Contos e Crônicas


Escute enquanto lê:

Caramba…

Não parece que tem tanto tempo, mas tem. Tem tempo até demais desde que meus ouvidos foram acalentados com a sua risada contagiante e que meus cabelos foram acariciados pelas suas mãos. Tem muito tempo mesmo desde que você se foi e eu te vi pela última vez. Chega a ser até estranho que você continue tão vivo e tão claro na minha mente, nas minhas lembranças e nos detalhes dos meus dias.

Hoje é seu aniversário e uma semana antes eu já conseguia sentir que meu coração estava batendo mais forte – ou muito mais fraco. Eu sabia que esse dia ia chegar e a ansiedade de lembrar que não ia tê-lo por perto me consumia a cada segundo. É foda. Dói muito saber que você não vai acordar hoje super feliz com um abraço apertado meu – ou que você não vai acordar nunca mais. Dói lá no fundo da alma saber que um dia tão importante vai passar assim, em branco, sem nada. Sem sorvete de morango e nuggets de frango. Sem sorrisos e conversas profundas sobre a vida.
É dolorido só de imaginar que eu não vou sentir sua mão segurando a minha e que tudo que eu terei de presente é um passado recheado.

Meus olhos se enchem de lágrimas por ainda contar os seus anos de vida sem a sua presença, mas eu tento parecer forte, não só para mim, mas para você também. Sei que me ensinou muitas coisas valiosas enquanto teve a chance, e a principal delas foi um tutorial de como me manter em pé. Porém, existem momentos em que eu me sinto como aquela garotinha de 7 anos que andava com uma camisola enorme pela casa cantarolando canções recém inventadas pelo seu pai. Me sinto pequenina igual à ela. Me sinto solitária, precisando de todas aquelas coisas que ela tinha.

Mas ela cresceu.

O mundo girou, as coisas mudaram e eu não tenho mais você.

O sentimento daquela menininha me invade e eu lembro de cada coisinha que você talvez nem se lembrasse mais, se estivesse aqui. Eu dou risada, sabe? Eu solto uma gargalhada forte e lembro do quanto você me desafiava e me preparava pra ser quem eu sou hoje. Eu nem gostava de dançar, mas subia nos seus pés para qualquer valsa. Por você, eu virava noites observando a lua, escalava pedras e comia legumes – o que era o mais difícil. Por você, eu deixava de ser indefesa, eu virava seu orgulho.

E eu sabia que eu era sua princesa, e que no seu mundo, você me preparava para ser só minha. Mas acabei sendo sua, inteira. Sendo o seu retrato falante. E eu não sei se você daí consegue me ver, mas se conseguir, saberá que eu talvez ainda use uma coroa imaginária. Talvez saiba que eu ainda tenho aqueles sonhos inocentes e que ainda espero pelo príncipe encantado. Talvez você até ache que eu estou me virando muito bem sozinha, e que seu trabalho foi bem feito.

E foi.

Mas eu sinto que mesmo que eu me torne uma rainha, meu rei sempre será você, aí das estrelas.

Você foi meu primeiro amor porém eterno.

Você deixava eu me deitar nas suas pernas enquanto rabiscava um livro qualquer de figuras. Eu nem sabia falar, mas sei que no meu olhar, eu já dizia “eu te amo”.

Eu te amo.

Mesmo que doa, incomode, me maltrate e me castigue, essa saudade nunca será maior do que o meu amor. Minha admiração pelo puta homem que você foi e pelas coisas incríveis que você fez. Mesmo que eu ainda vá lamentar as coisas que faltaram na sua lista, mesmo que nada vá ser igual e que a falta me corte como um caco de vidro, de alguma forma eu carrego seu coração. Sei que você vive dentro de mim e que de alguma maneira bem maluca, viramos um só.

Hoje é seu aniversário e eu queria que sua imagem se manifestasse e colorisse minha visão. Mas talvez, só talvez… nem precise.
Mesmo que eu vá me sentir como aquela garotinha que roubava seu violão sem nem saber tocar e inventava músicas sem nem saber cantar, eu sei que você vai sentir, seja lá como for.
Talvez eu me sente na sua varanda, como você faria, estique as pernas em cima de outra cadeira e observe a vista. Talvez eu até mesmo tome aquele caldinho de feijão que você tanto gostava, ou vá naquele restaurante que íamos todos os dias depois da piscina. Talvez eu coma uma empada de chocolate e ria muito enquanto me lembro de você
Talvez eu olhe pro céu e note que tem algo brilhando mais do que o resto e simplesmente saiba que pra sempre, seu dia é apenas seu.

E agora, também é meu.

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19 anos de muita história para contar, autora do blog duzentaslinhas.com.br, residente do país das maravilhas e escritora nas horas vagas - nas outras também. Geminiana, sonhadora, avoada, estudante de psicologia, especialista em matérias impossíveis e completamente apaixonada por pessoas, flores e tudo que há de belo no mundo. Acredita em fadas, sereias e em um amor que cura todos os males. Quer conversar comigo pelas redes sociais? Fácil, só me chamar em @duzentaslinhas  Ou quer desabafar secretamente? Me chama no snap duzentaslinhas ou pode me mandar sua história pelo e-mail duzentaslinhas@gmail.com (juro que sou boa em conselhos)  

Às vezes parece que a vida é apenas esse show de horrores que a gente passa perto, vez ou outra, e fica preso dentro. Parece que o sentido de se interessar por algo ou alguém é justamente o aprendizado que fica quando enfim o perdemos. A dificuldade de se manter rotinas e relacionamentos é assustadora! São fachadas, são ilusões, são relações superficiais! Quando profundas veem acompanhadas de um mar de traumas, incertezas e circunstâncias indesejadas. Quem achou que era fácil viver a vida caiu feio do cavalo!

