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Futuro marido,

Eu não sei seu nome, e muito menos como você é fisicamente e psicologicamente. Se curte Jimi Hendrix, aprova minhas cinco tatuagens, aprecia um bom vinho e sabe fazer risotto. Ou é um homem totalmente o meu oposto, que sei lá como conseguiu me levar para o altar. Hoje, agora, neste minuto que escrevo esta carta, eu não sei de nada disso. O que eu sei é que a gente casou. E que, para chegarmos até esse ponto, eu devo gostar muito de você. E isso basta para te escrever algumas palavras. (Pelamor, você TEM que gostar de Jimi Hendrix!)
 
Provavelmente namoramos muito tempo (ou não, já que sou levemente impulsiva), moramos juntos pelo menos seis meses (ou não, já que sou levemente intensa), ou você casou comigo porque eu estava grávida (se isso aconteceu, pare de ler aqui, vá até o nosso quarto e termine comigo), mas vou deixar todas essas suposições de lado e ser bem direta no que quero te falar. É que falar isso, assim, sem te conhecer, fica muito mais fácil.
 
Eu quero pedir que você seja meu amigo. Bem simples assim: amigo. Não aquelas amizades forçadas que alguns casais inventam só para parecerem felizes para outros casais. Eu estou falando de uma amizade, como se antes de amantes, fossemos verdadeiros amigos, entende? Eu não preciso que você pergunte como foi o meu dia, eu preciso que você participe do meu dia. Como um amigo, como companheiro. Porque isso é a segunda coisa que eu também quero pedir a você: que seja meu companheiro. Não aquele de todas as horas, porque eu sei que precisaremos dos nossos momentos a sós. (Se você me deixar um pouco sozinha, para ler meus livros, eu prometo deixá-lo ter o momento do futebol/corrida de Fórmula 1, e assim nosso relacionamento pode dar muito certo).
 
Também quero pedir que você permita que o menino chame Cauã (eu sei que é nome de índio) e que a menina tenha algum nome em hebraico. Como você pode perceber, essa carta foi escrita antes mesmo de te conhecer, e é a maior prova de que é um desejo antigo. E verdadeiro. Portanto, seja legal e não tente mudar o nome do(s) nosso(s) filho(s).
Outra coisa que não posso deixar de pedir/exigir é que você pendure a toalha. Pode parecer bobo comparado a todas as outras coisas profundas que te pedi, mas é que como não te conheço, e essa carta – como já foi dito – foi escrita bem antes de você, é um sinal de que isso realmente me incomoda, ou não estaria te pedindo algo tão banal. Eu não me importo de você se esquecer de abaixar a tampa da privada, mas a toalha molhada em cima da cama me deixa meio chateada. Então, só para evitar conflitos, fica combinado que você sempre a pendure.
 
No mais, é isso. Os anos devem exigir mais de você, então não vou te assustar com tantos pedidos logo de cara. Você me conhece e sabe que não sou muito exigente. Fico orgulhosa que tenhamos chegado até aqui.
 
Amo você (provavelmente).
 
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Se relacionar é ser duplamente forte. É ficar duplamente triste. Duplamente feliz. E continuar sendo um só. Amar é segurar as pontas duas vezes.

Se fosse mole, não pensaríamos tanto antes de nos doar para alguém. Quando um relacionamento começa, entregamos o pacote inteiro. E recebemos o pacote do outro também.

É normal você ficar triste, mau humorado, dar patada sem querer, engolir choros e sapos e querer terminar dias infernais com a cara enterrada no travesseiro. Infelizmente, isso é normal para a outra pessoa também. Quem está do outro lado tem o mesmo direito que você de ficar chato às vezes. Qualquer ser humano precisa ficar chato às vezes.

A chatice do namorado ou da namorada parece vir só para testar o nosso sentimento. Quem gosta de verdade, nem pensa em abandonar o barco. Pergunta “o que tá acontecendo?” dez vezes, sugere “posso te ajudar?” outras vinte. Quando percebe que não há mesmo solução – o problema do outro é do outro e ponto – finge deixar pra lá. E pelo menos um pouquinho, continua sofrendo junto. Nem o coração de gelo mais frio do Brasil consegue deixar totalmente pra lá.

Quem sou eu para definir o sentimento de alguém, mas acredito que aqueles que não se doem junto, não gostam tanto assim. Na primeira grande dificuldade, sair fora surge como primeira opção.

Amar é ter que achar o equilíbrio de dois. Quando a gente gosta de verdade, não mede muito esforço. O equilíbrio é natural. Viver e amar junto é basicamente isso. Só os duplamente fortes sobrevivem.

