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Nossa história termina por aqui, assim como os verbos conjugados na primeira pessoa do plural. Resista a segundas tentativas, último beijo e esperanças desnecessárias; faça bem para si e esqueça nossos momentos felizes, aproveite, apague os tristes e me transforme em um borrão em sua mente. Não me diga que somos para o resto da vida; eu odeio restos. Restos de carinho, de café e, principalmente, restos de ti. Não se apegue no pouco de mim que sobrou em seu coração indeciso, permita-se ir.


Agora você é o garoto de camisa xadrez e eu a menina do batom vermelho, apenas meros desconhecidos. Refiro-me como desconhecidos não desmerecendo todo o conhecimento que tivemos durante o nosso relacionamento, mas, sim, porque pouco importa o nosso passado quando não saberemos nada do futuro um do outro. Provavelmente, eu não seja a garota com os lábios pintados de vermelho por muito tempo e amanhã você use a mesma estampa de roupa. E é aí aonde a graça se esconde: separados somos diferentes, o que resolve metade de nossos problemas.


Pode ir, não precisa dramatizar a cena segurando minha mão ou me dando um abraço de despedida. Odeio despedidas, uma vez que esta nada mais são do que restos do que, supostamente, duraria resto da vida; você deixou resto de café na garrafa térmica e eu não reclamei, mas é como eu já disse: resto do resto é demais para o meu estômago.

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Nossa história termina por aqui, assim como os verbos conjugados na primeira pessoa do plural. Resista a segundas tentativas, último beijo e esperanças desnecessárias; faça bem para si e esqueça nossos momentos felizes, aproveite, apague os tristes e me transforme em um borrão em sua mente. Não me diga que somos para o resto da vida; eu odeio restos. Restos de carinho, de café e, principalmente, restos de ti. Não se apegue no pouco de mim que sobrou em seu coração indeciso, permita-se ir.


Agora você é o garoto de camisa xadrez e eu a menina do batom vermelho, apenas meros desconhecidos. Refiro-me como desconhecidos não desmerecendo todo o conhecimento que tivemos durante o nosso relacionamento, mas, sim, porque pouco importa o nosso passado quando não saberemos nada do futuro um do outro. Provavelmente, eu não seja a garota com os lábios pintados de vermelho por muito tempo e amanhã você use a mesma estampa de roupa. E é aí aonde a graça se esconde: separados somos diferentes, o que resolve metade de nossos problemas.


Pode ir, não precisa dramatizar a cena segurando minha mão ou me dando um abraço de despedida. Odeio despedidas, uma vez que esta nada mais são do que restos do que, supostamente, duraria resto da vida; você deixou resto de café na garrafa térmica e eu não reclamei, mas é como eu já disse: resto do resto é demais para o meu estômago.

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roupas-trocadas-2

Somos melhores amigos há anos, mas, por favor, não me chama de "cara". Eu não sou só um cara, aliás, nem um cara eu sou. Apesar de te acompanhar em jogos de futebol, falar alguns – ou vários – palavrões quando fico nervosa, sou uma garota. Dessas que têm paixão por sapato, sabe? Sei que você conhece várias. Mas você só me vê arrumada em festas e comenta o quão estranho é me ver sem nenhuma peça de roupa sua. Eu poderia ser diferente, sorte que não sou.

Eu poderia viver maquiada, usar vestido e salto alto, talvez, assim, notasse a minha feminilidade. Daí eu seria como as meninas que você chama para sair, essas que você reclama por não combinarem contigo. Essas que deixam em ti apenas uma vontade de me ligar, para acabarmos a noite jogando videogame e comendo pizza, como costumamos fazer aos sábados. Se eu fosse como elas, acho que você não iria gostar muito de mim. Ou iria?

De tanto aparecermos juntos de roupas trocadas, costumam nos perguntar se estamos namorando; eu fico vermelha e você responde que eu sou diferente. A verdade é que eu não coro porque fico envergonhada, mas sim porque eu queria que um dia a resposta fosse um sim ou que, pelo menos, em uma dessas indagações frequentes, você percebesse que eu realmente sou diferente das outras, todavia parecidíssima contigo.

