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Há cerca de 8 anos, eu ganhei de um dos meus melhores amigos um presente que mudou a minha vida. Assim veio a Maya, de roupinha rosa, carinha de pidona e andado torto.

Obviamente, minha mãe foi a primeira a vetar, maldizer, implicar com ela. Mas nós persistimos; eu com minha prepotência exagerada e a Maya com seu carinho demasiado. Logo de cara, aprendi uma das mais valiosas lições que tenho na vida: pra todo mal que te fizerem, retribua com o bem. Não há maldade que se apodere de um coração puro. E pouco a pouco, inevitavelmente, todos foram se apaixonando por ela. A Maya reconstruiu as relações da nossa casa, me uniu com minha irmã, conciliou minha relação com da minha mãe; ela definitivamente mudou as nossas vidas.

Eu tento não falar dela tanto quanto eu gostaria porque eu sei que nem todas as pessoas tem a capacidade de entender o que eu sinto. E, sinceramente, lamento por elas. É um sentimento tão forte, tão forte, como nunca senti algo parecido na vida. É um desespero de cuidar, de proteger realmente estarrecedor. É uma paz em vê-la acordar todos os dias, em ouvir a pressa de seus passos quando eu chego, em sentir sua alegria em me ver, francamente, inenarrável.

Hoje, eu vou escrever para quem entende o que eu digo, e pra quem infelizmente perdeu cedo demais um grande amigo. Hoje eu vou escrever pra quem aprendeu a amar com quem melhor ensina.

1)      Desfaça-se de seu orgulho.

Sabe quando dizem que quanto mais você esnoba, mais o cachorro fica no seu pé? É como se ele não tivesse um pingo de amor próprio. Mas, não, o que ele não tem é qualquer orgulho. O orgulho pode ser destrutivo pra uma relação duradoura porque, se pararmos pra pensar, isso nada mais é do que fazer birra, coisa de gente mimada, sabe? Pense em quantas coisas boas, quantas oportunidades e quantas pessoas você já perdeu porque não quis, simplesmente, dar o braço a torcer. Ter seu ego ferido, às vezes, compensa. Você se conhece, se confronta, se entende. As coisas que você aprende sobre si mesmo e sobre o mundo ao seu redor quando resolve engolir a seco valem a pena. Quem se acha sempre certo, inalcançável, ainda não aprendeu a colher os benefícios de seus percalços. Baixe a guarda, erga o peito, dê a cara à tapa. Você não vai encontrar uma relação que tenha sido bem sucedida sem que um dos dois, ou ambos, tenham posto o orgulho de lado em prol de algo maior. Se doer, tudo bem, porque vai passar.

2)      Rancor não te leva a nada.

Se eu brigar com a Maya agora, em 5 minutos ela já vai estar implorando pelo meu carinho de novo. Ela é incapaz de guardar mágoa, incapaz de se ressentir. Ela confia e acredita que qualquer demonstração minha de afeto é verdadeira. Mas o mais importante não é isso: ela me ensinou a não guardar rancor. Quando ela me desobedece e me tira do sério, eu simplesmente não consigo nutrir a raiva por mais que alguns minutos. Não consigo! Eu a amo tanto, mas tanto, que aquilo não vai passar de um minúsculo obstáculo, um pequenino contratempo. Já perdi óculos, sandálias, roupas e até minha carteira de trabalho por conta de sua mania que comer tudo que via pela frente quando era filhote e, nem por um segundo, eu consegui me manter furiosa. Não vale a pena. Por ela, nenhuma mágoa vale a pena. Só consigo lembrar do quanto ela me faz feliz e que se eu tivesse que perder o mundo pra me sentir assim de novo, perderia. Se você puder adequar esse “fator de relevância” em outros aspectos da sua vida, garanto que será muito mais feliz. As adversidades, assim que ocorrem, têm um peso gigante sob nossas costas. Nos sentimos frustrados, cansados, quase injustiçados divinamente, mas respira. Res-pi-ra! O que é um tremendo fardo pra você nesse minuto, amanhã já será passado. Se ater ao que não podemos controlar ou aos empecilhos do dia a dia, de modo a torna-los denominadores de nossas tristezas, é realmente desgastante. Leve a vida leve!

3)      Perdoe, acima de todas as coisas.

Eu posso ter acabado de brigar com a Maya, mas se eu chama-la carinhosamente ela já se joga em meus braços. Ela me perdoa até quando eu mesma estou errada. Ela me perdoa sem sequer compreender a nossa diferença nas falhas. Ela me perdoa tão puramente que me pressiono pra ser merecedora desse perdão. Perdoar não é unicamente bom pra quem sente, se livra da mágoa. É um dos poucos sentimentos que bate no outro e reflete. É como diz o ditado “gentileza gera gentileza”, sabe? Quando você pede perdão a alguém é impossível que ela mantenha a guarda suspensa e não se sinta também envergonhada por coisas que fez ou disse. É impossível que ela não pense sobre suas próprias atitudes e, se ela se trabalhar pra engolir o orgulho, vai entender como as desculpas tem poder.

4)      Acordar com bom humor.

Pra mim, absolutamente todas as pessoas que se dizem mau humoradas pela manhã ou dizem detestar alegria matutina, além de fazerem questão de aparentar esse estereotipo ranzinza, nunca acordaram ao lado de um cão. Sério. Quando eu sei que meu dia vai ser puxado, difícil ou tenho que acordar muito cedo, é natural que eu me maldiga um pouco. Mas quando eu abro o olho e vejo um ser que só em me ver acordar pula da cama, balança o rabo e me “abraça”, eu não consigo manter qualquer chatice. A Maya todos os dias dá um bom dia desesperadamente feliz pra todo mundo aqui em casa. Ela faz questão de mostrar o quanto esperava que você acordasse por mais um dia, o quanto precisa de você acordado por mais um dia. Ela te dá um incentivo de palestras motivacionais só em se fazer presente com carinhos e mimos ao lado da cama. Não tem pra abuso matinal com um cachorro do lado.

5)      Não esperar pra dizer o quanto ama alguém.

Uma das coisas mais legais é você perceber a repetência das atitudes diariamente. Ela não sabe se quando a gente cruza a porta vai ser a última vez que vai nos ver ou se fomos somente deixar o lixo, então, ela não perde tempo em mostrar que nos ama, que vai sentir nossa falta, que já está com saudades. A Maya nasceu sabendo que a vida é curta e imprevisível, que o hoje se torna ontem muito rápido e que somos tão frágeis quanto efêmeros, ela não espera até amanhã pra demonstrar que nos ama. Ela não espera ser necessário, ser eterno. Ela não deixa passar em branco nenhum dia, nenhuma batida na porta. Ela já aprendeu que não pode controlar o tempo e tampouco as pessoas ao seu redor, mas pode fazer com que elas tenham motivos pra voltar.

