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Status: morrendo de raiva de mim mesma. Como fui tão burra? Eu te amava sabia?! Agora estou aqui, voltando pra minha casa, pro meu mundo, tentando entender como pude acreditar em você, na nossa história. Como pude fazer todas as tuas vontades?! QUE RAIVA!

Poxa, cara, eu me entreguei de verdade e muito além do corpo. Doei de bandeja a minha alma, minhas manias e meus segredos, ou seja tudo o que realmente importa. Fui sua. Sua, idiota! Fui sua idiota.

Eu cheguei a alertar para o risco que você corria ao me perder. Ainda tive a compaixão de te avisar, pois sabia que, no fundo, você sempre precisaria de mim. Um cara frágil, covarde, que sempre dependeu da mãe pra tudo, dos amigos para se sentir forte, do espelho para se autoafirmar. E eu, burra, tentei resgatá-lo, abrir o mundo, ensinar que a vida é muito maior que o teu quarto. Burra, burra, burra.

Mas é assim, a gente se apaixona por caras errados também. Insiste, porque não consegue se enxergar longe. E eu não sei ser diferente. Não sei me entregar pela metade. Cometo meus erros, mas só assim me sinto honesta comigo mesma.

Eu me encantei por esse jeito moleque, aquela vibe gostosa, uma certa liberdade de viver, de saborear as horas de uma forma intensa. Uma delícia indigesta. Mas o descompromisso cobra caro quando você cresce. E uma hora a gente precisa crescer. Mesmo que seja sozinha.

Não tem como dar certo quando você planeja por dois, ama por dois. Minha preocupação sempre foi plural e o teu egoísmo, singular. Te liga, cara, você não vai a lugar nenhum desse jeito. Aprende que a vida é muito mais do que quebrar corações por aí. Sei que não fui a primeira e nem a última a tropeçar no teu sorriso, mas uma hora você vai querer tudo aquilo que um dia ignorou.

E se quer mesmo saber, o único idiota aqui é você. Que não soube valorizar o que tinha. Já eu? Aprendi a cair, me levantar, e continuar vivendo. E que a vida é muito mais do que sofrer por alguém que não dá a mínima. 

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Status: morrendo de raiva de mim mesma. Como fui tão burra? Eu te amava sabia?! Agora estou aqui, voltando pra minha casa, pro meu mundo, tentando entender como pude acreditar em você, na nossa história. Como pude fazer todas as tuas vontades?! QUE RAIVA!

Poxa, cara, eu me entreguei de verdade e muito além do corpo. Doei de bandeja a minha alma, minhas manias e meus segredos, ou seja tudo o que realmente importa. Fui sua. Sua, idiota! Fui sua idiota.

Eu cheguei a alertar para o risco que você corria ao me perder. Ainda tive a compaixão de te avisar, pois sabia que, no fundo, você sempre precisaria de mim. Um cara frágil, covarde, que sempre dependeu da mãe pra tudo, dos amigos para se sentir forte, do espelho para se autoafirmar. E eu, burra, tentei resgatá-lo, abrir o mundo, ensinar que a vida é muito maior que o teu quarto. Burra, burra, burra.

Mas é assim, a gente se apaixona por caras errados também. Insiste, porque não consegue se enxergar longe. E eu não sei ser diferente. Não sei me entregar pela metade. Cometo meus erros, mas só assim me sinto honesta comigo mesma.

Eu me encantei por esse jeito moleque, aquela vibe gostosa, uma certa liberdade de viver, de saborear as horas de uma forma intensa. Uma delícia indigesta. Mas o descompromisso cobra caro quando você cresce. E uma hora a gente precisa crescer. Mesmo que seja sozinha.

Não tem como dar certo quando você planeja por dois, ama por dois. Minha preocupação sempre foi plural e o teu egoísmo, singular. Te liga, cara, você não vai a lugar nenhum desse jeito. Aprende que a vida é muito mais do que quebrar corações por aí. Sei que não fui a primeira e nem a última a tropeçar no teu sorriso, mas uma hora você vai querer tudo aquilo que um dia ignorou.

E se quer mesmo saber, o único idiota aqui é você. Que não soube valorizar o que tinha. Já eu? Aprendi a cair, me levantar, e continuar vivendo. E que a vida é muito mais do que sofrer por alguém que não dá a mínima. 

