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Do amor nós sempre esperamos poesia, sempre apostamos naquele conto de fadas idealizado pela nossa fantasia. Sim, sonhar é sempre muito bom! Ter convicção de que o amor é real, chega a ser melhor ainda! Mas uma boa dose de pés no chão é fundamental para que nós mesmos não acabemos por destruir a mágica toda. As chances de se encontrar o amor da nossa vida são tão pequenas (digo ‘amor da vida’ apenas como um eufemismo para ‘pessoa ideal’), que não basta apenas encontrar (o que convenhamos já não costuma ser fácil), precisamos estar preparados para receber esse amor e todas as mudanças adjacentes que ele traz apenas existindo por si só. Afinal não queremos perder oportunidades como essa na vida, certo?

 

Quando conheci minha mulher, eu achei que iria estar na pista de dança de um casamento ao som de Bee Gees, e sem querer esbarraria numa desconhecida, a qual me hipnotizaria com os olhos logo a primeira vista. Ou algo do gênero! Pois bem, conheci o amor da minha vida lá no passado, no ensino médio. Estudei dois anos inteiros com ela, eu a via praticamente todas as manhãs, e nunca sequer dei um oi (ou o recebi de volta!). Fui reencontrá-la sete anos depois, já formados e com outros olhos sobre o mundo. (Encontrar que eu digo no Facebook: “Eai moça, lembra de mim?  Vamos tomar uma cerveja qualquer hora!). E a cerveja virou muitas cervejas, no plural. O encontro se repetiu, o beijo se repetiu e até hoje se repete junto aos sorrisos. Não foi o primeiro encontro dos sonhos, tão menos amor a primeira vista, mas nem por isso deixou de ser mágico. E continua sendo uma excelente história de amor!

 

Às vezes esperar demais do mundo nos sobrecarrega de expectativas, e o mais comum é que a maioria delas falhem. Num segundo de tristeza, com a guarda baixa, a gente desacredita no amor, achando que ele nos esqueceu, ou que até não exista! Quando na verdade, ainda nos falta conhecimento (maturidade). A vida a dois é um eterno desafio! Lembro que no começo tinha medo que meu ciúmes acabasse destruindo tudo (Eu sabia que era ciumento, e que precisava melhorar! É um enorme passo admitir. Postura essa herdada fruto de más experiências em relacionamentos passados). Na minha cabeça a solução era fácil: ‘Vou para todos os lugares com ela, assim não haverá motivo para surtar’. Que ingênuo eu! Descobri que o trabalho nos separava muito, os amigos e circunstâncias não eram sempre propícios, e até mesmo tive que me mudar, e ir morar em outra cidade longe dela por dois longos anos. E para não ser um babaca (e acabar entrando na estatística de relacionamentos abusivos), eu aprendi a ceder! Verbo esse essencialmente vinculado ao substantivo confiança. ? preciso entender que se alguém esta conosco, é por que quer! E se por ventura te sacanear em algum momento, isso diz respeito ao caráter dela, não ao seu! Supere isso.

 

Achei que viajaríamos todos os anos, faríamos sessões fotográficas e correríamos domingo de manhã no parque. Não que não tenhamos feito nenhuma dessas coisas, mas nosso amor estava muito mais focado em coisas com comer um miojo com séries no Netflix, tirar selfies sujos de maionese nas hamburguerias da cidade e fazer aquele balanço todo final de mês dos salários que eram pequenos demais para os nossos tão grandes sonhos (isso melhora com o passar dos anos. Amém!), e se você não está preparado para essas coisas, para viver o lado real de uma relação entre dois seres humanos reais, que tem defeitos assim como todos os outros, então você não está pronto! Volte três casas, para os romances de Hollywood, e tente de novo no ano que vem! (Não tenha pressa! No amor não se perde, todo mundo ganha ao final).

 

Com o tempo parei de escrever cartinhas, deixei de dar flores todos os meses, nunca mais apareci com uma caixa de chocolates surpresa. Mas o amor continua ali, nos pequenos gestos. Na janta que eu fiz no dia que ela estava exausta. No quarto dela que eu arrumei sem que ela pedisse, no seriado insuportável que eu assistia com ela só para agradá-la. As coisas mudam sim, mas não deixam de ter o mesmo peso na relação. Quem vê de fora muitas vezes não entende, mas quando você aprende você está apto a exercer essa excelente profissão, de levar felicidade e amor de uma forma unicamente majestosa a outro coração. E isso é mágica. Pode não parecer, mas para a outra pessoa sempre continuará sendo poesia! (E boas poesias nunca morrem!).

8 comentários

24 anos, engenheiro civil por formação e escritor por paixão. Adora uma boa leitura, séries e filmes. Exagerado, admirador do cotidiano e péssimo escritor de perfis.

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  1. Patricia WResponder

    Que liindoo Kauê, amei. Tava com saudade dos seus textos

  2. Kauê de PaulaResponder

    Obrigado, Patrícia sz

  3. Dalva MariaResponder

    Simplesmente perfeito. Amei!

  4. luanda mendesResponder

    Me identifiquei mt com o texto. Principalmente na parte em vc fala que que o amor continua ali, nos pequenos gestos.

  5. Maria EduardaResponder

    Muito bom! Não tem como ler e não se identificar.

  6. Karen Costa Responder

    Perfeito Isa, amei!

  7. Anne Responder

    Lindo demais ! Ameeei

  8. Juliana Responder

    Liiiiindo demais ! c2