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Ouvir ao som de:

Você nunca vai conhecer a calmaria que eu sei ser por trás de todo meu caos aparente. Você nunca vai saber o quão forte eu sou apesar da versão frágil que muitos veem. Eu jamais saberei como seus olhos são quando você chora. Não sou a garota que vai almoçar com a sua mãe e ver suas fotos de criança, me perguntando o quanto você passou todos esses anos para se tornar quem é agora.

Nossas bocas não compartilharão segredos e planos. Vamos nos lembrar um do outro apenas superficialmente. Achamos que sabíamos o suficiente para sorrir e dizer que foi melhor assim. Não daria certo mesmo se tivéssemos tentado. Não era para ser.  Estamos de consciência limpa.

Mas é sempre tão triste uma historia pela metade. Fomos estúpidos demais ou apenas corajosos?

Não há mesmo o que fazer quando se esfria antes de ser amor, né? Não há lembranças para se resgatar o que fomos um dia se nem chegamos a ser realmente alguma coisa. Levou um certo tempo para que eu percebesse que nunca seremos uma historia completa. Somos só uma quase historia de amor perdida no meio de tantas outras que também não aconteceram.

E tudo bem. Mas eu não podia me permitir continuar essa caminhada levando comigo apenas metade de você. Por isso tô levando comigo apenas alguns ensinamentos na bagagem e o seu cheio terrivelmente bom.  Seu olhar perigosamente misterioso. E espero que tenha tirado qualquer lição disso aqui também.

Sempre achei que precisaria de uma coragem absurda para tomar a decisão de partir sem nunca saber o que poderíamos ter sido juntos. Poderíamos ter sido incríveis ou desastrosos. E algo em você me causava a sensação de estar deixando um bocado de coisas maravilhosas para trás. Como se ao fechar a porta eu estivesse saindo de mãos vazias quando ainda havia algo valioso ali dentro. Mas você escondia seu melhor em algum lugar secreto que eu só veria caso resolvesse me mostrar.

Me pergunto o que você acharia sabendo que eu finalmente desisti de conhecer esse seu lado. De qualquer forma quando a gente parte algumas coisas inevitavelmente ficam pela metade. Mal resolvidas. Pelo caminho. Ficam as perguntas de tudo o que poderia ter sido feito mas não foi. Fica um pedacinho nosso com o outro. 

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19 anos, preguiçosa em tempo integral e escritora nas horas vagas. Apaixonada por café, filmes, fotografia, livros, música e super-heróis. Dramática e intensa sempre.

nao-desiste-de-mim-1Quero poder mergulhar nesse amor sem medo de você resolver só molhar os pés. Sou vendaval e o morno me entedia. Meu negocio é ferver. É queimar e até doer. É carne, osso, o que sangra e não tem receio de pedir perdão. Gosto de quem me joga no sofá e brinca distraído com os meus dedos.

Eu vou saber ser calmaria, amor. Eu vou saber andar devagarzinho quando precisar e te dar espaço para arrumar as coisas de dentro. Mas alguma hora eu vou correr e vou precisar que você venha comigo e não deixe eu me perder. Se por acaso eu quiser fugir pega minha mão e me diz o quão tola tenho sido, desembaça minha vista e me faz ver que todas as dores do passado não importam mais. 

Tic Tac, não me atrase. Tic Tac, não se atrase. E vê se não desiste de mim. Não me descarta feito um papelzinho de bala voando pela sua janela do carro. Não me deixa olhar pra trás e já ter te perdido de vista, não pensa que é tarde demais para nós. Se me achar confusa demais me descomplica, me tranquiliza. 

Não vou precisar de muito. Você escolher ficar já vai ser a maior prova de que isso é real. Olha nos meus olhos e enxerga a verdade quando minha boca quiser gritar. 

Eventualmente eu vou errar, não saber como prosseguir ou só vou me deitar no seu peito aonde palavras não são necessárias. E vou precisar que você respire fundo, me desculpe, caminhe comigo, me aqueça.

Quando meu corpo e minha mente se cansarem, quando nossa energia se esgotar eu vou te fazer cócegas e reacender tudo. Eu te acalmarei também, te levarei para um recomeço com outros “nós”. Mais maduros e perdidamente apaixonados. Te conduzirei com passos leves e corações firmes. 

