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Você quer falar sobre você ou sobre o amor? Porque se eu for falar sobre o amor, eu posso perder um tanto de tempo falando a respeito de um convidado especial que recusou meu convite. E, caso queira que eu fale de você, terei que deitar no teu colo para conseguir dizer algumas poucas palavras sobre a tua pessoa – ou sobre a tua-pessoa-em-mim, que é a que mais conheço. Ou não. Sei lá. É difícil ser alguém que não conhece a si mesmo e não sabe responder qualquer questionário pessoal e, ainda assim, conseguir expor algumas letras sobre outro ser imperfeito, incompleto e eternamente mutável – você ou o você-em-mim, tanto faz.

Falar sobre o amor é mais fácil. Silêncios oceânicos, geralmente, preenchem as lacunas de um sentimento que por vezes parece ser vazio. Complicado é me calar sobre você e isso te faça ter a ideia de que eu não penso em você ou de que eu não queira te dizer alguma coisa. Porque, você sabe – ou acho que sabe e eu gostaria que soubesse – que eu penso tanto em você que tem vezes que te imito trejeitos tentando ser mais um cado você do que eu, apenas para buscar uma forma de ser você e descobrir se na tua forma de viver há espaço – por menor que seja – para alguém como eu.

Mas você prefere falar sobre o amor, né? Não sei porque as pessoas têm essa mania ridícula de falar sobre o amor e torná-lo coisa tocável, palpável como cartas perfumadas e/ou fotografias felizes. O amor não é isso. O amor é tímido demais para tais demonstrações públicas. Ninguém consegue declarar o seu amor a alguém. A gente fica apenas naquela tentativa vã de materializar em palavras a forma como nos sentimos perto do tal alguém especial que dizemos amar. Mas na verdade, amamos, apenas, o brilho que nos enche os olhos, a arritmia que nos dá e o suor frio que escorre pelas mãos. Amor é saúde com sintomas de doença.

E você? Você é apenas mais uma forma que eu achei para falar de amor. E vice-e-versa. Então, se eu for falar de você, falarei de amor. E se for falar de amor, calarei em você.
 

Hugo Rodrigues, 24 anos, capricorniano, publicitário e com tatuagens até alma. Refém do sorriso feminino e alguém que nunca acreditou nessa balela de sexo frágil. Escreve seus devaneios em seu Facebook e expõe o que pensa em seu twitter

 

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Eu devo pedir desculpas por ter rido na tua cara quando você falou aquela palavra: casamento. Você me perdoa? Casamento me assusta mais do que a Samara, daquele filme de terror, sabe? Mas não pense que eu não tenho percebido toda a sua vontade de se tornar o homem da minha vida. Em troca disso, eu vou te dar algumas dicas, ok? Papel e caneta em mãos porque não é sempre que te contarei meus segredos.

Se você quiser ser o homem da minha vida, não me dê flores, chocolates, ursinhos de pelúcias ou etc. Me dê cartões. Escreva coisas estúpidas e bobas que me farão rir como uma criança. Depois disso, compre flores, chocolates e ursinhos. Você pode me dar um helicóptero todo rosa pink, com minhas iniciais na porta. Mas se não tiver um cartãozinho surpresa com teus garranchos, não será a mesma coisa, entende?

Use uma calça velha e uma camisa manchada pela casa. Deixe a barba crescer até irritar meu queixo. Ria dos meus dedos dos pés. Seja elogiado por algumas vacas em rede social. Me jure fidelidade, mas pareça olhar outras mulheres quando estivermos de mãos dadas por aí. Eu preciso estar desconfiada. Preciso que você suma, vez ou outra, sem me avisar. Preciso que você falhe comigo e me peça perdão. Eu sou uma mulher cheia de dúvidas. E quantos mais as dúvidas forem sobre você, mais você reinará em meu pensamento.