 
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O meu problema é que eu sempre quero tudo muito rápido, sem dar ter tempo de pensar se quero mesmo. O coração do ansioso bate de pressa e não por amor. O ansioso quer o sentimento, a sensação e a culpa. Quer tudo, rápido, ao mesmo tempo. Quer engolir o outro.

O sonho de quem ama ansiosamente é que tudo sempre saia como imaginou. E rápido. Sempre rápido. As cenas precisam ser exatas, as falas de acordo com o script. Ir contra o que o ansioso imaginou é muito triste. Dói nele. Dói de verdade.

Não culpem o ansioso por amar depressa. Não culpem o ansioso de sofrer por algo que nem ele mesmo sabe se é verdadeiro.

Quem tem pressa, no fundo sabe o quanto a vida é passageira. Projeta a vida sem limites. Sonha com o desencontro e o reencontro. Quem tem pressa, imagina demais.

É muito difícil encontrar a linha tênue entra a calma e a rapidez. Entre o que vale a pena e o que já está nos tirando o fôlego. É por isso que o coração do ansioso vive dando a cara a tapa. Caindo, sendo esmagado, em pedacinhos.

Quer saber? Admiro os desassossegados. Num mundo onde as pessoas sentem medo do que é verdadeiro, somos muito corajosos por ter a urgência de amar.

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Te observo de longe. Sei das últimas, todas elas. Sei o quanto foi difícil amar alguém de verdade depois da gente. Para mim foi uma luta também. Sei sobre a sua nova mania de levar a academia a serio. Acho engraçado, mas lembro o quanto suas invenções de moda são passageiras. Sei sobre a última mocinha que se iludiu de tanto amor que esperou de você. Sobre essa me contaram, mas daqui também consegui perceber. Outro dia esbarrei com ela no boteco. Ficou me olhando tão fixamente, que imaginei na hora que só poderia ser algo relacionado a você. Todas elas quebram o coração e me olham feio como se eu fosse um pedaço do seu corpo. As pessoas têm essa mania de eternizar a gente. Isso demora a mudar, depois de tantos anos que passamos juntos. O que me conforta é que uma hora passa. Lembra aquele seu mantra chato de que “tudo passa”? Você falava isso quando eu ficava chateada por motivos tolos. Nossa história já passou pra gente, e em algum momento vai passar para as outras pessoas também. Relaxe. Qualquer dia a minha avó para de chamar meus novos namorados pelo seu nome.
Sei o quanto foi difícil ser demitido do seu ultimo emprego. Olha, até doeu em mim. Você é um cara muito inteligente. Lembro dos dias que ouvi repetidas vezes o seu vinil do Chico, enquanto você passava a madrugada terminando um projeto de uma marca que nem acreditava. Você odiava esse trabalho, que consumia tanto e não te permitia criar. A vida sabe o que faz.


Sei também o quanto você aprendeu a apreciar a solidão. Fico feliz por ter te ensinado isso. Seus últimos desenhos estão maravilhosos. Nossos amigos pararam de me contar os lugares que você vai. É que eu sei daqui de longe que você tem saído menos. A idade chegou aqui e aí também. Acho que estamos no caminho certo.


Não quero ocupar nenhum espaço na sua vida. Não faço qualquer questão sincera de te ter na minha. Daqui, de longe, eu te vejo. E o mais bonito que posso fazer é torcer sempre por você. Eu mando todas as energias positivas para o seu futuro. Eu torço.

 

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Seria mais fácil se nosso destino já viesse traçado. Mas talvez não seja assim. Relaxaríamos e aproveitaríamos com mais facilidade os amores errados. Por só, e somente, por curtição. Não insistiríamos em manter na nossa vida a pessoa que nunca liga, nunca responde a mensagem ou sempre tem uma desculpa esfarrapada na ponta da língua. Deixaríamos essa pessoa pra lá. “Está traçado, só preciso ter calma, uma pessoa companheira, legal e feita para mim vai chegar”. Mas não é assim. O destino é um acaso. E talvez a vida seja desvendar os momentos certos.

Refleti isso porque me lembrei de algo que minha tia me contou. Ela é muito inteligente e se casou com um cara tão bacana quanto ela. Perguntei em que momento ela soube que era ele. “Eu simplesmente soube”, ela respondeu. São casados há muito anos, tiveram filhos incríveis e a família (não é porque faz parte da minha) é muito companheira.