Quem nunca quis correr até o fim do mundo, fugir de tudo e todos, encontrar paz no seu próprio silêncio? Quantas pessoas a gente perde assim, buscando nos encontrar. Quantas pessoas desaparecem quando descobrimos que não somos o que elas esperam da gente, ou até quando descobrimos que não somos o que nós mesmos esperávamos da gente? Qual o sentido dessa efemeridade de relações, que vem e vão, nos deixando marcas, cicatrizes e principalmente muita dor? Tem hora que a gente cansa de adquirir aprendizado e conhecimento, e espera que possa apenas encontrar algum tipo de paz, um porto seguro, alguém para contar.

Será que é realmente possível substituir pessoas que estejam interessadas em se doar para nós, profundamente, sem interesses, sem falsidade? Será que o mundo é mesmo esse mundo mágico repleto de pessoas que estão dispostas a nos amar e receber tudo isso de volta? Quanto vale um relacionamento para você? Tem gente que joga fora no primeiro empecilho, tem gente que luta sem desistir até depois de tudo já estar totalmente destruído. O timing é sempre muito difícil ao lidar com outro ser humano. Quem me garante que qualquer coisa nesse mundo possa ser consertada? Ou quem me garante que possa ser substituída então?

Se você parar para pensar em quanto você já se doou pelas pessoas nesse mundo, e pensar quantas delas partiram ou não deram importância, talvez você se sinta cansado como eu. A gente esfria um pouquinho a cada queda, mas buscamos desesperadamente a esperança de que o mundo seja mais do que esse cemitério de afeto que aparenta ser às vezes. Se for tão difícil para alguém perceber que você se importa e a ama, talvez seja mais simples do que pareça. As pessoas recusam amor sim, e desperdícios não são legais!

Na dúvida ame a você mesmo. O que for verdadeiro volta, já o que partir e não regressar a gente reescreve, nem que leve uma vida inteira!

E leva, viu…

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24 anos, engenheiro civil por formação e escritor por paixão. Adora uma boa leitura, séries e filmes. Exagerado, admirador do cotidiano e péssimo escritor de perfis.

Tem horas que eu boto aquela trilha sonora que parece ter sido criada para momentos introspectivos, sabe?

Eis que vos apresento essa dita trilha, acompanhe ouvindo comigo:

É a partir desses momentos que nascem meus devaneios, onde minha imaginação se sobrepõe sobre tudo. Nasce minha vontade de escrever, de esvaziar meu eu em palavras.
Faz tempo desde a última vez que nos encontramos por aqui, né? Como cê tá?
Muita coisa mudou, muita coisa continua mudando. No mundo, dentro de mim e provavelmente em você aí que está lendo esse texto.
De um lado, me encho de mil informações. De outro, sinto a necessidade de me esvaziar.
Sabe quando você sai da sala do de cinema meio atordoado sem saber como voltar pra vida real? Você se enche de uma realidade que não é bem a que você vive e depois você tem que se esvair dela.
Fui ao mundo cinematográfico só pra dizer que to necessitado de me esvaziar um pouco, de colocar as coisas pra fora. É preciso entender que temos limites e que quando guardamos muita coisa dentro de nós, chega  a hora de liberá-las. Compreende?

Talvez esse texto esteja meio bagunçado.  Mas a vida é assim. Um caos que nem sempre estamos dispostos a organizar, mas que nos é cobrado diariamente. É tipo aqueça opção “mix” da máquina de lavar roupa que você joga tudo dentro e o objetivo é que saia tudo limpo.
Calma, calma. Deixa eu tentar arrumar isso.
Quando falo em “vida”, acabado tentando listar a minha em tópicos, e sempre me sobe à cabeça, primeiramente, as palavras “amor”, “relacionamentos”, “amigos”, “afazeres”.
E aí me surge uma questão, é nisso que a minha vida se baseia? E logo “No que a minha vida se baseia?”
Eu, pessoalmente, acredito que existe uma linha um tanto quanto tênue entre quem somos e quem queremos ser, entre como é e como queremos que sejam todas as coisas ao nosso redor.

Merda. Acho que a música acabou antes da hora.

Mas já que entramos no assunto, aproveita e me conta aqui nos comentários no que se baseia sua vida, hoje. É sempre bom refletir um pouco sobre nós mesmos, né? Vejo vocês logo mais. Adiós.

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Não tantas primaveras, mas muitas histórias. Carioca, futuro estudante de cinema, youtuber, fotógrafo nas horas vagas, escritor em outras, e pai de um bulldog francês, o Frederico. Apaixonado por compartilhar sentimentos em forma de imagens e de adquirir conhecimento sobre outros mundos. Se você se identifica, garanto que vai gostar de me acompanhar nas minhas redes sociais, te vejo lá!

É impressionante como a vida tem essa coisa maluca de nos direcionar silenciosamente para certos lugares obscuros sem que a gente sequer perceba. Eu me torturei como um maluco preso em uma solitária, eu criei histórias na minha cabeça tão perfeitamente narradas que meu corpo acreditava que realmente haviam acontecido. Eu vesti a mesma máscara tantas vezes que acreditei que aquela era veridicamente a minha face. A face de alguém feliz, de alguém completamente resolvido. Escondi tão fundo meus monstros que ninguém foi capaz de encontrá-los, apenas eu, que os ouvia gritando todas as noites sem conseguir dormir no meu quarto. E como toda situação forçada, aquilo ficou insustentável, e eu tive que ceder!

