Tudo e Todas as Coisas, filme baseado no livro homônimo de Nicola Yoon, estreia essa semana nos cinemas

“A vida é um dom. Não esqueça de vivê-la.”

 Tudo e Todas as Coisas foi um livro que me fez ficar sem reação ao terminar a leitura. Eu não sabia descrever o que estava sentindo, não sabia se ria ou se chorava, nem sobre qual mensagem refletir primeiro. São muitas as reflexões que a autora Nicola Yoon nos proporciona e eu realmente não sabia como começar a falar sobre essa história. Agora, na semana de lançamento da adaptação cinematográfica, resolvi vir falar um pouco sobre esse livro que tanto me encantou e, quem sabe, convencer vocês a lerem e assistirem ao filme. A capa e o pôster parecem não adiantar muita coisa, porém a sinopse e o trailer fazem com que pareça apenas mais um romance jovem adulto. Garanto que a história vai muito além disso.

Primeira edição do livro no Brasil (Editora Novo Conceito)

Madeline (interpretada no cinema por Amandla Stenberg, nossa eterna Rue de Jogos Vorazes) é uma garota de 18 anos que possui a IDCG, uma doença rara que a faz ser alérgica a uma infinidade de coisas. Por conta disso, desde que era um bebê, Maddy não pode fazer coisas simples como sair de casa. Tudo lá é equipado para fazê-la se sentir bem, para que nada do lado de fora possa afetá-la. Até o dia em que Maddy ganha novos vizinhos e entre eles está Olly, um garoto que deve ter mais ou menos a sua idade e que acaba despertando seu interesse. Ele e sua irmã mais nova dão o primeiro passo na tentativa de uma amizade, mas Maddy tem certeza de que isso não vai acontecer. Talvez ela esteja errada.

É maravilhosa a maneira como a autora consegue tornar o leitor próximo de sua protagonista. Os pensamentos e os desejos de Maddy são sempre apresentados para nós através de uma profunda narrativa em primeira pessoa que nos faz, a partir de determinada parte da leitura, já esperar algo da protagonista. É como se já a conhecêssemos tão bem que a sensação de compreender Maddy e ansiar por suas atitudes e pensamentos  torna tudo ainda mais envolvente.

Um ponto muito alto do livro são as frases marcantes e as reflexões que nos acompanham do início ao fim. A autora possui essa característica de fazer o leitor pensar além do que foi dito e ainda procurar um sentido no que  permanece nas entrelinhas. Digo isso com certeza e admiração, ainda mais depois de ter lido O Sol Também é uma Estrela (segundo livro publicado da autora, que se tornou uma das minhas leituras favoritas desse ano).

Segunda edição do livro no Brasil (Editora Arqueiro)

Muita descrição não é necessária quando os diálogos carregam a personalidade dos protagonistas. Acaba sendo muito fácil imaginar cada um deles sem saber muito sobre suas fisionomias e a forma como cada um acrescenta algo na vida de Maddy torna a leitura ainda mais proveitosa. Carla (que no filme se chama Rosa e é interpretada por Danube R. Hermosillo) é, sem dúvidas, a personagem que mais se destaca.Ela trabalha na casa de Maddy e acaba se tornando sua única amiga ao longo dos anos. Sua presença é especial e seu carisma a torna cativante, ao contrário do que acontece com Pauline (Anika Noni Rose), a mãe de Maddy, que é uma personagem bem difícil de se lidar e entender, digamos assim. Olly (Nick Robinson) sem dúvidas é um personagem que nos ganha logo em seus primeiros momentos pelo modo como faz bem para Maddy. Quando nos damos conta de que ele pode trazer um diferencial para a vida da personagem que tanto adoramos, colocamos todas as expectativas nele e esperamos grandes mudanças. Kara (Taylor Hickson), sua irmã, acaba aparecendo pouco, porém logo conseguimos decifrá-la e somos conquistados por ela também. Temos outros personagens que conhecemos ao longo da leitura e que, mesmo que eu não os mencionem, posso garantir que acrescentam algo para o enredo e, principalmente, para o amadurecimento de nossa protagonista.

“Tudo é um risco. Não fazer nada é um risco. A decisão é sua.”

Tudo e Todas as Coisas veio para lembrar a importância de valorizar cada momento de nossas vidas, e é por isso que eu peço que deem uma oportunidade para o livro, principalmente. A adaptação estreia na próxima quinta-feira, dia 15 de junho, e espero que tenham captado toda a essência da história. Cada personagem possui seus erros e seus acertos e Nicola Yoon nos lembra que cada coisa que está ao nosso alcance, cada pessoa que conhecemos e cada momento que vivemos são únicos. Não devemos permitir que as poucas coisas ruins se tornem maiores do que as muitas coisas boas. E não podemos deixar que o pensamento de que “temos tempo” nos faça esquecer de que estamos vivos. Se permitam viver, vivam intensamente, e nunca se esqueçam de fazer cada dia valer a pena.

“No início, não havia nada. E então, de repente, havia tudo.”

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Mariana Mortani é uma carioca apaixonada pelo mar. É aquariana, poliglota, vascaína, faixa-verde de karatê, bailarina, desenhista, blogueira e estudante de Jornalismo. Graças ao blog Magia Literária (criado em 2011), teve a oportunidade de mediar diversos eventos de autores nacionais e internacionais, além de ser uma das organizadoras da primeira Feira Literária da Zona Norte do Rio de Janeiro em 2014. Hoje, Mariana se dedica ao blog (magialiteraria.net) e ao canal do YouTube (youtube.com/magialiteraria) e espera continuar espalhando o amor pela literatura por aí.

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