Se você quiser ser o homem da minha vida, seja meu pai, de vez em quando. Me dê broncas para tomar remédios e me coloque pra dormir em teu peito. Eu gosto de carinhos no lóbulo da orelha e massagens da nuca. E, por favor, me deixe ser tua mãe também. Vou querer ter o poder de te fazer vestir um casaco em dia frio e de te fazer curativos quando você se ralar todo no futebol de quinta. Por falar em futebol, nunca me leve para ver você jogar com teus amigos. Me deixe em casa, me questionando se você realmente está ou não com um monte homens correndo atrás de uma bola. Não me ligue perguntando se pode dormir comigo. Me envie um SMS às 2h da manhã dizendo que está na minha porta.

Não abaixe a tampa da privada. Não tire as tuas cuecas do chão do quarto. Não me deixe ver novelas sem dizer que está passando o seu programa de esportes favorito em outro canal da TV fechada. Mas me faça surpresas românticas, também. Faça sexo comigo. Me chame de algum nome chulo, mas deixe escapar um “te amo” em algum momento da transa. Fale palavrões perto da minha mãe. Apareça sem camisa quando minhas amigas estiverem em casa. Fique bêbado com teus amigos na sala, enquanto em me tranco no quarto tentando encontrar um silêncio decente que me deixe estudar. Esqueça nosso aniversário de namoro. Adoro ver tua cara de surpresa ao receber um presente sem ter o que dar em troca.

Não me deixe fumar mais do que três cigarros. Mas não me perturbe para não beber tanta tequila. Me faça cócegas. Receba uma ligação de alguma ex-namorada no meio de uma discussão de relacionamento nossa. Me deixe cortar as tuas unhas e reclame de dor quando eu for espremer tuas espinhas. Me chame de “minha mulher” na frente dos meus amigos só para demonstrar o teu lado possessivo.

Se você quiser ser o homem da minha vida, insista.Saiba que quando eu disser “Ok, você quem sabe”, quero dizer: “Não”. Quando eu disser “Talvez”, quero dizer “Não”. E quando eu disser: “Não estou com ciúmes”, eu estou dizendo: “Claro, porra!”. Mas insista. Me roube beijos no auge das minhas crises e me coloque para dormir quando eu não tiver mais o que falar. E não se esqueça de sempre me dar novos motivos para querer dormir com você mais e mais noites. 

Hugo Rodrigues, 24 anos, capricorniano, publicitário e com tatuagens até alma. Refém do sorriso feminino e alguém que nunca acreditou nessa balela de sexo frágil. Escreve seus devaneios em seu Facebook e expõe o que pensa em seu twitter
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Não é o fim do mundo. Você não morreu. Muito provavelmente ele não irá morrer também. Você não está despedaçada como diz estar. Copos de vidro se despedaçam. CDs, celulares, óculos, computadores, aviões e carros, também, são destruídos. Mas você não. Pelo menos, não fisicamente. Pelo menos, não no sentido real. E a vida é real, né? Tem uns pingos de fantasia causados por sessões de comédias românticas e livros do Nicholas Sparks, mas a vida é real.

Você tem a unha a fazer. Tem o cabelo a cortar. Tem aquele vestido novo que saiu no catálogo da tua loja predileta para comprar. Tem a casa para arrumar. Tem tuas amigas para te ouvir chorar e berrar um pouco – ou muito. E tem uns tantos outros amigos para te elogiarem quando você precisar de alguém falando que seus olhos castanhos são tão bonitos quando você não está com a maquiagem borrada por causa de lágrimas desnecessárias. Então, pra quê chorar?

Há muitas garrafas de vodca, também, caso queira dar uns goles na loucura. Tua cabeça irá doer depois. Mas é ressaca. É uma resposta física do teu corpo sobre a quantidade de álcool que você ingeriu na noite anterior. Fique tranquila. Essa enxaqueca não é remorso, nem nada emocional. Chore, vomite e beba bastante água que você irá melhorar. Ou tome mais álcool que dizem funcionar também. A escolha é tua.

A tua vida não se resumia a ele. Eu te juro de pé junto, isso. Você pode até se sentir incompleta, mas está aí, disposta, viva e respirando. Com algumas olheiras e umas ideias loucas a mais, mas está bem. O tempo cura tudo que o tempo pode curar. Daqui a pouco, ele vai ser só mais um rapaz com mãos bonitas e um cheiro gostoso que passou por tua vida. Você vai ver. Enquanto você chora por um cara, há mil outros caras esperando, apenas, uma chance para te fazer sorrir.

