eternamente responsável por ter cativado.

Eu não sei se devo apagar nossas fotos, se aquela briga estúpida foi mesmo importante o suficiente pro seu orgulho ser maior do que a sua amizade. Não entendo como você consegue fingir que está tudo ótimo quando claramente não está. Quando se tem pedaços faltando em si. Não é possível que você não tenha coragem de fazer um pedido de desculpas. Não é entendível que você se vá sem satisfação apenas por não aguentar consequências dos seus próprios atos.

Em tantos anos de amizade, você poderia ter marcado minha vida de outra forma, mas marcou com covardia.

Eu senti sua falta quando tudo deu errado e eu fui atrás, porque é o que amigas fazem. A gente corre uma maratona se for preciso. Eu precisava do seu colo, do seu apoio, ou ao menos da sua preocupação. Mas nem isso você teve a capacidade de oferecer. O que me entristece e me faz perceber que foi muito fácil para você oferecer seu amor e depois pegá-lo de volta.

Você virou uma incógnita, porque não sinto raiva e nem quero que você sinta minha falta. Espero mesmo é que fique muito bem e não faça com outro alguém o que você fez. Mas ao mesmo tempo, sinto a saudade apertar e me pergunto se é isso mesmo que você vai virar.

Você não vai me dar feliz aniversário, não vai me ligar, não vai aparecer, não vai existir pra mim. Vai ser uma conhecida nas redes sociais.

Você esqueceu de me avisar que um dia eu teria que te dar o título de “amiga que prometeu ficar e foi”.

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19 anos de muita história para contar, autora do blog duzentaslinhas.com.br, residente do país das maravilhas e escritora nas horas vagas - nas outras também. Geminiana, sonhadora, avoada, estudante de psicologia, especialista em matérias impossíveis e completamente apaixonada por pessoas, flores e tudo que há de belo no mundo. Acredita em fadas, sereias e em um amor que cura todos os males. Quer conversar comigo pelas redes sociais? Fácil, só me chamar em @duzentaslinhas  Ou quer desabafar secretamente? Me chama no snap duzentaslinhas ou pode me mandar sua história pelo e-mail duzentaslinhas@gmail.com (juro que sou boa em conselhos)  


Isto é uma carta aberta não só para você, mas para todos os homens que um dia levantaram a voz para suas esposas, namoradas, irmãs ou amigas. Para todos vocês, que não só machucaram a nossa pele, mas a nossa alma. Para vocês, que conseguem dormir todas as noites, enquanto nós nos perdemos em pesadelos. Isto é uma carta pra você, que me quebrou ao meio sem precisar sequer quebrar algum osso do meu corpo. Pra você, que me deixou em um perfeito caos.

Eu achei que era amor.

Você não pode me culpar por não ter notado os sinais, afinal, você era de confiança, não era? Você me fazia pensar que você nunca, em hipótese alguma, iria desejar o meu mal. Você só queria meu bem, não queria? Você queria me proteger. Seus gritos que ecoavam pela sala e que me assombram até hoje, eram apenas gritos de um cara que dizia que eu precisava “entender” que era apenas preocupação. Você me fez pensar que você se preocupava.

Você me fez criar uma dependência emocional que eu nunca achei que fosse conseguir superar – se é que consegui. Você me fez pensar que se eu não tivesse você, eu ficaria sozinha. Você me fez sentir sozinha. Você me tornou a própria solidão enquanto me enchia de beijos. Você me manipulou e me colocou na sua mão sabendo o que estava fazendo. Você queria uma boneca, uma submissa, uma mulher sem sonhos e sem vida.

Eu não sou essa mulher e nunca me tornarei.

Você não conseguiu me transformar em uma fantoche de pano, apesar de ter mesmo me amarrado em um monte de cordas. Você me acorrentou psicologicamente à você de uma forma invisível, porém palpável. Eu não podia ver, mas eu sentia todas as vezes em que você brincava comigo.

Mas não era brincadeira.