Para simplesmente saber que a pessoa que chegou é a certa ou um grande amor, infelizmente não tenho a fórmula. Veja só minha tia, que achou o amor do outro lado do mundo e é apaixonada há tantos anos. Nem ela soube me explicar.

Até chegar nesse saber, vamos achar várias vezes. Quebrar a cara, cair, levantar. Jurar por Deus que não vamos nos esforçar tanto de novo. E tentar mais uma vez. Só mais uma vez. E mais duas, três… Acredito que se algo começa com um pensamento de “talvez”, dificilmente será de verdade, pleno, intenso, com defeitos e compreensões na medida saudável que o sentimento tranqüilo pede. O que vale a pena, precisa nos dar algum motivo para acreditar. Amores difíceis quase nunca dão.
Entende?

Vamos “simplesmente saber” quando pararmos de procurar o perfeito, traçado de uma forma totalmente tola pela nossa imaginação. É aí que está o timing do destino que falei. E para perder ele, basta acreditar que o que está na nossa frente nunca é o suficiente.

Escrevo para as mulheres que imaginam demais. Eu também sou assim. Não as culpo, é nosso maior defeito de fábrica. Não nos permitimos sentir porque o que imaginamos é muito melhor. É difícil entender que isso que queremos só existe na nossa cabeça. Abrir os olhos para a realidade pode ser cruel. Mas também pode ser uma delícia.

Procurar sempre pelo perfeito é sabotar o tempo certo do destino. Abra mais olhos, não perca o timing. Não perca a pessoa legal e interessante que investe na sua companhia. Esse cara pode não ser o homem ideal que a sua imaginação traçou, mas é o homem que gosta de você. Que quer cuidar de você.
Depois que relaxar dessa busca desenfreada, eu tenho certeza, você vai simplesmente saber. E jamais saberá explicar como aconteceu. O amor tem disso de ser totalmente surreal.

É por isso que a gente só sente e não consegue explicar. Porque a gente simplesmente sabe.

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Pensando no pouco que já vivi e ouvi, talvez o amor não tenha que acontecer dessa maneira perfeita que eles falam. Às vezes ele precisa ser meio torto e malfeito mesmo. E só se concretizar no final do caminho.

Mesmo desgastado de não ser, ele ainda pode ser. Mesmo depois de tantas vezes “talvez ser”, quando realmente for, ele pode dar muito certo. O que importa, é que quando ele “seja”, que seja tranquilo. O amor não tem culpa do meio do caminho não ter sido só de flores. Se tiver espinhos, que machuque antes, mas não machuque depois.

O que eu quero dizer é que acredito em reencontros. Acredito de verdade. Se mais pessoas acreditassem, talvez o sofrimento não se espalhasse tanto e os corações se enchessem mais de esperança. E menos de dúvidas.

Não estou pedindo que o caminho seja difícil só para dar mais emoção. Que ele seja do jeito que tem que ser. O mesmo amor não acontece duas vezes. O mesmo sentimento não cruza o mesmo caminho, na mesma velocidade e intensidade. Então já que é único, por que não curtir cada pedaço do encontro ou do reencontro, mesmo torto, mesmo nascendo estragado e mesmo que lá na frente dê errado (ou certo)?

Pode ser que tudo isso que eu escrevi não faça sentido algum. Amor não se explica – se sente e depois se conta. Talvez seja só um desabafo, um grito de uma última ponta de esperança – talvez minha, talvez sua, talvez nossa.

O mais bonito do amor é que não acontece em duas pessoas agora, nesse momento, mas um dia, quem sabe, ele é? É isso que me encanta.

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Marcella Brafman sofre de imaginação fértil e só passa escrevendo. Segue ela lá no Twitter e leia também seu blog