E se ainda sim essa bagunça que eu sou for demais para você, tudo bem. É um risco que aceito correr e uma luta que no fim das contas vale a pena. 

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19 anos, preguiçosa em tempo integral e escritora nas horas vagas. Apaixonada por café, filmes, fotografia, livros, música e super-heróis. Dramática e intensa sempre.

Não sei a data exata de quando terminamos. Pode ter sido muito antes da separação oficial ou muito depois, quando seus olhos já não buscavam os meus. E tua boca já não gritava meu nome enquanto você dormia.

Suponho que eu deveria me lembrar mais. Me lembrar qual roupa você usava e o nome da música que ouvíamos juntos no metro.  Eu estava disperso, pensando em mil coisas enquanto você provavelmente criava mentalmente o seu discurso bonitinho de “adeus”.

E sabe de uma coisa? Não vou mentir, doeu. Doeu quando te vi largando tudo e indo embora. Doeu não te ver lutar e não poder fazer nada sozinho. Você disse algumas palavras ridiculamente ensaiadas que nem pareciam suas, embora por um segundo até parecesse amor.

Mas acho que amor não deveria me fazer querer arrancar o coração do peito. E eu só quis que isso sumisse. Meu deus como eu quis que a dor passasse. Não sumiu e ainda faz questão de durar semanas inteiras. Cada segundo delas. Cada manhã. Cada madrugada. Até que eu comecei a acordar melhor e já conseguia dormir sem sonhar com você. Sem desejar seu corpo junto ao meu. Sem desejar seus olhos me olhando daquele jeito seu.

Demorou, mas fiquei bem de novo. Pronto para outra. E percebi que morrer de amor faz a gente renascer mais forte, um tanto mais sábio e mais corajoso também. 

Confesso que passei um tempo com medo. Não sabia se aguentaria sentir de novo a sensação do meu peito sendo aberto e preenchido para ser estupidamente esmagado depois. Sem dó nenhuma. Não estava pronto para todas as noites de insonia e agonia de esperar a mensagem que nunca chega. Você tinha acabado comigo. Me destruído.

Acabei dando a volta por cima sozinho e me consertando aos poucos. Com muito esforço. Agora sei o quanto meu amor por mim mesmo é maior do que jamais foi quando estávamos juntos. Eu me preenchi dessa vez. Eu te amei mais do que a mim mesmo por muito tempo e em lugar nenhum do mundo isso deveria ser chamado de amor. 

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19 anos, preguiçosa em tempo integral e escritora nas horas vagas. Apaixonada por café, filmes, fotografia, livros, música e super-heróis. Dramática e intensa sempre.

O amor pode colocar um sentido nas coisas, mesmo quando ele próprio não faz o menor sentido na maioria das vezes. E eu sei que vai doer se o dia passar e ele(a) não te ligar. Sei o quanto vai machucar se você descobrir que ele(a) não é o que parecia. Vai se decepcionar se você perceber que viu coisas demais e deixou seu coração te dominar, inventando o amor que você tanto queria. E vai se sentir tola por isso.

Mas eu também sei que se isso acontecer você vai ter amor próprio suficiente dentro de ti para erguer a cabeça e continuar como já fez antes. Não vai ser o fim do mundo, menina. E você vai aprender alguma coisa também. 

E nós sabemos que não há nada que se compare aos suspiros que alguém pode te fazer dar. Nada se compara a ter sua bochecha doendo de tanto sorrir e o seu corpo inteiro eletrizado. Aquele friozinho na barriga a semana inteira, a ansiedade de se ver, a paz na hora de dormir.

Deixa o amor acontecer. Vale a pena.

O que não vale a pena é perder seu tempo com amores fracassados, com quem não tem nada a oferecer. O que não vale a pena é deixar de acreditar que um dia vai dar certo. E sim, é difícil manter a esperança depois de tanta gente errada entrando e saindo da sua vida sem mais nem menos, depois de tantas chances e investidas em vão. 