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aceita-que-perdeu-2

Homem tem uma dificuldade de aceitar que acabou, de assimilar a queda. Perdeu, cara! E o pior de tudo é que foi você quem não quis continuar. Tá doendo? Pois é, sei bem o que é isso. Agora engole o choro e vai em frente. 

Que mania feia essa de vocês homens ficarem se autoafirmando toda hora. Precisam sair por cima. Não admitem quando uma mulher rejeitada supera fácil o fim do namoro, né? Fácil uma pinoia, só eu sei o quanto eu chorei, o quanto enchi minhas amigas com lamúrias, o quanto demorei pra sair desse quarto. Eu te amava, cara. Agora é você quem vai roer o osso da saudade.

Não adianta ficar posando com periguetes no facebook, ou falar para os amigos que você está pegando todas. Sair como um solteiro convicto, terminar a noite com a mais baranga de todas e, se não bastasse, dar em cima das minhas amigas. Sério, quantos anos você tem? Vê se cresce, viu. Eu já me cansei desse seu jeitinho Peter Pan.

Doeu, mas passou. Lógico que não te esqueci, não tem como esquecer. Diferente de você, eu valorizo quem um dia me fez feliz. Mas o vazio da decepção ainda grita no meu peito. Prefiro não lembrar e por isso decidi viver. Não sei o que aconteceu e agora nem quero entender. Passou, cara. Passado. Vê se entende isso.

Eu tô muito bem, de verdade. Percebi o quanto fui burra perdendo tempo com um idiota que só pensa em si mesmo e agora não suporta me ver feliz. O que foi? Descobriu que a minha felicidade vai além do teu quarto? Eu também. Acredite. Aceita que dói menos.

Fico imaginando a sua cara de pastel quando me enxerga mais magra, linda, gostosa e cheia de opções. Não tenho raiva de você, tenho pena. Agora é você quem vai olhar para o lado da cama e perder o sono. A vida é feita de escolhas e você me descartou como um chinelo usado. Agora aguenta. Eu superei, e me tornei melhor. Sou grata pelo seu pé na minha bunda, pois realmente me empurrou pra frente. Aquela menina boba que só sabia rastejar aos seus pés? Deu lugar a uma mulher que sabe o que quer.

Fique aí com a sua raiva e o seu ciúme doentio, escondidos nessa armadura frágil que você mesmo criou. O seu arrependimento está lhe corroendo as veias, lhe consumindo a pele. Um legítimo caso de orgulho ferido. Ferido pelo próprio orgulho. Um homem derrotado pelas próprias atitudes. 

Por vezes não entendemos quando termina, mas aí vem o destino nos provar que estávamos cometendo o maior dos erros: Impedir que a felicidade nos dê o direito de escolher. Podemos amar, viver, surtar, ficar na solidão ou simplesmente estar bem consigo mesma. Fiquei presa e agora me libertei. Aliás, você me libertou. Grata!

Seja feliz, assim como eu estou. Isso se for possível e se você conseguir aceitar que estou melhor que você. Se não aceitar, tudo bem. Então chore, mas não me peça consolo, pois estarei muito ocupada sorrindo.

E não, esse meu sorriso não é para te mostrar o quanto eu estou bem. É para me mostrar que eu vivo bem sem você. 

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aceita-que-perdeu

Homem tem uma dificuldade de aceitar que acabou, de assimilar a queda. Perdeu, cara! E o pior de tudo é que foi você quem não quis continuar. Tá doendo? Pois é, sei bem o que é isso. Agora engole o choro e vai em frente. 

Que mania feia essa de vocês homens ficarem se autoafirmando toda hora. Precisam sair por cima. Não admitem quando uma mulher rejeitada supera fácil o fim do namoro, né? Fácil uma pinoia, só eu sei o quanto eu chorei, o quanto enchi minhas amigas com lamúrias, o quanto demorei pra sair desse quarto. Eu te amava, cara. Agora é você quem vai roer o osso da saudade.

Não adianta ficar posando com periguetes no facebook, ou falar para os amigos que você está pegando todas. Sair como um solteiro convicto, terminar a noite com a mais baranga de todas e, se não bastasse, dar em cima das minhas amigas. Sério, quantos anos você tem? Vê se cresce, viu. Eu já me cansei desse seu jeitinho Peter Pan.