6)      Sabedoria é ouvir e, não, falar.

Às vezes, tudo que você precisa é de alguém que esteja do seu lado. Só isso. Você não quer ouvir “eu te avisei” e nem conselhos infundados. Você apenas quer saber que não está sozinho. E o mesmo serve pra ser com os outros. Ouça, ouça, ouça de novo. É uma característica louvável nos homens, de puro altruísmo das mulheres e de naturalidade dos cães. O conforto que você precisa nem sempre vem das palavras mas, sim, do silêncio.

7)      Respeitar as diferenças.

Os animais simplesmente não enxergam-se como desiguais. Não tem essa capacidade de distinção e tampouco a arrogância de se acharem melhores que outras raças. Eles divertem-se com as diferenças, aprendem com elas, não se cobram qualquer competitividade. Eles já sabem que não precisa haver uma explicação – biológica ou moral – para que os outros sejam geneticamente ou opcionalmente diferentes. É natural.

8)      Superar-se todos os dias.

Quando ela era bem pequena todos os dias tentava subir na minha cama. Mais de uma vez por dia, inclusive. Eu achava lindo, mas não a ajudava. Eu queria vê-la se esforçar, tentar, cair e tentar de novo. Todo os dias, sem exceção, ela tentou. E quando conseguiu foi obviamente recompensada com a cama quentinha, a minha que se tornou nossa. Ela não se enxergava incapaz, não media racionalmente que seria impossível devido à altura da cama. Ela tentava, simplesmente. E assim, sem que pudesse ouvir que não conseguiria, um dia naturalmente conseguiu.

9)      Se nada der certo, faça cara de pena.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sempre funciona. Aposto como ela pensa “Humanos…pff! Trouxas!”

10) Não somos donos de nada.

“Um cachorro não liga se você é rico ou pobre, estudado ou analfabeto, inteligente ou lerdo. Dê a ele seu coração que ele lhe dará o dele.”

Desapegue-se da ideologia de que algo tenha que lhe pertencer. Não tem! Você é um ponto no infinito do universo igualmente insignificante a qualquer outro. O que você diz possuir na sua conta bancária, na sua roda de amigos, no seu apartamento, não representa absolutamente nada perante a magnitude do universo. É simples. Desapegue-se de teus valores materiais e morais na amplitude do que te cerca. Há muita coisa lá fora, há muita gente lá fora. O que quer que você ache que te pertença não passa da tua ínfima visão de mundo. Um cão não é ensinado a andar ao seu lado sem coleira, ele aprende naturalmente porque ele quer ESTAR ao seu lado. Você pode, claro, adestra-lo e se satisfazer na premissa de que ele o tem como dono ou você pode liberta-lo e entender que, na verdade, ele o segue por amor. Não somos donos de nada, nem de ninguém e tampouco há qualquer valor em citar os bens materiais que colecionamos ao longo da vida. O que realmente nos define são aqueles que escolheram nos acompanhar, que conquistamos a fino trato. De graça. Nós só nos tornamos mais que um grão de areia nesse universo que é a vida se formos, de alguma forma, responsáveis por cativar alguém.

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Autora do site Bendita Cuca!, e Youtuber nas horas vagas. Não contém um sorriso ou detém um devaneio. Criou o BC! para conseguir suportar a convivência consigo mesma. Ou para um tratamento psicológico gratuito. Ou os dois. Acredita que todo mundo precisa de um grande amor para chamar de próprio.

Com o tempo, aprendi a selecionar e classificar melhor os amigos que fiz. Ainda me considero demasiadamente sortuda porque muito mais gente ficou do que passou ao longo dos anos, mas mesmo assim, algumas rupturas me doeram tão profundamente como o término de um namoro. Isso porque tem amizades que são realmente tóxicas, nos envolvemos de tal forma que sequer sabemos lidar com a proporção em que afeta nossas vidas.

  • Competitiva 

Aquela amizade que não te elogia, mas só te puxa pra baixo procurando salientar seus defeitos. Aquela em que nos sentimos inseguras de contar algo bom que nos aconteceu porque tememos que a pessoa evidencie o lado ruim. Aquela em que nos sentimos constantemente ameaçados ao conversar sobre um paquera, por exemplo. Por que valeria a pena manter ao nosso lado alguém que sempre nos fizesse sentir perdedores? Quem nunca comemorou vitórias que não eram suas perdeu uma das melhores formas de se sentir feliz. Ninguém cresce sozinho, ninguém é tão autossuficiente que, algum dia, não chegue ao ponto de duvidar de si mesmo. A gente precisa de quem nos estimule, nos inspire, e não, quem nos queira apenas como parâmetro pra se sentir melhor consigo mesmo.

  • Dependente

Já tive amizades que a nossa relação era tão depende quanto um casal de namorados nos primeiros meses. Dávamos satisfação de onde íamos, com quem, o que estávamos fazendo, a que horas fomos dormir e porque demoramos a responder sua mensagem. Sinceramente, está na cara que mesmo um casal jamais suportaria esse excesso de controle por muito tempo. Chega uma hora que nos sentimos saturados, sufocados. Uma amizade deve ser tua válvula de escape, que lhe faça sentir bem mesmo nos piores momentos, e não, agir como seu filho único. Não devemos viver em prol de ninguém, nem mesmo de nossos amores. A eternidade se concretiza em relações em que há harmonia, e não, dependência.

  • Possessiva

Gente boa é quem agrega! Tem coisa melhor do que suas duas melhores amigas se tornarem melhores amigas uma da outra por sua causa? Tem coisa melhor do que se sentir completamente à vontade pra falar da sua própria vida (ou soltar uma fofoquinha) em um grupo em que há confiança mútua? Não somos donos de ninguém, quem dirá, de nossos amigos! Ter ciúmes ou nutrir o sentimento de posse sob alguém só faz mal pra nós mesmos. Não devemos incumbir os outros de preencher as lacunas de insegurança dentro da gente. E uma amizade não substitui a outra, independente da intensidade. Se já conquistamos o lugar no coração de alguém, nem o tempo pode afasta-la da gente.

