AUTOR: Wesley Néry

A vitrine simples de algumas pessoas

Sabe quando você conhece uma pessoa sem nenhuma expectativa, sem imaginar coisas, não dá nada para ela e, de um jeito natural e sem esforços, ela acaba se tornando todas as suas esperas? Espera de um oi. Espera de uma ligação. Espera de uma mensagem. De um boa noite. De um bom dia. De uma visita. De um abraço demorado. De um beijo lento. De um encontro por acaso. De uma surpresa sem motivo e de todas essas coisas bonitas que fazem o coração acelerar e se sentir pequeno de tanta alegria e sentimento bom que lhe preenche? Então.

Chega até ser engraçado como às vezes, do nada, surge alguém tão comum no nosso caminho e faz toda a diferença na nossa caminhada. E com toda a sua simplicidade, acaba se tornando tão importante num curto período de tempo, que às vezes, chegamos até nos questionar se a conhecemos realmente apenas há um mês ou há um ano. Talvez seja de outras vidas, não sei. O que eu sei é que tem gente que chega para ficar no nosso coração, mesmo sem saber que veio para isso.

Isso me faz perceber que muitas vezes, é inútil a gente se desesperar e querer a todo custo ter alguém do nosso lado, seja por pura carência ou simplesmente por temer a solidão. Porque a verdade é que quando a gente passa a viver bem com nós mesmos, nos tornamos tão plenos e cheios, que a vida, o universo e o destino se unem para nos apresentar alguém que, ao invés de nos complementar, só nos multiplica. E vai por mim, essas pessoas aparecem de um jeito tão singelo e inesperado, que a gente nem entende direito, só abre a porta do coração e convida para entrar. E, de pouco em pouco, de sorriso em sorriso, de olhar em olhar, passamos a querer estar sempre perto. E ficamos. E nem percebemos. Quando vemos, já estamos lá.

E isso é lindo, não é? Ver que nesse mundo de aparências e falsas felicidades, de interesses e obsessão por números, ainda existem pessoas que não precisam ser, nem ter muito para nos conquistar. Só um sorriso tímido já é o suficiente para nos fazer perder o chão e flutuar com o coração na mão. Porque sejamos sinceros, tem gente que só de estar do nosso lado, nos faz esquecer dos problemas, das responsabilidades, e até da nossa idade. É um olhar que te beija, são toques que arrepiam a alma e uma infinidade de pequenos detalhes que cooperam para o momento ser inesquecível. Coisas simples, sabe?

E é justamente a vitrine simples de algumas pessoas que nos instiga a querer conhecer o seu interior que, na maioria das vezes, é surpreendente e de grande valor. Ai, ai... Sinceramente? Que delícia é saber que no meio de todo esse caos que anda o mundo, ainda existem pessoas capazes de nos surpreender e nos fazer abrir um sorriso largo, quando em nossa volta, só há motivos para fechar a cara, os olhos e o coração.

Escrito por Wesley Néry

Vivo escrevendo e sonhando adoidado. Escrevo porque adoro o prazer do cafuné que encontro nos vincos de cada palavra minha. E sonho porque é de graça.

Deixa o que te faz mal para trás e olha para frente.

Mais uma vez você perdoou. Mais uma vez, tentou. E mais uma vez, o teu coração está em pedaços. Sim, mais uma chance jogada no lixo. Mais um recomeço desestruturado. E tudo o que você já sentiu antes, começa a apresentar sintomas outra vez. Tristeza. Saudade. Arrependimento. E uma azeda sensação de tempo perdido. Você não cansa, não, moça? O que te faz pensar que insistir em algo que deu errado cinco vezes, vai dar certo na sexta? É o sexo que te faz tremer? São os anos que vocês já acumulam juntos, dando vida a esse vai e vem sem fim? Ou seria o sentimento de posse que ambos adquiriram com o tempo e que não permite que sigam em frente por puro desprazer de ver um ao outro, com um outro alguém?