Doeu, mas passou. Lógico que não te esqueci, não tem como esquecer. Diferente de você, eu valorizo quem um dia me fez feliz. Mas o vazio da decepção ainda grita no meu peito. Prefiro não lembrar e por isso decidi viver. Não sei o que aconteceu e agora nem quero entender. Passou, cara. Passado. Vê se entende isso.

Eu tô muito bem, de verdade. Percebi o quanto fui burra perdendo tempo com um idiota que só pensa em si mesmo e agora não suporta me ver feliz. O que foi? Descobriu que a minha felicidade vai além do teu quarto? Eu também. Acredite. Aceita que dói menos.

Fico imaginando a sua cara de pastel quando me enxerga mais magra, linda, gostosa e cheia de opções. Não tenho raiva de você, tenho pena. Agora é você quem vai olhar para o lado da cama e perder o sono. A vida é feita de escolhas e você me descartou como um chinelo usado. Agora aguenta. Eu superei, e me tornei melhor. Sou grata pelo seu pé na minha bunda, pois realmente me empurrou pra frente. Aquela menina boba que só sabia rastejar aos seus pés? Deu lugar a uma mulher que sabe o que quer.

Fique aí com a sua raiva e o seu ciúme doentio, escondidos nessa armadura frágil que você mesmo criou. O seu arrependimento está lhe corroendo as veias, lhe consumindo a pele. Um legítimo caso de orgulho ferido. Ferido pelo próprio orgulho. Um homem derrotado pelas próprias atitudes. 

Por vezes não entendemos quando termina, mas aí vem o destino nos provar que estávamos cometendo o maior dos erros: Impedir que a felicidade nos dê o direito de escolher. Podemos amar, viver, surtar, ficar na solidão ou simplesmente estar bem consigo mesma. Fiquei presa e agora me libertei. Aliás, você me libertou. Grata!

Seja feliz, assim como eu estou. Isso se for possível e se você conseguir aceitar que estou melhor que você. Se não aceitar, tudo bem. Então chore, mas não me peça consolo, pois estarei muito ocupada sorrindo.

E não, esse meu sorriso não é para te mostrar o quanto eu estou bem. É para me mostrar que eu vivo bem sem você. 

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Procura-se uma pessoa inexistente, amor incurável, saudade que preenche, sem aquela dor do vazio.

Procura-se um jeito viril, toque rude e beijo suave.

Aquele caminhar decisivo, um olhar interrogativo, mas de frases conclusivas.

Procura-se uma companhia agradável, alguém que goste de animais, e trate bem sua família.

Procura-se alguém que dirija o meu carro, e o meu destino.

Alguém que seja proprietário das minhas emoções, inquilino do meu coração.

 

Procura-se uma paz de espírito infantil, um riso descontrolado, um mergulho na saciedade dos olhos.

Uma convivência que acolha, uma despedida que nunca chegue, um reencontro sempre esperado.

Procura-se um arco-íris cobrindo meu céu de certezas, dias ensolarados no lar, chuva de sensações sob nossas paredes. Procura-se êxtase ao atravessar a porta, descoberta do tato, nova percepção do olfato.

 

Procura-se sintonia, o sexto sentido do amor.

Paixão mútua e declarada, parceria de defeitos e simplicidade nos lençóis.

Música perfeita para os ouvidos do corpo, dança das almas no despertar de um sentimento.

Procura-se o sono dos anjos, o sexo insano, o crepúsculo das vontades.

Procura-se um desejo incontrolável.

 

Procura-se beleza na rotina, uma saudade irresistível, um olhar tranquilo.

Uma calma suprema, uma indignação justa, uma revolta com méritos.

Procura-se aquele orgulho de se pertencer, autonomia da posse, dominação sexual consentida.

Procura-se alguém, aquele alguém, que será dono de mim, por completo.

 

Procura-se. Cadê você?

 

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Procura-se uma pessoa inexistente, amor incurável, saudade que preenche, sem aquela dor do vazio.

Procura-se um jeito viril, toque rude e beijo suave.

Aquele caminhar decisivo, um olhar interrogativo, mas de frases conclusivas.

Procura-se uma companhia agradável, alguém que goste de animais, e trate bem sua família.

Procura-se alguém que dirija o meu carro, e o meu destino.

Alguém que seja proprietário das minhas emoções, inquilino do meu coração.

 

Procura-se uma paz de espírito infantil, um riso descontrolado, um mergulho na saciedade dos olhos.