Internalizar culpas, desejos e angústias é a maior cilada de todas. É uma mutilação diária, tentando se convencer de que você é um personagem fictício, uma marionete que tem os movimentos totalmente previsíveis. Só que não é assim que as coisas funcionam, as pessoas são imprevisíveis, o amor então… Eu vi a chuva caindo e chorei compulsivamente, sabendo que ninguém me ouviria. As lágrimas saiam tão naturalmente de mim, há tanto presas de propósito, que meu corpo não sabia reagir, ainda estava domado pela ideia de que estava tudo perfeitamente bem!

Lembro que abracei meu melhor amigo e tive forças para contar pela primeira vez a alguém. Minhas mãos tremiam e eu balbuciava, mas ao mesmo tempo era uma ótima sensação compartilhar aquilo, por para fora, me expressar, ver que alguém estava ali por mim. Hoje sei que é impagável o valor de um bom amigo. Ainda passei longos dias em estado de choque, de repente todo mundo sabia quem eu realmente era, e mesmo que sem entender o que acontecia comigo, muitos juravam saber exatamente o que era, e criticavam, julgavam e apontavam um dedo moralista e sem conhecimento algum.

A gente corre o risco de ser excluído ou mal visto pelas pessoas, chama-se vida! O bom é que a gente aprende que não está aqui para agradar ninguém que a gente não queira, a vida é tão curta e a gente não é obrigado a escolher certos caminhos só por que alguém ou um grupo diz que assim deva ser. Hoje estou tão leve comigo mesmo, com essa sensação de poder começar de novo, de resgatar meus velhos sonhos, de tentar continuar lutando por tudo aquilo que sempre me foi tão importante que já nem me importo com os olhares de julgamento e os fiscais de plantão.

 Quem é você?

 Quantos personagens existem dentro do seu corpo?

 Quanto que as pessoas, a sociedade e certas situações influenciam você a ser quem você não é de verdade?

 Vamos garantir que a vida seja vivida sem máscaras, isso inclui a empatia por quem ainda não deixou a sua própria cair. Tão feio é apontar o dedo que suspeito que seja um tipo de máscara também, uma ligada à ignorância talvez, ou a falta de empatia… Quem sabe ambos! Vamos viver, que a vida é agora!

 Afinal, quem é você?

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24 anos, engenheiro civil por formação e escritor por paixão. Adora uma boa leitura, séries e filmes. Exagerado, admirador do cotidiano e péssimo escritor de perfis.

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Ouvir ao som de:

Você nunca vai conhecer a calmaria que eu sei ser por trás de todo meu caos aparente. Você nunca vai saber o quão forte eu sou apesar da versão frágil que muitos veem. Eu jamais saberei como seus olhos são quando você chora. Não sou a garota que vai almoçar com a sua mãe e ver suas fotos de criança, me perguntando o quanto você passou todos esses anos para se tornar quem é agora.

Nossas bocas não compartilharão segredos e planos. Vamos nos lembrar um do outro apenas superficialmente. Achamos que sabíamos o suficiente para sorrir e dizer que foi melhor assim. Não daria certo mesmo se tivéssemos tentado. Não era para ser.  Estamos de consciência limpa.

Mas é sempre tão triste uma historia pela metade. Fomos estúpidos demais ou apenas corajosos?

Não há mesmo o que fazer quando se esfria antes de ser amor, né? Não há lembranças para se resgatar o que fomos um dia se nem chegamos a ser realmente alguma coisa. Levou um certo tempo para que eu percebesse que nunca seremos uma historia completa. Somos só uma quase historia de amor perdida no meio de tantas outras que também não aconteceram.

E tudo bem. Mas eu não podia me permitir continuar essa caminhada levando comigo apenas metade de você. Por isso tô levando comigo apenas alguns ensinamentos na bagagem e o seu cheio terrivelmente bom.  Seu olhar perigosamente misterioso. E espero que tenha tirado qualquer lição disso aqui também.

Sempre achei que precisaria de uma coragem absurda para tomar a decisão de partir sem nunca saber o que poderíamos ter sido juntos. Poderíamos ter sido incríveis ou desastrosos. E algo em você me causava a sensação de estar deixando um bocado de coisas maravilhosas para trás. Como se ao fechar a porta eu estivesse saindo de mãos vazias quando ainda havia algo valioso ali dentro. Mas você escondia seu melhor em algum lugar secreto que eu só veria caso resolvesse me mostrar.

Me pergunto o que você acharia sabendo que eu finalmente desisti de conhecer esse seu lado. De qualquer forma quando a gente parte algumas coisas inevitavelmente ficam pela metade. Mal resolvidas. Pelo caminho. Ficam as perguntas de tudo o que poderia ter sido feito mas não foi. Fica um pedacinho nosso com o outro. 

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19 anos, preguiçosa em tempo integral e escritora nas horas vagas. Apaixonada por café, filmes, fotografia, livros, música e super-heróis. Dramática e intensa sempre.

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Escute enquanto lê:

Eu sempre fui uma garota que parecia não se importar muito com as coisas. Ou com as pessoas.