Não sou nenhum aspirante a psicólogo-sei-tudo-sobre-as-pessoas. Acho Freud um saco e Jung um louco. Mas sobre o amor e teus sintomas, parece que eu já nasci com diploma e mestrado. Já amei demais quem nem gostou do meu cabelo bagunçado. Já amei de menos quem já sonhou comigo durante noites eternas de inverno. Já chorei como uma criança órfã e perdi dias de sol e noites estreladas. Mas não me destruí. Destruí porta-retratos, pratos, cartas e até aquele conjunto de tulipas do meu time predileto que ganhei no Natal. Mas meu coração ficou intacto. O teu também ficará.

Logo, logo, aparecerá outro cara que gosta tanto de adoçante como você. Outro que também não consegue ficar uma noite inteira sem resolver alguma briga qualquer. Outro que te dará a mão e o mundo inteiro ao redor será anulado. Outro cara com cabelo bom para acarinhar e com olhos infantis. Outro com um sorriso talhado e com gosto musical estranho. Você vai ver. Vai senti-lo. Vai respirá-lo. E vai amá-lo como se fosse a primeira e a última vez. Porque o coração é uma casa forte e espaçosa e sabe, vez em quando, renovar seus moradores.

———————————————————————————————————-Hugo Rodrigues, 24 anos, capricorniano, publicitário e com tatuagens até alma. Refém do sorriso feminino e alguém que nunca acreditou nessa balela de sexo frágil. Escreve seus devaneios em seu Facebook e expõe o que pensa em seu twitter.

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A mulher imperfeita cansou de ser menininha-do-papai. Mas adora ser uma criança quando se joga em meu colo. Gosto das meninas que me abraçam no meio de um assunto qualquer como quem se coloca sobre meus braços e me exige para ajudá-la em seu caminho. Ela não não sabe pedir ajuda, nem reclamar atenção. Mas me grita com os olhos mudos um amor-me-ajuda-com-o-controle-da-TV ou coisa assim que é mais real do que qualquer berro desesperado.


A mulher imperfeita tem um quê de Maria Flor com a Marla Singer, do “Fight Club”. Ela sabe que está atrasada, mas nem se importa com o horário. O relógio que se adapte. O mundo que gire mais devagar, enquanto ela ainda está escolhendo os vestidos que ela tirou do armário e arremessou por cima da cama, uns oitocentos dele, mas ela jura não ter roupa adequada para sair comigo está noite.


Ela é independente, daquelas que pagam a conta do bar, dirigem automóveis melhores do que eu e se resolvem sem a ajuda de ninguém. Mas enlouquece quando vê uma barata ou coisa assim só para precisar um pouquinho de mim, sabe? A mulher imperfeita come chocolates sem olhar a tabela de calorias ou algo do gênero. Quando eu arroto, ela sorri envergonhada. Me chama de porco, mas quando bebe uns refrigerantes a mais, arrota, também.


A mulher imperfeita veste calça jeans em dias quentes porque esqueceu de depilar as pernas. Prende o cabelo quando está com preguiça de penteá-lo. E só faz as unhas meia hora antes de algum encontro especial. A mulher imperfeita me diz coisas sem pensar. Puxa uns assuntos sem nexo e pouco se importa pela última pergunta que fiz. Ela quer falar sobre a tal banda que ouviu. Ou sobre o tal filme do Woody Allen que viu. Ou sobre a última prova que ela tomou bomba na faculdade. Mas sabe me ouvir, também. Quando estou chateado, ela me dá um beijo na testa como quem diz dá-cá-tua-tristeza e me prepara uma pizza de mentirinha porque ela não tem talentos culinários para fazer algo mais sofisticado.

