1º – Aceitando o fim!

Todo fim é doloroso, não adianta! Mesmo que te sufoque, mesmo que não tenha sido amor, mesmo que seja você que tenha jogado tudo para o alto, em algum momento você vai acabar sentindo saudades de alguma coisa naquele relacionamento, por que a vida a dois é composta de pequenas cumplicidades e parcerias que impregnam na nossa rotina, e mesmo que a gente vire a página, ainda demora algumas lavagens para eliminar certas manchas.

Mas quando nosso coração se parte ao meio é por que, certamente, fomos cortados de um relacionamento, e muitas vezes essa informação chega até a gente que nem geada de verão. Tá um sol lindo e de repente… BUM! A gente já tá todo molhado, se afogando em lágrimas. Mas mesmo quando nosso relacionamento já vem bambeando, sendo empurrado com a barriga, gerando mais conflitos do que bons momentos, a gente ainda está fadado a sofrer ao final de tudo. Por que a esperança está ligada diretamente ao amor, e por mais sensível que esteja nossa relação, nos esforçamos ao máximo para garantir que nosso esquadrão antibombas corte o fio certo antes da explosão.

Acabou! E agora, José? Os dois principais e mais comuns sentimentos são a tristeza e a raiva. A tristeza é padrão, a gente vai chorar muito sim! Tem quem chore por dias e tem quem demore dias para derrubar a primeira lágrima, e independente disso, precisamos chorar, precisamos respeitar o luto daquela entidade fictícia ‘nós’ que não existe mais. Não sinta vergonha de por tudo para fora, de chorar na frente dos seus amigos, é fundamental para que a gente cresça e nosso corpo aprenda que dali para frente tudo deve seguir melhorando. Já quando a gente sente raiva é sinal que estamos nos auto sabotando. Calma! Tá liberado sentir raiva da pessoa se ela te iludiu, se ela te largou do nada, se ela te trocou ou se ela teve qualquer comportamento estúpido e imaturo. Só que a gente não pode negar toda uma relação, que durou meses e até anos, por causa do fim. Você transformar tudo em raiva (Todos os momentos bons, todos os risos e celebrações, todos os carinhos e presentes) é pegar parte da sua vida e jogar fora. E antes de fazer aquele backup da nossa vida, a gente tem que salvar aquelas coisas que ainda importam, certo? Portanto é fundamental listar mentalmente tudo aquilo que foi aprendido e agregado ao final de um relacionamento, serve muito de apoio a qualquer relação que você vá ter no futuro. E convenhamos, se essa não deu certo é importante que a gente esteja preparado para quando a certa vier, né? Bola para frente!

Depois de uns dias em casa a gente começar a alimentar algumas paranoias. Você sabe bem do que eu estou falando, certo? Elas começam mais ou menos assim: “Mas e se eu…” E eu vou te parar aqui mesmo! Por que ninguém ainda aprendeu a voltar no tempo, então eu sinto muito, mas não tem como mudar o que já foi escrito. Um conselho bom que eu sempre dou é: A vida é escrita à caneta, e quando a gente tenta apagar com o lado azul da borracha a gente rasga a folha. Então sem remoer o passado, combinado? Mas se ficou qualquer coisa pendente, qualquer meio termo no ar, ai tá liberado procurar a pessoa de novo. Só que toda vez que você vê alguém que tecnicamente você não “conhece mais”, você sofre! Então que seja rápido, que seja uma conversa definitiva, que os pingos nos i’s fiquem todos certinhos, e que principalmente, você esteja preparado para ter essa conversa. Para se voltar um relacionamento é preciso muita maturidade e vontade de mudar tudo o que você deveria ter mudado há meses atrás e não mudou, então geralmente acaba mesmo. Aceite!

‘Tudo o que você poderia ter feito para que o relacionamento desse certo foi feito!’ Se você não se identifica com essa frase, então você vai precisar superar a culpa de talvez não ter se entregado totalmente. Mas geralmente a gente se entrega, então se não deu certo é porque não era para ser! Parece clichê, né? Mas às vezes os clichês são excelentes simplificadores da verdade. Você fez tudo que podia, logo a outra pessoa não estava disposta/pronta/afim de ter um relacionamento com você. Isso é o mais importante de se aceitar! Repita para você mesma “Eu aceito que (nome do ser) não me quer” Dói muito sim, mas quando você aceita por completo, você troca de pele, você cresce! Só conseguimos deixar alguém para trás quando aceitamos que nosso relacionamento nunca mais voltará a acontecer. Você consegue! A gente precisa levar uns tapas às vezes, mas os amigos estão ai para isso.