Enquanto todas crianças abriam o berreiro quando os pais saíam de casa, eu apenas ia para o meu quarto e ficava quietinha brincando com minhas bonecas. Quando minha mãe foi me buscar no primeiro dia de aula, ela me perguntou se eu senti saudades dela… E eu respondi que não tive tempo para sentir saudades. Enquanto todas minhas amigas tinham plena convicção de que queriam se tornar mocinhas logo e arrumar o primeiro namoradinho, eu só pensava no passo de ballet que iria aprender na minha aula mais tarde. Enquanto todos levantavam a mão na sala de aula e diziam para a professora o que queriam ser no futuro, eu só pensava o quão era nova para escolher algo. Eu tinha que escolher? Quando assisti minha melhor amiga se descabelar porque seu primeiro namorado tinha terminado com ela, eu só conseguia pensar em como o amor é tão injusto. Em alguns corações tanto, em outros nada. Enquanto meus pais discutiam dentro de casa, eu só pensava em como certas discussões não existiriam se as pessoas não fossem tão egoístas e pensassem só um pouquinho nos outros. Mas ficava quieta no meu quarto, rezando para que eles parassem logo. Enquanto todos estudavam para as provas do colégio para poder garantir o futuro, eu só queria me afundar nos meus livros e nas histórias que criava na minha cabeça. É que nada daquilo fazia sentido pra mim, sabe? Enquanto todo mundo acabava torcendo para o time de futebol que seus pais torciam, eu me peguei pensando: Ué, eu não posso escolher? Eu quero torcer pro time da estrelinha. Eu gosto de estrelas. É isso aí. Esse é o meu time.

Enquanto todo mundo se preocupava com o futuro, eu achava incrível o agora. Esse segundo. Esse mesmo, que passou. Você aproveitou?

Também nunca entendi muito bem porque as pessoas odiavam as outras, isso nunca fez sentido pra mim. Odiar alguém que eu nem conheço? Ou pior, odiar alguém que eu conheço vai trazer o que de bom para a minha vida? É perda de tempo. E temos tão pouco tempo… 

Procurar o amor sempre me deu um pouco de preguiça. Eu tinha que procurar? O amor? Mas que amor? As pessoas falam que se amam com tanta facilidade que a palavra amor não tem tanto significado assim pra mim… Talvez um “meu sorriso é fácil quando você está comigo” me leve às nuvens. Ou um “antes de você ir embora, eu já sinto saudades” revire meu estômago. 

Ou os seus olhos em cima dos meus. Isso basta…

Enquanto todos se prendem à conceitos, amarras, status em redes sociais, eu dou valor à outras coisas. Dou valor ao que quase ninguém vê, ao que não tem “valor algum”. O modo como suas mãos tremem quando estamos juntos e você tem que destacar o ingresso do cinema. Ou o olhar que você lança pra mim, sem saber, mas que diz mais do que você conseguiria dizer. O jeito que você fala quando tá perto de mim, mansinho, porque eu acalmo seu coração ansioso. Ou quando você perde as palavras, e eu as encontro. Dou valor às nossas noites mal dormidas, falando sobre tudo e sobre nada, só os dois, sentindo a energia que vibra à nossa volta quando estamos juntos. Gosto de observar as estrelas e pensar no quão infinito  é o universo, e o quanto sou grata por todas às vezes que eu me senti tão infinita quanto ele.

Esse amor fácil de hoje em dia em nada me atrai. Você fica com um hoje, outro amanhã, um terceiro no próximo dia útil. E o que me espanta, é que isso é muito fácil, você só precisa querer. E eu nunca quis isso, entende… Não tenho fome de amor. Não tenho fome de sexo. Não tenho medo de ficar sozinha. Então sempre que esses assuntos surgem na roda de amigos, me calo.

Ninguém iria entender a fome que eu tenho.

Ela é maior do que tudo. Me consome. Me cega. Me faz ter vontade de fugir. De jogar tudo pro alto. De gritar. De cortar o cabelo. Mudar para outra cidade. Outro país. Pegar o carro e viajar sem destino. Me hospedar em um hotel que não olhei na internet. Me faz ter vontade de rodopiar sozinha. De escutar música até meus tímpanos explodirem. De pisar no acelerador para me sentir viva. De dizer o que eu penso sem medo. De contar histórias até o amanhecer. De correr pra longe de tudo que me retém. Eu vivo com pressa. Faminta, sedenta, clamando por tudo que faz meu coração acelerar. 

É que eu tenho fome de tudo que me faz sentir infinita. Tenho fome de tudo que me faz sentir invencível. Fome de tudo que não precisa mais do que 10 segundos para se tornar inesquecível na minha mente tão esquecida…

Eu sempre fui uma garota que parecia não se importar muito com as coisas. Ou com as pessoas.

Besteira… É claro que eu me importo. O que ninguém nunca entendeu é aquilo que eu me pergunto todos os dias: 

Você vai me fazer sentir? 

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Isabela Freitas tem 25 anos, mineira, atualmente em São Paulo, mas vive mesmo no mundo da Lua. Gosta do número 7, amores de arrancar o coração, bichinhos de rua e músicas fofinhas. Ah, ela adora signos também. Sagitariana, teimosa, sincera, sonhadora, dramática e um pouco exagerada. Mas só um pouquinho. Autora dos livros "Não se apega, não" e "Não se iluda, não", e você pode comprá-los aqui. Juntos eles já venderam 500.000 exemplares e até hoje eu não acredito nisso.