  • Individualista

Sou do tipo em que tudo que é meu, é nosso. Divido roupas, livros, sonhos e até escova de dente. Mas respeito que cada qual tenha seu espaço, nem todo mundo pensa e age como a gente e tudo bem quanto a isso. Às vezes, alguém que tem um certo egoísmo material tem um coração enorme em que sempre está pensando nos outros. Essa é a questão: amizade é também se pôr no lugar do outro. Não pensar só em si mesmo nas pequenas coisas. Buscar incessantemente fazer bem ao próximo tanto quanto a si mesmo. Quem faz isso de coração sequer enxerga como um esforço latente. Isso não quer dizer que se você pedir um determinado favor a alguém e ela negar é porque é egoísta, individualista ou mesquita. Nada disso. Você tem que reconhecer que cada um tem seus limites, cada qual dá o tem. O que devemos nos perguntar é se o que alguém nos oferece é aquilo que merecemos, afinal, em toda relação, mesmo de amizade, tem que haver reciprocidade.

  • Interesseira

Gente que só te procura quando precisa, que só fala pra pedir favor, que a falsidade fica nítida. Quem precisa de pessoas assim por perto? Um bom amigo se alegra com suas conquistas e te conforta nas derrotas. Quem só aparece quando estamos em uma boa fase acaba por nos sugar. Existe amigo de festa, amigo com segundas intenções, amigo de trabalho… Pra ser franca, todo tipo de amizade tem um fundo de interesse porque aquela pessoa lhe despertou algo que você queira, afinal, você quer ter ao lado pessoas que lhe acrescentam. Tudo bem, isso é normal. Quando o nível de interesse é maior que o carinho e cuidado envolvido é que devemos nos perguntar se vale a pena fingir que seja amizade verdadeira. Por que nos esforçaríamos pra manter em nossas vidas quem só está presente quando lhe convém?

 

Quando a gente encontra com as pessoas que nos ensinam a rir diante da derrota, a se sentir bonita quando nossa autoestima está ouvindo Los Hermanos no fundo do poço, a se apaixonar de novo quando tudo que queremos é nos afagar na solidão, então a gente sabe, lá no fundo, que esperou a vida inteira por elas. Que toda falsidade no trajeto, toda confiança desperdiçada, foi um mero erro de diagnóstico que nos trouxeram até elas. E a gente agradece baixinho, quando deita à noite para dormir, o simples fato delas existirem. A gratidão é a base de todos os sentimentos. Se alguém lhe faz sentir grato também lhe inspira o amor, o respeito e a consideração. A gente precisa de quem precisa da gente e nos aceita por quem somos. Isso é o que traz paz de espírito.

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Autora do site Bendita Cuca!, e Youtuber nas horas vagas. Não contém um sorriso ou detém um devaneio. Criou o BC! para conseguir suportar a convivência consigo mesma. Ou para um tratamento psicológico gratuito. Ou os dois. Acredita que todo mundo precisa de um grande amor para chamar de próprio.

Você, com certeza, já ouviu pelo menos uma vez na vida a famosa desculpa para um término injustificado: o problema não é você, sou eu. E, embora para seguir em frente tenhamos que acreditar que não somos aquele que saiu perdendo, às vezes, no fundo, persiste a dúvida se fizemos as escolhas certas e se poderíamos ter evitado o fim. Então, o melhor a se fazer é uma sincera autoanálise, conhecer a si mesma para não pôr em terceiros a culpa de não ser feliz.

  • Se você…

Espera demais.

A cada novo relacionamento surge também uma nova oportunidade de aprendizado, mas a impressão que você tem é que lida sempre com a mesma situação, que só mudam os personagens, mas o enredo continua o mesmo. E, pior, antes mesmo de tentar já prever um final tão ruim quanto os outros foram. Ou ainda, depois de tanto se frustrar, sobrecarrega o outro com suas inseguranças ou expectativas. Que tudo aquilo que já passou, tendo sido bom ou ruim, lhe sirva para pôr os pés no chão, mas não para ditar seu recomeço. Tem gente que vai passar, que só entrou em sua vida porque encontrou uma porta aberta, mas não vai permanecer para mais que um café. E tem gente que está disposta a dividir a cama e um romance e só precisa que você dê uma chance. À primeira vista, você não tem como saber quem são, portanto, se apegue a certeza de que se surpreender é melhor do que se decepcionar.

Determina o tempo em que acha que as coisas devem acontecer.

Muitas vezes, sua ânsia por um final feliz confunde seus passos na jornada. Cada qual tem seu tempo, se envolve a sua maneira. Alguns são do tipo efusivos, outros são efêmeros, outros ainda, se arrastam, perdem a hora. Mas a verdade é que ninguém tem o direito de impor quando uma relação deve evoluir. Esse é um assunto para ser discutido porque tem que fazer bem aos dois. Do que adianta que um esteja satisfeito enquanto o outro se sente empurrando com a barriga? Você não pode obrigar alguém a gostar de ti, forjar um sentimento pra se sentir bem consigo mesma. Para ser respeitada, tem que, acima de tudo, respeitar o tempo dos outros também. Caso lhe faça mal esperar uma iniciativa, tome uma atitude. Repense se vale a pena insistir ciente do risco de se envolver cada vez mais ou se não chegou a hora de partir de uma vez. Ninguém pode determinar o que é melhor para você, no entanto, ninguém pode também ser responsável por te fazer o melhor.

Acredita que se fizer tudo certo será recompensada.

Quando duas pessoas têm formas diferentes de enxergar a mesma situação, quem pode se dizer certa ou errada? Ou seja, não adianta seguir o script de namorada ideal ou recitar com convicções as determinações do que uma mulher pode ou não fazer para ser levada à sério porque não existe uma fórmula mágica. Quem gosta aceita os defeitos, e não se cega a eles. Quem quer dá um jeito. Quem está interessado demonstra, e não, fica de joguinhos. Tudo depende da vontade de dar certo dos envolvidos, e não do seu esforço contínuo de provar que valha a pena. Até porque, convenhamos, se você tem que constantemente provar para ele que merece está contigo, essa relação já está fadada ao fracasso. Como alguém que não cultiva amor por si pode achar que tem pelo próximo? Na dúvida do que fazer, se pergunte o que gostaria que fizessem com você.

Se culpa quando não é recíproco.

Algumas pessoas vão gostar de você de graça, outras, vão aprender a gostar e, já outras, sequer vão conseguir. Isso é normal. Já imaginou se realmente fôssemos responsáveis por todos aqueles que cativamos? Não somos. Não é sua responsabilidade agradar a todos, tampouco sua culpa quando não agrada. Mesmo que nada dê errado, pode ser que ele não seja o cara certo para você. E vice e versa. Então, é importante que se empenhe em fazer o melhor que é capaz e procure ser honesta para que, se chegarem ao fim, não lhe sobre dúvidas de que fez tudo que foi possível. Algumas histórias são meros rascunhos cujo quais devemos virar a página.