Eu achei que era amor.

Você me fez acreditar que seus toques brutos eram carícias, que você estava apenas olhando por mim. Você era tão bom no que fazia, que depois de todas as brigas e de todo o meu choro incontrolável, eu ainda podia acreditar que você, meu amor, iria mudar. Você dizia isso, se lembra? Você dizia que iria ser tão maravilhoso para mim e que viveríamos tantas coisas incríveis, que eu acreditava.

Não era amor. 

Eu não te amava, você apenas me fez acreditar que sim. Me fez pensar que eu precisava de você, que eu queria estar com você, que era uma escolha MINHA. Eu nunca tive uma escolha, você me arrancou qualquer chance e direito de me pronunciar e de me defender. Você me agrediu das maneiras que você bem entendeu. Você rasgou minha essência, roubou minha inocência e manteve a aparência.

Você me destruiu, e quando não lhe serviu mais, deu as costas, acenou um adeus e se foi. Eu me perdi de mim, achei que era o fim do mundo. Eu não poderia viver sem meu abusador, poderia? Afinal, era esse o papel que você desempenhava na minha vida. Você sugava minhas energias e me entupia de lixo, mentiras e mágoas. Você me deixou em um estado apático. Eu não sabia mais o que vestir, o que pensar, o que falar. Eu não sabia mais sair.

As cordas não apertavam meus pulsos e meus tornozelos. Seus braços não apertavam a minha cintura – ou o meu pescoço. Eu estava sem nada, e achei que era porque sua ausência me fazia falta. Eu sentia sua falta, senti falta do relacionamento abusivo e doentio no qual você me manteve. Eu não percebi que na verdade, eu estava sem nada mesmo quando estava com você.

Não era amor.  Eu estava livre de você, mas não dos arranhões profundos que você deixou no meu interior.

Você destruiu todos os meus relacionamentos seguintes. Eu tinha medo. Eu nunca nem havia percebido que eu tinha medo até você ir. Mas eu tinha, eu me tremia em pavor perto de qualquer homem que ousasse dizer que poderia me tratar bem. Eu não me sentia digna de ser amada. Você foi culpado. Você me fez não me sentir pura. Eu me sentia suja demais pra me aventurar em algo saudável pra mim.

Eu me acostumei com as cordas. Minto, VOCÊ me obrigou a me acostumar. Eu tinha medo da minha casa ensolarada, eu queria a escuridão que você trazia consigo. Eu achei que nunca mais fosse conseguir deixar que alguém me amasse, ou fosse conseguir me olhar no espelho e sentir que eu mesma poderia me amar.

Você me fez sentir que eu não poderia me amar. Tinha algo muito errado comigo, não tinha?

Demorou, eu precisei ler e ouvir muitas vezes todos os depoimentos de mulheres que haviam passado por uma situação parecida. Eu precisei ouvir das minhas amigas. Eu precisei de muito tempo até entender e poder enxergar que não era amor, que era um abuso. Não tinha nada de errado comigo, e sim com você.

Todas as vezes em que você me jogou pra baixo, me diminuiu e me menosprezou ainda existem dentro de uma caixinha guardada em mim. Essas lembranças não desapareceram, as dores que você provocou na minha alma volta e meia ainda me perturbam, me beliscam e me deixam refém, como você fez.

Mas eu agora enxergo quem você é. Eu entendo que nunca foi minha culpa, que eu não poderia fazer nada, que eu estava presa. Eu entendo que eu sou livre, forte e que posso ser o que eu bem entender.

Essa desconstrução não foi fácil e ainda está em processo. Estou me reerguendo aprendendo a não abaixar a cabeça todas as vezes em que ver meu reflexo. Meu cabelo fica lindo solto e eu posso usar batom vermelho – ou roxo. Minha pele não precisa de cicatrizes. Eu não preciso de você.

Eu posso não ser mais inocente, mas sou independente.

O único favor que você me fez foi ter ido embora. 