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Do amor nós sempre esperamos poesia, sempre apostamos naquele conto de fadas idealizado pela nossa fantasia. Sim, sonhar é sempre muito bom! Ter convicção de que o amor é real, chega a ser melhor ainda! Mas uma boa dose de pés no chão é fundamental para que nós mesmos não acabemos por destruir a mágica toda. As chances de se encontrar o amor da nossa vida são tão pequenas (digo ‘amor da vida’ apenas como um eufemismo para ‘pessoa ideal’), que não basta apenas encontrar (o que convenhamos já não costuma ser fácil), precisamos estar preparados para receber esse amor e todas as mudanças adjacentes que ele traz apenas existindo por si só. Afinal não queremos perder oportunidades como essa na vida, certo?

 

Quando conheci minha mulher, eu achei que iria estar na pista de dança de um casamento ao som de Bee Gees, e sem querer esbarraria numa desconhecida, a qual me hipnotizaria com os olhos logo a primeira vista. Ou algo do gênero! Pois bem, conheci o amor da minha vida lá no passado, no ensino médio. Estudei dois anos inteiros com ela, eu a via praticamente todas as manhãs, e nunca sequer dei um oi (ou o recebi de volta!). Fui reencontrá-la sete anos depois, já formados e com outros olhos sobre o mundo. (Encontrar que eu digo no Facebook: “Eai moça, lembra de mim?  Vamos tomar uma cerveja qualquer hora!). E a cerveja virou muitas cervejas, no plural. O encontro se repetiu, o beijo se repetiu e até hoje se repete junto aos sorrisos. Não foi o primeiro encontro dos sonhos, tão menos amor a primeira vista, mas nem por isso deixou de ser mágico. E continua sendo uma excelente história de amor!

 

Às vezes esperar demais do mundo nos sobrecarrega de expectativas, e o mais comum é que a maioria delas falhem. Num segundo de tristeza, com a guarda baixa, a gente desacredita no amor, achando que ele nos esqueceu, ou que até não exista! Quando na verdade, ainda nos falta conhecimento (maturidade). A vida a dois é um eterno desafio! Lembro que no começo tinha medo que meu ciúmes acabasse destruindo tudo (Eu sabia que era ciumento, e que precisava melhorar! É um enorme passo admitir. Postura essa herdada fruto de más experiências em relacionamentos passados). Na minha cabeça a solução era fácil: ‘Vou para todos os lugares com ela, assim não haverá motivo para surtar’. Que ingênuo eu! Descobri que o trabalho nos separava muito, os amigos e circunstâncias não eram sempre propícios, e até mesmo tive que me mudar, e ir morar em outra cidade longe dela por dois longos anos. E para não ser um babaca (e acabar entrando na estatística de relacionamentos abusivos), eu aprendi a ceder! Verbo esse essencialmente vinculado ao substantivo confiança. ? preciso entender que se alguém esta conosco, é por que quer! E se por ventura te sacanear em algum momento, isso diz respeito ao caráter dela, não ao seu! Supere isso.

 

Achei que viajaríamos todos os anos, faríamos sessões fotográficas e correríamos domingo de manhã no parque. Não que não tenhamos feito nenhuma dessas coisas, mas nosso amor estava muito mais focado em coisas com comer um miojo com séries no Netflix, tirar selfies sujos de maionese nas hamburguerias da cidade e fazer aquele balanço todo final de mês dos salários que eram pequenos demais para os nossos tão grandes sonhos (isso melhora com o passar dos anos. Amém!), e se você não está preparado para essas coisas, para viver o lado real de uma relação entre dois seres humanos reais, que tem defeitos assim como todos os outros, então você não está pronto! Volte três casas, para os romances de Hollywood, e tente de novo no ano que vem! (Não tenha pressa! No amor não se perde, todo mundo ganha ao final).

 

Com o tempo parei de escrever cartinhas, deixei de dar flores todos os meses, nunca mais apareci com uma caixa de chocolates surpresa. Mas o amor continua ali, nos pequenos gestos. Na janta que eu fiz no dia que ela estava exausta. No quarto dela que eu arrumei sem que ela pedisse, no seriado insuportável que eu assistia com ela só para agradá-la. As coisas mudam sim, mas não deixam de ter o mesmo peso na relação. Quem vê de fora muitas vezes não entende, mas quando você aprende você está apto a exercer essa excelente profissão, de levar felicidade e amor de uma forma unicamente majestosa a outro coração. E isso é mágica. Pode não parecer, mas para a outra pessoa sempre continuará sendo poesia! (E boas poesias nunca morrem!).

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24 anos, engenheiro civil por formação e escritor por paixão. Adora uma boa leitura, séries e filmes. Exagerado, admirador do cotidiano e péssimo escritor de perfis.

seja-um-agricultor-do-amor

Tem dias que a única coisa que a gente quer é sumir, ir para um lugar onde não possamos contatar uma pessoa se quer. Mas há dias que o sol passa pela janela e avisa que é hora de espalhar amor por aí. Hora de espalhar abraços em forma de sorrisos. Hora de espalhar beijos em forma de olhares. Que dia maravilhoso esse.

Sempre nos foi dito que se você planta o bem, você colhe o bem, mas cadê os agricultores do amor? Lembra quando seu professor preferido lhe ensinou a plantar um feijãozinho no algodão? Era preciso um copo, um algodão, um grão de feijão e mais alguns componentes. Uma plantação de amor necessita de apenas dois, um ser para dar e outra para receber. E se for você o receptor, se dê o trabalho de no mínimo ser grato. 

Existe a plantação de arroz, a plantação de milho, a plantação de frutas e existe a plantação do amor. A plantação do amor não tem limites, a plantação do amor é de uma diversidade incrível. Cultive paz, solidariedade, gentileza e todas as outras formas de se levar sentimentos bons pelo mundo. Pense no amor como na natureza, atos, mesmo que pequenos, são super impactantes. Opte por impactar de forma positiva na vida das pessoas.