Se cobra ser o que esperam de ti.

Já ouvi de pessoas próximas a mim que meu comportamento deveria assustar os homens, prontamente respondi que, na verdade, ele seleciona. Um cara que acha que não sou a garota certa para ele porque eu gosto de ir para a balada, uso minissaia, desço até o chão, tenho amigos homens e tomo minha cervejinha por puro prazer, não é o cara certo pra mim. Então, por que eu deveria me esforçar para ser aceita por alguém que eu também não concordo com o pensamento? A pessoa certa, talvez, não tenha nada a ver contigo, seja o oposto daquilo que sempre quis. Mas ela vai ser a certa porque, diferente de todos os outros que insistiu para ter ao lado, ela simplesmente vai lhe aceitar como você é. Não tem segredo, isso se chama seletividade natural. Todo mundo serve para uma noite casual, mas quem lhe serve para uma vida? Se você não seleciona com quem está e se submete a escolha do outro e vai sempre se desdobrar para entrar em uma vida que não te cabe.

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Autora do site Bendita Cuca!, e Youtuber nas horas vagas. Não contém um sorriso ou detém um devaneio. Criou o BC! para conseguir suportar a convivência consigo mesma. Ou para um tratamento psicológico gratuito. Ou os dois. Acredita que todo mundo precisa de um grande amor para chamar de próprio.

Ouvi de uma amiga minha, que havia namorado a vida inteira, afirmações sobre quem ela era que sempre começavam com “Eu e o Fulano sempre íamos/fazíamos/comíamos…”. Naquele momento, me dei conta de que se você passou boa parte da sua adolescência ou vida adulta ao lado de alguém (que são fases responsáveis pela formação do caráter, acredito eu), provavelmente, suas preferências tornaram-se plural. Vocês adaptaram-se um ao outro numa mistura homogênea de gostos. Isso foi bom, é sério. Esse talvez seja um dos segredos pra terem se mantido juntos por tanto tempo. Mas quando passou prevaleceu um sentimento de perda irrecuperável, pois é difícil mesmo acordar um, depois de ser dois, e reconhecer a si como inteiro, e não metade.

 Acontece que se em cada relacionamento você mudar completamente quem é por quem está ao lado, realmente, não vai sobrar nada de ti ao final da história. Isso é o que eu chamo de fase. Chega uma hora que somos tentados a dar prioridade ao que é importante pra gente, ainda que soe um pouco egoísta, e procurar aquilo – e quem – nos faça bem antes de pensarmos em agradar. Com isso, também surge o medo de começar tudo de novo, se envolver, se apaixonar e, eventualmente, se sentir perdido. É normal. Afinal, nenhum vento ajuda quem não sabe a direção. Mas sempre temos como dar um jeitinho de ceder por quem achamos que valha a pena sem que tenhamos que abrir mão de nós mesmos.

Respeitem o espaço um do outro.

É importante compreender que por mais que achemos conhecer alguém como a palma da nossa mão, aquela pessoa também tem angustias reprimidas, medos sufocados, ansiedades que embrulham o estômago. E não temos como saber cada coisinha que lhe aflige ou faz feliz. A gente tenta descobrir, é claro, mas não é nossa responsabilidade arcar com as dores ou as alegrias do outro. Portanto, às vezes, alguém só quer um tempo pra si mesmo, pra pensar melhor, pra refletir e isso pode não ter absolutamente nada a ver com o relacionamento. Você não deve se culpar por isso e, tampouco, cobrar satisfações. O melhor é deixar com que fique à vontade e sinta-se seguro para falar contigo sobre o que quiser quando quiser.

Mantenha as amizades de solteiro.

Não se esqueça das pessoas que estiveram do seu lado antes de você se envolver com alguém. Amizade não é sobre conveniência, comodismo ou rotina, é sobre afinidade. Viver uma fase completamente diferente da outra e saber que mesmo assim tem alguém para desabafar, ouvir, consolar. Não tem coisa pior do que amigos que somem quando namoram. É ruim pra quem sente falta, mas principalmente pra quem não sente porque está entretido demais com sua própria história de amor. Acontece que ninguém vive sozinho e, eventualmente, você vai precisar daquela pessoa que pôs de escanteio.

Não concentre sua felicidade nas mãos do outro.

Encontrar o amor da sua vida é maravilhoso, mas saiba que isso não lhe garante o fim da busca pela felicidade. Você precisa conquista-la, merecê-la, diariamente. Ter planos que lhe impulsionem, sonhos que tirem seus pés do chão e, sobretudo, se esforçar o máximo que puder pra despertar o melhor em alguém também. No entanto, não deve se sobrecarregar com a obrigação de fazê-lo feliz. Algumas pessoas, simplesmente, podem não estar satisfeitas ao seu lado e você vai ter que entender isso. Pior ainda: você vai ter que superar isso. Já outras pessoas encontrarão em ti uma razão pra tornarem essa busca uma constante, colecionarem felicidades a cada desafio, e não tê-las como um troféu imaculado. Elas saberão, assim como você, o quanto custa encontra-la com alguém.

 Não prometa o que não puder cumprir.

De antemão lhe adianto: nunca prometa não machucar alguém. Ainda que você saiba as coisas pontuais que podem lhe fazer isso, no decorrer da relação surgirão outras que você vai se surpreender ao descobrir (ou talvez nunca chegue a saber). Se for para prometer, que prometa um diálogo. Ouça mesmo quando se sentir cansado, converse mesmo quando lhe faltarem palavras. Evite dormir com raiva e enaltecer sentimentos negativos como o ciúme, por exemplo. E, no fim das contas, torça de todo coração que todo seu esforço seja o suficiente para não ferir alguém.

Seja realista, mas não pessimista.

Às vezes, quando a relação está evoluindo tendemos a nos cobrar mais acerto, mais compromisso, mais demonstrações públicas de afeto, mais romantismo, porque talvez tenha sido assim que planejamos a vida inteira. Ou talvez foi assim que nos disseram que os casais felizes agem. O problema está em quando externamos nossas frustrações acerca do que consideramos ideal sem levar em consideração que a opinião do outro importa. O tempo dele importa. Será que ele está pronto para o mesmo que você? Ou melhor, será que espera o mesmo que você? No fundo, você sabe que se relacionar é assumir um risco. Você pode fazer tudo certo e, ainda assim, dar errado. O que deve te motivar a continuar, a insistir, é acreditar que você seja merecedor de alguém bom o suficiente pra você. Então, isso pode ser o bastante pra que engula sua ansiedade e ponha-se no lugar do outro quando o futuro que planejou não sair como nos conformes.