A nossa semelhança bastou para eu me apaixonar por ti. Exatamente o que você leu, eu… apaixonada, e, para completar a surpresa, por ti. Ficou tanto tempo me questionando sobre onde havia deixado meu coração, que acabou não percebendo que ele era a imagem que reflete quando você se olha no espelho de manhã.

Pode ser que não tenha entendido, tudo bem. Eu não me importo se você tiver de olhar mais de dez vezes para perceber que eu sou mais do que a sua melhor amiga que torce pelo seu time de futsal todo sábado pela manhã. Compreendo também, caso, apesar de ter olhado várias vezes, não tenha me enxergado de outra forma. Acontece nas melhores amizades. Mas, por favor, não me chama de "cara".

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Somos melhores amigos há anos, mas, por favor, não me chama de "cara". Eu não sou só um cara, aliás, nem um cara eu sou. Apesar de te acompanhar em jogos de futebol, falar alguns – ou vários – palavrões quando fico nervosa, sou uma garota. Dessas que têm paixão por sapato, sabe? Sei que você conhece várias. Mas você só me vê arrumada em festas e comenta o quão estranho é me ver sem nenhuma peça de roupa sua. Eu poderia ser diferente, sorte que não sou.

Eu poderia viver maquiada, usar vestido e salto alto, talvez, assim, notasse a minha feminilidade. Daí eu seria como as meninas que você chama para sair, essas que você reclama por não combinarem contigo. Essas que deixam em ti apenas uma vontade de me ligar, para acabarmos a noite jogando videogame e comendo pizza, como costumamos fazer aos sábados. Se eu fosse como elas, acho que você não iria gostar muito de mim. Ou iria?

De tanto aparecermos juntos de roupas trocadas, costumam nos perguntar se estamos namorando; eu fico vermelha e você responde que eu sou diferente. A verdade é que eu não coro porque fico envergonhada, mas sim porque eu queria que um dia a resposta fosse um sim ou que, pelo menos, em uma dessas indagações frequentes, você percebesse que eu realmente sou diferente das outras, todavia parecidíssima contigo.

A nossa semelhança bastou para eu me apaixonar por ti. Exatamente o que você leu, eu… apaixonada, e, para completar a surpresa, por ti. Ficou tanto tempo me questionando sobre onde havia deixado meu coração, que acabou não percebendo que ele era a imagem que reflete quando você se olha no espelho de manhã.

Pode ser que não tenha entendido, tudo bem. Eu não me importo se você tiver de olhar mais de dez vezes para perceber que eu sou mais do que a sua melhor amiga que torce pelo seu time de futsal todo sábado pela manhã. Compreendo também, caso, apesar de ter olhado várias vezes, não tenha me enxergado de outra forma. Acontece nas melhores amizades. Mas, por favor, não me chama de "cara".

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*ilustração de Mônica Crema, curta sua página!

Olhar para esse papel e não conseguir escrever é complicado. Eu sempre escrevo sobre amor  e nunca tive nenhuma dificuldade em dialogar sobre o assunto, mas, como diz a música, falar de amor não é amar. Agora não se trata de palavras, são sentimentos, que, desta vez, eu sinto. Sei me expressar relativamente bem, entretanto amar não é o que faço de melhor. Todavia, prometo que vou tentar. 

Amar é quando eu brigo com você, e você me olha com aquela cara de bobo. Odeio quando você faz isto. Você me derrete sem querer. Não sei se você sabe, mas sou apaixonada por esse jeito só seu de me olhar. Você me olha com olhos de admiração. E eu nunca me senti alguém que merecesse ser admirada. Mas você me faz sentir assim. Como se eu fosse a parte preferida do seu dia. 

Amar é te ouvir tocar uma música piegas e me pegar com um sorriso no rosto enquanto sua voz ressoa nas paredes frias, e inundam meu coração com amor. Amar é quando você solta aquela sua gargalhada e faz caretas no meio do sermão que eu treinei na frente do espelho por horas. Aliás, amar é treinar na frente do espelho… E fazer caretas também. Amar é ter medo e ao mesmo tempo certeza, certeza de que juntos seremos sempre melhores. 

Amar é quando o porteiro te deixa entrar sem avisar, porque ele sabe que a resposta será sempre sim. Até ele sabe. Sabe que meu sorriso se alimenta de você. Amar é quando minha mãe cozinha sua comida preferida no fim de semana. Amar é calcular cada passo que eu dou, para que eles nunca se afastem muito dos seus. Amar é seguir caminhos diferentes, e se encontrar lá na frente.