Quando não existir mais espaços para plantar amor, é sinal de que você já colheu toda a gratidão que existe no mundo. Se não for seu caso, continue no trabalho, que uma hora o destino vai se encarregar de retribuir tudo isso. Acredite, agricultor.

Ps: O amor é, sem dúvidas, um dos maiores sentimentos que as pessoas podem sentir. Mas apesar de tão forte, com pequenos atos é possível demonstrá-lo. Plante-o!

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Não tantas primaveras, mas muitas histórias. Carioca, futuro estudante de cinema, youtuber, fotógrafo nas horas vagas, escritor em outras, e pai de um bulldog francês, o Frederico. Apaixonado por compartilhar sentimentos em forma de imagens e de adquirir conhecimento sobre outros mundos. Se você se identifica, garanto que vai gostar de me acompanhar nas minhas redes sociais, te vejo lá!

Mas afinal, o que é que ele tem? Com esse jeans surrado, uma cara de poucos amigos que se desfaz no primeiro sorriso – aquele que quebra rochas – e um palavreado quase juvenil  que ás vezes surpreende, ele apareceu. Não bateu na porta, mas com o atrevimento que lhe é peculiar, adentrou. Sentou, tirou o chinelo e colocou os pés em cima da mesinha de centro da sala. Que papelão: me deixar paralisar por um garoto, tão mais homem que tantos homens de 30 e poucos anos, com uma pureza de criança que contrasta com uma malícia que ele carrega no canto da boca. É quando ele sorri que o mundo desaba.

Algumas amigas me indagam: “o que é que esse carinha tem, hein?”, e eu respondo que não sei, completamente desarmada. Eu cheia de teorias, eu cheia de ideias, eu que tenho a resposta na ponta da língua pra perguntas que ainda nem me foram feitas, sucumbi. Eu não sei como me deixei encantar de forma tão estúpida e avassaladora. Eu que a cada vez que ele me toca, antecipo os fogos do Reveillon dentro de mim, apesar do coração pulsar no ritmo da bateria da Mangueira e o prédio inteiro parece tremer no balanço dos nossos quadris.

Bem se sabe que o amor não tem lógica, nem sentido, só faz sentir. Sabe aquela música que fez Renato Russo balançar multidões? Não existe razão pras coisas feitas pelo coração mesmo, e quem balança agora, sou eu. Chego a ter sonhos indecentes com toda a falta de coerência, faço poesia com teus sons, faço cena com nosso ciúme, flerto com a tua lembrança e faço amor com a tua presença, sempre como se fosse a última vez e sempre com o gosto e a estranheza da novidade. Esse sentimento é uma confusão boa, uma bagunça sadia.

O que é que ele tem que fez ninar minha vontade de chegar com o sol junto de amigas embriagadas e noites fantásticas e acendeu em mim o mais doce desejo de dormir entrelaçando coxas e despertar com cuidado pra não acorda-lo? O que é que ele tem que quando deixa minha cabeça cessar naquele colo me faz ter vontade de parar o tempo? O que é que ele tem que me faz sentir patética, que me dá frio na barriga ao olhar o Whatsapp, que me permite ser tão piegas, que me faz ouvir música lenta e tomar vinho com formigamento no peito? Não sei, mas pra me consolar eu lembro que perguntei pra ele porque que ele demorava tanto aqueles olhos nos meus e ele disse não ter respostas pras minhas perguntas, então ficamos juntos, permanecemos aqui, constantemente apaixonados nessa dúvida, nesse doce não saber.

Vai ver o amor é isso: uma dúvida confortável, uma certeza inquietante, uma falta de sentido cheio de sensações, uma perda de sensatez completamente lúcida, uma loucura repleta de mansidão. Um monte de clichês que nunca parecem traduzir o que exatamente se sente. Um grito que silencia a casa, uma cantoria no chuveiro, um tanto que não me cabe e me transborda. A próxima vez que me perguntarem o que é que ele tem eu respondo sem pudor que não sei, que não me interessa saber, porque sentimento não precisa de perguntas, respostas ou razões. Sentir é o suficiente.

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Rossely Rodrigues, atende por Secéu desde que se conhece por gente. Gaúcha, geminiana que não sabe se acredita em signos, formada em Letras Português Inglês pela FURG, escritora amadora - com muito amor, mesmo! 25 anos de muita história pra contar e outras que é melhor deixar pra lá.

Escute enquanto lê:

Já se passaram três anos desde que te escrevi um texto, aqui nesse mesmo blog. Lembro que na época as pessoas tiravam sarro dessa minha página na internet, como se eu fosse uma louca falando sozinha para ninguém ler. Engraçado como as pessoas sempre duvidam do nosso potencial, não é? Você, não. Você sempre acreditou em mim. Comemorou meu primeiro visitante, e achava “chique” quando eu ganhava cem reais para fazer uma propaganda. Você sempre disse que eu escrevia muito bem, e que gostava de ler as coisas que eu escrevia. Sabia que eu nunca acreditei que eu fosse realmente boa? Até hoje tenho minhas dúvidas.