Mas é só você aprender a se cuidar, menina. A não dar oportunidades para quem você sabe que não merece, saber a hora de ir e entender que achar a pessoa certa leva tempo e uns machucados no caminho, porém se fechar é muito pior. Se fechar para algo tão bonito, como sentir seu coração pulsar mais forte, é infinitamente pior. 

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19 anos, preguiçosa em tempo integral e escritora nas horas vagas. Apaixonada por café, filmes, fotografia, livros, música e super-heróis. Dramática e intensa sempre.

Só hoje pensei em você milhões de vezes. Repassei nossos momentos e te memorizei. Fiquei com vontade de ouvir sua voz de sono, sua risada gostosa. Deixei um sorriso escapar dos meus lábios e não disfarço, eu gosto de você.

Tentei não pensar em como queria te beijar, fazer carinho na sua bochecha, misturar nossas pernas e gemidos de baixo do meu cobertor. Mas não dá.

Quanto mais te vejo mais te desejo perto. Mais quero descobrir seus medos, sonhos, loucuras, suas músicas favoritas, como foi seu dia e se pensou em mim também. Descobrir o quanto somos completamente diferentes e que isso não importa.

Queria te contar baixinho, só pra você saber, que não consegui te tirar da minha cabeça a semana inteira. Falar o quanto estou insaciada, viciada no teu cheio, no teu cabelo preto caindo graciosamente sobre seus ombros, nos nossos dedos trêmulos dançando tímidos quando estamos juntas.

Sinto vontade de te chamar para dormir aqui, mas acabar não dormindo. Vontade de te olhar a noite inteira, ligar suas pintinhas com a ponta dos meus dedos e morrer de amor.

Te quero só pra mim, mesmo sabendo que ninguém é de ninguém. Mesmo sabendo que quebrei as regras e acabei sendo tão sua.

Ah, se perde em mim, em nós. Lambuza minha boca com o seu batom vermelho, depois desce para o resto do meu corpo. Me dá a mão e se acha comigo. Eu quero tudo com você. Vem cá, nos meus braços tem todo amor do mundo e é para você que eu quero dar.

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19 anos, preguiçosa em tempo integral e escritora nas horas vagas. Apaixonada por café, filmes, fotografia, livros, música e super-heróis. Dramática e intensa sempre.

Estar sozinha é pedir café pra um e sentar em mesa de dois. É colocar a mochila na outra cadeira e não esperar por ninguém, mas mesmo assim olhar para todo ladinho buscando algo, alguém, um olho no olho, um sorriso talvez. É se arrumar enlouquecidamente e enxergar no reflexo do espelho seu próprio desespero deprimente. 

Estar sozinha é sentir carência com filmes melosos e fingir que se sentir assim não incomoda. Mas dói. E você sabe. E eu sei. Às vezes transborda e a gente continua insistindo que tá tudo bem. Que uma cerveja gelada com os amigos resolve. Que carinho na ponta dos dedos e mordidinha na orelha não faz falta. 

É só uma fase. Vai passar. Tô legal. Mas não tá. Eu sinto. Eu entendo. 

Algumas vezes estar sozinha é não sentir nada e desejar ao menos estar sofrendo. Uma cutucadinha pra balançar as estruturas, qualquer coisinha. Coração murcho não presta, não bate mais rápido, não sente amor. 

Adormeceu e não tá querendo acordar. Não se interessa por ninguém e perdeu a paciência com conversas vazias de matar o tempo. Esse tempo que escorre mais lento de madrugada e que quase mata os corações sozinhos. Dá um desespero de sentir qualquer coisa, mesmo depois de ter desejando tanto não sentir nada, porque machucava. 

É um ciclo vicioso maldito. E algo do qual não consigo fugir. Quando dói não quero que doa, quando não sinto nada quero sentir tudinho, da cabeça aos pés.

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19 anos, preguiçosa em tempo integral e escritora nas horas vagas. Apaixonada por café, filmes, fotografia, livros, música e super-heróis. Dramática e intensa sempre.

Nós nos conhecemos em um desses acasos bonitos quando duas vidas se esbarram e dois corações se gostam. Eu quis te desvendar aos poucos como quem lê um livro devagar porque não quer acabar cedo demais. Quis conhecer cada curva do seu corpo, cada pintinha escondida. Quis saber quais palavras sujas você diria no meu ouvido enquanto descobre cada pedacinho meu corpo.