Amar é ficar irritada, amar é brigar e logo depois cair na cama. Amar é ficar sem palavras, é querer falar e não conseguir. Amar é tentar não dizer "eu te amo" toda hora para não banalizar, mas dizer mesmo assim, porque amar é esquecer de pensar às vezes. Ou duas vezes. Ou, talvez, sempre. Amar é roubar beijo. Amar é jurar ao invés de prometer. Amar é sorrir ao ver uma foto. Amar é surtar de vez em quando. Amar é achar o clichê maravilhoso.

Sobretudo, amar é escrever palavras repetidas, porque eu sei que te faz feliz ouvi-las várias vezes. Sinceramente, eu não tenho como comprovar se minhas definições sobre amor estão corretas; porém amar é o que eu mais tenho feito. Amar sou eu, é você, somos nós e essa minha vontade louca de poder reescrever este texto todos os dias. 

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*ilustração de Mônica Crema, curta sua página!

Olhar para esse papel e não conseguir escrever é complicado. Eu sempre escrevo sobre amor  e nunca tive nenhuma dificuldade em dialogar sobre o assunto, mas, como diz a música, falar de amor não é amar. Agora não se trata de palavras, são sentimentos, que, desta vez, eu sinto. Sei me expressar relativamente bem, entretanto amar não é o que faço de melhor. Todavia, prometo que vou tentar. 

Amar é quando eu brigo com você, e você me olha com aquela cara de bobo. Odeio quando você faz isto. Você me derrete sem querer. Não sei se você sabe, mas sou apaixonada por esse jeito só seu de me olhar. Você me olha com olhos de admiração. E eu nunca me senti alguém que merecesse ser admirada. Mas você me faz sentir assim. Como se eu fosse a parte preferida do seu dia. 

Amar é te ouvir tocar uma música piegas e me pegar com um sorriso no rosto enquanto sua voz ressoa nas paredes frias, e inundam meu coração com amor. Amar é quando você solta aquela sua gargalhada e faz caretas no meio do sermão que eu treinei na frente do espelho por horas. Aliás, amar é treinar na frente do espelho… E fazer caretas também. Amar é ter medo e ao mesmo tempo certeza, certeza de que juntos seremos sempre melhores. 

Amar é quando o porteiro te deixa entrar sem avisar, porque ele sabe que a resposta será sempre sim. Até ele sabe. Sabe que meu sorriso se alimenta de você. Amar é quando minha mãe cozinha sua comida preferida no fim de semana. Amar é calcular cada passo que eu dou, para que eles nunca se afastem muito dos seus. Amar é seguir caminhos diferentes, e se encontrar lá na frente.

Amar é ficar irritada, amar é brigar e logo depois cair na cama. Amar é ficar sem palavras, é querer falar e não conseguir. Amar é tentar não dizer "eu te amo" toda hora para não banalizar, mas dizer mesmo assim, porque amar é esquecer de pensar às vezes. Ou duas vezes. Ou, talvez, sempre. Amar é roubar beijo. Amar é jurar ao invés de prometer. Amar é sorrir ao ver uma foto. Amar é surtar de vez em quando. Amar é achar o clichê maravilhoso.

Sobretudo, amar é escrever palavras repetidas, porque eu sei que te faz feliz ouvi-las várias vezes. Sinceramente, eu não tenho como comprovar se minhas definições sobre amor estão corretas; porém amar é o que eu mais tenho feito. Amar sou eu, é você, somos nós e essa minha vontade louca de poder reescrever este texto todos os dias. 

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Casal da Semana será uma nova coluna, feita por mim, Victoria Bonamigo, onde irei ler emails que vocês mandam contando suas histórias de amor (ou não), e irei escrever sobre o dito casal. O primeiro casal escolhido foi ninguém mais, ninguém menos, do que a Isabela Freitas e o seu namorado, Leonardo Mion. 

Espero que gostem!

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Nós não começamos com um primeiro encontro. Não seguimos as fases pelas quais os relacionamentos normalmente passam antes de surgir a esperada fala "eu te amo", aliás, nós fomos amor antes de qualquer fase. Eu tentava te apresentar para alguma menina que fosse digna de ter um príncipe como você ao lado, e nem percebia que a coroa de princesa estava, de fato, em minha cabeça; talvez você já soubesse – provavelmente, até eu tivesse consciência, apesar de preferir não perceber. Fomos amor antes do primeiro beijo, um casal antes de estarmos juntos, e um "para sempre" antes de, sequer, começar.