Parece ontem, mas na madrugada que te escrevi aquele texto, estava doendo muito. Meu peito estava apertadinho, doido pra dizer aquelas coisas em voz alta. Assisti um filme que contava a história de duas amigas inseparáveis, e eu te odiei por não estar ao meu lado. Eu jamais teria uma amiga igual à você. Bosta. Será que dava para voltar no tempo? Pra escolher uma outra amiga de infância? Pra fazer dupla com outra pessoa na sala de aula? O tempo havia se passado. Te levei comigo através dele. Crescemos juntas. Juntas tivemos nosso primeiro beijo, nossa primeira menstruação, e as primeiras rachaduras do nosso coração. Aprendi a curar as suas feridas, e você a não me levar tão sério assim. Só você sabia dos meus exageros, da casca grossa que eu insistia dizer que tinha, e do meu coração que era enorme, e sonhava em se apaixonar… Só você sabia da minha dificuldade em ser aceita, e do quanto me magoava ver que as pessoas me julgavam sem nem me conhecer.

Você ficava brava, me defendia com unhas e dentes. Queria que todos conhecessem quem era a sua amiga, ela era legal, gente! Você dizia. Insistia. Seu coração sempre foi enorme. Ainda é. Nunca conheci alguém que conseguisse estar sempre com o sorriso no rosto como você. Me dava raiva às vezes, tinha vontade de te bater. A pessoa te fazia um mal danado, e lá estava você, sorrindo. Com o tempo aprendi que estar bem consigo mesmo é a melhor coisa que existe, e que guardar mágoa não leva a nada. Precisei me afastar de você para entender isso, acredita? Mas confesso, até hoje te acho um pouco trouxa. Um pouquinho, vai.

Nunca te vi brigar com ninguém, mesmo. Nem com aquela sua amiga que arrumou o seu paquera pra amiga dela. Acha que eu esqueci? Não. Ela sabia que você gostava daquele garoto! Ela sabia que você estava ficando com aquele garoto! E no dia do seu aniversário ela levou uma amiga dela para ficar com ele. Eu lembro! E você continuou sorrindo. Mas comigo não foi assim, não é? Não estou jogando na sua cara, nem sendo malvadinha, porque você sabe, eu sou às vezes. Acho que tudo acontece por um motivo, e nossa briga teve um propósito maior. Me lembro até hoje do dia em que colocamos um ponto final na nossa amizade. Você passou jogando o cabelo, fingindo que não estava me vendo, ali, parada do seu lado. Eu ri bem alto, debochada, pra te provocar. Eu sabia que você iria voltar para tirar satisfação. Você odiava meu deboche.

E você voltou. Para logo mais, ir para sempre.

Você se foi por longos 5 anos. Tanta coisa aconteceu… Nos primeiros meses sem você, eu me perdi por completo. Tentei gritar ao mundo que eu não estava sentindo sua falta, ao mesmo tempo em que sangrava minhas dores. Recorri ao álcool, baladas, e cheguei à beira da depressão. Minha mãe se preocupava, vivia perguntando de você, queria saber o que eu tinha feito para termos brigado tão feio. Eu dizia não saber o motivo, porque essa era a verdade. Melhores amigas não brigam por qualquer coisa, segundo ela. Mas eu não sabia, eu simplesmente não sabia o motivo daquilo tudo! E isso doía mais um pouquinho. Antes eu tivesse assassinado seu cachorrinho, ou roubado seu namorado. Seria mais fácil explicar para as pessoas. Mas os motivos que levaram uma grande amizade a acabar, assim, de uma hora para a outra, não eram claros pra mim. Eu não acreditava que isso pudesse ter acontecido, de verdade. Lembro de ter ido atrás de você no início, mas sua cabeça estava à mil, cheia de influências negativas, e eu desisti. Me convenci de que às vezes, eu realmente fosse uma pessoa ruim. Me convenci de que a maior prova de amizade que eu poderia fazer por você era me afastando mesmo. 

Por um tempo acreditei ser uma pessoa ruim. Acreditei em tudo de ruim que diziam sobre mim. E falar nisso, mesmo após anos, ainda engasga um pouco o choro na garganta. O tempo passou, mantive algumas amizades daquela época, e conheci novas pessoas. Amizades essas que me fizeram feliz novamente, que me mostraram que sim, eu era uma pessoa boa. Com a ajuda deles, tirei todo aquele sentimento encrostado nas paredes escuras do meu coração, e deixei que ele fosse luz novamente. Aceitei quando me ofereceram ajuda para me reerguer do chão, e levantei mais forte. 

Escrevi meu primeiro livro nesse meu momento de superação. Larguei tudo que me fazia mal, desapeguei. Faculdade, namoro, e sentimentos ruins que insistia em abraçar. Acreditei no meu potencial, e me permiti ser aquela pessoa confiante que você conheceu. Acho que foi por isso que meu livro fez tanto sucesso. Minha primeira sessão de autógrafos foi linda, você fez falta. Todos as pessoas que eu amava estavam lá. Na época meu avô estava nas últimas do seu câncer, mas mesmo com muita dor, foi lá na livraria me ver. Ficou sentadinho o tempo todo, ainda sem entender o porquê tanta gente estava indo ali ver a sua neta. Você tinha que ver, esse foi um dos momentos mais incríveis da minha vida! Seu primo foi lá me dar um abraço, e confesso, todas às vezes que nos encontrávamos, doía mais um pouquinho. Ele me lembrava você, claro, nós três sempre fomos muito amigos. E estar perto dele sempre me fez bem, porque ele me contava em meio a assuntos aleatórios, como você estava. Acompanhei sua vida quietinha, de longe. Com medo de que você soubesse da minha curiosidade, e ficasse brava por isso. Eu só queria saber se você estava bem, feliz. Se o seu namoro estava dando certo, e se ele te tratava como você merecia ser tratada. Se tinha amigas. Se elas eram suas amigas de verdade, mesmo. 