O motivo real, eu não sei. Mas sei que isso não é amor nem aqui, nem em Marte. Pode até ter sido, um dia, lá no começo (o que já ficou para trás, junto com a felicidade que possivelmente vocês tiveram). Não me leve a mal, mas é que, amor de verdade jamais é tentativa, é certeza. Jamais é tiro no escuro, é flecha no alvo. E nesse caso, parece que o único alvo dessa relação é você. Alvo de sofrimento.

Se olha no espelho, mulher! Tenta enxergar aquela sua versão mais nova que era firme, sorridente e corajosa. Aquela que sonhava com aventuras e fazia planos felizes para o futuro. Se você conseguir olhar em seus olhos, peça desculpas a ela. Ela não merecia ter sido substituída por essa que aceita ser tão pequena e dependente de alguém só porque tem medo de lidar com a solidão. Ai, ai... Tens estado tão exausta que até a sua aparência não é mais a mesma. E, de algum modo, esse mal amor que você vem vivendo, tem lhe feito mal por dentro também. Já parou para pensar no quão diferente estão seus gostos, suas preferências e suas vontades? Quantas pessoas já não se afastaram porque não te reconhecem mais? Talvez você nunca tenha feito essa reflexão porque sabe que vai doer. Mas preciso-te dizer que pior do que chegar ao fundo do poço, é se acostumar com o fracasso e não ter força de vontade para sair dele.

O mal de algumas pessoas é justamente esse: serem acomodadas consigo mesmo. Terem preguiça de ir em busca da sua felicidade ou de reivindicar o direito da sua própria liberdade. Presta atenção, ninguém é dono de ninguém, não. Por tanto, não dê esse poder à nenhuma pessoa. Você só pertence a você e só. Não deixa ninguém ficar dizendo como você tem que ser ou o que tem que fazer. Quem te ama, ama até a sua unha mal feita. O seu bafo matutino. O seu mau humor na tpm. E só vai querer que você seja e sinta-se feliz.

Então, não volta mais atrás por pena. Não cai de novo na armadilha da carência. Para de reviver fotos, mensagens e lembranças que já fazem parte de um passado que só se distancia e abandona as ordens impostas que você nunca gostou de cumprir. Dizer não, não dói. Questionar, não machuca. E ser honesto consigo mesmo é a melhor paz do mundo.

Aprenda que nesse mundo ninguém fica sem sexo. E quanto mais tempo você prolonga uma relação que te sufoca, porque não acha justo jogar “isso tudo” fora, é equivalente a quantidade de oportunidades que você perde de encontrar alguém que de fato, valha a pena. Então, saia dessa moça. Deixa o que(m) te faz mal para trás e olha para frente.

Escrito por Wesley Néry

Vivo escrevendo e sonhando adoidado. Escrevo porque adoro o prazer do cafuné que encontro nos vincos de cada palavra minha. E sonho porque é de graça.

Amar por dois é cansativo

Hoje de manhã, depois do café, sentei na varanda e comecei a pensar na gente. Na turbulência que está o nosso relacionamento. Na bagunça que estamos nos tornando. E, a cada suspiro de insatisfação que eu soltava, me questionava: meu Deus, como é que chegamos a esse ponto? O que está acontecendo com ele? Com nós?

Não sei. Mas gostaria muito de entender por que você deixou de se empenhar pela gente, com o passar do tempo. Por que deixou de lado aquele seu jeito carinhoso e preocupado, que fazia eu me sentir tão segura e protegida. E por que caiu nesse poço de mesmice que só nos prejudica e não tem vontade nenhuma de sair. Entre nós anda tudo tão diferente, que eu quase não consigo recordar os motivos bonitos que provocaram a nossa união. Eles não se encaixam nessa nossa realidade. Soa meio incoerente. E isso é triste.

Te confesso que desde que passei a te amar, tenho sido para você a melhor versão de mim. Ou pelo menos, a melhor que eu tenho conseguido ser. Às vezes, até fico surpresa com a minha capacidade de suportar certas coisas. Tenho feito sacrifícios e me superado a cada dia, pelo bem do nosso amor. Amor que tem se esfriado, aos poucos, contra a minha vontade. Amor que eu nem sei se ainda é tão amor assim; mas que, eu amo amar.