Eu quero principalmente saber quais são os seus defeitos e ver o quão bonitinha você deve ser com ciúme. Quero te ver brava com todas as injustiças desse mundo cruel e fazer carinho atrás da sua orelha quando a única coisa que você quer é um pouco de amor antes de dormir.

Não quero joguinhos, amor. Quero um sim ou um não. Quero sexo a noite inteira, mãos dadas e bilhetinhos apaixonados. E eu quero com você. Quero amar você. Quero que esteja disposta a enfrentar os dias ruins comigo.

Quero que sinta minha falta e fique louca pra me encontrar de novo. Quero ver seu sorriso se iluminar quando me ver e perceber como minha risada é mais gostosa e sincera quanto é você quem me faz rir.

Também quero tardes com nossos amigos, nossas famílias e brincar com o seu cachorro. Quero dias só nossos, vendo o por do sol sentadas na grama fresca e sentindo que o tempo não existe mais. Seremos só nós duas dizendo “eu te amo” com os olhos e com a boca, principalmente com a boca.

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19 anos, preguiçosa em tempo integral e escritora nas horas vagas. Apaixonada por café, filmes, fotografia, livros, música e super-heróis. Dramática e intensa sempre.

Quem nunca teve um quase amor? De dez minutos, de olhares que se beijam? De linhas se cruzando e vidas se perdendo? Sem o toque, sem o timbre da voz. Quase amores de um dia ou às 5:30 da manhã no caminho pra faculdade. Todo dia a ansiedade e os olhos querendo dançar em olhadinhas discretas e desvios envergonhados.

Eu já tive de todos. Uns geram uma deliciosa conversa, outros não passam do sorriso simpático e tem os que nunca mais vi.

Teve o Cássio, o moreno, o barbudo, o amante de livros clássicos e o que sempre sentava no mesmo banco com um sorriso no rosto.

Ah, e que sorriso hein. Já cheguei a perder a estação e perder a primeira aula por causa do moço bonito de fones verdes vibrantes e de dentes tortinhos e charmosos. Perdia a vontade de descer. Dava até alegria entrar naquele mar de gente suada e cansada.

Eu morria de curiosidade pra saber quais músicas ele tanto ouvia espalhando aquele bom humor pelos seus lábios e por todo o meu corpo. Mas nunca soube. Não soube também o seu nome e por qual motivo seu trajeto mudou, acabando também com os meus sorrisos fáceis.

Nunca mais vi seus chamativos fones verdes. Nos esquecemos sem nem nos amarmos. Era quase amor e quase toque. E eu ainda espero, menino, um dia descobrir as músicas que você ouvia e o seu sabor, o seu calor. Um dia saberei seu sobrenome e se esses seus olhos pequenos são sempre mesmo tão felizes. 

Deixe seu comentário. Nós gostamos de saber sobre o que você tem a dizer 🙂

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19 anos, preguiçosa em tempo integral e escritora nas horas vagas. Apaixonada por café, filmes, fotografia, livros, música e super-heróis. Dramática e intensa sempre.

me-guarda-em-voce

Alguns dias tem sido difíceis, sabia?

Talvez continuar amando você assim me enlouqueça. Talvez comece a fumar e escrever poemas doloridos sobre nós às 3 da manhã. Talvez passe a noite toda bebendo sozinha esperando estar em algum lugar do mundo onde você e eu nunca existimos. Onde não exista lembranças que machuquem. Talvez essa saudade ainda me rasgue e enfraqueça meus ossos. Talvez eu já esteja enlouquecendo aos pouquinhos enquanto os dias se arrastam. Talvez você também esteja acordado a horas se perguntando aonde meus pensamentos estão agora.

Eu fico me agarrando ao seu último “te amo” com medo de deixar isso escapar das minhas lembranças. Com medo de esquecer o som da sua voz no meu ouvindo dizendo que eu sou tudo pra você. E cada vez que penso em nós no silencio gritante do meu quarto, fico me remoendo por não ter demorado um pouquinho mais na ultima vez que nos vimos. Por não ter olhado no seus olhos e pedido desculpa por todas os meus pequenos erros. Por não ter te mordido carinhosamente e não ter ouvido juntinho com você seu CD favorito. O que você dizia ter tanto sobre nós.