De vez em quando ficava sabendo de alguma fofoca, e logo abria a agenda do celular pensando pra quem iria contar. Droga. Minhas novas amigas não conheciam algumas histórias do meu passado. Diversas vezes me peguei contando uma história antiga para elas, só para depois contar alguma novidade relacionada, e poder desabafar com alguém. Mas acho que elas nunca entenderiam Thomas Hobbes. Ou a minha mania de chamar os garotos que me relacionava por nomes nada a ver para que ninguém entendesse de quem estávamos falando. 

No meio de tudo isso várias pessoas tentaram envenenar a nossa amizade. Por que? A gente já nem conversava mais, era como se nunca tivéssemos sido sequer amigas. Então porque inventar coisas, colocar palavras na sua boca, e até mesmo na minha? Tudo isso para estragar ainda mais? Para trazer mais dor à duas pessoas que se amaram muito? Para tentar apagar o passado que foi tão bom? 

Tentaram. Mas não conseguiram. Eu podia até acreditar por um momento, mas logo depois dizia para mim mesma “Duvido que ela falaria isso de mim”. E a vida continuava.

Não posso dizer que em todo esse tempo em que ficamos afastadas, não fui feliz. Talvez eu tenha tido os momentos mais felizes da minha vida nesses últimos anos. Você também deve ter tido, sei que teve. Mas sempre teve um buraquinho, aquele vazio, o lugar cativo na fileira da frente dos que torciam por mim. Nunca perdi as esperanças de que um dia voltássemos a conversar, mas confesso que achei que isso fosse impossível. Ou era o que eu dizia em voz alta pra não querer parecer tão trouxa aos olhos das pessoas. É, acho que era isso mesmo. Eu tinha vergonha de dizer que se você aparecesse de novo na minha vida, eu estaria de braços abertos. Porque eu estaria. 

Eu estava. 

Acordei um dia desses com uma mensagem de 99 linhas sua. Tremi dos pés à cabeça. Olhei pro meu namorado assustada (nós agora moramos juntos), sem saber o que falar. O sorriso no rosto. Eu não tinha nem lido a mensagem, mas só de ver o seu nome, fiquei feliz. Na mensagem, você abriu o seu coração. Chorei quietinha, escondida no banheiro aqui de casa. Me emocionei de verdade ao ler que você sentiu saudades. Eu também senti. Sentia. Sinto… Te respondi com uma mensagem maior ainda (agora sou escritora, né), e logo depois já estávamos conversando. Talvez ainda um pouco sem jeito uma com a outra. Só faltávamos falar “Olá, boa noite. Segue em anexo meu pedido de desculpas”. Até que te enviei um áudio falando pra você deixar de ser besta (eu sempre falo isso, incrível), pra que voltasse a falar normal comigo. Sem formalidades. Você disse que tentaria. Tive medo, será que conseguiríamos? Depois de 5 anos? Com todas as mudanças? Com todo nosso amadurecimento? Com toda dor que sentimos?

E para nossa surpresa, sim. No primeiro dia que voltamos a nos falar, senti que os 5 anos nunca tinham se passado. Voltei no tempo. Nós voltamos. Com o poder do amor, com o poder de uma amizade verdadeira. Lá em cima eu disse que acredito que nossa briga tenha tido um propósito maior, e talvez tenha tido mesmo.

Nossa briga nos fortaleceu, e me fez saber que nunca, nunquinha mais, quero me afastar de você. Mesmo que você faça birra, bata o pé, e diga que me odeia. Eu ainda vou bater na porta da sua casa. Mesmo que você grite, passe jogando o cabelo, e finja que não me viu. Eu ainda vou te enviar uma mensagem tentando te fazer rir. Mesmo que você diga que não quer me ver nunca mais. Eu ainda vou te amar, e fazer com que você me ame de volta. Na força mesmo. Tá avisada. Nem que eu precise te trancar no portão da minha casa. 

Sei que 5 anos parece muita coisa, e é. Mas o que são 5 anos para a vida que teremos pela frente? Quando tivermos 70 aninhos, e formos duas velhinhas loucas e fofas, vamos nos lembrar desses 5 anos com um sorriso no rosto. O que são 5 anos perto do que temos pela frente? Eu estou aqui. Sou sua melhor amiga. E nunca mais vou deixar que você se vá de novo.

Toda loira precisa da sua morena. Toda menina precisa da sua melhor amiga no dia do seu casamento. E eu preciso de você, aqui comigo. Sendo minha Fefix de sempre, falando com voz irritante, e rindo de coisas que ninguém mais ri.

ps. eu adoro colocar ps 

ps2. não acredito que te abracei de novo depois de tanto tempo

ps3. sabia que o texto “Minha ex melhor amiga” é o mais lido do blog?

ps4. obrigada por não ser mais “Minha ex melhor amiga”

Da sua melhor amiga, Isabela <3

Leia o primeiro texto aqui.

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Isabela Freitas tem 25 anos, mineira, atualmente em São Paulo, mas vive mesmo no mundo da Lua. Gosta do número 7, amores de arrancar o coração, bichinhos de rua e músicas fofinhas. Ah, ela adora signos também. Sagitariana, teimosa, sincera, sonhadora, dramática e um pouco exagerada. Mas só um pouquinho. Autora dos livros "Não se apega, não" e "Não se iluda, não", e você pode comprá-los aqui. Juntos eles já venderam 500.000 exemplares e até hoje eu não acredito nisso.