Uma convivência que acolha, uma despedida que nunca chegue, um reencontro sempre esperado.

Procura-se um arco-íris cobrindo meu céu de certezas, dias ensolarados no lar, chuva de sensações sob nossas paredes. Procura-se êxtase ao atravessar a porta, descoberta do tato, nova percepção do olfato.

 

Procura-se sintonia, o sexto sentido do amor.

Paixão mútua e declarada, parceria de defeitos e simplicidade nos lençóis.

Música perfeita para os ouvidos do corpo, dança das almas no despertar de um sentimento.

Procura-se o sono dos anjos, o sexo insano, o crepúsculo das vontades.

Procura-se um desejo incontrolável.

 

Procura-se beleza na rotina, uma saudade irresistível, um olhar tranquilo.

Uma calma suprema, uma indignação justa, uma revolta com méritos.

Procura-se aquele orgulho de se pertencer, autonomia da posse, dominação sexual consentida.

Procura-se alguém, aquele alguém, que será dono de mim, por completo.

 

Procura-se. Cadê você?

 

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amor-de-uma-noite-2

 

Não acreditava que isso fosse possível. Não sei se foi amor, se foi paixão, ou algum sentimento não-identificável. Só sei que foi bom. Alguns momentos não precisam de rótulos, ou definições. Sensações que não devemos explicar, apenas sentir. Ignorar qualquer racionalidade que venha nos questionar sobre o que precisa acontecer depois. Existem situações na vida da gente que são como uma pausa no tempo, uma brecha na existência para um mergulho de desatino. E foi isso que aconteceu comigo.

Estava eu lá naquela festa, meio perdida. Aliás, estou tentando me encontrar já há algum tempo. Como alguns caminhos tem vida própria, fui levada por uma amiga para aquele pub que eu não costumava frequentar, exatamente no dia em que eu não estava a fim de sair. Fui. Saí mais para tirar meu corpo da inércia, carregar minha alma para que a vida noturna pudesse me animar um pouco. Não estava em fossa ou algo do tipo, só um pouco cansada de esperar sempre mais dos relacionamentos. Queria ficar sozinha, sabe? Comigo, com meus seriados e minhas músicas. Tem vezes em que a gente procura não achar. Mas o destino sempre tem outros planos.

Enquanto tomava uma taça de clericot, a primeira troca de olhares. Imediatamente aquela inquietação no corpo. Levantei a sobrancelha, olhei pra baixo, buscando uma resposta para aquela sensação esquisita. Um novo olhar e lá estava ele ainda me encarando. De repente ele ergueu o copo de cerveja, como quem faz um brinde e abriu um sorriso. E que sorriso. Paralisei. A primeira coisa que pensei: “eu devia ter me arrumado melhor”. E na sequência, comecei a me fazer uma série de perguntas, como uma louca: “Que calcinha eu estou usando?” “Droga, por que não passei mais perfume?” Até que percebi o quanto estava sendo idiota. Empinei a taça de clericot e quase me engasguei. Minha amiga me olhou espantada e a única coisa que consegui dizer foi: “preciso ir ao banheiro”.

Na verdade eu precisava de um ar, precisava fugir. Isso nunca tinha me acontecido. Ser dominada por uma vulnerabilidade indecifrável era novo pra mim. Respirei fundo e voltei pra festa, renovada. Até que avisto o rapaz conversando com a minha amiga, com várias pessoas ao redor da nossa mesa. Foi então que pude observá-lo. Era bonito. Mais do que isso, tinha um charme, um porte e um sorriso que me fazia querer morar nele. Me aproximei e descobri que ele conhecia minha amiga. Fomos apresentados e de cara ele mostrou interesse. Disfarcei, mas eu não podia evitar. Ele mexia comigo.

Começamos a conversar, depois dançamos, ora afastados, ora juntos e foi como se tivéssemos feito um acordo mútuo de que estávamos juntos naquela noite. Poderíamos aproveitar, mas já estávamos ligados. Um conexão inexplicável, uma empatia repentina e muito forte ao mesmo tempo. Aproveitei o embalo. Bebemos, rimos e me diverti como há tempos não acontecia. Esqueci do mundo e apenas me deixei levar. Até demais.