Ps: se você se identificou com o texto e de alguma forma sente que se encontra em um relacionamento abusivo, denuncie. A culpa nunca será sua.

DENÚNCIA: Central de atendimento a mulher, disque 180. Se liberte.

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19 anos de muita história para contar, autora do blog duzentaslinhas.com.br, residente do país das maravilhas e escritora nas horas vagas - nas outras também. Geminiana, sonhadora, avoada, estudante de psicologia, especialista em matérias impossíveis e completamente apaixonada por pessoas, flores e tudo que há de belo no mundo. Acredita em fadas, sereias e em um amor que cura todos os males. Quer conversar comigo pelas redes sociais? Fácil, só me chamar em @duzentaslinhas  Ou quer desabafar secretamente? Me chama no snap duzentaslinhas ou pode me mandar sua história pelo e-mail duzentaslinhas@gmail.com (juro que sou boa em conselhos)  


Escute enquanto lê:

Eu sei que não foi sua intenção. Você não sabia que eu iria me apaixonar por você. Nem eu sabia que iria me apaixonar por você! Pra ser sincera, eu estava tão desacreditada de qualquer tipo de sentimento, que até eu me espantei. Tentei mandar as borboletas pro canto delas, mas elas insistiram em permanecer no meu estômago. Fizeram uma festa colorida e clichê, o que me deixou só mais nervosa. Nervosa, e palpitante. Não era para estar acontecendo, certo? Não, não era!

Malditas borboletas. Maldito sorriso lindo que você tem. Puta que pariu. O que tá rolando comigo, sério?

Ah não, não. Dessa vez não, por favor. Eu não quero me apaixonar e ouvir você dizer que não vai rolar. Eu quero que role, que enrole, que embole. Eu quero que você se grude em mim e fique. Mas você não é desses, é? Não, não é! Você é livre, solto, descolado, desligado. Você não tá pronto para se apaixonar por mim de volta e eu sei disso todas as vezes em que eu te olho. Você tá pronto pra viver um monte, mas eu ainda não tô nos seus planos.

Eu sei que você deve achar que sim, que eu tô, que você está deixando acontecer naturalmente. Mas eu sei lá no fundo que não somos para ser e nem seremos. Você não tá preparado para me enxergar de verdade e me permitir. Você tá louco pra fugir. Sim, senhor, para fugir. Você mal sabe disso, mas quando percebe, logo muda. E eu caio. Caio porque espero que você me entenda, e que me queira. Eu sei, maluquice.

É que pode parecer uma frase recém retirada de uma música sertaneja (e é) mas “o nosso santo bateu”, me entende? Não foi culpa minha. Eu nem queria que eles se esbarrassem para não ter o perigo de acontecer uma merda dessas. Mas eles se trombaram com TUDO. Eu sinto muito por mim e por você, porque no final, não vai restar nada de algo que eu sei que poderia ser maravilhoso, sabe?

Porra – e estou usando isso como advérbio de intensidade. Nosso lance poderia ser bom para porra! Mas não vai ser, ou vai? Não, não vai! Não vai porque vai acabar assim que eu piscar os olhos. E vai ser um saco ter me acostumado com o seu jeito apenas para ter que fingir que não cheguei a sentir algo por ti. Vai ser difícil, e ruim. Sim, ruim. Coisa que nossa beijo não foi. Foi ótimo, ô se foi. Caramba.. vou sentir falta de te beijar.

Eu tô ficando louca, não to? Não, não to! É você e esse efeito que você exerce em qualquer mulher. Pois é, que droga ter que admitir que não sou a única vítima do seu charme. Queria até ser. Não, pera.. EU NÃO QUERO SER VÍTIMA DO SEU CHARME. Para de me tratar bem, vai. Eu não posso me apaixonar por você e querer estar com você. Eu não posso porque eu sei que nós daríamos tão certo se fosse em um outro momento da vida, me entende? A gente iria ficar tão foda juntos.