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Não tente me mudar, e sim, me aceite. Levei a vida toda pra ser quem sou, não vou me trocar pelo punhado de promessas incertas que seu sorriso me traz. A sua vontade não me motiva a uma necessidade; eu gosto de ser assim. Você tem que me entender, e não só me enxergar. Eu não caibo dentro de mim, aliás, em geral, eu transbordo. E respingo a quem estiver ao lado. Talvez, você não esteja pronto para me ver de perto, é preciso ter atenção.

Nem sempre sorrio de alegria, nem sempre choro de tristeza. Só eu sei por quanto tempo procurei por mim. E mesmo que me veja distraída, saiba que não estou mais perdida. Você tem que estar a minha altura, e não contrário. Não deposite todas suas esperanças em mim, eu não sou um poço dos desejos. Também não quero mudar sua vida. Quero somar, agregar. Não estou disposta a te trazer nas costas, pois ainda ardem as cicatrizes de tantas asas cortadas.

Não preciso de meio amor, meio romance, e eu não saberia me doar por inteiro sem que houvesse paixão, desejo, vontade. Porque estar contigo seria uma decisão racional, e sinceramente, razão é necessária, mas a emoção é que faz as engrenagens do nosso mundo girarem. Não me incomodo de estar sozinha e, até mesmo, de deixar passar muita gente bacana por falta de interesse em tentar. Dar certo, pra mim, nunca teve receita de bolo, acontecia de forma natural. Ou não acontecia, simplesmente. E a vida seguia em frente, cada um para o seu lado, eventualmente, se esbarrando aqui e ali e sem saber porque não conseguimos ficar juntos. Talvez não devêssemos ficar e, talvez, apenas não quiséssemos de verdade. 

Mas nunca me arrependi de seguir os ímpetos do meu coração, nem mesmo quando me acostumei a ficar sozinha e temi ter meu mundo de cabeça pra baixo por mais alguém. Ainda assim, era minha decisão. Minha vida. Meu mundo. Não temos o controle de tudo, quem dirá de todos a nossa volta, mas somos responsáveis por aqueles que cativamos. Aí você deve se perguntar, vale a pena trazer o peso de tantas vidas, graças às tentativas de se fazer amada, quando tem consciência de não ser recíproco? Sei lá. Sempre me senti mal por não gostar a altura. Não me culpo por isso, é claro. Mas se todo mundo poupasse os outros do que não fariam a si mesmos, com certeza, amor não seria um risco, e sim, uma sorte de quem o tivesse.

Vamos com calma, eu não posso te prometer nada. Nem você a mim. Não me faça sua prioridade porque não será recíproco. Ninguém pode valer mais pra mim do que eu mesma, saiba disso. No fundo, você sabe que vamos dar certo e, eventualmente, vamos ter um fim. Acontece para todo mundo, normal. Felicidade é outra coisa, isso eu te garanto. Mas não tenha pressa, não estou dizendo que vamos durar para sempre ou apenas um segundo, e sim, que mesmo quando chegarmos ao fim, eu ainda vou estar ao seu lado da forma que for. Você não precisa ser forte, mas precisa querer. Me querer. Eu vou te ensinar com quantos cacos de um coração partido se faz um recomeço.

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Fala com ele. Para de esperar uma iniciativa. Valor não se impõe. Se fazer de difícil não te santifica. Fingir indiferença a cada vez que checa a última hora visualizada dele não é desapego. Assuma o controle e, por que não dizer, o risco? Paixão é se atirar nesse abismo sem chão, sem razão. Ele que devia torcer para que você tivesse vontade de lhe ligar, e não o contrário. Ele é quem devia enumerar os infinitos pontos positivos aparentes em cada uma das suas sardas. Ele é quem devia aproveitar tua ida ao banheiro para dizer ao mundo inteiro que finalmente te encontrou. Então, por que é você que ainda aguarda qualquer sinal de que a noite valeu a pena?

Não tenha medo. Você quer ser correspondida sem se dar o menor trabalho de ceder. É impossível viver sem se envolver. Dar o braço a torcer é um ato de bravura proveniente da autoconfiança. Não é só querer, mas sim, poder fazê-lo sem enaltecer as consequências. Você já existia antes mesmo dele existir na sua vida. Mas você fica o tempo todo a mercê, disponível demais, à espera dele te dar uma chance. Aliás, de qualquer um te compor um romance. Para de fantasiar o fim da história antes que seja tarde senão você vai perder a melhor parte. Você precisa descobrir o que é ser conquistada, valorizada. Ele é quem devia guardar as melhores do seu dia para dividir contigo. Ele é quem devia se preocupar com o infinito em que se perde quando você gargalha.  

 Para de achar que amor é o mesmo que estar acompanhada. Entenda que você não é para qualquer bico, tampouco aquele não se desfaz em um sorriso quando te ver. Você merece ouvir que foi motivo de toda sua vida mudar, que deu cor aos dias sombrios, que fez chover alegria no calor do seu abraço. Ele é quem devia arranjar um esfarrapado pretexto para não deixar o assunto acabar. Ele é quem devia acordar no meio da noite e te procurar ao seu lado na cama. Mas, às vezes, você também vai precisar de quem lhe ponha em dúvida. Quem te ensine a pensar por dois. Ele é quem deve te amar sem que seja responsável por você.

Você não é vítima coisa nenhuma. Ter piedade de si mesma é uma das piores expressões de narcisismo. Se apaixonar não é um crime para acusa-lo de ser culpado. Você não negou ou repensou suas investidas. O nervosismo de ser aceita te levou ao precipício de não ser a eleita. Se você não suporta ficar sozinha, como pode achar que alguém vá querer sua companhia? Você se colocou nessa situação quando o priorizou sem qualquer menção de reciprocidade, quando exigiu que ele caminhasse ao teu lado contra sua própria vontade. Você queria tanto que dessem certo que nem sequer se perguntou se não estava com o cara errado. E, o mais importante, se ele queria tanto quanto você. Por quantas vezes ainda vai buscar nos outros o que falta em ti?