Um beijo, um abraço apertado, uma vontade de parar o tempo. Nem percebi o que estava fazendo. Um quarto de motel, uma música alta, champagne, uma banheira e um sonho colorido. Um sono profundo, um despertar sorrindo e a certeza de que eu não seria mais a mesma mulher. Não raciocinei, mal consegui pensar no que estava fazendo. Só queria atender aos desejos do meu corpo, da minha boca, que não parava de beijar aquele homem.

Cheguei em casa e o sol já se apresentava para um novo dia. De vez em quando, me pego sorrindo de lado, pensando naquela noite. Nunca mais o vi, mas também não fiz questão de encontrá-lo. Foi tão bom me libertar por algumas horas. Talvez um dia a gente se encontre, mas eu não crio essa expectativa. Ele surgiu para me fazer feliz naquele momento. Aprendi que minha vontade tem vida própria e que podemos abrir algumas exceções na vida, se houver transparência dos sentimentos. Me entreguei sim, me doei e amei sim, mesmo que por algumas horas.

Foi apenas uma noite, mas o suficiente para me modificar por inteira.

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amor-de-uma-noite

 

Não acreditava que isso fosse possível. Não sei se foi amor, se foi paixão, ou algum sentimento não-identificável. Só sei que foi bom. Alguns momentos não precisam de rótulos, ou definições. Sensações que não devemos explicar, apenas sentir. Ignorar qualquer racionalidade que venha nos questionar sobre o que precisa acontecer depois. Existem situações na vida da gente que são como uma pausa no tempo, uma brecha na existência para um mergulho de desatino. E foi isso que aconteceu comigo.

Estava eu lá naquela festa, meio perdida. Aliás, estou tentando me encontrar já há algum tempo. Como alguns caminhos tem vida própria, fui levada por uma amiga para aquele pub que eu não costumava frequentar, exatamente no dia em que eu não estava a fim de sair. Fui. Saí mais para tirar meu corpo da inércia, carregar minha alma para que a vida noturna pudesse me animar um pouco. Não estava em fossa ou algo do tipo, só um pouco cansada de esperar sempre mais dos relacionamentos. Queria ficar sozinha, sabe? Comigo, com meus seriados e minhas músicas. Tem vezes em que a gente procura não achar. Mas o destino sempre tem outros planos.

Enquanto tomava uma taça de clericot, a primeira troca de olhares. Imediatamente aquela inquietação no corpo. Levantei a sobrancelha, olhei pra baixo, buscando uma resposta para aquela sensação esquisita. Um novo olhar e lá estava ele ainda me encarando. De repente ele ergueu o copo de cerveja, como quem faz um brinde e abriu um sorriso. E que sorriso. Paralisei. A primeira coisa que pensei: “eu devia ter me arrumado melhor”. E na sequência, comecei a me fazer uma série de perguntas, como uma louca: “Que calcinha eu estou usando?” “Droga, por que não passei mais perfume?” Até que percebi o quanto estava sendo idiota. Empinei a taça de clericot e quase me engasguei. Minha amiga me olhou espantada e a única coisa que consegui dizer foi: “preciso ir ao banheiro”.

Na verdade eu precisava de um ar, precisava fugir. Isso nunca tinha me acontecido. Ser dominada por uma vulnerabilidade indecifrável era novo pra mim. Respirei fundo e voltei pra festa, renovada. Até que avisto o rapaz conversando com a minha amiga, com várias pessoas ao redor da nossa mesa. Foi então que pude observá-lo. Era bonito. Mais do que isso, tinha um charme, um porte e um sorriso que me fazia querer morar nele. Me aproximei e descobri que ele conhecia minha amiga. Fomos apresentados e de cara ele mostrou interesse. Disfarcei, mas eu não podia evitar. Ele mexia comigo.

Começamos a conversar, depois dançamos, ora afastados, ora juntos e foi como se tivéssemos feito um acordo mútuo de que estávamos juntos naquela noite. Poderíamos aproveitar, mas já estávamos ligados. Um conexão inexplicável, uma empatia repentina e muito forte ao mesmo tempo. Aproveitei o embalo. Bebemos, rimos e me diverti como há tempos não acontecia. Esqueci do mundo e apenas me deixei levar. Até demais.

Um beijo, um abraço apertado, uma vontade de parar o tempo. Nem percebi o que estava fazendo. Um quarto de motel, uma música alta, champagne, uma banheira e um sonho colorido. Um sono profundo, um despertar sorrindo e a certeza de que eu não seria mais a mesma mulher. Não raciocinei, mal consegui pensar no que estava fazendo. Só queria atender aos desejos do meu corpo, da minha boca, que não parava de beijar aquele homem.