Acredita se eu disser que ainda não consegui arrumar as malas e ir embora? Você já conseguiu? Já pegou cada pecinha de roupa sua espalhada na minha bagunça? Mesmo que tenha feito isso, ainda tem muito de você por aqui.

Sabe, se estiver muito ruim ai também, agarra alguma lembrança boa, abraça e finge que ali nosso amor ainda vive, ainda ferve. Faz das lembranças nosso segredinho. Nosso porto seguro quando a saudade gritar histérica e manhosa. Nós sabemos, esses dias diminuem de frequência até desaparecerem por completo. E eu confesso, tenho um medo danado de quando esse dia chegar e você parar de sentir minha falta. Parar de sentir saudade das minhas piadas sem graça, de como eu me envolvo loucamente com series ao ponto de ir dormir chorando porque um personagem que eu amava morreu.

Só não esquece tudo tão depressa. Na verdade, não me apaga completamente, não. Me guarda em algum cantinho onde eu possa estar segura, independente de quantas paixões você tenha depois de mim. Um lugarzinho aqui você já tem. Tanto que, caso me perguntem se o amor existe, é sempre o seu nome que vai fazer meu coração tremer e me fazer dizer “Sim” com o sorriso mais triste do mundo.

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largeee

Escute enquanto lê: 

Desenhei seu rosto em uma folha de papel qualquer do meu caderno de matemática. Rabisquei algumas frases para te dizer baixinho no pé do ouvido e sorri. Parecia que minha letra desleixada conseguia expressar com perfeição todo esse amor transbordando em mim.

Me veio na mente sua cara de bravo, por ter feito suas orelhas tão pequenas e seus olhos tão grandes, desproporcionais. Sabia que depois disso você iria rir, dobrar o papel com delicadeza e guardar em algum canto do seu quarto bagunçado.

Ele ficaria esquecido e empoeirado ali por alguns meses, até acharmos sem querer. Nos lembraríamos desse dia, das nossas risadas e de como nosso amor só cresceu. Você jogaria de qualquer jeito na sua gaveta de cuecas porque a vontade de me puxar pela cintura e cair na cama seria mais urgente.

Então me lembro que você não está aqui agora.

Não está aqui para rir do meu desenho infantil e fazer eu me deliciar com o som da sua risada estranha e exagerada. Ou para ir no cinema sábado à noite, pegar uma fila enorme só para ver um filme péssimo. Seus braços não estão aqui para me envolver antes de dormir ou só para me consolar quando o dia foi simplesmente ruim demais.

Todo o romantismo se vai para dar lugar a um vazio com o seu nome. E isso tudo me dói.

Eu sei, mesmo a km de distância você vai estar comigo sempre. E eu com você. Mas estou sozinha agora às 5h42 esperando o sol nascer. Pensando em como queria seus braços em volta do meu corpo fraco, me protegendo desse mundo sujo e deixando eu te mostrar meu lado mais obscuro, imundo.

Então me perco no tempo, nos lençóis da minha cama que gritam por você aqui, me perco nessas esquinas escuras e filmes de terror onde eu queria sua mão na minha. Perco a hora, o ônibus, a lágrima em algum cantinho da minha jaqueta preta favorita. Fico imaginando sua voz rouca e sua cara de sono por onde vou, deixando as horas evaporarem depressa, criando cenas que jamais sairão dessa minha cabeça sonhadora e boba.

Mas nem sempre essa invenção e imaginação toda trás conforto e alivio, entende?

Não vou jogar tudo para o ar e desistir. Só estou tentando dizer que a saudade tá insuportável e não te ter fisicamente às vezes me destrói, me corroí, me enferruja. Eu preciso de você agora. Bravo, bobo, com a barba por fazer, suado, cansado ou feliz, não importa. Eu só te quero aqui agora. Para ver o sol nascer comigo, rir dos meus rabiscos e segurar minha mão.

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