Essa etapa é importantíssima de ser aprendida para que caso o bendito ser humano volte até você com aquela cara de pau e aqueles papinhos sem vergonha, você tenha total maturidade e vigor de apontar o dedo e falar: “A saída é logo ali, Monamu!”.

2º – Desvinculando o ‘eu’ do ‘nós’

Depois de aceitar que um relacionamento acabou a gente se vê naquela sinuca de bico clássica! O que fazer? Afinal, existia ali uma rotina totalmente voltada para uma relação que não existe mais, e de repente somos obrigados a continuar sozinhos, a assumir que certas coisas devem ser preservadas e modificadas, e outras excluídas e substituídas. O mais importante de tudo é entender que não precisamos abdicar de tudo que construímos, não é necessário deletar toda a vida e começar do zero, além do mais ninguém nasceu grudado com ninguém, não é mesmo? Então se você gostava de uma banda, que lembra a pessoa, você pode continuar gostando! Se você gostava de ir a um lugar específico com a pessoa, você pode continuar indo sozinho! Se você gosta de uma série, pessoa, restaurante, livro, qualquer coisa, e essa coisa lembre a pessoa, ainda sim você pode continuar indo lá, frequentando, assistindo, vendo, lendo! Ninguém é obrigado a perder doses de felicidade por que outra pessoa se foi! Vamos ser coerentes e nos permitir ser feliz! Mas claro que, se existe algo que te lembre muito da pessoa, e isto esteja te fazendo mal, não tem problema algum deixar essa coisa de lado por um tempo, até que tudo volte aos eixos, só não desenvolva o ódio que tem pela pessoa pelas coisas que o fazem lembrá-la, se não lhe garanto, será uma vida de poucas possibilidade, e ninguém quer isso!

Novos hobbies precisam ser desenvolvidos, projetos antigos devem ser ressuscitados (eu falei projeto, tá? Ex não é projeto), amigos há muito não vistos devem receber ligações e desejos não realizados precisam voltar à pauta! Aos poucos a gente se encaixa numa nova rotina, num novo mundo, onde seja quem for que tenha partido deixa de fazer tanto sentido, afinal você não é mais a pessoa de meses atrás, e isso é ótimo! Devemos aceitar que a nossa felicidade quem faz é a gente. Que ninguém é motivo de felicidade para ninguém, esse tipo de coisa não existe, a tristeza faz parte, porém a felicidade é desenvolvida e cultivada por nós, sozinhos, seres individuais! Ninguém detém da nossa felicidade, e sozinho podemos muito mais! Sozinhos temos muito mais liberdade para buscar novas possibilidade, somos mais suscetíveis a fazer novas amizades e viajar pelo mundo todo conforme a nossa vontade, a não criar vínculos, a não criar concessões, a ter histórias maravilhosas (não que não exista histórias lindas em um relacionamento, mas ninguém aqui deve ter dispensando a diversão que é uma noite dos solteiros, não é mesmo?)

E se você tem dificuldades de entender e por em prática alguma dessas coisas, é sinal de que talvez você não seja feliz, de que possivelmente você espelhou a felicidade em outra pessoa. E isso destrói qualquer relação! Não existem metades da laranja, precisamos estar inteiros antes de decidirmos seguir ao lado de uma pessoa, que tem outros hábitos, costumes e gostos. Pois estamos sempre sujeitos a cair numa relação perigosa, cheia de ciúmes e inseguranças, cheia de superficialidade e quem sabe até abusiva. Se ame em primeiro lugar, depois encontre alguém (se você quiser) que te proporcione uma ampliação de todas as sensações boas que você já tem vivendo sua vida de solteiro. O amor próprio existe em todo mundo, infelizmente ninguém o domina totalmente, devemos exercitar o fato irrefutável de que você sempre será mais importante para si mesmo do que qualquer indivíduo que você se relacione. Experimente a sensação de se relacionar com alguém bem resolvido estando bem resolvido também, talvez dê certo dessa forma! Mais para sim…

3º – O especial não existe

“Ah, mas ele é especial!” Não, meu amor, não é!