Na mulher imperfeita, eu encontro aquela gordurinha à mais no quadril quando vou fazer cócegas que adoro. Ela usa calcinhas grandes sem cunho sexual aparente, mas que me atiçam mais do que qualquer lingerie vermelha. Tornozelos finos são divertidos. Pés feios, também. A mulher imperfeita tem pés feios, mas bem cuidados. Tem uns joelhos desconexos e umas coxas que almejam ser grossas. A mulher imperfeita vai muito além do conjunto da pele, entende?

A mulher imperfeita aderiu os tênis, as blusas largas e as saias longas. E aboliu as roupas de oncinha e os batons muito chamativos. Ela aceita ser o que é e lhe permite mudar quando tem vontade. Vez em quando, ela mesma corta o seu cabelo acima do ombro ou o colore de vermelho. A mulher imperfeita adora os erros do mundo e tem insônias com os meus. Grita comigo me pedindo para melhorar e, depois, me beija deliciosamente como quem diz não-consigo-ficar-brava-contigo-seu-idiota. A mulher imperfeita é aquela perfeita para mim.

Hugo Rodrigues, 24 anos, capricorniano, publicitário e com tatuagens até alma. Refém do sorriso feminino e alguém que nunca acreditou nessa balela de sexo frágil. Escreve seus devaneios em seu Facebook e expõe o que pensa em seu twitter.

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Me faça rir. Apenas me faça rir. É isso. Eu quero dar gargalhadas toda vez que eu pensar em você. Quero sorrir como uma criança ao ver o palhaço mais engraçado do mundo quando eu olhar nossas fotos ou lembrar dos nossos momentos. Não me dê apenas flores, bombons, vestidos, bolsas, cartões ou qualquer coisa que possa envelhecer ou se rasgar. Me dê sorrisos. Somente isso. Me dê motivos para sorrir.
Me faça cócegas. Me conte uma piada sem graça. Faça caretas divertidas. Esbarre pelos móveis da casa. Deixe algo cair com sua total falta de jeito ao lavar a louça. Vista um sutiã meu e me chame com uma voz feminina quando eu estiver puta da vida por você ter esquecido alguma data importante. Perturbe alguém amigo seu, enquanto estivermos juntos. Me conte histórias das besteiras que você aprontava na escola. Me mostre fotos de quando você era criança vestido de roupas caipiras e bigodes falsos. Me faça sorrir.

Traga episódios de The Big Bang Theory ou do Seinfield para a gente assistir juntos no chão da sala. Faça comentários de humor negro ao pé do meu ouvido quando estivermos jantando com meus avós. Prepare uma surpresa boba ao me ver chegar em casa. Escreva no espelho o quanto me ama ou amarre bexigas no nosso cão quando for meu aniversário. Fale que Foucault era um idiota e que o Adam Sandler é o maior poeta de todos os tempos.


Até porque existem mulheres que gostam de caras altos. Mulheres que gostam de caras baixos. Umas que preferem os loiros. Outras, os morenos. Tem umas que têm quedas por homens ricos. Outras que nem se importam com quanto o cara tem na carteira. Mas se tem algo em que todas nós somos iguais iguais – tirando a TPM, é claro – é que todas as mulheres gostam de caras que as façam sorrir.


E como a Marilyn Monroe disse uma vez: “If you can make a girl smile, you can make her do anything”. É isso. Apenas me faça sorrir.


Hugo Rodrigues, 24 anos, capricorniano, publicitário e com tatuagens até alma. Refém do sorriso feminino e alguém que nunca acreditou nessa balela de sexo frágil. Escreve seus devaneios em seu Facebook e expõe o que pensa em seu twitter.

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Existem mil formas de eu me apaixonar por uma mulher. Uma delas é quando a pequena está fazendo rabo de cavalo no cabelo enquanto fala e, quando termina, debruça seus cotovelos sobre a mesa, me olha como se nada mágico tivesse acontecido e me pergunta algo clichê como “O que a gente vai jantar hoje?”.