Fala com ele. Seja atitude, e não medo. Diga o que sente. O que você não quer ouvir, afinal de contas? E se for verdade, acha que é melhor que não tenha lhe dito? Ele não pode ser incumbido de carregar a expectativa que você criou. Se esparrame e espalhe um pouco de ti por onde passar, assim não sentirá o peso da perda de uma parte. Mas cuide de cada pedaço estilhaçado do seu coração como se fosse um só por inteiro. Para de achar que o amor é uma questão de sorte. Não é. É uma questão de tempo. Você não pode apressá-lo ou força-lo a acontecer. Maneire a sua urgência de ser feliz para que não dure a fração de um segundo. Por fim, aprenda a diferença: quem conquista sua confiança tem seu coração, mas quem encontra sua alma te tem para vida inteira.

 

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Autora do site Bendita Cuca!, e Youtuber nas horas vagas. Não contém um sorriso ou detém um devaneio. Criou o BC! para conseguir suportar a convivência consigo mesma. Ou para um tratamento psicológico gratuito. Ou os dois. Acredita que todo mundo precisa de um grande amor para chamar de próprio.

Não vou mentir: não tenho pressa de me apaixonar. Eu não quero me perder por ninguém. Sou egoísta, confesso. Mas só eu sei quanto me custa ter força. Relacionamento sério só quero comigo mesma. Ser fiel aos meus sonhos, respeitar meus limites, acreditar nos meus planos e rir dos meus tropeços. Eu gosto de ficar sozinha, é sério. Muita gente não acredita, eu sei. Dizem que é desculpa, que só digo isso porque não tive um grande amor ou nunca me apaixonei de verdade. Inclusive, amigas minhas já desafiaram minha sanidade pondo em dúvida tudo que eu sou porque não tive as mesmas desastrosas histórias que elas.

Talvez o mais difícil seja se focar em si. Quando eu me deito pra dormir e ele me vem à cabeça, quero desesperadamente seu cheiro, seu toque… Então levanto, me olho no espelho e me pergunto o quanto eu quero de mim e o quanto eu quero ele. Me escolho todos os dias e escondo a falta que ele me faz. Acontece que eu já caí nessa de achar que valia a pena e tive cada pedacinho de mim pairando sob a esperança de que podia ser dele. Teve lá seu lado bom, eu sei disso. Aprendi muito. Mas só quem sabe o que é se ter por inteira consegue entender quanto vale cada fragmento desse.

 Mas vou confessar: ando tentando ser forte, pois ser sozinha também cansa. Às vezes, eu quero desabar nos braços de alguém, quero apoio e até quero sofrer, me sentir em frangalhos. Ou simplesmente sentir algo. Mas só às vezes. Na maior parte do tempo, aprendi a fazer da solidão uma aliada. Sou mais focada, mais determinada, mais decidida. Já cheguei a pensar que não tinha espaço na minha vida pra mais ninguém, que eu não tinha tempo para me importar com alguém, mesmo se quisesse.

Talvez eu escolha o caminho mais covarde, aquele me poupa das dores. Mas às vezes a gente precisa dar uns passos para trás antes de seguir em frente. Não adianta insistir em romances falhos e amores tão elásticos que se perdem em sua definição. Já aconteceu comigo uma vez e me pegou de surpresa. A gente não imagina quem vai mudar nossa vida ou, quando supomos, investimos nas pessoas erradas.

Pra ser franca, falta mesmo um grande amor na minha vida ou uma paixão verdadeira. De amores pequenos, rasos e paixões passageiras, estou cheia. Nesses casos, estar sozinha se faz um completo alívio. Vou de encontro a minha paz de espírito e fico. Sem arrependimentos. Não acho que valha a pena lutar por pouco, se doar por menos, se entregar sem reciprocidade. Não acho que tudo aquilo que faz o coração bater simplesmente valha a pena. Às vezes, é só saudade. Às vezes, é só vontade. Mas nem toda falta que se faz é amor de sobra.

Melhor nem se preocupar, sabe? Cedo ou tarde, a gente se esbarra outra vez e enquanto isso, travo uma batalha interna em que às vezes venço e às vezes me perco. Faz parte. Estou à procura do melhor de mim, e ninguém pode me achar em meu lugar. Nada me vale mais do que isso, portanto, deixo a paixão de escanteio. Não vou me envolver com quem não me merecer. Pensando bem, não é covardia coisa nenhuma. A gente precisa é se amar muito, se valorizar muito, pra poder se desapegar de quem não nos acrescenta.

 Eu fiz a minha escolha. Tenho ciúmes de mim mesma, sabe? Quero cuidar primeiro de mim, me ver crescer, me orgulhar das minhas dores, de antigos amores. E se no meio do caminho eu encontrar alguém que me respeite, e não, que tente me mudar, posso até me dividir. Por enquanto, eu só quero ficar sozinha. Comigo. Sei lá, talvez você não me entenda, mas só eu sei o tempo levei para aprender a gostar de mim.

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Autora do site Bendita Cuca!, e Youtuber nas horas vagas. Não contém um sorriso ou detém um devaneio. Criou o BC! para conseguir suportar a convivência consigo mesma. Ou para um tratamento psicológico gratuito. Ou os dois. Acredita que todo mundo precisa de um grande amor para chamar de próprio.

Você não precisa ter essa pressa, essa ânsia de dar certo. Você pode se dar ao luxo de dar errado ainda mais algumas vezes e ter ciência de que faz isso de coração aberto, e que não lhe caberá arrependimentos ainda quando chegar ao fim. Se manter com quem não nos sacia é se conformar, desistir. Há tanta gente no mundo e, com certeza, muitas outras estarão tão dispostas quanto ele a te fazer feliz. Mas é aquela coisa: pra descobrir, você tem que se permitir.

Além de tudo, é bem egoísta manter alguém conosco só pra não ficarmos sozinhas ou porque temos o conforto de que ele gosta da gente.Mesmo que ele seja maravilhoso, nesse momento, não é ele. E por mais que racionalmente você saiba o quanto ele se esforça pra te fazer bem, o que realmente nos preenche é aquilo que nutrimos de dentro pra fora. Às vezes, só ser amada não nos basta. Precisamos amar também. É uma necessidade.

Tudo é uma questão de valer a pena. Não posso dizer o que seja melhor pra você, aliás, ninguém pode. Você vai descobrir isso sozinha arcando com as consequências de suas escolhas (a gente sempre se engana quanto a isso: decidir é a parte fácil, quando a consequência vem é que nos arrependemos ou agradecemos) de qualquer forma, ambos já terão seguido em frente. Ou tentado. Ou fingido. Mas, de fato, quando não há disposição pra persistir, deixa de ser amor pra ser teimosia nossa, birra. Às vezes, o melhor é deixar que se afaste mesmo, que se libertem. E que a vida tome de conta, sabe? Vai que volta ou vai que se esquecem um do outro, quem pode saber?