Sinto falta de como éramos. Tinha tantos sorrisos, que até doía a bochecha. Tinha tanta reciprocidade, que eu chegava a duvidar se aquilo era de fato, possível. Tinha tanto tudo, que sobrava. A paixão, o cuidado e o desejo eram tão grande, que corriam pelas nossas veias e os nossos corpos estavam sempre a um passo (ou um beijo), de entrar em erupção. E eu amava quando você me mandava uma mensagem bonitinha no meio do dia, ou da noite, só para informar que estava pensado em mim. Minha maior alegria era quando o celular vibrava, e era você. Ah, eu sorria tanto... Suas ligações nunca terminavam com nós dois discutindo. Nossas saídas eram felizes. E entre nós, só havia cumplicidade e uma imensa vontade de ser cada vez mais, um para o outro.

Mas de algum jeito, por algum motivo que eu desconheço a origem, isso foi se perdendo. E hoje, não existe mais quase nada do que há um tempo, teve em abundância. Até o nosso sexo, não tem mais o mesmo gosto. E eu preciso te confessar que, de vez em quando, eu choro. De saudade. De desespero. Por não saber o que fazer. Nem como lidar. Por não querer que seja assim. E, principalmente, por temer um fim que eu jamais imaginei que haveria possibilidade de acontecer. Mas você parece não se importar, e isso é o pior de tudo. Porque eu quero tanto ficar aqui e continuar te amando... Mas para isso, é preciso que você volte. Porque o cara por quem eu me apaixonei, ainda deve estar aí dentro. Então me ajuda a resgata-lo. Por favor!

Eu juro que não sei onde foi que tropeçamos e deixamos cair a estrutura que nos mantinha equilibrados. Mas eu estou disposta a recuar e tentar recuperar o esteio e a força do nosso amor. É só você segurar na minha mão, com força, como antes, e me dizer que também quer. Porque por mais que eu te ame muito, não dá para eu fazer o meu papel e o seu. É que amar por dois é cansativo e dói muito.

Portanto, se você quiser, recomeçamos juntos, do zero. Caso contrário, com dor no coração, porei um fim na gente. E então, começarei do zero, sozinha, por aí, de algum jeito. Mas de um jeito menos pior. Porque não há sofrimento maior do que viver um amor que se alimenta da sombra do que já foi um dia.

Escrito por Wesley Néry

Vivo escrevendo e sonhando adoidado. Escrevo porque adoro o prazer do cafuné que encontro nos vincos de cada palavra minha. E sonho porque é de graça.

Em caso de sofrimento, evite reticências

Eu não sei quando foi que você deixou de ser sua para se doar todinha a um cara que, pode até ter convencido no começo, mas na verdade, nunca teve habilidade para te cuidar do jeito que você merece. Não sei o motivo que te faz prolongar a vida desse relacionamento que há meses, respira por aparelhos. E também não sei de onde você tira forças para carregar nas costas, o peso dessa bagagem abarrotada de problemas, desleixos, desequilíbrios, falta de atenção, infantilidade e ordens que você sabe que não deveria obedecer, mas acaba cedendo aos absurdos impostos, só para ficar “tudo bem”.

Olha, isso daí está errado. Está errado para caramba. Porque a partir do momento em que você substituiu os seus sorrisos sinceros, por suspiros de insatisfação, a sua felicidade começou a fazer as malas para ir embora. E, pelo visto, foi. Sem sequer dizer um tchau para notificar esse teu coração que tem andado tão apertado e dolorido ultimamente, né?

Mas olha, hoje eu gostaria de te falar umas coisas e te abraçar. Assim mesmo, através das palavras. Queria dizer que, mesmo não te conhecendo, eu sinto muito. E, daqui, eu não aceito a realidade que você está vivendo, daí. Porque eu sei que, às vezes, quando estamos lidando com algo que ao invés de clarear a nossa vida, só nos confunde, tudo o que a gente precisa é de alguém que chegue e fale baixinho: você não merece passar por isso. Se livra disso tudo, porque você é mais. E, se você não acredita que consegue, eu acredito.