Ou quando a pequena não sabe se ri ou se morde, aí me dá um risinho mordendo a parte de baixo do lábio, sabe? Esse é o problema das mulheres – tudo nelas é apaixonante. Para mim, os cúpidos – aqueles anjos malditos que nos propagam o amor – estão em todos os cantos das mulheres. Nas sobrancelhas finas. Nos narizes pontudos. Nos joelhos lisos. Nos calcanhares machucados. No perfume das nucas. No cheiro das costas. Na gordurinha entre as coxas. Naqueles brincos grandes que só vestem uma orelha. Naqueles shorts jeans que já foram calças e agora passeiam seus fiapos pelas pernas das pequenas. Ou na forma desleixada de sentar quando não estão de saias ou vestidos.

Mulher é um temporal de elogios. Um livro sem fim, mas com capa bonita e perfumada. Mulher é não ter sapatos tendo cento e dois pares no armário. E, ainda por cima, mulher é descobrir que vestido usado uma vez já é uma roupa velha. Mulheres são crises ao meio-dia pelo tempo não passar e desespero às 20h30 por já estar uma hora atrasada.

Mulher é uma poesia com virilhas, peitos e boca. Inspiração para músicas, livros e qualquer manifestação artística. Mulher é a cultura decotada e perfumada. Mulher é a insônia que nos causa por uma briga qualquer e a vontade acordar cedo só para levar o café-da-manhã na cama. A mulher é um conjunto. Um dicionário completo. Mulher é um devaneio perfeito e um paraíso primoroso. A mulher tem em seu sorriso a arma mais poderosa do mundo e em seu colo o centímetro mais caro da Terra – espaço esse que nenhum arranha-céu moderno de Dubai consegue se comparar.

A mulher nasceu para ser dona do mundo. E não me venha com essa história de que Eva foi feita da costela de Adão. A mulher nasceu primeiro. Fez as flores, os jardins e os bichinhos. Depois, sentiu falta de um colo masculino e de alguém para matar os insetos nojentos que surgiram por acaso. Aí sim, houve a necessidade de um companheiro. No dia que a mulher descobrir que possui as rédeas de qualquer relacionamento, os homens terão que fazer muito mais do que piadas irônicas, recitar músicas do Chico Buarque e ter um peitoral confortável para atrair à atenção feminina.

Hugo Rodrigues, 24 anos, capricorniano, publicitário e com tatuagens até alma. Refém do sorriso feminino e alguém que nunca acreditou nessa balela de sexo frágil. Escreve seus devaneios em seu Facebook e expõe o que pensa em seu twitter.
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O amor te escapa pelos dedos como quando você brinca de pegar areia fina da praia com as mãos. Quando você quer controlá-lo. O amor se esconde por de trás de um rosto cansado, numa fila do banco ou no banco de algum ônibus voltando pra casa. Volte pra casa, também. Arrume a cama, o cabelo, o emprego, os estudos e depois – se der tempo entre um seriado ou outro – arrume um amor.

O amor não é livro de auto-ajuda. Não é mãe, nem pai, nem irmão mais velho ou mais novo. Amor é aquele amigo que quando caí, a gente ri, mas depois pergunta se está tudo bem, faz curativo e assopra pra passar, sabe? Amor é para rachar a conta do taxi, do restaurante e do barzinho de sexta. O motel é por tua conta, rapaz – seja por amor ou não. Amor é para dividir a cama, o sorvete, o guarda-chuva, a culpa e a pipoca.

O amor é bicho arredio, que quer fugir por aí pelos carros e pedestres que correm pela cidade. Amor não é para ser domesticado, enjaulado ou coisa assim. O amor foge pelas janelas, pelos sorrisos e pelos olhos. Amor é uma junção de apelidos bobos com brincadeiras infantis, mesmo após os trinta, quarenta, ou seja, lá qual for a idade dos amantes. Amor é envelhecer ao contrário.

Amor é verdade, das mais doces às mais amargas. Amor é sentir frio na barriga após um “precisamos conversar” ou após um “estou chegando pra te ver”. O amor não transforma duas pessoas em uma. Amor é soma. E, nunca, o contrário. O amor de um par é a terceira pessoa desta relação. O amor é leve. O desamor que pesa, machuca e maltrata.