Eu não posso me apaixonar por você porque vai ser o mesmo que admitir pra mim que eu tive um cara assim na minha vida e ele foi embora. E eu não quero que você seja esse cara, mesmo tendo essa sensação lá no fundo do meu ser de que você será SIM esse cara.

Você vai ser o meu quase. Aquele que chegou perto de ser algo e não foi. Não vou poder dizer que foi meu namorado, nem meu ficante, nem meu amigo. Você só foi um quase alguma coisa que significou um monte de outras coisas.

Ah.. não seja o meu quase.

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19 anos de muita história para contar, autora do blog duzentaslinhas.com.br, residente do país das maravilhas e escritora nas horas vagas - nas outras também. Geminiana, sonhadora, avoada, estudante de psicologia, especialista em matérias impossíveis e completamente apaixonada por pessoas, flores e tudo que há de belo no mundo. Acredita em fadas, sereias e em um amor que cura todos os males. Quer conversar comigo pelas redes sociais? Fácil, só me chamar em @duzentaslinhas  Ou quer desabafar secretamente? Me chama no snap duzentaslinhas ou pode me mandar sua história pelo e-mail duzentaslinhas@gmail.com (juro que sou boa em conselhos)  


Você sabe que eu poderia ter sido a mulher da tua vida, não sabe? Porque eu poderia sim ter sido muito mais do que você me permitiu ser. Eu teria virado sua cabeça e seus lençóis do avesso, mas ao invés disso, você preferiu ir embora. Você deixou que eu me aproximasse, deixou que eu observasse seu modo de falar, de andar, de agir. Deixou que eu gostasse do que via, do que sentia, do que vivia. Você até mesmo me ofereceu um pedacinho seu, só para arrancá-lo de mim em seguida.

Eu não sei se você sabe, mas rapaz… isso foi cruel. 

Você me prometeu uma tentativa e se foi sem nem me avisar que ia. Jogou suas palavras no lixo assim como todos os momentos gostosos que havíamos tido. Pegou suas coisas e me largou tão fácil, que eu duvido que um dia você tenha mesmo pensado em se permitir. Seu ego e seu medo conseguem ser maiores do que você, e mais uma vez, você acabou quebrando uma garota que estava pronta para ser sua.

Se você não é do tipo que planeja, me perdoe por ter sido. Porque eu via em você tanto carinho, que planejava sem perceber. Sem perceber que você, bem, não estava tão afim assim. Você me deu corda e sabe disso, mas não me puxou para perto, só largou sua ponta e me deixou segurando a outra atoa. Sem saber que você já tinha planos de me deixar. Vai ver você se esqueceu.

Vai ver você esqueceu de avisar que eu era a única que via futuro naquele relacionamento que não foi, mas poderia ter sido.

Se você tivesse ao menos tido a decência de me enxergar, saberia que eu poderia ter te feito um cara feliz para caralh*. Saberia que a diversão que a gente tinha era capaz de preencher o vazio que você abriga. Se você tivesse olhado para mim mais uma vez antes de me descartar como um produto usado, você teria visto que meus olhos brilhavam quando encontravam os seus. Teria notado que sua cena preferida pela manhã seria me ver descabelada, usando a sua blusa velha e gargalhando alto no seu quarto.

Se você não fosse tão cego para as coisas que verdadeiramente importam, você teria sido completo.

Mas você ainda vive em um mundo particular seu e do mesmo modo que não me deixou entrar, não vai deixar ninguém. A fila de mulheres que poderiam ter sido suas só vai aumentar junto da culpa que você vai sentir toda vez que uma delas chorar. E infelizmente, porque acredite ou não, eu te desejo muito bem, você vai acabar sozinho. Sim, sem ninguém.

Você vai se esconder atrás das suas piadas, ironias e do sarcasmo presente nas suas falas. Vai se esconder atrás do seu sorriso lindo que eu tanto admirei um dia, mas não vai ser suficiente. Porque sua procura é inútil e impossível. Sua futilidade vai ser sua única companhia e um dia, daqui bastante tempo, você vai desejar voltar atrás.