Acontece que nem sempre é amor, pode ser obsessão. Ou ego ferido. Em resumo, pode ser perda de tempo também. Se ele te amasse, vocês estariam juntos. Não tem entrelinhas pra isso, é preto no branco. Tão simples quanto parece. Se ele dá desculpas, então, está se aproveitando do fato de que você sempre esteve/estará disponível quando quiser. Você tem que cortar isso, mas você já sabe disso. Talvez, queira ouvir de mim que o amor prevalece, que devemos lutar, que no fim todos seremos recompensados. Mas isso não vai acontecer. Porque ele não vale a pena. E só sei disso porque se valesse, a história seria outra. Só mudam os personagens, mas o enredo é sempre o mesmo.

Desapego não é um bicho de sete cabeças, mas de uma cabeça só: a sua. É uma luta interna em que você tenta se autoboicotar. Em que você tenta provar pra si mesma de que precisa dele. Mas não é verdade, você não precisa. E tem que parar de arranjar meios de tornar isso mais dolorido. A gente não tem como ajudar quem não quer ser ajudada. Você precisa gostar mais de si do que pensa gostar dele, é o primeiro passo. 

Continue tentando com outras pessoas, tendo sua vida, se divertindo, saindo, se focando mais em si mesma. Não pare, não se entregue à pena de si. Eventualmente, vai aparecer quem lhe desperte algo bom, e você vai sentir todo aquele turbilhão de emoções começar novamente. Amor é cíclico, quanto mais a gente espalha, mais volta pra gente. 

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Autora do site Bendita Cuca!, e Youtuber nas horas vagas. Não contém um sorriso ou detém um devaneio. Criou o BC! para conseguir suportar a convivência consigo mesma. Ou para um tratamento psicológico gratuito. Ou os dois. Acredita que todo mundo precisa de um grande amor para chamar de próprio.

Se tomei a decisão certa só o tempo pra me dizer, mas eu ainda me lembro das erradas que fiz. Lembro do desespero crescente de estar em mais um relacionamento fadado ao fracasso justificando meus esforços na frase “mas eu gosto dele”. O que era esse gostar, afinal de contas? Lembro das promessas irracionais que recitava com a convicção de uma criança que tenta evitar o castigo. Lembro que, dentro de mim, eu sabia o quão tola soava ao pedir chances e mais chances sem qualquer possibilidade de retorno, e mesmo assim não fazia nada. 

Outro dia, o amor passou por mim. Fingi que não vi. Não me leve a mal, mas eu já conheci muitos caras por aí. Distribuí oportunidades que certamente sequer foram acatadas. Eu só queria que desse certo, tanto que deixei de lado os pré-requisitos que, geralmente, nos poupam as dores. Até que entendi que ceder faz parte, mas se submeter é loucura. Parece papo de alguém desacreditada, talvez até mal-amada, que ainda está em busca de uma metade que sequer lhe falta. Não é porque minhas prioridades mudaram que eu deixei de lado minhas preferências.

Levei a vida inteira pra ser quem sou e já nem me espanto se amanhã me reinventar outra vez. Eu vivo por mim, seguindo minhas vontades, desviando dos meus medos, e aqui ou ali pegando um atalho da paixão à solidão. Já me costumei, inclusive, com a angústia de quando ambas se encontram, e acabo me vendo sozinha mesmo acompanhada. Mas hoje, sobretudo, respeito meu tempo. Não dá pra se recuperar da noite para o dia, sejamos francas. Como eu poderia fazer bem à alguém quando maltrato a mim mesma?

A gente pensa que entende como isso funciona, mas se perde ainda mais a cada pista. A gente acha que por não fazer nada de errado temos como recompensa o gostar recíproco de quem nos dedicamos. A gente, no fundo, espera não ser aquele que gosta demais, aquele que nitidamente estaria disposto a tudo, mas torcemos em silêncio que tenhamos quem lute por nós. Já cheguei a duvidar do amor mais vezes do que gostaria. Sempre me pareceu uma equação falha em que duas ou mais pessoas que se atraem procuram meios de se repelir. Já acreditei que amor era também vivenciar o medo porque é impossível conhecer tão bem a si mesmo, quem dirá, a quem temos ao lado. Ou seja, quando não é um tiro no escuro? Às vezes, acho que eu e ele não fomos feitos para ficar juntos, e daí me pergunto “será que alguém já foi?”

Quando olho a minha volta está todo mundo tentando se desvencilhar ou não se apegar a uma relação. Temos medo, sim. Medo de sofrer, medo de não correspondido, medo de ficar por baixo. Quem faz dar certo é quem tem coragem. Quem engole a seco os riscos de um coração partido em prol da união de vários cacos. Porque, no fim das contas, estamos mesmo estilhaçados e procurando nos recompor ao menor sinal de compaixão alheia. Não tem segredo, sabe? Se você quer viver esse grande amor tem que morrer de amores todos os dias. Daí é só uma questão de tempo encontrar quem esteja disposto a enfrentar seus próprios medos por ti.

Deixa o amor lá e eu aqui. Cedo ou tarde, a gente se esbarra de novo. E pode ser que eu acabe por segurá-lo com as próprias mãos e tente não deixá-lo ir. Não seria a primeira vez, aliás. E nem será a última. A gente sempre pode investir em alguém, dar atenção para aquela vozinha que nos diz ao pé do ouvido que vale a pena. Tudo é uma questão de oportunidade e interesse. Mas não é todo dia que estamos tão seguras, e nos sentindo tão bem conosco que podemos dizer “Calma, fica aí na sua. Vai chegar a hora de te dividir, mas agora, eu sou minha”.

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Autora do site Bendita Cuca!, e Youtuber nas horas vagas. Não contém um sorriso ou detém um devaneio. Criou o BC! para conseguir suportar a convivência consigo mesma. Ou para um tratamento psicológico gratuito. Ou os dois. Acredita que todo mundo precisa de um grande amor para chamar de próprio.