Cheguei em casa e o sol já se apresentava para um novo dia. De vez em quando, me pego sorrindo de lado, pensando naquela noite. Nunca mais o vi, mas também não fiz questão de encontrá-lo. Foi tão bom me libertar por algumas horas. Talvez um dia a gente se encontre, mas eu não crio essa expectativa. Ele surgiu para me fazer feliz naquele momento. Aprendi que minha vontade tem vida própria e que podemos abrir algumas exceções na vida, se houver transparência dos sentimentos. Me entreguei sim, me doei e amei sim, mesmo que por algumas horas.

Foi apenas uma noite, mas o suficiente para me modificar por inteira.

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como-escapar-da-famosa-friendzone

Existe amizade entre homem e mulher? Lógico que sim. É perfeitamente possível sexos opostos cultivarem uma relação de parceria, afinidades e confidências. Mas cuidado! Dependendo do grau de intimidade adquirida, os dois correm um risco muito grande e que pode mudar suas vidas para sempre. Risco de se apaixonar.

 

Toda amizade é uma forma de amor. Sentimento puro, com ausência de malícia e que aproxima duas pessoas em torno de uma lealdade única. O problema é que, mesmo amigos, jamais deixam de ser um homem e uma mulher. O instinto precisa estar adormecido, para não atrapalhar a confiança mútua de um respeito absoluto. Em geral, esse acordo telepático ocorre de uma forma natural, mas coração é traiçoeiro e não escolhe hora, nem momento para bater mais forte. Aquela voz tão conhecida, aquele colo fiel, aquele sorriso consolador às vezes confunde a gente. Somos humanos e falíveis, ainda mais no que diz respeito às nossas emoções.

 

Quando há o interesse, normalmente pegamos o caminho mais fácil para a aproximação: a amizade. Porém, nunca se esqueça, ao ingressar na “Friendzone”, a única saída será uma ruptura dos laços. Depois da confiança conquistada, não há como voltar atrás. Nesse caso, o risco é extremo, quase fatal. Ou se aposta tudo na vontade e no sentimento, ou desiste de tudo, até mesmo do contato visual. O amor tem seus perigos e desatinos e apaixonar-se por um amigo é uma roleta-russa sentimental.

 

Geralmente o risco da “Friendzone” é do homem. Como em qualquer situação nesse mundo, as mulheres sempre estão no controle. Se ela quiser, o cara será dela. Pelo menos por uma noite, ou simplesmente num beijo roubado. A mulher tem a capacidade de comandar os limites da “Friendzone”, ela sabe o quanto pode abusar sexualmente do seu amigo e, ainda assim, manter a amizade. No entanto, com algumas cores a mais. O homem não tem esse poder. Se ele quiser, terá de fazer uma escolha. Ou a amiga ou o desejo.

 

O amigo é confidente. Ela revela a ele todas as suas decepções amorosas, seus anseios e demonstra – mesmo sem querer – suas mais íntimas fraquezas. Ele se envolve, quer ajudar, sente que pode ajudar. Quando se dá conta, percebe que as lágrimas da amiga o incomodam de uma forma estranha e que aquele sorriso tornou-se, não mais que de repente, o seu maior presente. Acorda pensando nela, as primeiras mensagens do dia são trocadas com ela, a voz no telefone afaga, é familiar e tudo que ele vai fazer passa por ela, depende dela.

 

Para escapar da “Friendzone”, é preciso demonstrar interesse logo de cara. Mais do que isso, é necessário criar uma certa distância intimidatória. Ao cruzar a linha imaginária imposta por ele, ela saberá que corre o risco de ultrapassar os limites da amizade. O contato físico deve ser masculino, jamais fraternal. A mulher sente a intenção no tato, no tom de voz, no beijo no rosto. A malícia deve estar presente, mesmo que de forma sutil, para mostrar que a “Friendzone” está bem longe dos dois.