Pode parecer estranho, mas poucos sabem que amor não é só beijos e postagens no Instagram de fotos andando de mãos dadas em uma praia aleatória; amor é aquela mão que afasta o cabelo do seu rosto enquanto você chora e, instantes depois, faz-te rir até esquecer que tem cabelo. É aquela paz interna que independe de quantos problemas você carrega na bolsa. O meu amor -como todos sabem – é você, não devido a um status em uma rede social, mas sim porque nossas risadas juntas são mais altas do que qualquer grito, e o brilho dos seus olhos quando olha nos meus é tão forte que chega a atrair vagalumes.

Contigo eu conheci o outro lado do mundo estando na esquina de casa; voltei aos quatorze anos e dei um pulo nos trinta, conheci-me melhor e descobri que não preciso ser perfeita, uma vez que você já faz isto por mim. Nosso amor são as borboletas que não consigo deixar voar somente dentro de mim.

Porque nós fomos amor antes do primeiro beijo, e eternos antes mesmo de sermos. E se isto não é perfeito, sinto muito, perfeição, você está com os conceitos errados.

 


 

* Este é o primeiro texto do quadro Casal da Semana e foi baseado na história real do casal Isabela Freitas, e Leonardo Mion. Para participar basta enviar a sua história, e do seu parceiro para o email email casaldasemana@isabelafreitas.com.br, junto com fotos do casal e suas redes sociais, ela pode virar uma crônica aqui no blog!

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Casal da Semana será uma nova coluna, feita por mim, Victoria Bonamigo, onde irei ler emails que vocês mandam contando suas histórias de amor (ou não), e irei escrever sobre o dito casal. O primeiro casal escolhido foi ninguém mais, ninguém menos, do que a Isabela Freitas e o seu namorado, Leonardo Mion. 

Espero que gostem!

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Nós não começamos com um primeiro encontro. Não seguimos as fases pelas quais os relacionamentos normalmente passam antes de surgir a esperada fala "eu te amo", aliás, nós fomos amor antes de qualquer fase. Eu tentava te apresentar para alguma menina que fosse digna de ter um príncipe como você ao lado, e nem percebia que a coroa de princesa estava, de fato, em minha cabeça; talvez você já soubesse – provavelmente, até eu tivesse consciência, apesar de preferir não perceber. Fomos amor antes do primeiro beijo, um casal antes de estarmos juntos, e um "para sempre" antes de, sequer, começar.

Pode parecer estranho, mas poucos sabem que amor não é só beijos e postagens no Instagram de fotos andando de mãos dadas em uma praia aleatória; amor é aquela mão que afasta o cabelo do seu rosto enquanto você chora e, instantes depois, faz-te rir até esquecer que tem cabelo. É aquela paz interna que independe de quantos problemas você carrega na bolsa. O meu amor -como todos sabem – é você, não devido a um status em uma rede social, mas sim porque nossas risadas juntas são mais altas do que qualquer grito, e o brilho dos seus olhos quando olha nos meus é tão forte que chega a atrair vagalumes.

Contigo eu conheci o outro lado do mundo estando na esquina de casa; voltei aos quatorze anos e dei um pulo nos trinta, conheci-me melhor e descobri que não preciso ser perfeita, uma vez que você já faz isto por mim. Nosso amor são as borboletas que não consigo deixar voar somente dentro de mim.

Porque nós fomos amor antes do primeiro beijo, e eternos antes mesmo de sermos. E se isto não é perfeito, sinto muito, perfeição, você está com os conceitos errados.

 


 

* Este é o primeiro texto do quadro Casal da Semana e foi baseado na história real do casal Isabela Freitas, e Leonardo Mion. Para participar basta enviar a sua história, e do seu parceiro para o email email casaldasemana@isabelafreitas.com.br, junto com fotos do casal e suas redes sociais, ela pode virar uma crônica aqui no blog!