1) Dar atenção as necessidades do outro

Uma coisa é certa: quanto mais intimidade, maior também a expectativa e a frustração. Isso reflete desde a forma com que você recebe um feliz aniversário até planos de uma vida inteira. Sempre que espera ser priorizado, saber em primeira mão as novidades, nutre uma expectativa que o faz sentir mais especial, mais importante que a maioria. Desce do pedestal, tá? Confiança não se impõe, nem se pede, mas se constrói numa relação. Você a merece. Para isso, se interesse mais em ouvir do que em falar, dê importância aos conflitos do outro mesmo quando soarem incompreensíveis para você. Às vezes, só o desabafo já faz com que as aflições se tornem menores. Ninguém espera a resposta para seus problemas, mas sim, um colo para quando as angústias apertarem.

2) Não dormir brigados

Quanto mais você fala sobre algo que lhe incomoda, mais banal se torna a cada vez. Isso não quer dizer que devem ser repetitivos ou até mesmo teimosos, mas simplesmente que devem conversar sobre tudo, inclusive, sobre o que não lhes agrada. Não deixe para depois a paz que pode trazer agora. Não adie algo que lhe pesa como uma pedra no peito, a não ser que esteja com a cabeça quente. Nesse caso, prefira engoli-la a joga-la no outro sem que sequer haja uma razão. Mas sempre que puderem, conversem, expliquem. O problema está em quando achamos que o outro deve saber o que nos irrita por obrigação – ou consideração – e exigimos uma mudança sem que nem tenhamos dito os reais motivos para nos incomodar.

3) Aceitar as falhas do outro sem criticá-lo

Isso não é como passar a mão na cabeça, muito pelo contrário. Mas é entender que certas atitudes são fases e outras são traços de personalidade. O que for uma característica dele precisa ser trabalho, conversado, na tentativa de moldá-lo, e não gritado aos quatro ventos com o dedo apontado na cara. Ficar com raiva, fazer birra, deixar de falar e torcer para que ele adivinhe por pura consciência a razão de tudo não vai resolver. Simplesmente porque se ele fez uma determinada coisa que você desaprova por livre e espontânea vontade foi porque não teve capacidade de entender como isso lhe irritaria. Muitas vezes, a gente acredita que um relacionamento bem-sucedido é aquele em que eles se entendem só de se olhar, mas não é nada disso. Para se dar bem, principalmente a longo prazo, eles devem conversar, debater, se entender para se olhar com carinho.

4) Respeitar as opiniões contrárias

Tudo bem que em uma relação estável é natural que o casal passe a dividir tudo, mas isso não se aplica às opiniões. Nem sempre eles vão concordar, nem sempre votarão no mesmo candidato, nem sempre vão querer ouvir a mesma música no carro. Isso é normal. Cada qual tem seu espaço e sua individualidade, afinal, se relacionar é somar experiências e gostos, e não abrir mão de suas preferências. Se discorda, apenas tente compreender. Se não puder compreender, então mude de assunto. A não ser que a discussão em questão seja sobre o futuro conjunto, não faz o menor sentido achar que por terem gostos divergentes e opiniões contrárias não possam se dar bem em sua essência. O que conta é a disposição que resulta em aprendizado, e não, as semelhanças que podem ser mera coincidência.

5) Incluir um ao outro nas decisões

Não tem coisa melhor do que você saber que é tão importante para alguém que ele prefere ouvir sua opinião antes de tomar qualquer decisão. Você se sente parte de algo maior, você se sente verdadeiramente dentro da vida dele. E mesmo quando discordarem ou, no final das contas, não sigam a ideia um do outro, a verdadeira diferença está no fato de ter sido ouvida, de ter sido incluída. De terem suas ideias debatidas, conversadas. Esse é o pilar que sustenta a confiança.

6) Não se comparar a outros casais

Em meio ao auge das redes sociais é bastante difícil se manter alheio o suficiente para não se preocupar com o que sua amiga ganhou de presente de dia dos namorados. Ou porque, de uma hora para outra, todo mundo passou a namorar – no Facebook, pelo menos. Mas não é novidade alguma que essa competitividade entre casais só faz mal a quem a sente. Às vezes, você perde seu tempo se comparando a vida de quem nem sequer se preocupa contigo. Não vale a pena. Até porque, honestamente, a gente sabe que ninguém é tão feliz quanto aparenta e que aquelas pessoas que fazem mais questão de se expor são, provavelmente, as que mais sentem falta no dia a dia. Você só precisa se pergunta sobre o que te faz mais feliz: ser ou mostrar?

7) Celebrarem juntos até as pequenas vitórias

Rotina e intimidade são duas coisas complicadas; em parte, porque fazem de qualquer pequeno acontecimento o evento do ano e, em parte, porque fazem também de qualquer gota d’água uma tempestade. Ao mesmo tempo, dias maravilhosos são raros. A maioria de nós não pensa que se nada de ruim acontece é um dia bom, e sim, o contrário. Buscam qualquer semelhança com sua ideia de perfeccionismo para poderem se dizer feliz em um dia comum. Isso desgasta mais de dentro para fora do que se é dito. Toda pequena conquista casual deve ser celebrada, dividida. Passe a dar mais ênfase a uma conversa que lhe fez gargalhar, a sorte que teve em pegar aquele pedaço de bolo com mais cobertura, a estreia do filme que amam na próxima semana no cinema. Assim, até as menores alegrias farão parte de um diálogo, e no final do dia, somadas têm mais a acrescentar do que, de fato, datas planejadas para serem perfeitas.

 

E aí, o que acharam? Gostaram? Acharam as dicas úteis? Comentem. Sua opinião é muito importante para mim 🙂

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Acredito que, no fundo, todo mundo está buscando um grande amor mesmo que não seja necessariamente alguém. A gente busca viver apaixonado, com borboletas frenéticas no estômago, com palpitações ligeiras no peito. A gente busca o que nos faça sentir vivos e que tudo, até os percalços colecionados, valeram a pena. A gente quer quem nos arrepie a alma, e não só nos faça companhia. E muitas vezes, tão ansiosos em chegarmos ao topo, ter quem quisermos ou simplesmente ser algo recíproco, construímos uma relação como um castelo de cartas prestes a desabar com o menor sopro de insegurança. É porque não estamos sempre pensando no outro, não. A gente pensa na gente e no que achamos que nos faz feliz e, claro, tentamos convencer o outro disso. Mas nunca é tarde para aprender que amor não é egoísta.

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Autora do site Bendita Cuca!, e Youtuber nas horas vagas. Não contém um sorriso ou detém um devaneio. Criou o BC! para conseguir suportar a convivência consigo mesma. Ou para um tratamento psicológico gratuito. Ou os dois. Acredita que todo mundo precisa de um grande amor para chamar de próprio.