 

Se em algum momento na vida, você, meu amigo, pretende estar com uma amiga sua, faça a lhe enxergar como homem. A mulher consegue transformar alguns rapazes especiais da vida dela em seres assexuados. Após colocá-los no altar dos confiáveis, ela simplesmente não consegue mais desejá-los. As mulheres separam os homens de bem, dos possíveis candidatos. A desconfiança feminina vem de meses ou anos de tombos sentimentais, então ela sempre vai achar que pode ser traída ou não ter a sinceridade ideal de um futuro parceiro. Quando ela confia no sexo oposto, é porque a sexualidade foi extinta da relação, pelo menos pra ela. Uma coisa é conquistar a confiança de uma mulher estando com ela. Antes disso, ela precisa desconfiar de você. Isso incrivelmente fará com que ela permaneça atraída.

 

Amizade entre homem e mulher existe, mas está sempre sob suspeita, especialmente por conta dos nossos corações atrapalhados.
 


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“Qual o seu número?” Pergunta que sempre queremos fazer, mas que nunca gostamos da resposta. Dúvida cruel, angústia da insegurança, ponto de interrogação que pode ser parênteses, ou – dependendo da situação – um ponto final na relação. Quantos já cruzaram a geografia do teu corpo? Quais marcaram mais? A ignorância realmente é uma benção.

Como é difícil aceitar que a pessoa com quem você está se relacionando existia antes do primeiro encontro. Só consigo lembrar da música do Luis Miguel, pedindo que "No me platiques más", afinal “antes de conocernos, se que has tenido horas felices aun sin estar conmigo”. Duro imaginar que alguém a fez feliz algum dia. Sexualmente, inclusive.

O que é pior? Ignorar que ela já foi tocada por outro homem e ficar imaginando que esse amor, hoje entregue a mim, já foi de um coração qualquer. Ou então conversar abertamente, revelar histórias, dividir experiências e confirmar que não fui o único a arrancar um sorriso daquela linda face. Triste indecisão. E a disputa machista de que o homem deve ser mais experiente. Ele sempre aumenta um pouquinho, com medo de parecer ingênuo. Ela, dependendo do caso, diminui levemente a conta para não espantar o seu amado. Outras vezes, a conversa é telepática, existe um limite do que pode ou deve ser perguntado. Palavras são desnecessárias.

Lógico que os relacionamentos passados nos fazem aprender com os erros. Amadurecemos e construímos a nossa felicidade, exatamente pela oportunidade de fazermos tudo diferente. Mas quando o sentimento cria forma, queremos uma exclusividade atemporal, que atinja presente e passado. É como se eu quisesse ouvir que ela só esteve com alguém antes, pois não teve a chance de me conhecer. E utilizamos isso para nos enganar, amenizando a raiva de não ser onipresente, de não ser o primeiro e o último, de não velar seu sono todas as noites, de não poder abraçá-la nos momentos em que ela mais precisou. O destino nos cruzou mais tarde, sem dúvida na hora certa, mas explica isso pra impulsividade do corpo.

Sim, tive minha vivência também, cometi muitas loucuras, algumas das quais não posso revelar nem a mim mesmo. É justo então avaliar que ela não deveria ter vivido o que viveu, sentido o que sentiu? Claro que não, mas é uma sensação magnânima, superior e indecifrável. E se ela é mais experiente do que eu? E se aquele truque na cama, ela aprendeu com aquele ex-namorado que eu detestava? Vou imaginar ele se gabando no meu ouvido, dizendo que tudo isso ele já fez com ela. Por que não sabemos lidar com isso? É uma tormenta infantil, desnecessária e irracional. Renato Russo já tinha a resposta: “Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração”.

Ainda acho que o melhor é deixar tudo naquele lugar chamado passado. Começar uma história do zero e ter a consciência de que as experiências passadas ajudaram a construir a pessoa pela qual você se apaixonou. Ela não é apenas um rosto, uma boca, uma atração física, ou uma boa conversa, coberta de afinidades envolventes. Não. Cada pessoa traz consigo uma história de vida, com emoções sentidas, decepções sofridas, alegria e tristeza, lapidando sua essência, transformando o caráter e a conduta com o passar dos anos. No entanto, basta um primeiro beijo entre ambos, que surge uma nova jornada. São duas bagagens, juntas, no mesmo porta-malas do carro, partindo numa viagem a dois, por um caminho ainda não percorrido.

Mesmo assim, a esperança ainda reside na canção. “Déjame imaginar que no existe el pasado y que nacimos el mismo instante en que nos conocimos.” Deixe-me imaginar que não existe o passado, e que nascemos no mesmo instante em que nos conhecemos.

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