Quem cria essa coisa de ‘especial’ somos nós mesmos, afinal é um conceito relativo, o que é especial para você pode não ser para mim! Tem gente que “Ah, mas ele é tão gentil, abre a porta do carro para mim!”, e tudo bem isso! Mas tem quem diga “Ah, coisa chata fica me tratando como seu fosse quebrar, eu sei me virar!”, e tudo bem também! Não deve ser difícil pensar que existem diversos tipos de relação e que você já presenciou algumas delas, quem sabe até já vivenciou alguns tipos diferentes de relacionamento. Alguns são tão esquisitos que você pensa “Nossa, como que aquele casal ainda está junto? Olha só como eles vivem!”. Cada um com suas manias, né? Mas o conceito de ideal das pessoas varia, e nesse conceito está incluso o que a gente considera especial, e muitas vezes é importante saber bem a fundo o que realmente a gente faz questão de encontrar nas outras pessoas, e o que é mero luxo!

Meu amigo saiu de um relacionamento conturbado com a ideia de que ele estava com a pessoa ideal, por que ela era “especial”. Eu amigavelmente recomendei para ele que pegasse o celular e entrasse no Tinder, lá ele encontraria a maior lista do mundo de pessoas ‘especiais’. Simples, prático e divertido! Muitas vezes a gente fica procurando aquela pessoa fetichizada, achando muitas vezes que o importante é a necessidade de atender nossos requisitos particulares. Muitas vezes a gente nem nota que uma pessoa que está logo ali nos fazendo rir e nos dando apoio é tudo que a gente precisa. Claro que ninguém é obrigado a ficar com quem não tem interesse, mas analisar com carinho o porquê certas pessoas estão despertando interesse em você, e outras não, é um exercício fantástico!

Então é importante que a gente reveja tudo! Não é raro de acontecer de alguém estar com alguém por um único motivo, por uma única qualidade, por um único fetiche que é supervalorizado e que muitas vezes dentro de todo o conjunto não é determinante para se ter uma relação saudável, real e duradoura. A maioria dos alicerces que são construídos em relações de verdade são baseados em pretextos básicos de quem somos, de como vemos o mundo e de como somos felizes. Tem muita gente ainda que acha que a modelo namora o velho rico por dinheiro, e talvez até seja por esse motivo! Mas e se não for? Em ambos os casos retomamos o que já foi dito aqui. O especial quem define é você! (Mesmo que a sociedade te empurre os padrões criados e comercializados por ela)

E se você está acostumado a se relacionar com um tipo x de pessoa, e já se decepcionou diversas vezes, talvez seja a hora de pensar que talvez o ‘perfil’ que você almeja não seja o mais indicado para você. Eu não acho que exista essa coisa dos opostos que se atraem ou de que alguém tem que parecer muito com você para dar certo. Acredito que basta você encontrar alguém que te atraia e te transborde, e principalmente que esteja disposta a viver uma vida com você, que esteja buscando as mesmas coisas que você busca naquele momento. O sucesso no amor está muito mais para a maturidade do que para os perfis pessoais. Garanto!

4º – Lidando com a dor.

A inevitável sensação de vazio que nos invade logo depois de um final! Esse sim é um inevitável sentimento que precisamos saber lidar. Para isso precisamos de maturidade, precisamos de paciência e principalmente de amor próprio. Basicamente a dor da perda está baseada na quebra de rotina, que já foi citado, precisamos desvincular rotinas e costumes e criar novos hobbies e objetivos. Também falei da dor da saudade, em que é preciso chorar, por para fora o peso de se deparar com uma nova fase da vida, que muitas vezes a gente não está preparado para viver, no entanto é preciso! Outra dor é aquela da insegurança, aquela que muitas vezes nos põe contra nos mesmos, nos faz achar que jamais encontraremos alguém de novo, ou que não nascemos para se relacionar. Bom, ela é perigosa!