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Recebi um email que me fez rir muito. Ele faz as contas, de mais ou menos, quanto uma mulher gasta para se produzir para um “encontro”. Levando em conta todas as loucuras que algumas são aptas a fazer, como por exemplo entrar no cheque especial só para comprar um vestido novo, as contas ($$) chegam a um número que pagaria uma prestação de um carro zero.
No fim do email, a autora (que não me lembro o nome), alerta o risco de às 21h, depois de gastar a alma, o cara ser um babaca e desmarcar com você. Foi exatamente isso que me fez rir muito.
O texto não me fez muito efeito, e fiquei um tempo tentando lembrar a última vez que me produzi para alguém. Foi mais fácil lembrar do último babaca que desmarcou comigo, do que o último babaca que me fez marcar um salão de última hora pra ficar bonita pra ele. Nunca dei a minha alma no cartão de crédito para um “encontro”. Sendo sincera, já vendi a minha alma em um “desencontro”. E valeu muito, mas muito mais a pena.
Existem dias que o cabelo acorda Maria Bethânia, o armário briga com a gente e nem muito pó compacto resolve. Mas são nesses dias, vestindo o jeans velho e confortável, usando um rímel bem leve pra tirar a cara de morta e sem muita pretensão, que alguém aparece. Quando você menos espera, e sem horário marcado, as coisas acontecem.
Eu gostaria que todas as mulheres pensassem assim, e parassem de se matar ($$) pra uma noite ser especial. Um vestido novo não vai mudar a noite. Mesmo porque, raciocinem comigo: ele não conhece todos os seus vestidos velhos. Ele mal sabe o siginificado de um pó compacto, e é bem capaz que ele tire todo o seu blush do rosto, quando te beijar. Você ainda pode dar a sorte dele ser fã da Maria Bethânia. Essa última parte foi só brincadeira. Eu realmente espero que ninguém conheça alguém que goste de Maria Bethânia.
Sejamos menos bitoladas e mais realistas. Desmarcar encontros é normal e faz parte de um dia que esteja rolando um jogo do time que ele torce, por exemplo.
E vai ser exatamente nesse dia, que revoltada com tamanha “falta” de consideração, que seu pouco rímel nos olhos, seu jeans velho e seu cabelo mistura de Maria Bethânia com Wolverine do X Men, vai te levar para um desencontro dez vezes mais interessante. Pode acreditar em mim.

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Marcella Brafman sofre de imaginação fértil e só passa escrevendo. Segue ela lá no Twitter e leia também seu blog


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A partir de agora. Ficarei três meses sem escutar suas músicas e vou apagar todas as mensagens bonitas do meu telefone. Não que isso te delete também (quem dera), mas é a única forma clichê que arrumei de começar a apagar você. Depois desse ritual bobinho, vou procurar em algum lugar do meu corpo cansado, forças para explicar para o nosso grupo de quinze amigos em comuns, o porquê de você ter resolvido ir. Tentarei de todas as formas não te chamar de covarde, indeciso ou imaturo. É triste, mas inventarei qualquer desculpa. Dizer que você andava muito ocupado, viajava muito, agenda cheia, sabe como é? Todos eles vão sorrir forçado, oferecer um ombro amigo, e eu vou agradecer e sorrir também, exatamente do mesmo jeito que vou continuar agradecendo e sorrindo para tantas outras coisas – mesmo morrendo um pouquinho por dentro. Vai chegar o dia que sua mãe vai me ligar. É esse momento que sempre imagino quando desbloqueio sem motivo meu celular. Ela vai ligar para dizer o quanto ficou triste e que apesar de tudo, ainda sou querida na sua casa. Vai ser bonito escutar isso, vindo de uma senhora tão vivida e bondosa. Mal sabe ela que eu preferia abrir mão de todas essas tradições pós o término e já preencher logo meu coração com outra pessoa. Ela não tem culpa da minha ansiedade e no telefone serei simpática e cordial, como ensinam as regras. Pensando assim, tão apressada, a tola da história sou eu, eu sei. Pouco importo. Só quero uma vida divertida de novo. Aí vai chegar o dia que todas as minhas amigas, preocupadas que eu tenha algum tipo de depressão, vão me obrigar a beber até cair em alguma boate lotada. Essa minha falta de controle da realidade vai me fazer beijar qualquer cara, encher a lata de tequila e terminar a noite mal, socando o travesseiro e sujando todo o meu lençol. Passada a ressaca moral, saber que tenho amigas querendo o meu bem, vai ajudar muito. A felicidade em pequenas coisas vai servir sempre de curativo. Algumas semanas depois, vou dar de cara com você no meio da rua, em uma tarde que esqueci de passar maquiagem ou em uma manhã que você esqueceu de trocar de roupa depois da academia. Vai ser difícil acertar o beijo na bochecha, depois de tanto tempo beijando a sua boca que era tão minha. Mas vai. Tudo vai.  A partir de agora é tudo novo, é tudo de novo. A partir de agora, em todo cair de suor e de lágrima, estou ficando cada vez mais leve e expelindo você. Pode ir.