O amor foi feito como uma troca justa e verídica. Não dá para amar pelo outro. Nem querer que alguém alimente o nosso amor próprio. Porque até na frase: “Eu te amo”, o “eu” vem em primeiro lugar.

Hugo Rodrigues, 24 anos, capricorniano, publicitário e com tatuagens até alma. Refém do sorriso feminino e alguém que nunca acreditou nessa balela de sexo frágil. Escreve seus devaneios em seu Facebook, expõe o que pensa em seu twitter e agora se juntou à equipe do nosso blog. Deem as boas vindas ao Hugo, meninas!

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O amor é a alegria em meio ao caos. Amor é deitar morrendo de sono, afastando o mundo inteiro, mas levantar quando o celular treme e você sabe que é uma SMS da pessoa amada. Amor faz o sono passar, faz o sorriso brilhar e se espalhar pelo mundo. O amor um vírus benéfico e sem cura. O amor invade qualquer coração desligado, até aqueles turrões que juram ser mais fechados do que cofres dos cassinos de Las Vegas.


Amor não é só andar de mãos dadas, mas andar no colo também. Amor é um conjunto de beijos calorosos e mordidas provocantes. Amor é abraços apertados e beliscõesirritadiços. É brincar de guerra de travesseiro, empurrar dentro do mar e implicar com a barriga alheia. Amor é morrer de rir ironicamente só para irritar o outro. Amor reúne palavras doces e xingamentos sarcásticos. Amor é namorado, melhor amigo, pai e avô.

Amor é ter uma cama de casal enorme e acordar espremido no sofá enquanto via um filme qualquer na TV. Amor é ler o jornal e separar o Segundo Caderno para ela e a parte dos esportes para ele. Amor é descobrir que não existe o tempo. Uma hora juntos equivale à um segundo. Já, um segundo longe é o mesmo do que sete dias sombrios e arrastados. Amor não é tempo. Pelo contrário, amor é nem ver o tempo passar.

Amor é ver que a ligação deu caixa-postal e se preocupar como uma mãe solteira. Pode ter sido assaltada, sequestrada ou sei lá o quê. Mas o principal, amor é ter confiança para saber que celular desligado e traição não possuem nada em comum. Aliás, no dicionário do amor, traição só aparece na parte “não-amor”.

Amor é jogar video-game, enquanto o outro estuda. Ou estudar juntos. Ou jogar juntos. Amor é encaixe, como legos perfeitos. Amor é tomar banho juntos porque acordaram atrasados. Ou simplesmente pelo prazer de lavar as costas um do outro. Amor é reclamar da barba que irrita o queixo e dos fios de cabelo que sobrevoam o rosto durante a noite enquanto tentavam dormir de conchinha.

Quando o “com quem” é mais importante que o “aonde”, é amor.
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Mulher não é só um ser. É um mundo. Um mundo em meio a um labirinto confuso e convidativo. Mulher deve mostrar o que há dentro do peito sem transparecer o decote. Vestido longos são bons. Lábios que aspiram ser grossos, também. Mulher deve ter a fala doce como brigadeiro. E um arrepio azedo como torta de limão.

Mulheres que não bebem são boas. Já as que bebem são ótimas. Mulher deve andar como quem desfila. Como quem grita por aí tua tendência a ser miss quarteirão de todos os anos. Melhor do que perfume caro é cheiro de banho tomado. E, também, o cheiro da pele suada que empresta sua essência às camisolas mais leves. Melhor do que vestidos da moda são as nossas blusas de sorte. Aquelas que por algum motivo foram esquecidas na segunda gaveta e agora faz parte do cabide principal feminino.

Melhor do que cabelos alisados é rabo de cavalo ou fios inteiramente despenteados. Mulher deve dormir encolhida e acordar quase me expulsando da cama. Mulheres que xingam são mais atraentes. Mas não xingar como um ser depravado. Mulher tem que ter pudor para saber como não tê-lo nas horas certas. Mulher não precisa saber cozinhar. Mas cabem algumas tentativas frustradas.