 

Por mais que a gente seja um poço cheio de insegurança, tenha baixa autoestima e um nível de ciúmes elevadíssimo, é possível ter um relacionamento saudável. Por que todas essas barreiras que lutam contra o romance são passíveis de solução. A gente aprende a viver a dois, seja na prática, na dor ou no estudo. A gente aprende! Mesmo que o fim tenha sido quase que exclusivamente culpa sua, é preciso garantir que aquilo seja uma lição, que cada tropeço se transforme em um novo começo, para que se possa garantir novos relacionamentos com mais maturidade. A culpa pode ser sua, mas isso não significa que você seja ruim ou ‘inamorável’, significa no máximo que você ainda precisa aprender algumas coisas sobre o que é ter uma vida a dois.

A dor da autoestima baixa não sessa, ela persiste e te força a encontrar um novo alguém, mesmo que você não esteja preparado. E isso nos leva a um eterno ciclo vicioso de decepções, que acabam por nos afundar mais ainda na baixa autoestima nos relacionamentos. É preciso ter cuidado! A necessidade de se ter alguém do lado é ilusória, ela simplesmente não existe! Ninguém precisa estar em um relacionamento para ser feliz, já disse mil vezes, e isso não mudará. Se você sente que precisa de um romance para ser feliz ou mais feliz, então você precisa parar tudo na sua vida e entender o que está acontecendo com você, o que está te fazendo não ser totalmente feliz com você mesmo. É preciso nutrir nossa autoestima para garantir sucesso em novos voos.

Seja romântico, mas não vicie em uma vida a dois. Seja você e se encontre antes de permitir que alguém fique. O verdadeiro amor aparece quando estamos felizes, quando somos donos de si mesmo, quando temos total certeza de que não precisamos de ninguém para ser feliz. As dores são passageiras, o tempo se encarrega de lidar com elas. Precisamos mudar, amadurecer e garantir a construção total do nosso caráter, só assim podemos ir além, só assim podemos encontrar pessoas que valham a pena. Ame a si mesmo! E toda vez que se sentir mal ou culpado, se olhe no espelho! Veja o reflexo que lá é emitido, ele é a coisa mais importante que existe na sua vida, não o desaponte por causa de pequenas coisas. A vida vai muito mais além de finais dramáticos.

5º – Deus não fez bilhões para você chorar por um!

O título é autoexplicativo, não é mesmo? Mas vamos lá! Quem foi que te disse que existe só uma pessoa que é a ‘certa’ na sua vida? Tem muita gente que acredita em destino, que em algum momento a pessoa certa vai aparecer, que está tudo escrito e planejado! Bom, se ela vai aparecer cedo ou tarde então vamos nos preparar para encontrá-la, vamos garantir que tudo aconteça! Agora se você acha que a pessoa que te fez chorar, a pessoa que já está mais que comprovada que não foi feita para se relacionar com você é a pessoa da sua vida, então eu vou ter que te dizer, você está errado!

Existem bilhões de pessoas no mundo! Certamente existe pelo menos uma que compartilha dos seus interesses, que está em um mesmo estado evolutivo que você, que está disposta a se entregar, procurando as mesmas coisas que você e que certamente se interessaria por você! Então por que chorar? Pare de perder tempo, a vida é tão curta, vamos aproveitar! Mesmo que você ainda esteja atravessando todas essas fases do luto de um término, se permita viver e ser feliz! Saia de casa, conheça novas pessoas e entregue seus sorrisos a quem merece de verdade!

Garanto que a vida se tornara muito mais leve, que o processo de superação será mais rápido e que coisas boas viram com mais facilidade! O que a gente precisa é só de um coração aberto, um coração livre para que possamos estar disponíveis para as coisas boas que a vida ainda tem a nos oferecer. E caso seja a hora de uma nova jornada, é só garantir um bom café com uma conversa bacana, e tudo vai se resolvendo automaticamente. A realidade é que não existem fórmulas para nada, a vida e as pessoas são extremamente mutáveis e incertas, então não há garantias! Mas com a boa prática e o nosso passado, a gente aprende e adquire experiência, e nada que eu diga aqui vai lhe convencer de nada se você não acreditar que tudo é possível! Acreditar que o amor existe, é lindo e está ai esperando pare ser usado e agraciado por todos.


Independente de quem te fez sofrer, seu amor vale muito mais que isso! E sem pressa, você encontrará novamente quem te prove isso com um simples sorriso!

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24 anos, engenheiro civil por formação e escritor por paixão. Adora uma boa leitura, séries e filmes. Exagerado, admirador do cotidiano e péssimo escritor de perfis.

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