E é por acreditar que você consegue, que eu quero te encorajar. A ser menos dependente. Menos medrosa. Menos privada. Menos submissa. Mais firme. Mais decidida. E mais feliz. Tudo o que eu quero aqui, é fazer com que você perceba que, permanecer dentro de um relacionamento que só aperta os seus pulmões, é suicídio lento. E, eu preciso te dizer que não vale a pena morrer por quem não morreria pela gente. É burrice.

Entenda que a sua vida, é só sua. E ninguém é dono de ninguém, não. As pessoas precisam uma das outras para se fortalecerem, mas isso não significa que elas DEPENDAM de alguém para serem fortes. Principalmente quando esse alguém, só lhe faz se sentir cada vez mais fraca e impotente. Portanto, saia dessa, menina, moça, mulher. Volte a ser dona dos seus sorrisos, das suas roupas, do seu corpo e, principalmente, de você.

Porque em caso de sofrimento, evite reticências. O ponto final é necessário. Vai doer no começo porque é normal. Afinal, a função da saudade é causar terremoto no coração e provocar uma tempestades nos olhos. Mas isso passa. Confia em mim, que passa. Porque onde há desgaste, não tem amor. Tem a falta dele. E, se quando assistimos a um filme várias e várias vezes, decoramos suas falas, quando damos muitas chances, já estamos acostumados com a dor. Então, por favor, desacostume!

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Talvez um dia, alguém fique

Não sei ao certo o que é que impede as pessoas de ficarem por aqui. Não sei se não consigo ser o bastante ou se sou suficiente demais. Então vejo rostos alheios indo e vindo a todo instante e começo a me questionar se as pessoas tem dificuldade para enxergar o que há de melhor em mim. Será que não está nítido no meu olhar? Ou será que ninguém nunca se interessou em olha-los a fundo? É que eu não sou uma pessoa ruim. Não gosto de mentiras. Não compartilho sentimentos amargos. Não alimento rancor e até evito assistir jornais para não ter que me deparar com uma coleção diária de tragédias.

Na verdade, eu gosto é da pureza que mora na sinceridade de fazer o bem e ser agradável para o mundo. Gosto quando os olhos falam na língua da solidariedade. Gosto de ver um sorriso se abrindo. Gosto de conhecer sonhos. E me apaixono instantaneamente por quem rasga a minha timidez na primeira conversa e abre espaço para que eu seja apenas eu pelo resto do tempo. E isso é raro, mas quando acontece, é lindo.

Porque no porto do meu coração tem um cais que recebe muita gente. E sempre que alguma embarcação nova chega, faço de mim o melhor anfitrião. Só é uma pena que elas nunca demoram. E isso me entristece um pouco. Porque tem gente que, em pouco tempo, se torna tão especial que nem conseguimos compreender, quem dirá explicar. E dói quando elas vão embora cedo; porque percebemos então, que esse pouco tempo foi tudo o que pudemos ter tido. E quando elas se vão, só o que resta sou eu. Sozinho. Outra vez. Por isso não sou fã de coisas efêmeras, principalmente quando se trata de pessoas que fazem bem para o meu coração.

Mas eu resisto, sabe? Porque todos que já amarram o seu barquinho ou sua canoa por aqui, acabaram deixando muito de si. E durante toda essa minha vida colecionando pessoas instáveis, aprendi a extrair o máximo do mínimo que me doam. E eu valorizo muito cada meio sorriso que consigo tirar de quem me faz bem só em estar presente.

E assim eu vou seguindo. Apesar de tudo, sempre rindo. Porque talvez, algum dia, alguém resolva ficar um pouco mais e quem sabe, acabe ficando para sempre. E nossa, eu vou gostar tanto...

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Escrito por Wesley Néry

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