Há dez anos atrás eu tinha uma namorada. Éramos extremamente próximos e fazíamos tudo juntos. Ela me acompanhava em todos os momentos da minha vida. Ia comigo a médicos, cabeleireiro e até na academia. Toda série ou filme que eu assistia era com ela. Por mais que eu quisesse ver um episódio novo assim que fosse lançado, eu esperava até estarmos juntos. Quando estávamos separados, ficávamos conversando o tempo todo pelo MSN Messenger – como não existia whatsapp, era o que tinha na época –  ou pelo telefone. Como eu trabalhava durante o dia e estudava à noite, todo o tempo livre que me restava era pra ficar ou falar com ela. Eu havia parado de fazer coisas sozinho. A minha vida era ela. Era estar com ela.

Pois bem, devido a mil problemas familiares, ela resolveu passar 3 meses morando fora para trabalhar em um grande parque de diversões. Por mais que eu tenha insistido para ela não ir, os problemas que ela estava passando em casa foram maiores e ela foi. 

Nesse momento, me bateu um imenso vazio. Eu não sabia o que seria de mim, sei lá. Eu já nem sabia mais quem eu era. O que eu iria fazer?

A angústia que senti nos momentos que precederam a viagem é indescritível. Por um lado, queria ficar a maior parte do tempo possível com ela e por outro sentia tristeza toda vez que a olhava, pois eu sabia que em breve seria a “última vez”.

Sim, última. Eu tinha a autoestima tão baixa que não achava que um namoro de 2 anos poderia resistir à distância por 3 meses. Tinha certeza que seria trocado – e fui, por sinal, mas isso é outra história – e se ela era a minha vida, como eu iria sobreviver? Ainda mais porque ela preencheu o vazio que outra namorada tinha deixado. E sempre que fazemos isso,  meu amigo, não dá nada certo…  Como falei no meu texto anterior. (já leu?!)

E ela se foi. Simplesmente foi embora e levou a minha felicidade junto. Como eu não tinha mais escolhas, fui sobrevivendo. Trabalhando, estudando e tentando ocupar o tempo livre com outras coisas. 

Até que chegou a primeira sexta-feira. Nas sextas, na volta da faculdade eu sempre a buscava, comprávamos alguma comida e bebida e íamos pra minha casa. Víamos filme, namorávamos e ficávamos conversando por horas. Quando passei pela casa dela bateu um vazio, mas eu tinha que ser forte. Passei em um supermercado, comprei três cervejas e um salgadinho de presunto que adoro. Cheguei em casa, tomei um banho, jantei e fui para meu quarto. Resolvi me ocupar pra não ficar mais mal ainda.

Abri a primeira cerveja, deitei na cama e coloquei um filme de ação total. Um daqueles bem “de homem” mesmo, que tem mais tiro que conversa, mulher de biquíni e muito sangue. Os que as mulheres geralmente odeiam.

Eu gostava tanto de filmes assim, e engraçado, fazia tanto tempo que não assistia nada parecido. Pois todo o meu tempo livre era com ela e assistíamos algo que os dois queriam. Geralmente um romance mela cueca. Quando o filme acabou, senti uma sensação estranha: eu estava feliz. Mas como assim, a namorada que eu tanto amava estava em outro continente pela primeira sexta-feira à noite e eu estava feliz? Que m#$$@ era essa?

Depois abri outra cerveja e liguei meu videogame. Nossa, como eu sentia falta dele. Já que todo meu tempo livre era com ela, eu não ia ficar jogando video game e deixá-la assistindo entediada, não é? Então ele estava abandonado, o coitado. Joguei muito, até cansar. Aí peguei mais cervejas, o salgadinho e assisti a um seriado que eu adorava e não via há tempos. E não é que a noite foi boa?

Os dias foram se passando e eu sentia falta, é claro, mas a minha dependência por ela estava cada vez menor. Eu percebi que poderia ser feliz sozinho e não dependia de ninguém pra isso. Percebi que a felicidade estava dentro de mim e não em outra pessoa. 

Depois que terminamos o relacionamento – já que eu havia sido traído – eu fiquei bem. Aliás, continuei bem. 

Tive outros relacionamentos após esse, e todos foram MUITO diferentes. Eles funcionaram bem, não havia dependência alguma nem ciúme excessivo como antes. As brigas eram quase inexistentes. Tudo porque eu mudei o modo de ver as coisas e, principalmente, percebi que cada um deve ser feliz sozinho. Claro que foi todo um processo e fui aprendendo com o tempo, com os meus erros.

Como já contei a história de como aprendi isso, vou facilitar pra você.

Aqui vão 3 dicas pra você ser feliz sozinho, ser independente emocionalmente, e fazer com que seu relacionamento seja bem melhor:

1. Encontre um ou mais hobbies

Para ser independente emocionalmente, primeiro você precisa sentir prazer em fazer coisas sozinho.

Então encontre ao menos um hobby e coloque-o na sua rotina. Pode ser qualquer coisa que você gosta: malhar, dançar, fazer algum esporte, correr, andar de bicicleta, assistir a um seriado, ler, pesquisar sobre moda e maquiagem, enfim, qualquer coisa que te dê prazer.

Você precisa sentir prazer e felicidade fazendo alguma coisa sozinha. Passe um tempo apenas com a sua companhia fazendo algo que você gosta.