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para-todos-os-meninos-lindos-deste-mundo-2

 

Ele não é alto, forte, loiro, e não tem olhos verdes; não é o estereótipo de beleza de ninguém. Mas ele foi lindo. Foi lindo quando me abraçou, depois de eu ter andado naquele temporal sem medo de se molhar. Quando assistiu aquela novela que odiava só porque eu não poderia ver tal capítulo e queria saber o que iria acontecer. Em todos aqueles dias em que eu chorava e ele me fez rir, com um conselho ou com uma piada ruim, ele foi o mais bonito de todos. Ninguém acredita, porém ele é lindo. O que eu mais ouço é que eu preciso de óculos de grau bem fundos para conseguir enxergar a verdade da vida.

 "A verdade da vida".  A realidade é que ele me segura nos momentos de queda e não me deixa ter medo de cair se estou por cima. O fato é que ele faz comida para mim, porque eu não sei cozinhar e vivo com fome. Juntos, nós voltamos a ser crianças e nos tornamos adultos em segundos, já que o tempo se torna maleável em nossas mãos e as possibilidades se multiplicam diante de nossos olhos. E ainda dizem por aí que eu sou cega. Quantas pessoas têm a sorte de ter aquele mesmo frio na barriga ao ver alguém, ao sentir um perfume conhecido, após de tempos? Acho que não muitas, entretanto eu tenho. Admito, quase o perdi quando quis acreditar na minha suposta cegueira. Cega fui no momento em que não acreditei nos meus princípios.

Resolvi "enxergar" tudo o que me acusavam de não ver. Porém, não, o loiro de olhos verdes não me fez feliz. Nem aquele fortão que faz faculdade de educação física; muito menos o músico que toca naquele barzinho chique da esquina. Nada me protegeu realmente, nem a força, nem os olhos claros, tampouco as músicas tocadas no violão; os dias frios continuaram frios e os dias difíceis permaneceram tristes.

Acordes jamais me conquistaram e jamais conquistarão. Percebi que, aos meus olhos, nada se compara à beleza dele. Entendi que se trata de beleza, não de aparência. A minha sorte que ele foi bonito o suficiente para aceitar que nem todo mundo nasce lindo, alguns levam um certo tempo para aprender a ser.

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Ele não é alto, forte, loiro, e não tem olhos verdes; não é o estereótipo de beleza de ninguém. Mas ele foi lindo. Foi lindo quando me abraçou, depois de eu ter andado naquele temporal sem medo de se molhar. Quando assistiu aquela novela que odiava só porque eu não poderia ver tal capítulo e queria saber o que iria acontecer. Em todos aqueles dias em que eu chorava e ele me fez rir, com um conselho ou com uma piada ruim, ele foi o mais bonito de todos. Ninguém acredita, porém ele é lindo. O que eu mais ouço é que eu preciso de óculos de grau bem fundos para conseguir enxergar a verdade da vida.

 "A verdade da vida".  A realidade é que ele me segura nos momentos de queda e não me deixa ter medo de cair se estou por cima. O fato é que ele faz comida para mim, porque eu não sei cozinhar e vivo com fome. Juntos, nós voltamos a ser crianças e nos tornamos adultos em segundos, já que o tempo se torna maleável em nossas mãos e as possibilidades se multiplicam diante de nossos olhos. E ainda dizem por aí que eu sou cega. Quantas pessoas têm a sorte de ter aquele mesmo frio na barriga ao ver alguém, ao sentir um perfume conhecido, após de tempos? Acho que não muitas, entretanto eu tenho. Admito, quase o perdi quando quis acreditar na minha suposta cegueira. Cega fui no momento em que não acreditei nos meus princípios.

Resolvi "enxergar" tudo o que me acusavam de não ver. Porém, não, o loiro de olhos verdes não me fez feliz. Nem aquele fortão que faz faculdade de educação física; muito menos o músico que toca naquele barzinho chique da esquina. Nada me protegeu realmente, nem a força, nem os olhos claros, tampouco as músicas tocadas no violão; os dias frios continuaram frios e os dias difíceis permaneceram tristes.

Acordes jamais me conquistaram e jamais conquistarão. Percebi que, aos meus olhos, nada se compara à beleza dele. Entendi que se trata de beleza, não de aparência. A minha sorte que ele foi bonito o suficiente para aceitar que nem todo mundo nasce lindo, alguns levam um certo tempo para aprender a ser.

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