Mulher tem no sorriso uma arma capaz de acabar com qualquer exército. E possui no choro capacidade de acalmar qualquer rapaz emburrado. As bonitas que me desculpem, mas lindas são as mulheres inteligentes. Mulher tem que ser interessante. Mas nunca interesseira. Imperfeições são sempre bem-vindas. Uns centímetros a mais na cintura. Uns dedos dos pés assimétricos. Um nariz fino demais para teu gosto. E um bunda pequena demais para os padrões brasileiros.

Mulher tem que ter peito. E seios também. Mulher tem que se fantasiar de homem turrão, vez em quando. Mas nunca se esquecer de lacrimejar num filme bobo – mesmo que seja a 18ª que assiste. Mulher tem que saber falar “Eu te amo” e “Eu quero transar”. Mulher tem que saber ser moça da cidade. Mas com olhares de menina do interior. Porque a mulher, rapaz, é um mundo”.

Leia a parte I aqui

Hugo Rodrigues, 24 anos, capricorniano, publicitário e com tatuagens até alma. Refém do sorriso feminino e alguém que nunca acreditou nessa balela de sexo frágil. Escreve seus devaneios em seu Facebook, expõe o que pensa em seu twitter e agora se juntou à equipe do nosso blog. Deem as boas vindas ao Hugo, meninas!

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Mulheres gostam de verdades. Mas não acreditarão fielmente de que seu celular estava sem bateria, de que seus amigos gostam dela ou de que sua ex-namorada não significa mais nada para você. Mulheres gostam de maquiagens sutis e cabelos bem lisos. Mulheres têm olhos angelicais e diabólicos. Ambos funcionarão com você. Ambos te levarão ao céu ou ao inferno. Mulheres são péssimas motoristas. Mas são ótimas condutoras.

Mulheres gostam de tardes de sol e noites de frio. Mulheres só falam de boca cheia quando for para você rir um pouco. Mulheres sabem fazer caretas como ninguém. Mulheres são fieis aos sentimentos e não a um simples estado civil. Apesar de não assumirem, mulheres gostam de ser cuidadas. Mesmo que elas estejam gripadas, com narizes vermelhos e cabelos mal penteados. Mulheres gostam de colo – de dar e receber. Mulheres gostam de cavalheirismos e sacanagens. Ambos têm seus momentos. Mulheres gostam de rosas e de tapas. Ambos têm seus momentos.

Mulheres gostam de ouvir palavras doces. Mas não se surpreenda se ela gostar muito mais do silêncio que o brilho dos seus olhos oferece ao vê-la chegar. Mulheres gostam quando você chega no horário. E gostam mais ainda quando você as espera sem reclamar. Mulheres gostam de elogios sinceros. Se você falar que ela ficou linda naquele vestido vermelho, você estará assinando um termo perpétuo de que toda vez que ela usar aquele vestido vermelho, você tem que elogiá-la. Ela estará vestindo-o para você.

Mulheres não gostam de homens que falam demais. Nem dos que ouvem de menos. Mulheres gostam de perfumes, ciúmes e gargalhadas. Mas odeiam cócegas. Cócegas a deixam vulneráveis. Mulheres gostam de toque, de voz ao pé do ouvido e de carinhos no lóbulo da orelha.

Se uma mulher gosta de você, você estará lindo com tua camisa mais cara ou com tua jaqueta mais brega. Mulheres são mães e filhas. Mas nunca a trate como você se fosse seu pai. Mulheres gostam de igualdade.

Mulheres são inocentes com aqueles pseudo-amigos que – no fundo, no fundo – querem roubar seus beijos. Não discuta. Nem tente ensiná-la a maldade que passeia pela cabeça de alguns meninos. Apenas aceite que a mulher que te acompanha é o sonho de consumo de vários outros por aí – nunca se esqueça disso. Essa é a lição mais importante que você tem que aprender.

Hugo Rodrigues, 24 anos, capricorniano, publicitário e com tatuagens até alma. Refém do sorriso feminino e alguém que nunca acreditou nessa balela de sexo frágil. Escreve seus devaneios em seu Facebook, expõe o que pensa em seu twitter e agora se juntou à equipe do nosso blog. Deem as boas vindas ao Hugo, meninas!

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