Voltar naquela noite fatídica em que você me beijou e poucos minutos depois, me deixou. Vai lamentar ter sido apenas um cara babaca que passou pela minha vida, vai lamentar não ter vivido tantas outras coisas incríveis.

Vai lamentar o fato de que você poderia ter sido meu grande amor e preferiu não ser.

E eu? Eu já vou ter superado o que você poderia ter sido para mim e não foi. Eu vou estar vivendo minha vida plenamente sabendo que você foi um caminho torto pelo qual eu tive que passar e vou estar me curtindo, me amando e me entendendo. Eu já vou ter lido esse mesmo texto mais de dez vezes e vou ter aprendido que não fomos e ponto. Vou estar de cabeça erguida, salto 15 e muito bem resolvida.

Se eu vou lembrar de você? Bem vagamente, até porque quem perdeu foi você, eu vou estar ocupada demais me escrevendo pra ficar me preocupando com uma página descartada.

Eu poderia ter sido a mulher da sua vida, e teria sido perfeito. Mas não fui e quer saber? Ainda bem. Agora é com você, au revoir. 

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19 anos de muita história para contar, autora do blog duzentaslinhas.com.br, residente do país das maravilhas e escritora nas horas vagas - nas outras também. Geminiana, sonhadora, avoada, estudante de psicologia, especialista em matérias impossíveis e completamente apaixonada por pessoas, flores e tudo que há de belo no mundo. Acredita em fadas, sereias e em um amor que cura todos os males. Quer conversar comigo pelas redes sociais? Fácil, só me chamar em @duzentaslinhas  Ou quer desabafar secretamente? Me chama no snap duzentaslinhas ou pode me mandar sua história pelo e-mail duzentaslinhas@gmail.com (juro que sou boa em conselhos)  


Eu só queria dizer que eu te entendo.

Eu entendo seus medos, sua insegurança e receios, sua falta de jeito, sua ausência ressentida e seu afeto trancado. Eu entendo, porque por trás desse sorriso aberto que eu dou quando chego nos lugares há uma armadura tão forte e tão dura que eu faço questão de vestir antes de sair de casa para casos como esses. Casos de sintonia. De coincidências – as quais reluto, mas não acredito.

Eu entendo porque, senta aqui e assume pra mim… estamos perdidos, não é? Perdidos nos bares, entupidos de porcarias que nos deem uma fuga da realidade, atuando em restaurantes com companhias desagradáveis que a gente finge gostar pra transar. Eu entendo a tua tristeza e a questão que fazes de manter distância.

Eu entendo porque somos apenas humanos, frágeis e errantes, consumidos pelas aparências, contagiados pelo vírus da carência, desiludidos sobre sentimentos, afogados em egos. Humanos cheios de incertezas e desacreditados num mundo cheio de gente que não vale a pena.

Mas eu entendo principalmente o teu sufoco. Porque é sufocante, sim. É sufocante fingir o tempo todo que não se importa, que não sente falta de carinho, que amor é coisa de adolescente. É sufocante chegar em casa, sozinho, tirar a armadura e ter que lidar com todos os pensamentos evitados durante o dia, porque agora é você, seu travesseiro e sua consciência. É sufocante lidar com tudo que há dentro da gente e que não tem nome.

E, se eu te entendo tanto e tão bem, porque você não liga, não aparece na minha porta com um combinado de sushi, com a sua melhor camisa me convidando pra dançar, com uma flor de plástico que foi tudo que deu pra comprar na vinda pra cá que foi decidida no impulso? Seria você alguém igual à mim, que não demonstra por medo do julgamento, que finge desapego pra não se mostrar tão vulnerável, que não procura porque vive o eterno jogo do charminho e acaba assim perdendo pessoas e vivências que poderiam ser os finais felizes que tanto procuramos?

Porque se for, meu amor, segura a minha mão e escuta: eu só queria dizer que eu te entendo.