Marcella Brafman sofre de imaginação fértil e só passa escrevendo. Segue ela lá no Twitter e leia também seu blog


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O jeito é pedir para tirarem uma foto nossa, só pra você ver o tanto que fica bonito. Ou melhor, deixa eu ler pra você a combinação dos nossos signos, que diz que a gente foi feito um pro outro desde os tempos de Maomé  Se você não entendeu ainda, eu chamo a minha vizinha do 702 que entende tanto de amor, que vive sozinha. Ela vai olhar pra gente juntos e sentir um arrepio. E daí você vai entender, não vai? Ainda não? Poxa. Vou ter que te contar que tem um tanto de coisa que você pensa e eu penso também. Tipo que aquela música é muito boa e ninguém acha boa – só você. Eu sempre achei ela uma ótima música. Ou então, que aquele dia eu também pensei em dividir um cachorro. E pensamos exatamente o mesmo nome para o bicho, que teria que ter nome de gente. Tá vendo agora?

Posso tentar mais, dizendo que eu não entendo metade das coisas que você fala, e continuo gostando muito de imaginar ouvi-las. Nem você entende metade das coisas que eu escrevo, e agora está me lendo. Olha, tem também as melhores sensações do mundo. Fecha o olho e fala rápido! Viu? São as mesmas. Nosso mundo é colorido igual. Nosso mundo é tão igual e nossas dores tão diferentes, que eu te abraço agora e até parece que nada nunca doeu. Dá vontade de gritar e contar para o universo que eu achei. Eu achei o que eu nem mereço ter porque é bom demais para mim. E tudo que é muito bom, dói demais de ter.

É horrível, mas existem pessoas que aparecem na nossa vida para nunca serem nossas. Que nem você, que de tanto nunca vai ser meu, só que nesse momento é.

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Sabe, se eu fosse você não esperava mais o homem ou a mulher da sua vida. Aquela pessoa bonita, inteligente, charmosa, bem educada e que gosta de cuidar dos pais. Esse é o homem perfeito. E o homem perfeito tem chulé. Essa é a mulher perfeita. E a mulher perfeita não entende suas ironias. Nem aquela pessoa que gosta das mesmas músicas que você, opina no seu guarda-roupa, repara quando você está triste e te indica um bom clínico geral. Se ele for homem, provavelmente é gay. Se for mulher, sem dúvidas te considera só um bom amigo.

Essa pessoa vai aparecer aí qualquer dia desses. E não vai ser do jeito que te ensinaram a esperar, nem como acontece magicamente nas comédias românticas ou como se conheceram seus avós. Você entende, não entende? Histórias como as do cinema acontecem na proporção que seu vizinho ganha na Mega-Sena. Vocês se esbarrariam por acidente em alguma seção do supermercado, você comprando sushi e vinho, ele, duas caixas de cerveja e amendoim – ou vice-versa. Oi, você! Quanto tempo! Nossa, é mesmo! Como você está linda! Meu Deus, como você emagreceu! E pirlimpimpim. No dia seguinte ele te liga, te leva para jantar, se dá conta que a vida é muito mais legal ao seu lado e na velocidade de um cometa Halley vocês moram juntos, noivam e se casam. Não. Não vai ser assim. Pode ser assim. Mas é mais fácil não ser.

Essa pessoa não vai chegar de repente, ela vai chegar devagar. Ela não vai chegar para te dar susto, e sim para te acalmar. De todos os problemas, aflições e dificuldades. Essa pessoa vai simplesmente, sem poréns, te compreender. Não vai chegar para te levar às alturas, como paixões loucas que nos fazem sofrer, perder a fome e nos morder de ansiedade numa sexta feira à noite. Ela vai te ensinar a não ter medo de altura. Ensinar que paixão não é amor. Amor é amor e isso basta. Mais do que isso não será necessário explicar. E você vai naturalmente acreditar. Assim, amar vai te dar uma fome surreal de viver.

Não, por favor, desista. É mais provável que não seja aquele seu caso antigo, arrependido, pedindo para voltar. Se ele foi embora, ele teve motivos. O amor da sua vida vai ter muitos motivos para te deixar. Ô… Vários! A cada TPM, chilique desnecessário, quatro horas na mesma loja do shopping. E você também, ao ver a toalha dele em cima da cama, a tampa da privada levantada, o futebol de quarta. Você, provavelmente pensará diversas vezes o quanto é difícil conviver e gostar. Mas, é que se for para ir embora, se for realmente verdadeiro do início ao fim, vocês vão embora juntos.

Enquanto isso, enquanto ele ou ela não vem – se vem – você aprende entre amores e desamores: o grande amor da sua vida é você.

Marcella Brafman sofre de imaginação fértil e só passa escrevendo. Segue ela lá no Twitter e leia seu blog.


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