Assim vai aprender que ficar sozinha é bom! É muito bom! Sozinha você pode fazer tudo que quiser, sem se preocupar com os outros. Pode curtir, relaxar, rir, dançar feito louca, qualquer coisa sem interferência dos outros.

2. Passe um tempo com seus amigos e familiares

Quando estamos em um relacionamento, tendemos a passar muitos momentos com o companheiro e é claro que isso é necessário. Mas você também precisa conviver com seus amigos e familiares.

Ter momentos de felicidade com pessoas diferentes ajuda a diminuir a dependência de uma, e a te mostrar que a felicidade não provém somente dela.

Mantenha saidinhas ou reuniões com amigas e amigos. Mesmo que seja só pra conversar. E participe da sua vida familiar.

3. Faça coisas sozinha

Esse passo é essencial. Faça coisas sozinha. Ponto.

Precisa ir ao shopping comprar uma blusa nova? Vá sozinha! Quer ver um filme? Que companhia melhor do que uma que não vai ficar falando, atrapalhando e nem comendo toda a pipoca? Vá com você mesma! Só vai à academia se a amiga for junto? O que ela tem a ver com o teu corpo? Vá sozinha!

Depois passe a ir a restaurantes sozinha. Você pode achar estranho no começo, mas não é. É um passo muito importante para você se tornar independente.

Cada vez mais, passe a fazer mais coisas. Tenho amigas que vão até viajar sozinhas quando não encontram companhia. E adoram!

Mas cuidado, não estou dizendo para você ser antissocial, apenas pra se amar e sentir prazer com a sua companhia. Se nem você gosta da sua companhia, quem irá gostar?

Só não dependa de ninguém para fazer coisas que você quer.

Olha, modéstia a parte… Mas se você praticar essas 3 dicas, garanto que estará no caminho de ser independente emocionalmente e, mais importante, feliz sozinho.


A sugestão para esse artigo veio de uma leitora. Você também pode enviar a sua dúvida, sugestão ou história para contesuahistoria@alexandrechollet.com  Quem sabe ela é respondida aqui no blog?


 

18 comentários

Consultor de relacionamentos, criador do blog Cérebro Masculino e do projeto Clube da Conquista. Escreve sobre relacionamentos desde 2009 e ajuda amigos (as) desde sempre :P Envie sua dúvida para: contesuahistoria@alexandrechollet.com que ela pode ser respondida aqui no blog :) snap: alexandreuc

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  1. Bianca CostaResponder

    Incrivel, passei por um relacionamento desta forma, e hoje já sei ser feliz sozinha.

  2. Gabriely BritoResponder

    Muito bom o texto, é necessário entender que vc precisa estar primeiro com vc, pra depois ficar com outra pessoa

  3. Beatriz Fidelis Responder

    Tive um relacionamento de 3 anos e 1 mês que infelizmente acabou, estamos separados e com esse tempo fui capaz de perceber como eu preciso depender de alguém emocionalmente, e que quando tentei mudar isso em mim, começamos a namorar e ele não gostava que eu saísse muito sozinha (na maioria das vezes eram festas e entendia por que meu pai não me deixava sair muito com ele). Hoje sou capaz de perceber que com o tempo, fomos nos tornando cada vez mais dependente de ambos e o quão destruidor isso foi pra nossa relação. Eu ainda amo muito ele, mas de uma forma madura. Jamais deixem te destruir, não seja você autodestrutiva também, não tem problema nenhum você sair para festas sozinha de vez enquando, quando existe confiança.
    Foi o melhor texto que eu já li, e isso me lembrou muito de como tenho que fazer as coisas por pura realização pessoal

  4. GleysekellyResponder

    Nossa, sua estória e bem parecida com a minha,a diferença e que meu relacionamento durou 2anos. E eu n sinto mta coisa por ele agr

  5. GleysekellyResponder

    A maioria desses passos eu faço, menos o sair sozinha,vou começara praticalos, mas e difícil quando os amgs q vc ten lhe traíramou abandonaram.. Presciso urgente de amor próprio, sou carente em excesso e acabo me magoando sempre ou alguémpor n se bastar!

  6. Lídia PaivaResponder

    Ótimo texto! Parabéns!

  7. Larissa MoREIRAResponder

    eu te adoro linda quero ter conhecer

  8. Larissa MoreiraResponder

    eu te adoro te amo quero te conhecer maravilhosas

  9. AlexandreResponder

    Muito obrigado 🙂

  10. AlexandreResponder

    Fico feliz por ter gostado :

  11. ArianeResponder

    Muito bom 😉

  12. cassiaResponder

    Adorei o texto, é exatamente é isso!

  13. HannahResponder

    Amei! É isso.

  14. AlexandreResponder

    Fico muito feliz por ter gostado 🙂

  15. AlexandreResponder

    Muito obrigado 🙂

  16. AlexandreResponder

    Muito obrigado 😀

  17. Patricia LimaResponder

    Amei. �❤

  18. DAMARES PINHEIROResponder

    amei…também aprende a sair sozinha,pra fala a verdade eu amo,realmente no começo é estranho mas hj é para essencial não depender de ninguém pra sair comigo até pra show já fui sozinha,não por não ter amigos mas porq eles não podia ir comigo e eu tava super afim de ir e fui