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Rossely Rodrigues, atende por Secéu desde que se conhece por gente. Gaúcha, geminiana que não sabe se acredita em signos, formada em Letras Português Inglês pela FURG, escritora amadora - com muito amor, mesmo! 25 anos de muita história pra contar e outras que é melhor deixar pra lá.

Eu estava conversando com meus amigos, quando percebi repetidas afirmações para o final de um namoro, afirmações como: Não sei porque não deu certo! Éramos perfeitos um pro outro. Ele era o meu príncipe encantado!
Sério? Eram mesmo perfeitos? Me explique esta afirmação ai, “na moral”!
Vem cá, quantas pessoas você já se esbarrou na sua vida? Quantas você encontrou acidentalmente nos mesmos lugares por diversas vezes? Quantas vezes alguém já bateu o olho em você na rua e pensou:  pode ser o amor da minha vida ou eu não fui com a cara dela? Um zilhão de vezes!
Por que temos a mania de querer que tudo em nossas vidas seja uma grande novela ou um conto de fadas?

Mas Cal, eu tenho uma linda história de amor. Eu encontrei meu príncipe e ele tem um cavalo branco! E eu salvei minha princesa da torre encantada. Eu respondo à vocês: E dai?
Todo esse espetáculo não faz o meu romance “café com leite” ser pior que o seu! Sim, romance normal e sem confete como muitos por ai. Aquele que uma amiga sua simplesmente te apresenta alguém legal e, pronto, vocês estão juntos pra valer. Café com leite do tipo: Te achei legal, por isso estou te adicionando. E paaaah! Vocês casados à 10 anos. Namoros comuns sem a cara da novela do Manoel Carlos ou o dramalhão de Shakespeare. Maaaaaasss… não estou aqui querendo dizer que os namoros comuns duram mais que os contos de fadas (ou vice- versa). Estou falando que nós temos a mania de valorizar os contos e esquecer do básico. Nessa mania de supervalorizar os contos de fadas, idealizamos nossos amores e isso pode ser determinante para não dar certo. Simplesmente os namoros terminam porque criamos expectativas demais e esquecemos que ninguém é perfeito!!! Ninguém é! Temos que tentar ser o melhor possível em tudo, mas nunca exigir a perfeição nos outros. Vamos errar, vamos falhar, normal, somos humanos tentando acertar nas nossas escolhas.
O conto de fada não é perfeito e o príncipe,  ahhhh… Quem sabe o príncipe  virou um chato ou um sapo! Mas, sabe o que mais, às vezes é exatamente isso que nos falte, um chato ou um sapo! E sabe o que você fez? Você focou na ideia do príncipe encantado, que tem que ser assim, tem que ser assado (tem que agir assim, senão não presta!) e vai resultar na pergunta clássica de sempre:
Por que a gente não deu certo?

Que tal parar de mirar em projeções e em idealizar (nem café com leite, nem caviar) e investir se permitir viver? Um esbarrão pode ser só um esbarrão. Uma pessoa perfeita pode ser apenas uma pessoa. E, quem sabe, nessas tentativas de encontrar sua cara-metade você vai descobrir que o segredo do sucesso é não criar expectativas. Como diria algum pensador (talvez eu e a Clarice Lispector): Expectativas engorda, tira o sono e borra a maquiagem.
E nós não queremos nada disso!

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Sou musicista (sem banda) Escritora (sem livro) Professora de Educação Física (que ama batata... frita!) Dependente química em Seriados e chocolates (sim, no plural!) Colecionadora de livros, gibis e cds (aceito presentes!)  Apaixonada por Beach Tennis (meu escritório é na praia;) Adoro escrever (principalmente escrever o que penso entre parenteses).  Soteropolitana, nascida e criada em Salvador-Bahia (com grande antipatia por axé e cia. ltda)  Ciumenta com meus familiares, amigos e amores  #soudessas #adorohashtag #xerudacal Agora sim, me fale mais sobre você? ...